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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CONTRA O PIOLHO SUGADOR DO SANGUE DOS POBRES…

Um artigo de Camilo Mortagua


Siry-tox já. (um novo pó contra o piolho)

A “Cavalaria da Troya”, a moderna, sem desprimor para a antiga, anda ESPANTADA!
De repente, sentiram a necessidade de tocar a reunir, e partiram para o combate, com as armas e métodos de sempre. Os seus amplificadores sociais de voz e opinião e a repetição exaustiva da mentira, dizendo-nos - é bom empobrecer!

Como é sabido, é nos ambientes mais pobres, que proliferam muito mais facilmente os piolhos e outras pragas de parasitas sugadores do sangue dos povos.
Sempre bem infiltrados por entre as dobras e costuras dos FORROS mais íntimos dos poderes das sociedades.

Em cada País existe um corpo de velhos e novos combatentes pelo poder dos ”PIOLHOS” pelo poder de chupar o sangue do próximo, o poder dado pela concentração do capital, verdadeiro ácido corrosivo da convivência da Humanidade “cavaleiros de Troya”, (de “troya” porque disfarçados de amigos, e infiltrados ao serviço de patrões inconfessos) como os piolhos, alimentam-se da miséria, penetram em todos os interstícios das sociedades, escondem-se da luz, da claridade transparente, e atacam a coberto da escuridão e do anonimato.

Corruptos, corruptores, especuladores de todas as naturezas, aspirantes a deuses subjugadores de homens, obesos de ambições, sem escrúpulos, exímios manipuladores de enganos, tudo, menos cidadãos duma qualquer sociedade honrada, roubam e matam sem castigo. Quase sempre, “a bem da nação ou do povo”-

A SAFRA de gente desta, nestas últimas décadas, tem sido farta e bem disseminada por esta Europa.
Finalmente, nestes jardins do Sul Europeu à Beira-Mar plantados, alguém se deu conta de estarmos gravemente infestados, tanto ou tão pouco, que tomamos finalmente consciência de serem eles, os que têm estado e estão desgovernando as nossas vidas, que, em benefício próprio, roubam pela calada da noite as “nossas flores”, os “cravos e rosas” da nossa alegria de viver.

E nós…todos nós, ou quase todos, gregos ou não, a deixar-nos enganar com a mesma cantiga de sempre! Dizem-nos... votem em nós porque somos da vossa cor e desta vez é que vai ser…e, uma vez atrás da outra, só nos saem PIOLHOS! Bem-falantes, bem vestidos, mas… PIOLHOS:
Fingem perder as suas batalhas, quando, por vezes, os de outra cor levam a melhor, mas, na verdade nada temem porque fica tudo entre piolhos.

Desta vez, parece que alguém conseguiu um pó contra piolhos, os seus… e os dos outros, e aí… assustaram-se. Ai Jesus que isso não era sério, não era responsável, que não se deve usar O SIRY-TOX porque isso é contra a Europa, é contra o Progresso, é contra a democracia, é O perigo da banca rota, é o caos, é o fim do mundo! MENTIRA! MENTIRA! MENTIRA!

O SYRY-TOX, SÓ AMEAÇA OS PIOLHOS,SUGADORES DO SANGUE DOS POVOS, INDIVIDUALMENTE, OU ORGANIZADOS em partidos de piolhos. Os verdadeiros e únicos inimigos do SIRIZA, são os piolhos: da sociedade grega, da Europa e do Mundo, que nos têm desgovernado.

Camilo Tavares Mortágua, Alvito, Fev. 2015

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

ANDANÇAS PARA A LIBERDADE (II Volume)

Camilo Mortágua

“Andava no Brasil despreocupado e, muitas vezes, até esquecido das razões porque por lá andava, julgando-me demasiado insignificante para que perdessem tempo comigo.

Por pensar que a História não se repete, mas os homens sim; por constatar que os Homens de poder têm uma trágica tendência para recorrer a desumanas práticas repressivas sobre os seus governados, sempre que (com razão ou sem ela) sentem ameaçados os seus poderes; não estou convencido da impossibilidade do Povo Português voltar a perder a sua Liberdade e da sua juventude voltar a ter necessidade de lutar por essa Liberdade roubada.

Esta é uma das razões para escrever estas “andanças”. Para que, por pouco que seja, através delas, as juventudes do meu país, se tal voltar a acontecer, estejam melhor preparados do que eu e os meus companheiros estivemos.”

CAMILO MORTÁGUA, “Andanças para a Liberdade”, volume II (1961-1974)

 

Andanças para a Liberdade - II Volume

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

CREDIBILIDADE

1. CREDIBILIDADE PARA QUÊ?

Por ela, para que creiam em nós, estamos dispostos a dar a vida? Mas, depois de mortos, quem pagará as nossas dívidas?

Era uma vez… Um grupo de ricos agiotas ultra “dinâmicos”que, insatisfeitos com o lento ritmo dos seus negócios, resolveu dinamizar os seus métodos de “marketing”para multiplicar a produtividade das suas vendas e a rentabilidade do seu único produto, o dinheiro.

Vai daí, iniciaram a sua grande inovação; anunciar ao Mundo, sobretudo ao Mundo dito atrasado, o grande mérito do crédito como factor de desenvolvimento, -“não hesitem, recorrer ao crédito é barato e dá milhões”- a propaganda tornou-se CREDÍVEL e, quem queria chegar rapidamente aos poderes de governar e ao prometido paraíso da abundância e do progresso, comprou a crédito (muitas vezes para arranjar votos ) todo o dinheiro que os agiotas lhes ofereceram.

À medida que a clientela aumentava, a procura intensificava-se. Com o aumento da procura, o preço do produto aumentou e chegou o dia em que os clientes perceberam que o dinheiro não tinha sido comprado, (perceberam que tinham alugado uma casa que não podiam pagar e iam ser despejados!).

Quando os agiotas começaram a perceber que iam ter dificuldades em reaver o “seu” dinheiro, assustaram-se e diminuíram a oferta, ao diminuir a oferta, ficou claro que a maioria dos clientes só podia pagar com novos empréstimos, estava descoberto a nível mundial, o sistema D. Branca.

Os ameaçados de despejo, para que os donos ganhassem confiança neles, disseram-lhe: não se assustem que nós vamos pagar dentro dos prazos, nem que para isso deixemos de comer…e começaram a pagar…só que, como o burro cigano, sem se alimentarem, um dia destes morrem…e aí, os agiotas, “que vão ao Tota”e limpem os restos por sua conta.

Claro que os donos – agiotas, que não são burros, teriam preferido receber nem que fosse metade do que lhe deviam, durante o dobro do tempo, mas para isso era preciso que os devedores tornassem CREDÍVEL junto dos agiotas a sua decisão de querer viver para lhes pagar as dívidas, com o que sobrasse da satisfação austera mas digna das suas necessidades vitais: Paz, pão, saúde e educação.

Mas… para que tal possa acontecer, todos os devedores temos de estar unidos e coesos, firmes e decididos a QUERER VIVER, PORQUE SÓ ASSIM GANHAREMOS A CREDIBILIDADE NECESSÁRIA PARA CONVENCER OS AGIOTAS DE QUE ESSA É, DE LONGE, A SOLUÇÃO QUE MAIS LHES INTERESSA.

É PRECISO ANULAR RAPIDAMENTE OS infiltrados “Cavalos de Tróia” dos credores, que nos dividem.

Enquanto alguns responsáveis pelos devedores estiverem dispostos a deixar morrer os seus, para com as vidas deles ir pagando os lucros dos agiotas, estes, de imediato, agarrar-se-ão a eles como seus verdadeiros intermediários, capazes de ir defendendo os seus interesses, mesmo à custa das vidas daqueles que dizem defender, anulando dessa forma toda a possibilidade de entendimentos pacíficos e justos, para ambas as partes.

2. CREDIBILIDADE PARA QUEM?

Diz o Gaspar e seus colegas, que é necessário cortar de maneira permanente, mais quatro mil milhões de euros por ano na despesa.

Diz o Expresso desta semana, que os encargos (despesa) com os juros da dívida são, este ano, sete mil cento e sessenta e quatro milhões, ou 56% dos encargos com a dívida.

Assim sendo, grosso modo, o custo total com os juros da nossa dívida deve rondar os 12,5 mil milhões. Se em vez de pagar 56%, pagarmos 30%,cerca de três mil setecentos e cinquenta milhões, e se cortássemos, não 4 mil milhões, mas apenas dois mil milhões, podíamos investir os outros dois mil milhões sobrantes, em apoio ao desenvolvimento produtivo.

SENHORES CREDORES Avaliando as nossas reais possibilidades e no vosso próprio interesse, DECIDIMOS:

a) poupar e arranjar trabalho para todos nós.
b) acumular riqueza para desenvolver a economia.
c) aumentar o nosso PIB, para diminuir o peso do encargo da dívida na nossa economia, facilitando dessa maneira,a nossa capacidade de vos pagar.
d) congelar pelos valores da presente data,o montante global em dívida.
e) que o valor anual a pagar pelos encargos da dívida, não pode ultrapassar os 30% do total, (cerca de 3.750 milhões) durante os dois primeiros anos, com um aumento progressivo igual ao da nossa capacidade de amortização do capital em dívida, até à sua liquidação.

A nossa decisão, é uma decisão caucionada por todas as forças representantes do conjunto da Nação Portuguesa, profundamente convictos de ser a melhor das soluções em defesa dos interesses dos nossos credores e da sobrevivência do nosso povo, sem a qual, o prejuízo dos credores será total.

Camilo Mortágua

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Notícias do Futuro

Notícias do futuro:

A boa nova
Sim…daqui fala o Mohamed Abdul  Paulinho da Silveira, directamente da nova sede das Nações Unidas da Terra, ( N.U.T ou  U.N.T ) situada na Ilha atlântica de Santa Maria, adquirida a Portugal na sequência da grande crise  dos anos 2005 a 2020…para anunciar ao mundo, o fim da era monetária.

Ontem mesmo,  29 de Janeiro de 2032,  a Assembleia Geral das NUT- Nações Unidas da Terra, por proposta dos Estados Unidos do Atlântico Sul  ou
U.S. S. A.- Unite States of Sud Atlantic; e na sequência dos resultados obtidos pela Câmara Mundial de Compensação das dívidas Soberanas, reunida durante os anos 2014 a 2019 , decidiu, por unanimidade que:
a).
As dividas soberanas apuradas, devem ser saldadas no prazo  de 30 anos a contar da presente decisão, sem recurso a moedas em circulação, mas tão somente através do fornecimento de serviços e produtos, segundo
os valores internacionalmente definidos pelo novo padrão a decidir
durante esta sessão da Assembleia

b).
A partir desta data, não são autorizadas e serão reconhecidas como nulas, todas as transacções internacionais que não tenham por meios recíprocos de pagamento, a troca de serviços ou produtos.

c)
A nível Nacional, cada País é soberano para reestruturar conforme entender o seu sistema económico-financeiro e produtivo,
mantendo ou não em circulação a sua moeda, todas elas de circulação restrita aos espaços nacionais respectivos.


( Ultima Hora )

A Assembleia acaba de decidir a substituição do Ouro como valor padrão,  pelo barril  de 100 litros de água potável. Todos os serviços e produtos terão o seu valor definido em relação ao preço da água.

A Assembleia, suspenderá os seus trabalhos por 24 horas, que continuarão por tempo indefinido, até que sejam discutidos e decididos
todos os importantes assuntos decorrentes destas profundas alterações para o ordenamento e governação das Sociedades Humanas.

A Assembleia saúda e congratula-se com  o inestimável serviço prestado  pelos Estados Unidos do Atlântico Sul, novel organização regional  herdeira  histórica de matrizes culturais que ajudaram a configurar  o   planeta que hoje conhecemos.

O Sonho comanda a vida!
Feliz Natal!

Camilo Mortágua

Natal 2011

Reflexões:

1. A inovação tecnológica e a competitividade desregulamentada dos mercados de trabalho apresentam ou não, para os últimos 20 anos, uma tendência contínua para o aumento progressivo de excluídos. (desempregados)?

2. Qual a alternativa a esta questão: (maior produção, mais produtos, mais desempregados, menos consumidores solventes)?

3. As bolsas de valores, tem demonstrado, ou não, serem bolsas de especulação financeira e de manipulação das economias mais frágeis?

4. Que fazer para defender as populações das orientações desonestas e interessadas dadas aos investidores que nelas acreditam, vendendo papeis de valor mais que duvidoso e incutindo nas populações a pedagogia da especulação, sem trabalho produtivo.


5. Que fazer para equilibrar os níveis de vida das populações que vivem de actividades do sector primário em relação com as que actuam nos outros sectores da economia, sem este equilíbrio, não pode haver coesão social nem paz.

6. Como organizar a sociedade para que toda a riqueza criada seja a expressão da produção real de bens e ou serviços e não meros exercícios de “criatividade financeira virtual”.


7. Que fazer, para acabar com o anonimato e consequente desresponsabilização dos agiotas que nada produzem e se servem do dinheiro de outrem para gerar mais dinheiro (fictício) e deste, para extorquir os resultados de quem produz efectivamente riqueza?

8. Que fazer para que nenhuma entidade nacional humana possa consumir mais energia e recursos naturais que aqueles que pode produzir, sem provocar desequilíbrios ambientais.

9. Que fazer para conceber um sistema seguro, fiável e barato, para guardar o dinheiro daqueles que prefiram usar esses “cofres”

10. Que fazer, para que a nível planetário, os
Excedentes de uns, sirvam para a solidariedade com os mais necessitados, e não para sustentar a guerra e a exploração dos mais débeis.

11.Que fazer, para que cada nação ou estado, conheça os limites das suas possibilidades e só os ultrapasse quando estejam reunidas as solidariedades reais e necessárias capazes de as sustentar, sem gerar encargos ou
dependências materiais, morais ou de soberania.

12.Se a posse de dinheiro se transformar ( sem resistência ) no valor supremo para o objectivo da realização da Humanidade, e regra absoluta para o reconhecimento de capacidades de governação; a sua híper-concentração na mão de descontroladas minorias, transformará a raça Humana numa
raça outra, de escravidão, onde não valerá a pena viver!

- Que fazer para contrariar esta tendência?

Três questões
A).
A presente crise, é do euro, da Europa, ou simplesmente e apenas uma consequência temporã do modelo social dominante, aqui sentida
com maior impacto, por ser uma das zonas do Mundo onde o modelo, por mais evoluído, mostra mais cedo as suas incontornáveis limitações?


B).
As CRISES europeias, são crises essencialmente devidas a más práticas
governativas e maus governos, que possamos resolver mudando de governantes;
- ou são CRISES devidas ás erradas formas dominantes e generalizadas de pensar a
organização das nossas sociedades? - Crises de modelo de sociedade e de
regimes apenas formalmente democráticos?

C).
Se for este o caso, como encarar as “lutas” partidárias no presente contexto? –
Que alternativa…(Sem entrar no jogo das alternâncias).?
Porquê ocupar o nosso tempo a tentar recuperar velhos instrumentos ?

Jovens…antevejo que os combates que se avizinham, não permitirão salvar as duas coisas essenciais: A VIDA E A LIBERDADE.! Uma destas coisas vos será roubada, é por isso que “candeia que vai à frente, ilumina duas vezes” e há quem diga que: “a vitória prepara-se cedo”.

Camilo Mortágua

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Santa Liberdade



50 anos depois o Museu Nacional da Imprensa organiza uma exposição sobre o assalto ao Santa Maria.

Na inauguração do evento esteve presente Camilo Mortágua, adjunto do capitão Henrique Galvão, o qual prestou alguns esclarecimento sobre a tomada do Santa Maria a uma plateia interessada.

A bem da liberdade era bom que nunca mais fossemos obrigados a pegar em armas para combater a tirania.



Esta exposição, iniciada 50 anos depois do exacto dia (22 de Janeiro de 1961) em que se iniciou esta aventura que abalou as ditaduras salazarista e franquista, estará patente ao público, no Museu Nacional da Imprensa (Freixo, Porto) até ao próximo dia 30 de Junho.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Povo Resolve!


Deixemo-nos de conversas fiadas, sem garantia de pagamento, aquilo que os governantes parecem não ser capazes de resolver, o nosso povo, se correctamente mobilizado, resolve.

Que a história recorde o exemplo de coesão Solidária da Nação Portuguesa .

Para tudo poder salvar, inclusive a LIBERDADE, é necessário:


a) um forte e concreto exemplo dado pelas nossas elites sociais, económicas e políticas, de que estão dispostas a contribuir na proporção dos seus rendimentos para a constituição do “FUNDO NACIONAL de sustentação da Independência”

b) face a esse exemplo, uma adesão maciça de todos nós a uma campanha solidária e voluntária de contribuição para o mesmo fundo (é sabido que os portugueses são mais solidários por acto voluntário que por obrigações fiscais impostas).

Fundo a ser controlado, por um grupo de pessoas escolhidas por escrutínio directo, segundo proposta metodológica do Presidente da República.

Sem a satisfação da primeira condição, as outras são impossíveis, e aí, ai de nós todos, mas também das elites políticas de hoje.

O poder arbitrário da espada espreita!…

A ceifeira de vidas e liberdades chamada “desordem” está sendo oleada, mesmo por aqueles que serão sem dúvida as suas primeiras vítimas!...


Camilo Mortágua

quarta-feira, 21 de abril de 2010

D. Sebastião e o Adamastor

O REGRESSO DE D. SEBASTIÃO

Quem está de fora...racha lenha? Desculpem lá mas eu não me sinto "de fora" e está demasiado frio por cá para que me possa entregar ao exercício, "só para aquecer".

Vamos lá com alguma calma e descontracção analisar este apologético entusiasmo em torno da surpreendente (será?) candidatura à Presidência da República Portuguesa do Dr. Fernando Nobre.

Que me perdoem todos quantos possam discordar, mas estou a ficar com a impressão de estar a presenciar um acto de prestidigitação . De repente, alguém descobriu o Messias salvador da Pátria, aquele que, sem mácula nem mentiras, saberá sacrificar-se para remissão dos nossos pecados! Bem sei, nós portugueses, ainda não conseguimos libertar-nos da esperança do regresso de D. Sebastião e estamos sempre predispostos, como povo, a aceitar espontaneamente, de coração aberto, a primeira aparição milagrosa que nos surja pela frente, sem deixar que a razão interfira no nosso entusiasmo messiânico.

Que um cidadão molde o seu percurso de vida pela ambição de chegar à magistratura suprema do seu País, é uma atitude legítima que em nada diminui o carácter e a honradez de quem a toma, sempre e quando, o acto seja frontalmente assumido, sem disfarces e falsas motivações, apenas e tão só por estar a exercer um direito próprio, sem pretender com essa acção "potenciar / virtualizar / privilegiar / qualificar" o seu direito, em relação ao direito de outros, e sempre e quando tal atitude não seja, ou evidencie ser, instrumentalizada ao serviço de terceiros, para fins que nada têm a ver com os interesses do País. Estes aspectos éticos, tornam-se muito mais significativos, quando a pessoa em questão pretenda retirar da ética da sua imagem a mais-valia da sua oferta, pretenda recorrer às virtudes da sua ética e da sua moral humanista e solidária, como garantia da excelência da sua prestação futura.

Neste caso, o Dr. Fernando Nobre, pretende fundamentar, justificar, engalanar a excelência da sua futura prestação, adiantando principalmente os seguintes argumentos:

a) apresenta-se por imperativo de consciência, livre de compromissos partidários, em nome da valorização do exercício da cidadania e da representação da sociedade civil despartidarizada.

b) apresenta-se pela possível comprovação de que a democracia não se pode nem deve esgotar nos partidos políticos e que, por isso, o protagonismo adquirido pela prática de outras actividades cívicas de alto valor humanitário, deve ser considerado mais meritório que o dos políticos profissionais.

Acreditar, ou não, nestes argumentos; julgá-los verdadeiros, pertinentes, credíveis e suficientes, ou não, é tarefa reservada ao mais íntimo de cada eleitor. Porém, analisá-los à luz do percurso de vida do protagonista para neles poder introduzir alguma fiabilidade baseada em sinais capazes de confirmar a coerência do que agora é afirmado, parece-nos uma atitude razoável para quem pretenda exercer o seu direito de voto com um mínimo de ponderação dos diferentes factores caracteriais e dos possíveis interesses em jogo.

Julgo saber, que existe no nosso povo, de forma transversal e generalizada, a tendência para louvar toda e qualquer xico-espertice, desde que o entorse à ética ou ao direito seja feito com suficiente grau de fingimento e de cobertura legal. Quando tal acontece, estamos sempre prontos a perdoar o delito e a enaltecer a inteligência do delinquente.

Nestas situações, as afirmações e argumentações de cada interessado, não são, infelizmente, susceptíveis de comprovações factuais incontestáveis e definitivas. O antigo ditador Oliveira Salazar, confrontado com esta dificuldade, optou por tentar ultrapassá-la afirmando: - “em política o que parece é“ isto dito por tão experiente manipulador da opinião pública e da história, é capaz de ter algum fundamento.

É por isso que, fazendo fé naquilo que parece, e como parte desinteressadamente interessada na candidatura de Manuel Alegre, entendo ser útil, a título de simples exercício criativo e ficcional, contar-vos uma história que, se a minha capacidade narrativa não fosse tão limitada, poderia proporcionar uma interessante peça de teatro mais ou menos burlesco, em três actos, que teria por título:

A RESSURREIÇÃO DO VELHO ADAMASTOR!

Num primeiro acto apareceria um personagem parecido com o velho adamastor mas de ar bonacheirão e pensativo, preocupado. Debruçado sobre as águas do lago do campo grande, a interrogar o baço espelho d’água, espantado por aí ver reflectida, não a sua imagem, mas a do “mostrengo de breu de cor de rosa vestido pilotando a grande nave da democracia”: - some-te mostrengo… voltei sim… e de novo ao leme deste barco que é só meu… some-te… ó nave de piratas e falsários, e tu… que me olhas altaneiro, bem te conheço o disfarce do vate tenebroso que a minha prometida glória roubou, cantando por todo o reino ser melhor do que eu, some-te ó trovador dos novos tempos que ousas querer chegar onde só eu devo mandar… desaparece fantasma atormentador dos meus sonhos… hei-de reincarnar para de novo te fazer naufragar… maldita a hora em que te aceitei como tripulante deste barco onde ao leme sou mais do que eu… sou o Pai da democracia deste povo que é só meu… - levanta-se transfigurado e em êxtase proclama… obrigado meu Deus… obrigado… valeu a pena passar por esta alucinação… obrigado pelos teus sinais, pela tua iluminação, encarnarei em quem me dizes… isso faz acabar o meu pesadelo, a minha fome de vingança irá juntar-se à sua vontade de comer… vamos acabar com estes desobedientes aprendizes de políticos profissionais que já me julgavam morto… o Albuquerque do socorro à desgraça, vai ser capaz de calar, até os ventos que passam. Ah… Ah… Ah…

No segundo acto, sentados num banco da praça do império, suficientemente retirado e em voz discreta por causa das escutas, quase em sussurro de orelha a orelha, aparecem o Pai da Democracia Portuguesa à conversa com um nobre travestido de plebeu.

Diz o Pai da democracia: é a sua grande oportunidade meu amigo, já é tempo de capitalizar esse seu protagonismo adquirido fora da política, essa sua imagem de cidadão solidário e humanista, ajudada pelo meu total apoio e dos meus amigos dentro e fora do partido são suficientes para levá-lo à vitória e arrumar de vez com as pretensões desse passarão de mau agoiro do Alegre…

O Nobre travestido de plebeu: vai ser difícil, sem apoios partidários nem meios financeiros o combate é de resultado incerto… veja o que lhe sucedeu da última vez…

O Pai da democracia: não receie meu caro amigo… do outra vez o homem do leme abusou da minha boa fé. Depois de ter prometido casamento ao outro veio namorar comigo e enganou-me, mas agora a sua imagem e juventude são outras, a seu tempo os meios financeiros vão aparecer e estou certo que poderá contar com o apoio não explícito duma grande parte do partido e de todos os outros partidos com quem estabeleceu ligações e que sem a sua candidatura votariam no insolente versejador.

O Nobre travestido de plebeu: mas está certo de poder contar com o apoio do Sá Crotes?

O Pai da democracia: não se aflija meu amigo, com esse ninguém pode contar antes da hora, flutua… flutua, e o mais certo é que venha a fingir que sai fora da contenda, mas não se oporá aos nossos desígnios que até podem muito bem convergir para manter tudo como está… depois da primeira batalha trataremos da segunda, aconselha a prudência a travar uma batalha de cada vez, mas, mesmo nesse caso, pense que vale a pena aproveitar a ocasião como rampa de lançamento para voos futuros e limpar o campo dos nossos inimigos, anime-se homem…

Olhe aí vêm os meus amigos da comunicação social… já sabe… a decisão é sua… eu vou saindo ali por detrás daquela sebe e aproveito para visitar e tranquilizar ali o meu amigo do palácio em frente, não… não, não se incomode, embora saiba que também é da casa, eu também a conheço bem… esteja tranquilo e vá-se a eles que vamos arrasar com esses aprendizes de políticos… Ah…Ah…Ah…

O terceiro acto começaria junto ao monumento aos navegantes, focando o Tejo e a outra banda operária como pano de fundo, com a imensa esplanada apinhada de adeptos da sociedade civil despartidarizada empunhando cartazes em favor da cidadania apartidária. Junto ao mastro da bandeira que ladeia o monumento estaria uma pequena maca coberta por um pano branco com uma cruz vermelha pintada, tendo por baixo a palavra AMIM.

De repente, uma lufada de vento vinda das agitadas águas do Tejo galga o paredão, gera-se o pânico e o Nobre candidato desata a correr esplanada fora em direcção ao palácio presidencial: com o Pai da Democracia em grande aflição a correr atrás dele seguido por uma multidão civil apartidária que grita… não é nada… não é nada… não há nenhuma emergência, não precisa de pedir aviões nem navios... já passou, foi só o barulho do vento que passa!...

Camilo Mortágua

Carta Aberta ao Primeiro dos Ministros

Senhor Primeiro dos Ministros :

Eu, Mariana Pão Mole, tia do Francisco Mau Modo, mas bom falador, rapaz cá da terra que muito estimamos mesmo quando usa o santo nome da nossa aldeia em vão, profundamente aziada com a acusação que publicamente me fez, menos pela palavra, que essa é verdadeira, do que pela associação indevida e tauromáquica que lhe é feita, não porque eles me pesem mas pela calúnia ao meu querido defunto, não me pude conter e aqui estou ditando para o meu mais novo este testemunho que lhe quero mandar, certinha das palavras que aqui lhe mando não representarem apenas a minha incontida amargura e incompreensão, mas a da maioria absoluta cá da Aldeia.

Senhor Primeiro dos Ministros, sua graça, que vai sendo pouca, perdeu o juízo, anda por aí alguém a dar-lhe maus conselhos ou deu-lhe agora prós copos?

Então para além de pretender insultar-me por ser tia do Francisco, agora ameaça-nos de vender os Correios para arranjar uns cobres para dar a esse que dizem que Mexia aí nas coisas da electricidade!!! Deus nos livre… arre demónio… que fiquei logo a pensar na desgraçada história da minha amiga Maria Cola. Sabe senhor primeiro, as histórias das pessoas simples, às vezes, digam lá o que disserem, valem mais que muitos cursos para doutores, como de resto sua graça deve saber.

Na esperança de que ainda possa reconsiderar dessa malfadada ideia de nos vender os correios, não resisto a contar-lhe a história triste da minha querida ama Maria Cola, natural de Cabo Verde, mas trazida cá para a Aldeia pela Mãe, mulher para todo o serviço do agrário Fernandes, que por lá tinha umas propriedades.

A Maria Cola por cá cresceu ao serviço de meus pais até encontrar o conterrâneo com quem casou e que a levou lá para detrás dos montes, para uma Aldeia de brava gente mas muito isolada, no alto duma Serra de que já não me lembro o nome.

O marido, recém chegado do seu Cabo Verde natal, para resolver os tremendos problemas causados pelo isolamento, sobretudo a falta de água e de noticias da terra, resolveu comprar um burrinho e ensiná-lo a descer até ao fontanário da vila mais próxima, onde alguém sempre lhe enchia os cântaros, que o burrinho, ao fim de algum tempo, trazia, mais certinho que o romper da manhã, para as necessidades da família.

O dito, para além da água, transportava serra acima, num saquinho de plástico pendurado ao pescoço, cartas, notícias e outras encomendas. A chegada do burrinho era o momento mais alegre do dia.

Passado algum tempo, com a vida a dar para o torto, o marido da Maria Cola começou a afogar as consequências das crises nuns copitos duns licores caseiros, perdeu muita da capacidade que tinha para governar a família e decidiu, meio nublado pelos vapores dos álcoois, vender o burrinho!!!

Foi o fim da família… Sem o burrinho nada chegava lá a casa… A Maria Cola não teve outro remédio se não pegar nos cachopos e abandonar aquelas paragens… Andou por aí um par de anos aos trambolhões da vida, mas, cabo-verdiana de gema, rogou pragas à porca da vida e foi em frente até conseguir voltar para a sua terra, lá nos confins da chã do norte de Santo Antão assentou poiso e comprou dois “burrinhos-carteiros” para aí refazer a vida!

Sua graça percebeu?... Não venda os nossos burrinhos, (salvo seja) se não temos que nos ir embora, e as nossas Aldeias ficam mais desertas do que estão…

É isso que quer, continuar a esvaziar Portugal?... Vá de retro!

Mariana Pão Mole
Viúva do Inácio Pão Mole
Aldeia de São Mansos
Évora - Alentejo
Ao cuidado do meu mais novo:
Camilo Mortágua
Apartado 12
7920 ALVITO

Camilo Mortágua

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fernando Nobre



O anúncio de Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI, em candidatar-se à Presidência da República colheu-me de surpresa, mas ao mesmo tempo de satisfação, isto porque não é um político de carreira, mas sim um homem de acção.

Fernando Nobre relaciona-se com as pessoas e não com os esquemas político-partidários ou os número, sabe o que é o sofrimento, pois lidou com ele ao longo dos anos.

Para já deixo aqui ficar a minha simpatia por esta candidatura que, pela primeira vez, parece fugir à lógica político-partidária, por isso vou aguardar pelo desenvolvimento desta candidatura, mas deixo desde já o meu voto de solidariedade se os acontecimentos futuros não me desiludirem.

COMENTÁRIO DE CAMILO MORTÁGUA

A vida é assim mesmo, por estar cheia de surpresas inesperadas, torna-se interessante!

Concordo contigo em relação à apreciação do personagem, mas sou obrigado a discordar frontalmente da sua decisão, não porque não tenha o pleno direito a candidatar-se, mas porque o contexto em que o faz afecta irremediavelmente a dimensão ética da sua imagem.

Prestar-se a ser muleta dos falcões do PS. para potenciar a eleição do Cavaco em detrimento de um candidato que no plano ético, moral e cívico, e como defensor dos valores fundamentais duma esquerda de princípios e não de negócios, é exemplar, como é o caso do Manuel Alegre, é, em minha opinião, uma atitude eticamente condenável.

Não basta vir dizer que a sua candidatura não tem nada a ver com partidos, mas que é uma simples questão de cidadania; dizia Salazar, que "em política o que parece é" e já antes do anúncio da candidatura, era público quem estava a pressionar o Homem para que se candidatasse... e, mesmo que assim não fosse, o Dr. Fernando Nobre pela sua experiência de vida, não pode alegar ingenuidade em sua defesa... sabe muito bem medir os efeitos da sua candidatura face ao panorama da próxima eleição à presidência da República!

Razão tinha quem sempre me disse para não acreditar na existência de grandes homens, mas sim, no facto de existirem grandes oportunidades em que os homens pelas opções que tomam sabem elevar-se ou não a cima da mediania.

Para mim... e receio que para muitos portugueses, (o que é pena) a partir de hoje, o Dr. Fernando Nobre, passou a chamar-se apenas... Fernando.

Camilo Mortágua

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CONVITE (29 de Janeiro de 2010)

CONVITE

Os Filhos Pródigos da Liberdade - A Oposição Democrática na Venezuela

Com a presença de Camilo Mortágua

29 de Janeiro de 2010, pelas 21:30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Valongo

camilo mortagua

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Os Filhos Pródigos da Liberdade em Valongo

Por iniciativa da Biblioteca Museu República e Resistência de Lisboa, e com o apoio da Câmara Municipal de Valongo e da Escola EB 2/3 de Campo (Valongo), vai realizar-se no próximo dia 29 de Janeiro na Biblioteca Municipal de Valongo, com início marcado para as 21 horas, uma conferência/debate subordinada ao tema "Os Filhos Pródigos da Liberdade - A Oposição Democrática na Venezuela", com a presença de Camilo Mortágua.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Os Filhos Pródigos da Liberdade

Por iniciativa da Biblioteca Museu República e Resistência de Lisboa, vão realizar-se, ao longo dos próximos meses, várias conferências/debate subordinadas ao tema "Os Filhos Pródigos da Liberdade - A Oposição Democrática no Estrangeiro".

No próximo dia 29 de Janeiro de 2010, realizar-se-á uma destas conferências/debate, com o apoio da Escola EB 2/3 de Campo (Valongo), na Biblioteca Municipal de Valongo e fazendo parte do Plano Anual de Actividades daquela Escola, a conferência/debate dedicada aos emigrantes portugueses na Venezuela nos anos 60, com a presença de Camilo Mortágua.

Em breve serão aqui divulgados mais pormenores.

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vidas que Contam

Hoje, na Antena 1, no programa "Vidas que Contam" de Ana Aranha, depois das 16 horas, entrevista com Camilo Mortágua e depoimentos de alguns companheiros e amigos.



Total da emissão cerca de 50 minutos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Andanças para a Liberdade

Andanças

Camilo Mortágua lançará o seu livro "Andanças para a Liberdade" em Salreu, Estarreja, no próximo dia 20 de Junho na Junta de Freguesia de Salreu às 19 horas.

A apresentação do livro estará a cargo do escritor Jorge Velhote.

domingo, 31 de maio de 2009

Entrevista a Camilo Mortágua

CAMILO MORTÁGUA é homem da liberdade. Homem que incessantemente a procurou e lutou por ela. Um homem que valoriza as suas raízes, “o seu ponto de partida”. Muito do seu percurso, é um acto de contínua solidariedade com quem mais necessita.

Escreveu agora “Andanças para a Liberdade”, onde relata o que fez para a procurar. Nascido na Beira Litoral, saiu aos 12 anos com os pais para Lisboa e, revoltado com a falta de LIBERDADE e de perspectivas para singrar na vida, aos 17 anos parte para a Venezuela.

Aí, colaborou no derrube da ditadura venezuelana e com a revolução cubana. Realizou durante anos diversos programas de rádio para a Empresa “Ecos de Portugal” por si fundada.

O seu baptismo como militante político foi na “Junta Patriótica Portuguesa de Caracas ” uma organização antifascista onde predominava a “Doutrina do Socialismo Científico”, ali se encontrou com Henrique Galvão, com quem poucos dias antes de fazer 27 anos, ocupou o paquete Santa Maria ou Santa Liberdade.

JOÃO BRITO E SOUSA (JBS): Fernando Pessoa disse que, se em determinada altura da sua vida tivesse virado à esquerda em vez de ter virado direita, a sua vida tinha sido diferente. O senhor acha que no seu percurso de vida virou para o lado certo e na hora certa? Quero dizer, agrada-lhe o percurso de vida que teve?

CAMILO MÓRTÁGUA (CM): Os nossos percursos de vida são definidos por acontecimentos e influências que nem sempre controlamos. Os obstáculos ou facilidades que se nos deparam, as dificuldades ou facilidades de realização dos nossos mais fortes anseios é que vão balizando os caminhos a percorrer. O Berço e o tempo em que se nasce, são importantes “empurrões” para a escolha inicial. Sinto-me bem, por não ter abandonado o lado em que nasci. As acções com que fui balizando o meu percurso estão a ser contadas nas “Andanças para a Liberdade”.

JBS:
O seu desempenho político ao serviço de uma organização política de esquerda é conhecido. Gostou desse trabalho? Entendeu-o como necessário fazê-lo? Alcançou os objectivos? Valeu a pena?

CM: Mesmo quando actuei politicamente integrado numa Organização política, nunca o fiz ao serviço duma organização. Foi sempre ao serviço da procura do caminho para a LIBERDADE, do caminho para a libertação das pessoas, “ lato senso”. Uma das singulares características do meu percurso é a de quase sempre ter sido “revolucionário por conta própria” por conta própria mas sempre conjuntamente com outros companheiros que, como eu, gostam de pensar pela própria cabeça.

Quando se luta pela LIBERDADE, pelo aperfeiçoamento das relações de harmonia e respeito entre as pessoas, os objectivos nunca estão alcançados, mas nem por isso, podemos deixar de caminhar para eles, sob pena de nos afastarmos irremediavelmente da mobilizadora possibilidade de os alcançar.

JBS: A injustiça social sempre o incomodou e preocupou?

CM: Sempre estive ao lado dos mais desfavorecidos. As injustiças, todas elas, é que fizeram de mim o que sou. Sem a arbitrária violência do regime salazarista, é provável que eu fosse um anónimo cidadão deste país.

JBS: Esteve disponível para o combate político. A família saiu prejudicada?

CM: É difícil responder objectivamente a essa pergunta, por vezes o prejuízo material é o de menor importância. Segundo a consciência de cada pessoa, prejuízos objectivos e compensações subjectivas, podem pesar para um lado ou para o outro com efeitos por vezes irreparáveis. Quando nos entregamos convictamente à luta por uma causa, palavras como: “o meu, o nosso, tranquilidade, segurança etc.” têm pouca importância.

JBS: Descreva um grande momento de alegria que sentiu na sua intervenção política.

CM: Passear na Av. da Liberdade sem olhar para trás na manhã do dia primeiro de Maio de 1974.

JBS: O momento político actual? O que tem a dizer?

CM: Enquanto a chamada “competitividade” depender substancialmente da exclusão das pessoas dos processos de produção, sem garantir aos excluídos dignas condições de vida, este mundo vive em “pecado civilizacional” e caminha para a barbárie.

JBS: Os seus pais e avós ou alguém da sua família estiveram de algum modo ligados à política? E o senhor sentiu essa necessidade como? Como surgiu isso se o senhor teve uma infância feliz em Oliveira de Azeméis.

CM: A resposta a essa pergunta encontra-se detalhada nas páginas do Livro que acabo de publicar - Andanças para Liberdade.

JBS: Andanças para a Liberdade, a sua obra, ensina? Educa? O que é que pretende com a publicação do livro?

CM: Pretendo que os leitores desfrutem de algumas horas de boa disposição e agradável leitura, ficando a conhecer factos e ambientes porventura seus desconhecidos. A cada leitor competirá dizer o que conseguiu extrair da narrativa, como agora se diz, um livro também é aquilo que o leitor consegue perceber dele.

Também pretendo demonstrar que os ditos “revolucionários” não são seres excepcionais, nem extra-terrestres. São pessoas absolutamente idênticas a todos nós, apenas colocadas em circunstâncias de vida propiciadoras de acções excepcionais.

Entrevista conduzida por João Brito e Sousa e publicada no jornal algarvio BRISAS do SUL