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segunda-feira, 21 de junho de 2010

SARAMAGO vs CAVACO



Vergonha!

A vergonha é um sentimento nobre, é o sentimento dos homens com H grande. Vergonha é o sentimento que os sem vergonha não podem, evidentemente, ter.

Cavaco mostrou mais uma vez a sua pequenez, quer como pessoa, quer sobretudo como homem de Estado.

Ainda todos nos lembramos da arrogância intelectual quando, há anos atrás, afirmou que nunca se engana e raramente tem dúvidas. Como homem pode afirmar todas as idiotices que lhe vierem à cabeça, mas como homem de Estado deve pensar duas vezes antes de fazer tais comentários.

Cavaco é um tecnocrata inculto, mas como Presidente da República Portuguesa, como Presidente de todos os Portugueses e com a idade que tem, já devia ter percebido que um Presidente da República não pode colocar as suas convicções pessoais à frente do seu dever como homem de Estado.

Cavaco, o homem, podia não gostar de Saramago, é algo de pessoal, mas como Presidente da República ele não representa o cidadão Cavaco Silva, mas o Estado Português, isto é, todos os Portugueses.

Como mais alto representante do Estado Português, Cavaco não podia ignorar a grandeza, nem as fraquezas, desse vulto da cultura Nacional e Internacional que foi, é, José Saramago.

Saramago foi uma personagem polémica, até na hora da sua morte, pois até na morte soube trazer à tona toda a mediocridade dos homens medíocres, Cavaco e não só.

Cavaco, tal como o seu ex-ministro Lara, mostraram bem a pequenez dos politiqueiros portugueses, tal como no passado um tal Dantas, glosado e ridicularizado por Almada Negreiros.

Pegando no Manifesto anti-Dantas, apenas posso afirmar:


Morra o Cavaco! Morra! Pim!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

The End

(...) Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem. (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Ver o que não se Via

(...) O segundo a recuperar a vista (...) foi a rapariga. (...) O (...) abraço foi para o velho (...) agora vamos saber o que verdadeiramente valem as palavras, (...) mas a situação mudou, a rapariga (...) tem diante de si um homem velho que ela já pode ver, acabaram-se as idealizações emocionais, as falsas harmonias na ilha deserta, rugas são rugas, calvas são calvas, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Tempo

(...) é preciso esperar, dar tempo ao tempo, o tempo é que manda, o tempo é o parceiro que está a jogar do outro lado da mesa, e tem na mão todas as cartas do baralho, a nós compete-nos inventar os encartes com a vida, a nossa, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Palavras

(...) As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntando umas com as outras, parece que não sabem aonde querem ir, e de repente, por causa de duas ou três, ou quatro que de repente saem, simples em si mesmas, um pronome pessoal, um advérbio, um verbo, um adjectivo, e aí temos a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compustura dos sentimentos, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Sonhos

(...) Vagos no princípio, imprecisos, os sonhos iam de dormente em dormente, colhiam daqui, colhiam dali, levavam consigo novas memórias, novos segredos, novos desejos, (...) Este sonho não é meu, diziam, mas o sonho respondia, Ainda não conheces os teus sonhos (...) a rapariga (...) ficou a saber quem era o velho (...) que dormia ali (...) desta maneira julgou ele saber quem ela era, apenas julgou, porque não chega serem recíprocos os sonhos para que sejam iguais. (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Incertezas da Certeza

(...) o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"