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sábado, 5 de abril de 2008

Salvemos o Bolhão!



O Mercado do Bolhão, situado mesmo no coração da Cidade do Porto, é um dos locais mais pitorescos da cidade. Podemos até considerar que se trata de um dos seus ex-libris.

Os políticos locais têm ideias megalómanas para o este espaço: transformá-lo num enorme e moderno Centro Comercial. Todos imaginamos os interesses que estarão por detrás destas ideias!

Como portuense não posso deixar de me indignar e, embora não seja do meu tempo, sempre ouvi falar da demolição do antigo Palácio de Cristal e da tacanhez e "parolice" dos políticos da época que decidiram a demolição daquele magnífico recinto para a construção de um Pavilhão de Desportos que tem estado praticamente abandonado e desaproveitado, quando este podia ter sido construido noutro local, preservando aquele edifício que marcou uma das épocas mais grandiosas da Cidade do Porto.



Hoje os políticos vestem outras fardas pseudo-democráticas, mas dispõem de meios bem mais sofisticados para enganar os pobres eleitores que ainda são levados na sua conversa, porque votam como quem gosta de um clube, sem ter em atenção que o que está em jogo é muito mais do que a paixão clubística.



O Bolhão é um impressionante e pitoresco espaço da cidade, onde reinam o convívio, a cor e os aromas. O Bolhão não pode desaparecer nem ser descaracterizado!





As flores, os frutos e os legumes!



















Os enchidos, a carne, o peixe, o pão, as especiarias e as gentes!













O Mercado do Bolhão não é só um problema dos que lá trabalham ou dos que habitualmente fazem lá as suas compras. O Bolhão é um problema de todos os portuenses, que não podem permitir que se lhes retire mais um pouco da sua alma.

É hora de acordar e dizer NÃO!

Claro que o Bolhão necessita de um restauro urgente, mas essa necessidade nunca pode permitir que se argumente com a sua demolição ou substituição, descaracterizando-o completamente.

Senhores políticos, se querem prestar algum serviço digno à cidade que não passe pela vaidade pessoal então empenhem-se em revitalizar e apoiar a baixa da cidade, devolvendo-a de novo aos portuenses. Portuenses exijam que os políticos vos devolvam a cidade que é vossa, não a deixem descarterizar, nem se deixem empurrar para a periferia. Esse, sim, seria um trabalho digno das pessoas que dizem amar a cidade e a sua história e as suas gentes.

Pela revitalização da baixa do Porto e do Mercado do Bolhão, PORTUENSES levantem-se! Estão a tentar destruir a nossa alma!



Ocupem as ruas e digam não a mais esta prepotência e cedência dos políticos ao grande poder económico!



Por uma política municipal ao serviço dos cidadãos e não dos grandes interesses económicos e financeiros.

Antes de atacarmos os políticos do Terreiro do Paço devemos ser severos para com os mesquinhos e vaidosos da política local.

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Fotografias tiradas por Spiritwolf em 5 de Abril de 2008

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Espaço de Liberdade e Debate

Recebi recentemente do meu prezado amigo JBS, o mail que agora publico na íntegra, nem sempre concordo com as opiniões dele, mas os amigos não têm de estar sempre de acordo, mas como espaço de debate, democracia e liberdade aqui deixo o texto dele e quem quiser que se manifeste, porque, concorde-se ou não, é no debate em liberdade que nasce a luz.



MM

O texto foi enviado também ao CARLOS MAGNO, jornalista.

PORTO, 2008.02.01

Meu caro MM,

Estive ontem à noite no PASSOS MANUEL, numa, digamos, reunião de amigos do Porto, que o senhor conduziu muito bem com a boa colaboração do César e da D. .Júlia, que tinha inicialmente o objectivo de falar sobre o 31 de Janeiro de1891.

Em meu entender, sem ter a certeza de poder expressar-me assim, considero um falhanço grave da cidade e das suas figuras mais representativas, como é o seu caso e do César que aí esteve consigo, o facto de ter acontecido o que aconteceu ontem à noite.

Mais grave ainda terem feito parte deste imbróglio, pessoas tidas como grandes vultos da cultura da cidade do Porto como são o Prof. Doutor Júlio Machado Vaz e o Poeta Manuel António Pina.

Quanto a mim, foi praticado um acto de falta de respeito pela data de 31 de Janeiro de 1891.

Por outro lado, tentou-se, com a sua habilidade dar a volta ao texto, o que de certo modo foi conseguido, com uma plateia de boa assistência e interessada.

Mas interessada em quê?... Em recordar o passado dos cafés do Porto, o Café Piolho, nomeadamente que tem a ver com um passado que não volta mais...

Alferes Malheiro... nem uma palavra... sargento Abílio nem uma palavra. Saudade dos cafés, sim.

Foi uma reunião de amigos do Porto. Não tenho nada contra reuniões de amigos, mas será que são nossos amigos aqueles que só falam bem de nós?... Duvido Ontem à noite só se falou bem do Porto.. mas duvido que esses que assim o fizeram sejam amigos do Porto.

Vou dar um exemplo do blogue
"A Bússola" dirigido por Manuel Serrão, Júlio Magalhães e outros, o Rogério Gomes fez publicar o post, com o título, "O Norte, a Universidade e a Informação", donde concluiu que "a iniciativa liderada pela Universidade do Porto (a maior do País, sabiam?) com o objectivo de discutir o futuro do Norte, foi de relativo pouco relevo...

E questiona-se porquê se afinal estavam lá Artur Santos Silva, Rui Moreira, Carlos Lage , Rui Rio, o reitor da UP, e muitas outras figuras do Porto e do Norte. .

Por falta de espaço ou excesso de agenda? Não faltaram temas bem menos interessantes a ocupar páginas e minutos de rádio e de televisão.

Por outro lado, diz Manuel Serrão em artigo de opinião publicado no JN: "Só a Regionalização permitirá a "emancipação política" do Norte, era o título que encabeçava a notícia que o JN publicou ontem sobre o terceiro encontro "Porto Cidade Região", que também ontem terminou no Palácio da Bolsa.

Nada mais verdadeiro, sobre isso, diz ainda Manuel Serrão."...

Depois na imprensa, JN nomeadamente, pude ler as palavras proferidas pelo Reitor da UP, Professor Doutor José Marques dos Santos, que foram: "Basta de lamúrias e bairrismos serôdios", e disse, ainda: "Perante a ausência de órgãos regionais com legitimidade democrática, a sociedade civil nortenha, não tem outra via para liderar o processo de desenvolvimento, que não seja a coopetição (COOPERAÇÃO e COMPETIÇÃO) entre instituições, de forma a gerar massa crítica."

Três opiniões válidas mas não coincidentes. Das três a que vale mais, em minha opinião, é a do Reitor, porque eu também penso assim. E esta é, uma frase que vem de um verdadeiro amigo do Porto, que deveria ser analisada, pelas forças da cidade. Mas imprensa calou-se...

Pelos vistos o Porto não quer saber...

Como MST não quer saber das declarações de Carolina Salgado.

O que é estranho, porque o Porto de Mestre Aquilino Ribeiro, o Porto queria saber ... melhor, o Porto, precisava de saber....

Hoje não é assim. PORQUÊ?...

É tudo.

Apresento-lhe os meus cumprimentos.

João Manuel de Brito de Sousa.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Entender o Porto

Com aquele abraço na alma ao meu amigo Rui Vasco e um muito obrigado por me ter mandado estas frases, que aqui ficam publicadas e que, embora conhecidas, nunca é demais recordar.

Espero que esta leitura ajude os forasteiros a melhor decifrar esta cidade secreta que Eugénio de Andrade, um seu filho adoptivo, não hesitou em considerar a mais fechada das nossas cidades.

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Frases soltas que alguns grandes escritores e intelectuais portugueses escreveram sobre o Porto:

O B PELO V

Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão.

Almeida Garrett

MARAVILHAS E ANGÚSTIAS

O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias.

Sophia de Mello Breyner

COMO SE VINGA

O portuense não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da Polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria.

Ramalho Ortigão

RIR DESBRAGADAMENTE

E quanto ao riso, o Porto gosta de rir e de rir com uma certa insolência: ri mais desbragadamente, mais primariamente, mais saudavelmente e com mais gosto do que Lisboa.

Vasco Graça Moura

REGAÇO ABERTO PARA O RIO

Afinal, o Porto, para verdadeiramente honrar o nome que tem, é, primeiro que tudo, este largo regaço aberto para o rio, mas que só do rio se vê, ou então, por estreitas bocas fechadas por muretes, pode o viajante debruçar-se para o ar livre e ter a ilusão de que todo o Porto é a Ribeira.

José Saramago

UMA ALMA DE MURALHA

Toda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha.

Agustina Bessa Luís

INVEJAS

Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem-estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho. Detestam-se!

Eça de Queiroz

LIÇÃO DE PORTUGUESISMO

Uma ida ao Porto é sempre uma lição de portuguesismo, tanto mais rica quanto mais raramente lá se vai. É indispensável – claro! - um mínimo de contacto reiterado com esse lar da nação para nele vermos algumas das significações latentes que enriquecem a nossa consciência de práticas.

Vitorino Nemésio

UMA FAMÍLIA

O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação.

João Chagas

ASPECTO SEVERO E ALTIVO

O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.

Alexandre Herculano