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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Silêncio



O Silêncio dos Sindicatos de Professores é ensurdecedor. Sinto-me amordaçado!

Nas recentes "negociações" com o ME não ouvi um a única palavra, uma única reivindicação, a propósito dos dois anos e meio de serviço que nos foram roubados.

Se alguém ouviu alguma coisa que me diga para eu poder retratar-me.

sábado, 11 de julho de 2009

Sou Professor, Não Voto à Direita

Direita Não

Sou Professor, por isso tenho memória. Não acredito em promessas circunstanciais, porque sei como funciona o jogo político, agora toda a direita defende o contrário do que tentou fazer antes, porque é de bom tom explorar o sentimento de revolta do povo contra um Governo dito do PS, um Governo carnavalesco que veste uma roupagem de esquerda, mas em que de facto a sua política, e não só no que diz respeito à educação, está na maior parte das vezes bem mais à direita do que a dos partidos que se assumem como tal.

Não esqueço que foi Manuela Ferreira Leite que deu início à transformação que nos levou a este absurdo ECD. Não esqueço que Manuela Ferreira Leite, após a grandiosa manifestação de 8 de Março de 2008, veio a terreiro defender a política educativa de Maria de Lurdes Rodrigues. Não esqueço muita outra coisa porque, como cidadão, não me preocupo simplesmente com a política educativa.

Eu não esqueço, por isso, como professor e cidadão, irei votar à esquerda.

Sócrates nunca mais!

Depois de ver o vídeo que se segue até percebi porque é que o outro colocou os cornos na própria cabeça. É sempre agradável ver um boi manso no meio de tanta tourada, sempre dá para rir.

domingo, 28 de junho de 2009

Tempo de Serviço dos Professores



Os Professores devem recusar qualquer "negociação" com o ME, enquanto não lhes for contada a totalidade do tempo de serviço (dois anos e meio) que nos foi roubado pelo Governo PSD e perpetuado pelo Governo PS.

É vê-los agora a assobiar para o lado, os primeiros porque querem que não nos lembremos e os segundos porque nos querem fazer esquecer.

PS e PSD são as duas faces da mesma moeda e, como diz José Mário Branco, para esse peditório nós já demos.

Não é com cedências que se alcançam as vitórias, é necessário ousar lutar, sobretudo quando do outro lado da barricada está um bando de moucos arrogantes.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Os "Inúteis"

É com enorme prazer que ajudo a divulgar a carta dirigida a MST por uma "inútil" Professora de Barcelos.

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Sobre os Professores

É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou 'os professores os inúteis mais bem pagos deste país.' Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso? O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de 'inúteis', como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema?

O senhor tem filhos? - a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que 'são os inúteis mais bem pagos do país.'? Não me parece... Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos, que os professores 'inúteis' são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo?

Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos 'inúteis' a que se referiu a leccionasse com prazer. Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andersen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar.

Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que 'os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país.'? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que 'são os inúteis' mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados 'são os inúteis mais bem pagos do país'? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas. Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados.

Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do (falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, 'os inúteis mais bem pagos do país', que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo.


Assim sendo, Sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de 'escrevinhar' alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém.

Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe:

'Perdoai-lhes, Senhor Porque eles sabem o que fazem.'


Ana Maria Gomes
Escola Secundária de Barcelos

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Incompetentes! Prepotentes! Arrogantes!


No passado dia 30 de Maio, desfilou pelas ruas de Lisboa um número significativo de Professores. Não interessa se foram 80 ou 60 mil. Foram muitos!

Ainda há um número significativo de professores que manifesta a sua indignação em relação a uma reforma do ensino que tem como último objectivo formar cidadãos amorfos, para mais tarde serem facilmente manipuláveis pelo poder. Um ensino que cria falsas expectativas aos alunos e aos encarregados de educação.

Assente no facilitismo, esta reforma não é mais do que uma forma inteligente de perpetuar esta casta política no poder. Casta política que será formada, na sua esmagadora maioria, em escolas privadas com diplomas passados aos domingos.

A degradação interessa ao poder. Ilude-se a aprendizagem com efeitos especiais (computadores e afins), que a maioria dos alunos usa para jogos nada didácticos como, por exemplo, dar tiros na cabeça de um suposto inimigo, quando muitos nem um texto são capazes de digitar. Isto é, começa-se a casa pelo telhado em vez de construir alicerces sólidos.

Claro que os filhos das elites vão saber aproveitar as oportunidades, seja na escola pública, seja na privada. E os outros?

Esta reforma do ensino é uma reforma travestida. Elegeu-se um alvo e é contra esse alvo que se atiram as farpas, esquecendo que o alvo escolhido não é nem mais nem menos do que o alicerce do sistema de ensino, ou melhor de instrução.

Mas, quanto a mim, não é só o Governo que fica mal na fotografia, também os Sindicatos não têm sabido gerir o descontentamento dos Professores.

Primeiro, a mobilização começou tarde e muitos Professores não compreenderam que era o Estatuto da Carreira Docente o cerne da questão. Por medo uns, por ambição outros e ainda alguns porque não pensaram no alcance do novo Estatuto dos Professores, foram a correr concorrer a Professores Titulares, colocando os carris que MLR precisava para pôr o seu projecto autista em andamento. Se ninguém tivesse concorrido a Professor Titular esta Reforma não tinha pernas para andar e obrigava o Ministério a negociar com os Professores.

Depois da manifestação de 8 de Março de 2008, os Sindicatos desmobilizaram os Professores indo a correr assinar um protocolo com o Ministério. Seguiu-se um período de informação e contra-informação, muita dela oriunda dos próprios Sindicatos. Uns afirmando que nada poderia acontecer aos Professores que não entregassem objectivos, outros amedrontando os Professores, dando voz ao Ministério e fazendo o trabalho sujo. Até parece que alguns Sindicatos entraram na luta para não perder cotizações ou para boicotar a luta dos Professores.

Em 8 de Novembro do mesmo ano, fez-se nova manifestação, a qual, ao não ser simultânea com a proposta por organismos autónomos de Professores, contribuiu para alguma fractura e confusão no seio da classe docente.

Quanto a esta última, assistiu-se a um discurso demasiado partidarizado, dando os argumento de que o Governo precisava para menorizar a luta dos Professores.

Já era altura de terminarem os tiques controleiros. Os Professores sabem bem o que querem e que a sua luta contribuirá decisivamente para a perda da maioria absoluta deste Governo.

Eu, por mim, dispenso os discursos partidários que apenas se dirigem para o exterior e desfocaliza a luta dos Professores.

As manifestações são importantes como meio mobilizador e de incentivo à verdadeira luta que se trava dia-a-dia nas Escolas. As manifestações são um meio, não um fim.

Sabemos bem onde está o principal responsável pelo estado a que as coisas chegaram, mas eu já perdi a inocência há muito tempo. Por isso, recuso ser usado por quem quer que seja.

A luta contra a incompetência, prepotência e arrogância tem de ser travada todos os dias na escola e não sujeita a calendários político-partidários do Governo ou de mesmo de alguns Sindicatos.

O meu lado é só um, o dos professores. Eu sei quem é o inimigo, mas não quero os falsos amigos.

A reforma do ensino é um problema muito complexo que necessita da reflexão e colaboração de todos e não de guerras político-partidárias entre os envolvidos no processo ensino-aprendizagem.

A Educação tem de ser transversal à sociedade, tem de ser integradora e não um campo de batalha entre todos os elementos envolvidos.

Não à incompetência, prepotência e arrogância!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Manifestação de Professores

No próximo dia 30 de Maio irá, mais uma vez, realizar-se uma grandiosa manifestação nacional de professores pelas ruas de Lisboa.

Não pretendo desmobilizar ninguém e estou solidário com todos os colegas que irão estar presentes, mas eu não vou.

Não vou por causa de afazeres pessoais, mas também porque estou cansado de ver participar largos milhares de professores e depois ver desbaratada, desperdiçada mesmo, esta mobilização de professores, quase unânime, em relação às políticas educativas deste e de anteriores ministérios.

Faz-se uma primeira manifestação com cerca de 100 mil professores e no dia seguinte os sindicatos estão a assinar um protocolo com o ministério. Mais para o final do ano realizam-se duas manifestações, uma delas com mais de 120 mil professores, em vez de se realizar uma única. Divide-se e contam-se espingardas onde se devia unir e pressionar o ministério.

Depois destas grandiosas manifestações realizam-se duas greves simbólicas de um dia em vez de avançar imediatamente para uma paralisação total até às últimas consequências, isto é, trata-se com paninhos quentes quem nos enxovalha no dia-a-dia.

Anuncia-se agora mais uma manifestação e uma greve parcial repartida por tempos lectivos. Criam-se ilusões.

Claro que participarei nas paralisações, estou solidário com todos os colegas que ainda acreditam que é desta forma que se alcançam os nosso objectivos.

A minha luta não é simbólica, por isso tento colocar pedras na engrenagem onde elas devem ser colocadas: no local de trabalho.

Este modelo de avaliação está derrotado, apenas sobrevive à custa de ilusões, não é um modelo que valoriza a profissão docente, mas que estabelece cotas para a progressão na carreira.

Mais papel, menos papel, este processo de avaliação é em tudo idêntico ao anterior, apenas impede que 25% dos professores, mesmo que avaliados com excelente ascendam ao topo da carreira, e acentua desigualdades, pois numa escola pode haver cotas suficientes para a progressão e na escola ao lado não, o que permitirá, por exemplo, que numa determinada escola professores avaliados com Muito Bom ou Bom progridam e, na escola vizinha, professores avaliados com Excelente fiquem impedidos de progredir, porque as cotas de progressão foram insuficientes.

Não se pode dialogar com quem nos enxovalha diariamente e não dialoga. Ao silêncio, responde-se com o silêncio.

Depois das manifestações de rua é necessário que se aumente a mobilização, lutando na escola, radicalizando posições, sem medos.

Não me importo de perder dinheiro, mas recuso perder a dignidade.

sábado, 11 de abril de 2009

A CONFAP DO SR. ALBINO


Para que conste e porque muita gente não sabe, a CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais) recebeu do Gabinete da Ministra da Educação duas tranches de 38.717,50 euros cada uma, no segundo semestre de 2006, conforme publicação no Diário da República N. 109 de 6/6/2007 (pág. 15720). Recebeu ainda mais 39.298,25 euros no primeiro semestre de 2007, conforme publicação no DR N. 201, de 18/10/2007(Pág. 30115). Trata-se da única organização que recebe verbas directamente do Gabinete da Ministra. Com um salário destes, o que se pode esperar do sr. Albino Almeida? Mais de 150.000 euros por ano é muito dinheiro. O sr. Albino é apenas e só um assalariado do Ministério da Educação (por sinal, muito bem pago com os nossos impostos - vergonhoso, sra. ministra!!! Sr. PM!!!!!!!).


Com a verdade me enganas.

Olha-me para este meco armado em Pinto da Costa.

Este gajo deve passar o dia a falar para o espelho.

terça-feira, 24 de março de 2009

Violência nas Escolas


Especialistas reunidos em Espanha defendem que o aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar.

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.


Os participantes no encontro 'Família eEscola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas. 'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater. '

As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.


Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.


No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..
.

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois.

Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.


'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.


Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.


'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.


Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor. (Jô Soares)

É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.

Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".

Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta ao colégio, é um "caxias".
Precisa faltar, é um "turista".

Conversa com os outros professores, está "malhando" os alunos.
Não conversa, é um desligado.

Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.

Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.

A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.

Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.

Exige, é rude.
Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu "mole".

É... o professor está sempre errado, mas, se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O que vai mudar com o novo ECD?


O que vai mudar o novo ECD relativamente à qualidade do ensino?

Nada, rigorosamente nada.

Para além da confusão nas escolas, isto se o novo ECD entrara em funções, durante os primeiros dois anos de adaptação nada ficará alterado em relação à qualidade do ensino.

Sei que há muitos professores de uma qualidade excelente, muito acima da média, daqueles que fazem coisas verdadeiramente inovadores, que não se preocupam com a sua imagem mas sim a qualidade da instrução que ministram na formação de cidadãos livres e autónomos. Sei que há muitos professores que cumprem rigorosamente as instruções burocráticas de um ministério acéfalo e autista. Sei que há alguns professores para os quais o ensino é um gancho e por isso só cumprem os serviços mínimos. Não sou um defensor do anterior ECD e respectivo modelo de avaliação, mas também não sou defensor do novo ECD que nos querem impor.

Com o novo ECD qualquer dos grupos de professores descritos anteriormente pode ser avaliado como excelente, nenhum deles está excluído à partida, basta que cumpra as tarefas burocráticas, que avalie positivamente os alunos e colabore numa ou outra actividade da escola.

Onde está a excelência deste novo ECD? Onde está a sua bondade?

Em lado nenhum, porque este é um ECD demagógico, economicista e contra a qualidade do ensino, que apenas trabalha para a estatística e pretende eleitoralisticamente aproveitar-se da fraqueza de uma classe profissional prestigiante, mas mal-amada.

Num futuro próximo assistiremos a escolas degradadas, sem condições mínimas para um ensino decente, com professores atarefados a preencher papéis e mais papéis, a cumprir rigorosamente o seu horário lectivo e a sua permanência na escola (é o que é visível), alunos indisciplinados, alguns serão mesmo vândalos, cábulas, certos do facilitismo e que, façam o que fizerem saberão que na sua esmagadora maioria serão aprovados no final do ano lectivo, pais que apenas se preocupam em despejar os filhos nas escolas e que no final do ano aparecem para exigir a aprovação do respectivo rebento.

O futuro não é promissor!

Mas eu não me sinto derrotado e não desistirei de lutar até às últimas consequências pela justiça e pela dignidade de uma profissão merecedora de todo o respeito e que tem sido tão mal-tratada pelos sucessivos Governos, nos últimos anos.

Até aqui as reformas no ensino têm sido feitas sem os professores, esta faz-se contra os professores.

O novo ECD cria artificialmente duas carreiras no ensino (na carreira docente todos desempenham as mesmas funções desde o início até ao fim), baseada em pressupostos burocráticos e não didácticos (era como se um médico fosse avaliado pelo número de papéis que preenche em vez de o ser pelo seu desempenho médico), o critério primeiro para a escolha dos eleitos, os tais titulares, é a idade e o tempo de serviço, isto é, professores mais novos, mesmo que o seu mérito seja reconhecido não podem ser titulares. Cria avaliadores à força. Impede que a maioria dos docentes atinja o topo da sua carreira, sim porque toda a carreira tem um início e um topo e todos, desde que o seu desempenho seja bom, devem chegar ao topo da carreira.

Admito que, eventualmente possam ser criadas outras carreiras no ensino, mas não criar uma divisão artificial na carreira docente. Crie-se a carreira de gestor, inspector, avaliador, orientador, formador, ensino especial, etc, mas não se divida artificialmente uma carreira que é única. Valorize-se monetariamente outras carreiras no ensino, mas que a ascensão a essas carreiras seja feita de forma transparente, por mérito, por concurso e não por compadrio ou por idade.

Quando se pretende aumentar a qualidade de ensino deve ser-se muito rigoroso na formação inicial, não me parece que estas medidas ajudem a criar essa qualidade na escola pública, pois estas medidas destinam-se exclusivamente a fazer da escola pública um antro de formação de cidadãos amorfos e facilmente manipuláveis, porque as elites (políticas, económicas, etc) essas surgirão da escola privada, com alunos seleccionados, com estruturas familiares de nível cultural superior e uma retaguarda económica confortável.

Afinal o que é que vai mudar o novo ECD?

Nada, rigorosamente nada, ou melhor, vai mudar alguma coisa. Vai piorar a qualidade do ensino e vai impedir que 75% dos professores avaliados com Bom, Muito Bom ou Excelente, segundo as regras do ME, atinjam o topo da carreira.

Um edifício começa-se pela base, não pelo topo. É imperioso e urgente que todos os intervenientes neste processo acordem para a realidade. É imperioso um verdadeiro debate sobre o ensino e a educação. É imperioso mudar.

Acrescente-se ainda que para agravar a situação Portugal tem três ECD diferentes (Continente, Açores e Madeira) o que agrava as desigualdades entre professores do mesmo País.

Quanto a mim o primeiro grande tiro no pé dos professores foi o de terem concorrido a professores titulares (contra mim falo), não eram obrigados e abriram as portas para que o ME usasse da prepotência futura, já tinha o alicerce de que precisava.

Porque não começar por mudar a casta política?

Pontes e muita determinação precisam-se.



Eu não me calo! E tu?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ser Professor Hoje

Bandeira Negra
Não sou um bom professor, como também não sou um bom pai, um bom marido ou companheiro, um bom amigo, um bom colega. Não, de facto não sou bom em nada e muito menos excelente. Não sou bom porque sei que posso sempre ser melhor.

Deixando de parte todas as valências que compõem a complexidade da vida humana vou focar simplesmente o papel do que é que ser professor hoje e aqui.

Para se ser bom professor é preciso que se reúna pelo menos uma das seguintes condições: ter nascido super-dotado, ter vocação para a profissão, ter uma formação adequada ou ter uma capacidade constante para aprender e inovar.

Não se nasce professor, faz-se professor, isto é constrói-se o edifício da educação, ou da instrução, para citar Agostinho da Silva, aliás é este o conceito com o qual mais me identifico, pois educar é uma ideologia ou está ao serviço de uma ideologia, logo uma forma de uniformizar, de manipular, enquanto que instruir é simplesmente dar os mecanismos que permitirão que cada um desbrave o seu próprio caminho.

Como qualquer edifício também o da instrução/educação se constrói a partir da base, com uma dialéctica permanente, capaz de inteligentemente se adaptar às transformações sociais, económicas, políticas e religiosas que se operam no mundo a uma velocidade cada vez mais alucinante. Uma dialéctica constante entre os agentes envolvidos no processo, com tolerância, mas com determinação e sem demagogia.

A instrução/educação é um projecto global, comum a toda uma sociedade, capaz de dar os meios para que cada um de nós encontre os caminhos para a sua afirmação pessoal e colectiva.

A educação/instrução não é exclusiva de um quantos iluminados, que há muito estão afastados da realidade que se vive nas nossas escolas, mas sim dos que, no terreno, têm consciência do país em que vivem, têm consciência de uma escola baseada em intenções de projectos educativos cujo objectivo foi o de criar uma sociedade submissa e manipulável.

É urgente, é imperioso, uma verdadeira reforma da educação. Uma reforma em que deverão colaborar todos os agentes do ensino e não uma reforma contra os professores. Já agora esta reforma não deve contar necessariamente com os sindicatos, embora estes, compostos por professores, não devam ser excluídos à priori do processo.

A profissão de professor tem uma carreira sui generis, pois todos desempenham as mesmas funções desde o início até ao fim da carreira, por isso é artificial e injusto criar duas categorias de professores.

Sendo a profissão de professor essencialmente docente deve ser a sua capacidade pedagógica para a docência que deverá pesar mais na avaliação do professor, não as suas qualidades burocráticas, a sua simpatia ou a sua demagogia, isto é, não adianta ter um dossier muito bem organizado se na realidade isso não corresponde à prática docente.

Não se compreende que em nome da defesa da excelência no ensino se promova a titulares os professores mais velhos, só porque são mais velhos, e se deixe de parte uma larga percentagem de professores competentíssimos e excelentes só porque são mais novos. Ainda por cima baseado em pressupostos que pouco ou nada têm a ver com a prática docente. Baseados em situações arbitrárias de atribuição de cargos os quais muitas vezes não foram da responsabilidade dos professores mas do interesse dos Conselhos Executivos que atribuíram muitos desses cargos a professores para lhes completar o horário.

Outras vezes foi solicitada a colaboração de professores para coordenar a gestão do material informático que chegava às escolas. Por carolice muitos professores deram o seu melhor, abdicaram de cargos, que não tinham uma relevância por aí além, nem sequer eram valorizados pelo ministério e desempenharam um papel relevante em lançar as bases da informatização das escolas e esses cargos, criados pela autonomia das escolas, não foram oficialmente reconhecidos, pois o cargo de coordenador TIC é recente. Todo o tempo dedicado nessas funções foi totalmente desperdiçado, tendo muitos destes professores sido ultrapassado por outros que continuaram a desempenhar os outros cargos, os tais que deram pontuação para a passagem a professor titular.

Depois, em nome da excelência, atribui-se uma cota por escola para os que podiam ascender ao Olimpo da titularidade. O resultado foi que nalguns departamentos ou escolas havia excesso de candidatos e muitos deles tiveram de ser excluídos apesar de terem pontuações elevadíssimas, segundo os critérios de excelência do próprio Ministério, enquanto que em outras escolas ou departamentos não havia nem candidatos ou candidatos com pontuação suficiente, tendo sido promovidos os que concorreram mesmo não atingindo os mínimos exigidos. Onde está a igualdade de critério? Onde está a tão apregoada excelência?

A carreira de professor é única, porque ao contrário do que acontece noutras profissões, o professor quando é promovida não vai desempenhar outras funções. Se o Ministério quer criar funções diferentes nas escolas que o faça, mas nesse caso serão cargos totalmente diferentes dos de professor e então as vagas deverão ser preenchidas por aqueles que estão interessados em ocupá-las e preencham os padrões de qualidade exigidos para essa função.

O Ministério quer avaliar a profissão docente? Certo, nenhum professor teme a avaliação do seu desempenho, todos querem ser avaliados, mas por um processo justo e transparente que avalie o seu desempenho naquilo que depende dele e da qualidade da instrução por si ministrada, não de resultados impossíveis de controlar pelo próprio docente num ensino massificado, como por exemplo, o abandono escolar.

Ora aqui está um quadro que pode ser criado, o de avaliador, voluntário, não um avaliador forçado, com mérito e capacidade reconhecida, isento. Um avaliador formador, não um avaliador castigador, penalizador, castrador. O processo ensino-aprendizagem só melhora com a colaboração de todos e uma reforma deste tipo não se faz de um dia para o outro, há que faseá-la.

Como sempre o processo deve começar no inicio, na formação de professores, aqui é que se deve ser exigente, nem todos podem ser professores, do mesmo modo que nem todos podem ser médicos ou engenheiros, ou trolhas, ou carpinteiros. Por isso em vez de facilitismo deverão ser aplicados programas exigentes por professores exigentes, que só seleccionarão os melhores. Depois de entrados na carreira os professores serão sujeitos a um processo de avaliação justo, sempre com um carácter formativo, após um período probatório, não pelo modelo actualmente proposto pela ministra. Quanto aos que já estão na carreira devem ser ajudados a melhor o seu desempenho, caso necessitem, devem ser acompanhados, devem ser incentivados, não reprimidos, perseguidos ou reduzidos ao papel de simples burocratas, de comissários políticos.

Concordo que nem todos possam chegar ao topo da carreira, mas que sejam impedidos de o alcançar por um processo justo de análise do seu desempenho e não pela criação de cotas artificias com carácter meramente economicista.

Concordo que alguns professores possam ser ajudados a encontrar, dentro da escola, outras funções que se coadunem mais às suas capacidades, muitas vezes desperdiçadas. Não que se coloque na prateleira do mau professor, muitas vezes são pessoas excelentes em determinada área, que foram usados pelo Ministério sem critério, apenas porque precisavam de docentes e, agora que os quadros estão cheios e a população escolar está a diminuir. Não seria mais justo pegar neste professores que se encontram inadaptados à profissão docente e orientá-los de forma a colocarem ao serviço da instrução as capacidades que têm e não simplesmente bater-lhes com a porta na cara. Não será mais justo o caminho da tolerância, da busca de soluções pacíficas, de potencializar capacidades, do que a exclusão?

Como se podem avaliar professores de igual modo quando as realidades sociais, económicas e culturais de onde são oriundos ou os locais onde se encontram a leccionar são tão diversos? Não será necessário um critério de correcção, no mínimo em relação ao meio em que leccionamos e às condições que cada um de nós desfruta na respectiva escola. Como se avalia do mesmo modo realidades diferentes? Os professores sabem, porque lidam com esta realidade todos os dias ao avaliar os seus alunos.

Uma verdadeira reforma no ensino tem de começar no pré-escolar, dando passos firmes para a formação de cidadãos, não para a criação de ser abjectos, sem qualquer formação e facilmente manipuláveis pela elite política do país ou do mundo.

O problema da educação/instrução está muito longe de ser um problema exclusivamente português, mas isso também não serve de justificação para cruzar os braços. Há que continuar a luta pela defesa de um ensino de qualidade, lutar por um estatuto que dignifique a profissão de professor perante a opinião pública, porque a profissão docente é uma profissão digna, das mais dignas até. Que se estabeleça um critério justo de avaliação do desempenho docente sem ideias pré-concebidas e com a participação dos professores, principais agentes do processo de ensino/aprendizagem.

Neste momento estamos a assistir nas escolas a uma clivagem nas escolas que poderá ter consequências imprevisíveis para o presente ano escolar.

Respeito a posição daqueles, poucos, que sempre assumiram a defesa do presente ECD e repectivo processo de avaliação. mas já não tenho qualquer condescendência por aqueles que iniciaram o processo e cobardemente fogem quando surgem as primeiras contrariedades. Se uns fogem por medo (vá saber-se de quê) ainda se pode compreender, mas aqueles que fria a calculadamente estão a entregar o ouro ao bandido porque cobarde e oportunisticamente, vêem a possibilidade de ultrapassar uns quantos, aproveitando-se da luta dos colegas para se promoverem à custa do sacrifício e da luta dos outros.

Estes sim deviam ser reprovados por falta de integridade, carácter e cidadania.

Eu em circunstância alguma farei algo que seja contra aquilo em que acredito, isto é, na justeza da luta dos professores, não receio ficar isolado, não correrei cobardemente para o rebanho, estou de bem comigo, tenho a minha consciência tranquila, não dou facadas nas costas dos colegas, não me aproveito da sua luta, como também não me aproveitarei das suas fraquezas.

Não concordo, mas não condeno os que sempre defenderam este ECD. Não concordo, mas tento compreender as razões do que se sentem ameaçados e têm medo das consequências dos seus actos. Não concordo e condeno os cobardes e os oportunistas.

Muito mais haveria para dizer e desenvolver o tema anteriormente aflorado, mas não pretendo, para já, fazer uma análise exaustiva, apenas levantar algumas questões e abrir portas para a reflexão, procurar saídas nas salas que parecem fechadas. Talvez surjam comentários que ajudem a esclarecer esta situação.

Ficou aqui um artigo escrito de um só jorro (que desculpem algum erros que possam surgir, porque ainda não tive tempo de fazer uma revisão ao artigo) emotivo, talvez pouco esclarecido ou esclarecedor, mas que saiu cá de dentro, do que vejo, do que sinto. Não terei, nem pretendo, ter toda a razão, mas tenho de certeza alguma, que pode ser uma boa base para um entendimento, sem calendário político, mas com encontro marcado com o ensino e a cidadania.

EU ESTOU DO LADO DOS PROFESSORES E DA QUALIDADE DE ENSINO E VOCÊS!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"O Natal que eu quero", por Daniel Sampaio (mais uma opinião sobre professores)

Ninguém me pediu opinião, eu sei. Na escola é costume não ligar muito ao que pensam os alunos. Mas eu gramo a escola, gosto dos meus amigos e há uma data de professores que até são fixes.Ando no 8.º, tenho bué de disciplinas, algumas não dá para entender. Estudo acompanhado para um gajo de 14 anos? Formação Cívica? Não percebo bem, é uma coisa de 90 minutos por semana em que o stôr, que é o director de turma (nós dizemos DT), está sempre a mandar vir, a dizer para nos portarmos bem. Da Matemática não me apetece falar, o stôr tem pouca pachorra para tirar dúvidas. História é um bocado seca e percebo mal o livro, faço confusão porque não contam a vida dos reis como o meu avô me explicava, por isso estudo para os testes e depois esqueço tudo.Não, não pensem que venho aqui criticar a escola, já disse que gosto de lá andar. O problema é que aquilo anda mesmo esquisito, podem crer. Já o ano passado os stôres andavam às turras com a ministra e apareciam nas aulas chateados, um gajo mandava uma boca e levava logo um sermão, às vezes diziam mesmo para nos queixarmos à ministra, como se chibar fosse coisa que desse jeito. Mas este ano está bem pior: falamos com os professores nos intervalos, "olá, stôr!" e eles andam mesmo tristes, a minha stôra de Inglês, que eu curto bué, diz que está "desmotivada" e que está farta de grelhas de avaliação e de pensar em objectivos. Eu de grelhas não percebo nada e, quanto aos objectivos, os meus são divertir-me uma beca e passar o ano, não quero mesmo ficar para trás porque os meus pais dão-me nas orelhas e fico sem os meus amigos, que é uma das coisas porreiras que a escola tem.Por isso peço a todos que se entendam. Ver os professores aos berros na rua é uma coisa que eu compreendo, têm todo o direito porque nós às vezes também andamos, o problema é que assim ainda há menos gente a preocupar-se connosco. Os nossos pais não têm tempo, andam sempre a trabalhar e ficam descansados porque estamos na escola a aprender e a lutar pelo nosso futuro, mas agora a coisa está preta, os nossos stôres estão cansados, o que é mau para nós: quem nos ajuda quando estamos aflitos? Eu sempre contei com um ou dois dos meus stôres, o ano passado quando me achava um monstro (cheio de borbulhas e a sentir que as miúdas não olhavam para mim) foi a stôra de Português que me chamou no fim da aula e conversou comigo, bastou ela ouvir com atenção e dizer que compreendia o que eu sentia para me sentir muito melhor. E quando o Tavares disse que se ia matar porque a rapariga com quem andava foi vista a curtir com um gajo qualquer, foi o nosso DT que falou com ele e lhe arranjou uma consulta no psicólogo.Não percebo nada da guerra dos professores, só sei que deve ser justa porque eles esforçam-se muito, já pensaram no que é aturar a malta, sobretudo alguns que só querem fazer porcaria, põem-se aos berros nas aulas e não obedecem, às vezes até palavrões dizem para os stôres? Muitos de nós querem aprender, mas o barulho é grande e há muita confusão, há lá gajos, repetentes e isso, que só lá estão porque são obrigados, depois há outros que são de fora e não percebem bem português, outros ainda têm problemas em casa e passam mal, a Vanessa que tem um pai alcoólico e que chora quase todos os dias ainda por cima foi empurrada na aula por um colega que só lá está a armar confusão... o DT disse que nós devíamos ser responsáveis e que tínhamos de acabar com isso, mas eu acho que a ministra devia era dar força aos professores para serem melhores, o meu pai diz que ela às vezes está certa mas eu não concordo, se vejo todos, mesmo todos os stôres da minha escola contra ela devem ter razão, os professores às vezes erram mas são importantes para nós, precisamos de estudar para ver se nos livramos do desemprego, isso é que é verdade!Por isso espalhem este mail, façam forward para quem quiserem. Digam aos que mandam para terminarem com as discussões que já estamos fartos e como na minha escola somos todos contra isso dos ovos (uma estupidez), digam à ministra e aos sindicatos que já chega! Façam uma escola melhor, ajudem os professores a resolver todos os problemas das aulas (ninguém pode fazer isso em vez dos stôres) e arranjem maneira de nós aprendermos mais, para ver se percebemos melhor o mundo e nos safamos, o que está a ser difícil.

Daniel Sampaio. "O Natal que eu quero". Público (revista "Pública"), 30.Novembro.2008.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O Dia Seguinte

De um amigo recebi um email elucidativo.

Embora não concorde totalmente com o que diz resolvi publicá-lo para lançar a discussão, não sem antes fazer uma nota prévia.

Não pense a ministra que nos desarma ou ilude, nós continuamos unidos e se os sindicatos não fizerem o que os Professores pretendem, a revisão do ECD e a suspensão deste modelo de avaliação da Dona Maria de Lurdes, no qual nem ela mesmo já acredita, os Professores saberão dar a resposta adequada, como já o fizeram no passado recente. Nós não contamos com os políticos, viu-se o comportamento repugnante de um significativo número de deputados que faltou à votação quando este assunto esteve recentemente em discussão na Assembleia da República. Os Professores contam somente consigo próprios e com a sua dignidade profissional.

Diz-se que o Natal é quando um homem quiser, mas eu dispenso os rebuçados, quando entro numa luta é para a levar até ao fim e não para cedências estratégicas. Acima de tudo a frontalidade. Olhar olhos nos olhos o inimigo e partir para a luta sem medo, convictos da razão que nos assiste. Recuso o jogo político-partidário. A minha luta, a luta dos Professores, é uma luta pela dignidade de uma profissão digna, não para jogos de bastidores levados a cabo pela casta político-partidária.

Deixem-se de tretas, os Professores nunca se deixarão instrumentalizar pela demagogia político-partidária, venha ela de onde vier, quando o que está em causa é a dignidade da sua profissão e o seu direito de, como cidadãos livres, exercerem a cidadania.

Nunca concordei com a ideia peregrina de greves regionais, compreendo os objectivos, que são tornar mais visível a luta dos Professores, pois em vez de se falar nesta causa um dia, fala-se em três. A luta dos Professores não é uma luta para os média, mas sim pela dignidade de uma profissão, por isso não podemos recuar, nem desperdiçar forças. A luta é para ir até ao fim, não para andarmos em aventuras de lana caprina, nem servir de folclore mediático

Deixo-vos aqui a posição do meu amigo Jorge S que, segundo espero, lance alguma polémica e discussão sobre este assunto.

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AFINAL TANTA COISA, ESTE MARMELO APANHA-SE NA ALTA RODA DOS JORNAIS E TELEVISÃO E RECUA. ENTÃO NÃO ERA PARA IR ATÉ AO FIM, DEMITIR A MINISTRA E NEGOCIAR A REVISÃO DO ECD COM TODOS OS PONTOS NOS IS? NUNCA MAIS FAÇO GREVE NA VIDA! SINTO-ME TRAÍDO, MANIPULADO, E ACABO POR DAR RAZÃO AOS TINHOSOS QUE VINHAM COMENTAR NO PÚBLICO, DIZENDO QUE OS PROFES ANDAVAM A REBOQUE DA CGTP. TANTA LUTA PARA NADA, SE CONSEGUIRMOS CHEGAR À REFORMA COM UM MÍNIMO DE LUCIDEZ E FORÇA NAS PERNAS VAI SER PARA IR VER JOGAR À SUECA NO JARDIM DE S. LÁZARO, AO CAFÉ DA ESQUINA PARA FICAR UMA TARDE INTEIRA A LER O JORNAL E A BEBER UM CARIOCA DE CEVADA, CRAVAR AOS FILHOS DINHEIRO PARA ÓCULOS, DENTADURAS POSTIÇAS E MEDICAMENTOS, E COM UM BOCADO DE SORTE IR UMA VEZ POR ANO, DE CAMIONETA, A SANTIAGO DE COMPOSTELA "À CUSTA" DO PRESIDENTE DA CÂMARA. PORCA MISÉRIA!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Greve Nacional de Professores


Dia 3 de Dezembro realiza-se a Greve Nacional de Professores.

Contra este ECD e este modelo de avaliação!

Pela qualidade do ensino público!

Que ninguém falte à chamada!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dia P

Amanhã, 15 de Novembro é o dia P de Professor.

Amanhã não existe a estrutura sindical que, com a sua logística, tem capacidade para mobilização dos Professores e usando-a, e bem, conseguiu mobilizar 120 mil professores para a Manifestação Nacional de Professores do passado dia 8 do corrente.

Amanhã é necessário que todos os professores demonstrem o seu direito à indignação e a sua recusa em, individual ou colectivamente, demonstrarem o seu real repúdio pelos atentados à educação e à carreira docente que o actual Ministério da Educação e Governo teimam em querer concretizar.

Amanhã é dia de sacrifício e de luta.

Amanhã todos temos a obrigação de estar presentes e dizer claramente NÃO a esta política educativa.

Amanhã é dia de todos os professores demonstrarem a sua cidadania.

Amanhã é dia de revolta.

  • Depois de amanhã é dia de continuar a luta nas escolas!
  • Contra o ECD!
  • Contra este modelo de avaliação da carreira docente!
  • Pela qualidade do ensino em Portugal!
  • Pelo diálogo e pela firmeza!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Rei vai Nu

Ouvi esta manhã no noticiário que o Senhor José Sócrates afirmou que os Professores não querem ser avaliados.

Fiquei estupefacto. O rei da demagogia e do populismo serôdio, o príncipe da casta política, tenta atirar com poeira para os olhos dos Portugueses. Já não bastava termos de aturar uma Dona Maria de Lurdes que, completamente baralhada das ideias pede, em plena Assembleia da República, desculpa aos Professores, mas nada faz para emendar o seu erro. Sim porque só se pede desculpa quando se reconhece que se errou e as desculpas servem para emendar o erro, não para o acentuar.

Quem não quer ser avaliado é o senhor engenheiro de pacotilha, cuja licenciatura já foi amplamente glosada a seu tempo.

Os Professores nunca disseram que não queriam ser avaliados, bem pelo contrário, querem sim uma avaliação testada no terreno, desburocratizada, justa, equilibrada, objectiva, formativa e que acrescente algo à qualidade do ensino. Nada disto é o que está descrito no actual diploma sobre a avaliação dos Professores.

Os Professores querem ser parte activa e não agentes passivos da avaliação. Os Professores querem ser cidadãos.

Os Professores lutam por um Estatuto da Carreira Docente que dignifique a profissão docente. Lutam por uma avaliação honesta porque despida de factores subjectivos tanto quanto possível e regida por princípios pedagógicos e científicos e não economicistas. Lutam por uma escola apetrechada e equipada para os novos desafios do desenvolvimento. Lutam por uma Escola que ande à frente e não a reboque da sociedade. Lutam pela melhoria da qualidade do ensino em geral e pela formação de cidadãos, não de seres acríticos e facilmente manipuláveis pelo poder.

A ignorância e o obscurantismo tem os dias contados o futuro será dos que se orgulharão de ser cidadãos de corpo inteiro.

Este, ao contrário do outro Sócrates, só sabe que tudo sabe. Este é o protótipo da arrogância, da demagogia. Este usa a oratória de forma exímia com o fim último de politicamente enganar, ludibriar, tal como qualquer menino mimado que não gosta de ser contrariado, julga-se mais esperto do que os outros porque consegue que eles façam aquilo que ele pretende.

Não, o Senhor Sócrates não conseguirá continuar a enganar os Portugueses. Já dizia Churchill: "há quem consiga enganar muita gente durante muito tempo, mas ninguém consegue enganar toda a gente durante todo o tempo".

Já lá vejo ao longe o cavalo branco, em cima dele cavalga o rei mas, ao contrário do que pensa, o rei vai nu.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Portofólios e Computadores, a "originalidade" Portuguesa - O ABISMO

No Chile, de onde foi importado o processo de avaliação dos professores, apregoado como um modelo original do Ministério da Educação, tal como o Magalhães, o tal computador "português", assim vão as coisas, mas nós por cá todos bem.

Portofólios a granel no Chile.



O Jump PC também podia chamar-se Colombo PC ou James Cook PC.












Agora comparem o Jump PC com o computador "português"... o Magalhães PC.



Como diz um amigo meu isto é só a cor do horto gráfico.

Depois disto só mesmo o ABISMO