terça-feira, 25 de setembro de 2007
Palavras
Sonhos
Incertezas da Certeza
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Mudar
Quem baixa os braços primeiro? Quem nada quer mudar ou tem medo da mudança!
Só os cobardes não mudam.
domingo, 23 de setembro de 2007
Eu
Não sou uma coisa, sou uma pessoa!
Há quem tenha a obrigação de saber quem sou e quais os meus princípios mas, de repente, cega pelo ódio e mal aconselhada, tudo esqueceu. O mais grave é que as nossas atitudes não afectam apenas a nós próprios, mas principalmente quem não pode nem deve ser afectado.
Ainda espero que haja um pingo de bom senso, mas já não acredito, pois ninguém consegue dialogar com um muro empedernido que não quer dialogar, ainda mais quando o muro não pensa pela própria cabeça, mas sim pela dos que lhe ditam o discurso.
O meu "crime" foi ter amado e acreditado em quem não o merecia, porque não é quem aparentava ser.
Que indignidade! Não restou nada: nem amizade, nem respeito, apenas desprezo e indiferença, de parte a parte.
Já não espero mais pelo julgamento da vida. Acabou o tempo de ser bonzinho. Tudo será tratado onde deve ser tratado, com a réstia de dignidade e bom senso que sobrar. Se é que sobrou, mas não me parece.
Pois que seja muito feliz na sua redoma e no seu mundo de horizontes estreitos.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Encosta-te a Mim
Encosta-te a Mim
Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Jorge Palma
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Certezas
Não tenho medo, não me escondo da verdade, não mascaro a realidade. Não quero dar uma imagem que não corresponde ao que sou. Não gosto de enganar. Não sei enganar!
Não quero ser criticado pelo que não sou, mas não me importo de o ser pelo que sou, com lealdade e frontalidade.
A minha memória ficou apagada e não tem nada de bom para recordar, para além do amor dos e pelos filhos e da amizade dos e pelos verdadeiros amigos.
Já dizia Churchill: pode-se enganar muita gente durante muito tempo, mas ninguém consegue enganar toda a gente todo o tempo.
Agora que acordei do pesadelo, as dúvidas transformaram-se em certezas. Há sempre um dia em que as pessoas acordam. Não é verdade?
Não ouvirão mais lamentações ou queixas, nem acusações, da minha parte. Não fui eu que desejei esta situação, mas a verdade é que não soube, não soubemos, ou não quisemos, encontrar outra saída, mesmo que fosse, e devia ser, a mesma, mas o modo devia ter sido digno e não o foi. Já nada me interessa. Não se pode amar quem não ama. Varri da minha memória o que não interessa, pois de outra forma corria o risco da loucura.
Eu não quero enlouquecer, quero ser a pessoa que sou e não a que estava a ser, ou que me obrigavam a ser, uma coisa. Quero ser pessoa, quero reconquistar a capacidade de amar e de viver. Pois aqui estou eu.
Nunca ameacei ninguém a não ser a mim próprio. Sou uma pessoa de paz. Sou tolerante, mas exijo que também o sejam comigo. Sou frontal, mas dos outros espero frontalidade. Errei e assumo os erros, mas gostava que os outros também assumissem os seus. Quando amo gosto de ser amado.
Só quem não ama, ou não tem capacidade de amar, não comete loucuras. Não se pode amar quem não ama ou não sabe amar, ou ainda quem só se ama a si próprio e não sabe partilhar. Para além de partilhar, amar também é ceder, compreender, ajudar, quando é preciso ajudar. Podemos nem sempre estar atentos ou não perceber que o outro precisa de ajuda, mas há um momento em que tudo fica claro, sobretudo quando o outro tem atitudes diferentes conforme as pessoas com quem está: com uns está tudo bem, com outros está tudo mal. É um logro. Amar uma pessoa assim só pode afectar a nossa sanidade mental. Eu libertei-me.
É fácil lançar acusações, ou fazer análises, quando só se conhece, ou só se quer reconhecer, a ponta do iceberg. Não rejeito os meus erros, os quais, como é evidente, foram muitos, mas era bom que cada um reconhecesse também os seus. Estou neste momento numa situação insustentável, mas que compreendo face aos erros que cometi recentemente, mas era bom que houvesse bom senso de parte a parte e que se reconhecesse os seus próprios erros e se compreendesse que a intolerância prejudica mais do que beneficia quem não merece, nem pode, ser prejudicado. Que haja uma réstia de bom senso é o que eu espero, de mim e dos outros.
Tenho muito, tenho tudo. Amo e sou amado pelos meus filhos. Amo e sou amado pelos amigos. Que mais posso querer? Todos me aceitam como sou, com os meus defeitos e com as minhas qualidades. As suas críticas são sempre bem-vindas, porque são construtivas e me alertam para a correcção de erros. Todos me ajudam a mudar naquilo que devo mudar, sem deixar de ser quem sou. Sem acusações, nem julgamentos sumários. Nem condenações, sem direito a defesa.
Não posso ser frio e calculista, porque sou sensível e emotivo. Não posso ser egoísta, porque sou solidário. Nisto não posso nem quero mudar, mas posso estar mais atento e estarei. Mas posso ser mais interveniente e serei.
De resto foi apenas uma pedra insignificante em que eu tropecei. Uma pequena pedra dura que se acha uma montanha. Ferido de amor também fiquei com a ilusão de que a pedra era de facto uma montanha. Enganei-me, mas custou a perceber.
Fui à beira do mar, peguei na pedra e, com todas as minhas forças, atirei-a para bem longe. Seguiu aos saltos e a chapinhar tudo que estava perto de si. Adeus pedra, vai para bem longe e fundo onde poderás estar rodeada de outras pedras como tu e sentires-te aconchegada e confortável. Todas as outras pedras são iguais a ti, não tens mais nada com que te preocupar.
Já não sinto amor, já não sinto mágoa, nem raiva, nem rancor, nem dor. Já não sinto nada, apenas alívio e indiferença.
Sei que um dia tropeçarei numa "coisa" fôfa, meiga, sensível, emotiva, amiga, solidária e autêntica que será do tamanho que quiser ser e que saberá aceitar-me tal como sou e então ambos poderemos construir de facto uma relação em que 1 e 1 seja sempre 1 + 1 e não 2.
Ponto final, parágrafo. Dá-se início ao novo capítulo.
domingo, 16 de setembro de 2007
Cornflakes
Kellog escolheu bem a data para lançar no mercado um alimento para doentes psiquiátricos. Eu até proponho que esta data passe a ser considerada o Dia Mundial dos Doentes Psiquiátricos.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Boa Sorte - Good Luck
É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
That’s it
There is no way
It over, Good luck
I have nothing left to say
It’s only words
And what I feel
Won’t change
Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It´s too much
É pesado/ It’s heavy
Não há paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / Isn´t real
Expectativas / Expectations
Desleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who poisoned you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world
In the world
All you want
All you want
Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It´s too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais/ Isn’t real
Expectativas / Expectations
Desleais
Now were Falling into the night
Um bom encontro é de dois
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Dúvidas
Tu serias o meu olhar?
Se eu fosse emoção,
Tu serias a minha lágrima?
Obstáculos
Despertar
Sublimação
Sublevação
Revolução
Criação
Imaginação
Fusão
Paixão
Confusão
Sedução
Tudo isto é amor
Mas também é
Sublimação
Chatterton
Sangue, Sangue,
Sangue
Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Getúlio Vargas, suicidou
Nietzsche, enloqueceu
E eu, não vou nada bem
Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Isócrates, suicidou
Goya, enloqueceu
E eu, não vou nada nada bem
Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Cleópatra, suicidou
Schumann, enloqueceu
E eu, puta que pariu, não vou nada nada bem
Puta que pariiiiiiiiiiiiiiiiuuuu!!!
Excelente versão de uma música de Serge Gainsbourg
terça-feira, 11 de setembro de 2007
domingo, 9 de setembro de 2007
Tabela Periódica dos Elementos
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Voltei
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
A Ilha da Mão Esquerda
Os anos não tinham enfraquecido os sentimentos que Emily mantinha por ele; no entanto - e isso constituía agora toda a inquietação de Cigogne - não parava de crescer nela um sentimento de incompletude. Jeremy amava-a, ardentemente, mas sem a conhecer na realidade. Tinham passado por toda a espécie de prazeres; contudo, o proveito das paixões reside somente na exaltação que proporcionam. O coração não pode alimentar-se exclusivamente de semelhantes entusiasmos, e o de Emily consumia-se nestas encenações ilusórias, nesta desordem de estratagemas calamitosos que acabavam por a magoar. Apesar da sua boa vontade, muito sincera, Jeremy sentira sempre pela mulher esse gosto cego e definitivamente egoísta que não procura compreender o outro, nessa espécie de êxtase delicioso que faz com que se ame mais os jogos de amor do que o seu objecto.
(...)
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Comentário: a ler, para não dizer imperdível.
Uma Carta de Amor
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
O Uivo
Na floresta de cimento habita um lobo. Solitário. Urbano. Está ferido no corpo e na alma. Vagueia pelas ruas. Não vê com quem, nem com o que se cruza. Os olhos outrora brilhantes e cheios de fulgor estão agora vazios e tristes. O antigo sorriso que lhe estava sempre presente na face desapareceu. Já não sabe sorrir. Perdeu o interesse. O corpo cansado parece já não ter força para lutar. Por si já não consegue lutar. Mesmo assim ainda vai buscar forças para lutar contra os ferimentos do corpo, mas para a que lhe vai na alma já não encontra antídoto.Não tem alcateia este lobo?
No seu cérebro, o passado passa em ritmo contínuo, não lhe deixa espaço para o presente. Recorda as aventuras que viveu. Recorda os muitos momentos de alegria porque passou. Recorda as lobas que amou. Recorda a loba que ama, ou julga amar. Como que por uma espécie de encantamento passa-lhe um sorriso pelo focinho. Lembra. Rapidamente o sorriso se transforma em esgar e a amargura regressa ao seu rosto.
Vitimiza-se. Mas porquê?
Sente-se perdido no meio da turba ululante que por ele passa. Sente-se um condenado no corredor da morte sem julgamento nem direito a defesa. Porquê?
É noite. Sobe ao alto de uma gélida torre granítica e daí observa, sem ver, o mundo que corre a seus pés. Leitosa brilha no céu límpido a Lua e as sombras provocadas pela sua luz suave adensam o mistério...
---------- 29 de Agosto de 2007 (3:02) ----------
Deixa-se cair sobre a pedra. Estamos em Janeiro e naquela noite clara de Lua cheia o frio retalha a carne, mas ele nada sente. Estranha. Sabe que está muito frio, pois vê claramente a geada que começa a cobrir-lhe o corpo, mas ele sente um calor, um doce calor a envolvê-lo.
Recorda-se que aquela sensação já a sentira anteriormente. Quando sozinho, ou em alcateia, deambulava pela cidade, algumas vezes se envolveu em lutas e a dor nunca a sentiu após os ferimentos, só chegou mais tarde. Após a refrega sempre sentiu aquele doce e aconchegante calor, o mesmo que sente agora. Esse calor que o envolvia não dando espaço à dor, mesmo estando muito ferido. A dor, só aparecia depois, quando tomava consciência do que lhe tinha acontecido.
Será que a morte é doce e aconchegante?
Lambe as marcas que lhe ficaram no corpo.
Será que a dor se aproxima?
No seio deste aconchego irreal relembra a sua loba. Lamenta que, cego pelo seu amor, não tenha percebido o que inevitavelmente iria acontecer. Lamenta não ter compreendido que tinha de mudar algo em si. Lamenta não ter podido mostrar que finalmente tinha mudado e que estava preparado para dar sem esperar nada em troca. Lamenta que a sua desatenção tivesse feito com que, quando pela primeira vez precisou realmente da ajuda da sua loba, esta já tivesse partido.
Porque se lamenta tanto este lobo? Porque não reage?
Amar é estar lá, de corpo inteiro. Sempre. Mudou, mas para que lhe serviu a mudança. Pensa. Provavelmente erradamente, como tantas vezes o fez, porque se mudou será sempre beneficiado pela mudança.
Já não sabe se ama a sua loba. Reduziu-a a uma lembrança, a uma boa lembrança, nem sabe mais se ela existe. Será que morreu? Já não tem força nem vontade para saber o que lhe aconteceu. Sabe que as marcas são profundas e, por agora, perdeu a capacidade de amar.
Este lobo já está a tornar-se irritante com as suas paranóias.
---------- 31 de Agosto de 2007 (4:36) ----------
Afasta de si estes pensamentos que o deprimem ainda mais. Pensa na sua alcateia. Alguns amigos por lá permanecem, outros procuraram outras paragens e outras alcateias, uns mais recentes, outros mais antigos, mas entre todos permanece um forte laço de amizade.
Lembra a solidariedade que sempre esteve presente entre todos os membros da sua alcateia. Recorda, reconhecido, a amizade que todos lhe demonstraram nos momentos mais difíceis e os contributos que todos deram para o ajudar a ultrapassar o momento mais negro da sua vida.
Sabe que ainda está longe de estar curado, mas também sabe que sem os amigos nunca conseguiria encontrar forças para combater a adversidade. Foi essa dádiva um dos factores mais importantes para que o lobo começasse agora a vislumbrar uma luz no fundo do túnel. Não se sente sozinho porque a amizade é também uma forma de amar e ser amado.
Será que vai finalmente começar a reagir este lobo?
Um sorriso não forçado surge-lhe agora no focinho. As loucas correrias e brincadeiras que teve com o seus parceiros de alcateia surgem-lhe na memória e, por momentos, a vontade de os recriar vêm-lhe à mente. A vida ainda não terminou e começa a perceber que tem ainda muito para viver.
Começa a reagir. Está no bom caminho.
Adquire aos poucos e poucos a capacidade de reflexão. Ainda não tem vontade de reagir, mas começa a levantar cabeça. Já não lamenta o que lhe sucedeu, já não se sente vítima, já não se sente culpado e sabe que, mais tarde ou mais cedo irá recuperar, só não sabe quando, nem como.
Ainda não sente força para prosseguir o caminho sozinho, mas já não se sente abatido, pois sabe que irá encontrar uma saída e o que tiver de acontecer acontecerá.
Mas e a vontade de lutar por si, será que a vai recuperar?
Que mais precisa o lobo para tomar o seu destino nas mãos?
---------- 2 de Setembro de 2007 (2:41) ----------
Pensa nas suas crias. Uma lágrima de alegria rola nos seus olhos cansados. Como ama as suas crias. Sabe que, tal como ele, as suas crias não são perfeitas. Nem sempre soube demonstrar-lhes o amor que lhes tem. Protegeu-as à distância, nem sempre achou que tivessem razão, porque nunca as considerou melhor do que as outras crias e muitos acharam que isso era desamor e criticaram-no. Talvez tivessem razão nas críticas, mas nunca na conclusão.
Hoje uma das suas crias está perdida da alcateia e anda desesperadamente em busca de uma nova que lhe garanta a sobrevivência. Outra está ferida e luta contra a adversidade. Finalmente a terceira é ainda muito jovem e procura, com alegria, descobrir o mundo que a rodeia. A todas ama sem distinção. Sabe que todas lhe fazem falta. Descobre que a todas faz falta.
De repente, cambaleante, levanta-se. Está ainda fragilizado. Fragilizado pelos ferimentos que lhe deixaram algumas marcas mas, sobretudo, porque acreditou que amava quem não merecia ser amado. Descobre, finalmente, que esse amor não tinha sentido. Apaga-o da sua memória.
Sabe agora que há quem precise dele, sabe que tem ainda muito amor para dar, sabe que vai continuar a procura a loba que o complete e o compreenda e que provavelmente a irá encontrar. Aquela que receberá, mas também saberá dar sem nunca fazerem a contabilidade do deve e haver. Cada qual só se preocupará em dar porque sabe que quanto mais der ao outro mais receberá em troca. Não se criarão muros e barreiras, não se preocuparão em ser iguais, porque é na diferença que está o enriquecimento do ser. Não se preocuparão e fazer um do outro um ser igual e uniformizado pelos padrões da maioria, mas procurarão o equilíbrio entre si, sem deixarem de ser diferentes. Mudarão quando tiverem que mudar, porque viverão um para o outro e para os outros.
Agora com os músculos retesados começa a reagir.
Finalmente!
Sobe à balaustrada da que anteriormente era uma gélida torre que, estranhamente, se tornou aconchegante. Levanta a cabeça em direcção à Lua que alta e cheia o observa.
Solta um uivo. Lancinante. Toda a cidade olha para a torre donde emana o animalesco e puro grito. A cidade apenas vê uma sombra negra a esgueirar-se do patamar da torre. De repente tudo volta ao normal. A maioria fechada no seu Mundo, outros tentando partilhá-lo.
O lobo desce de novo às ruas e inicia uma correria desenfreada. Pára aqui e ali desafiando a Lua com um novo uivo.
Não resolveu tudo o que tinha a resolver, mas tomou uma decisão e partiu em busca da sua felicidade.
FIM! OU SERÁ QUE É PRINCÍPIO?
Sem Assunto
Os fracos são aqueles que não aceitam opiniões diferentes.
Os fracos são aqueles que se acham dominadores.
Os fracos são aqueles que vivem em volta do seu umbigo.
Os fracos são egoístas.
Os fracos são os intolerantes.
Os fracos são os que controlam os seus sentimentos e emoções.
Os fracos são os incapazes de dialogar.
Os fracos são os que acham que têm sempre razão.
Os fracos são os que não se entregam.
Os fracos são os que gostam de ser bajulados.
Os fracos são egocêntricos.
Os fracos são os que não choram.
Os fracos são os que tomam decisões pelos outros.
Os fracos são os que só se amam a si mesmo.
Os fracos são os que não sabem perdoar.
Os fracos são os que não sabem ouvir.
Os fracos são fracos com aparência de fortes.
Os fracos são mesquinhos.
Os fracos são dissimulados.
Os fracos são maus com capa de bons.
Os fracos não são grande coisa.
Fortes são aqueles que não são fracos.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Momento
Nota: Para veres os videos do YouTube deves clicar duas vezes seguidas na seta.
Uma espécie de céu,
Um pedaço de mar,
Uma mão que doeu,
Um dia devagar.
Um Domingo perfeito,
Uma toalha no chão,
Um caminho cansado,
Um traço de avião.
Uma sombra sozinha,
Uma luz inquieta,
Um desvio na rua,
Uma voz de poeta.
Uma garrafa vazia,
Um cinzeiro apagado,
Um Hotel numa esquina,
Um sono acordado.
Um secreto adeus,
Um café a fechar,
Um aviso na porta,
Um bilhete no ar.
Uma praça aberta,
Uma rua perdida,
Uma noite encantada
Para o resto da vida.
Pedes-me um momento,
Agarras as palavras,
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas.
Levas a cidade Solta no cabelo,
Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento.
Uma estrada infinita,
Um anúncio discreto,
Uma curva fechada,
Um poema deserto.
Uma cidade distante,
Um vestido molhado,
Uma chuva divina,
Um desejo apertado.
Uma noite esquecida,
Uma praia qualquer,
Um suspiro escondido
Numa pele de mulher.
Um encontro em segredo,
Uma duna ancorada,
Dois corpos despidos,
Abraçados no nada.
Uma estrela cadente,
Um olhar que se afasta,
Um choro escondido
Quando um beijo não basta.
Um semáforo aberto,
Um adeus para sempre,
Uma ferida que dói,
Não por fora, por dentro.
Pedes-me um momento,
Agarras as palavras,
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas.
Levas a cidade
Solta no cabelo,
Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
domingo, 26 de agosto de 2007
Reis & Presidentes de Portugal
sábado, 25 de agosto de 2007
Choque Frontal
A vida continua, mesmo que se pense que está perdida. Até mesmo quando se perde, a vida continua no, ou nos, que cá deixamos.
Aqui é que está a diferença entre a coragem e a cobardia. É com os choques frontais que a vida se esclarece.
A Vida
“Cheguei ao fim dos noventa minutos do jogo vida, aquele período onde não podemos falhar ou onde devemos falhar menos e é nossa obrigação dar o melhor de nós próprios. Já estou no prolongamento. Agora é hora do balanço, não obrigatório, é certo, mas que posso optar por fazê-lo ou não. E optei sim.
Naquilo que fiz na vida, é evidente que não me arrependo de nada, mas se começasse hoje não fazia da mesma maneira, pois penso que fiz muita coisa errada ou quase tudo. Cometi erros tremendos que só agora dei por eles. Ou talvez não sejam erros assim tão significativos. Na vida tudo é relativo. A vida não veio para ficar; a vida vai-se.
Apesar de tudo e de todos os momentos menos bons que vivi no passado, não dou por mim a queixar-me deles. Não estou contente por aí além. Tenho dores como qualquer um, sofri alguma coisa e sofro. Por coisas alheias à minha vontade e tenho a certeza a que não interferi em nada para piorar as coisas.
Gosto da palavra vida e do que ela encerra de misterioso talvez. E penso que a vida é um mistério e dos grandes. Tantas são as asneiras que se fazem e conseguimos subsistir. É verdade que são muitas e que mais tarde pagaremos a factura como resultado dessas asneiras todas.
Resta da vida uma única coisa boa: os amigos e, como consequência disso, a família, se os laços criados na relação forem laços de amizade. Às vezes não existem esses laços. São inimigos como irmãos, costuma dizer-se. Os interesses criados não são compatíveis com a ambição de cada um. Surge a agressão. A vida tem graça e piada até se for levada com calma e com consideração uns pelos outros. E é pena que acabe tão depressa..
Nunca estipulei nenhum estilo de vida. Vivi a vida. Com regras umas vezes outras vezes sem elas. Casei-me aos vinte e seis anos talvez porque os outros o fizeram também. Senti talvez a mesma necessidade do que eles. A vida é a dois porque a sós não temos a noção total dos problemas que ela contem. A vida tem problemas que às vezes são grandes e de difícil resolução. Mas em princípio tudo se resolve. Bem ou mal. Resolver mal também é resolver o problema. Resolver aqui quer dizer que ele deve deixar de existir."
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O meu comentário:
Obrigado João por esta lição de vida, mesmo que não concorde contigo quando dizes que resolver mal também é uma forma de resolver os problemas, porque quando se resolve mal, o problema pode aparentemente desaparecer, porque fugimos dele, mas inevitavelmente surgem outros problemas ou então agrava-se o prolema inicial. Para mim a resolução dos problemas passa sempre, tem de passar, pelo diálogo. Quando o diálogo não existe temos um comportamento de avestruz, escondemo-nos do problema, mas ele continuo ali, bem perto de nós, apenas fechamos os olhos, ou olhamos para o lado, mas o problema continua a existir ou até mesmo a agravar-se.
Quanto ao arrependimento, também não me arrependo de nada, mas tento aprender com os erros. Não me arrependo porque não posso voltar atrás para corrigir, mas tento sempre transformar-me numa pessoa melhor para não cometer os mesmos erros e isso também é uma forma de arrependimento, porque é uma tomada de consciência.
Infelizmente muitos de nós só aprendemos com a dor e o sofrimento. Pergunto-me porquê? Se não fosse assim todos seriamos mais felizes, porque saberiamos dar a resposta certa no momento certo. Mas, como é evidente, não somos perfeitos, mas também não podemos ter medo de errar. Quando o medo está sempre presente a vida torna-se insuportável e perdemos a capacidade de amar. Vivemos angustiados.
Viver a vida com frontalidade e autenticidade, com os sentimentos à flor da pele, mas fundamentalmente com amor. Com amor pelos outros, com amor pela Natureza, com amor por nós próprios, com amor pela vida, mas fundamentalmente com amor pelo, ou pela, companheira do nosso caminho sem unilateralismos, mas com reciprocidade.
Viver a vida é amar e ser amado, aprender a ceder sem abdicar dos princípios, é dar e receber. Em resumo é estar nas coisas de corpo inteiro e não estar constantemente a racionalizar.
Quando há amor devemos fazer das falhas um caminho para o consolidar e não o contrário. De outra forma não podemos dizer que amamos, se o dissermos estamos a trairmo-nos e a trair os outros, consciente ou inconscientemente.
Sem querer acabei por extrapolar o conteúdo do teu texto, peço desculpa pelo abuso. Um abraço.
domingo, 19 de agosto de 2007
Sempre para Sempre
Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor da pele
Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante
Há amor de Inverno
Amor de Verão
Amor que rouba
Como um ladrão
Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado
Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue, bem quente
Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado
Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso
Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada, mas nada
Te faz contente, me faz contente
Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido
Há amor eterno
Sem nunca, talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez
Há amor de certezas
Que não trará dor
Amor que afinal
amor,
Sem amor
O amor é tudo,
Tudo isto
E nada disto
Para tanta gente
acabar de maneira igual
E recomecar
Um amor diferente
Sempre, para sempre
Para sempre
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Apesar de Você
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou este tema
Que inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
A Mentira
Mais grave que mentir aos outros é mentir a nós próprios. Hoje vive-se sobre o culto da mentira e da superficialidade, é por isso que alertas como este continuam a ser uma pedrada no charco desta sociedade egoísta e egocêntrica. Combater a mentira é fundamental.
Aqui fica o texto de Teixeira de Pascoaes:
"A MENTIRA É A BASE DA CIVILIZAÇÃO MODERNA"
"É na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civilização moderna. Ela firma-se, como tão claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira política, na mentira económica, na mentira matrimonial, etc... A mentira formou este ser, único em todo o Universo: o homem antipático.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.
A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens são súbditos desta omnipotente Majestade. Derrubá-la do trono; arrancar-lhe das mãos o ceptro ensanguentado, é a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direcção dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc.
E os operários que têm trabalhado na obra da Justiça e do Bem, foram os párias da Índia, os escravos de Roma, os miseráveis do bairro de Santo António, os Gavroches, e os moujiks da Rússia nos tempos de hoje. Porque é que só a gente sincera, inculta e bárbara sabe realizar a obra que o génio anuncia? Que intimidade existirá entre Jesus e os rudes pescadores da Galileia? Entre S. Paulo e os escravos de Roma? Entre Danton e os famintos do bairro de Santo António? Entre os párias e Buda? Entre Tolstoi e os selvagens moujiks? A enxada será irmã da pena? A fome de pão parecer-se-á com a fome de luz?."...
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Caixa de Surpresas
Não corras atrás de nada. Não cries expectativas em relação a coisa nenhuma. Não te deixes angustiar pelo que desejas e parece inatingível.
Expurga os teus fantasmas. Não fujas ao confronto. Enriquece-te na discordância. Transforma a dialéctica e o amor nas tuas principais armas de busca da felicidade.
Hesita se tiveres de hesitar, mas não fujas do que sentes.
Não estejas sempre a pesar os prós e os contras. Segue os teus sentimentos e emoções.
Viver não é só racionalizar. Encontrar lógica na vida ou racionalizá-la em excesso só te traz a infelicidade. Não tenhas medo de viver e de falhar. Não te mascares. Não te isoles. Aceita os outros como são, mostra-lhes os caminhos mas não cries demasiadas expectativas. Não é com a imposição dos teus valores que os vais fazer mudar. Não deixes o Mundo ruir à tua volta.
Mantém a serenidade e sabe esperar, o que tiver de acontecer acontecerá e encontrarás sempre novos caminhos sem repisar os passados.
Lambe as tuas feridas.
Muda se tiveres de mudar, mas não vivas em função da mudança. Se erraste volta a mudar. Muda quantas vezes for preciso. Busca a felicidade.
Mantém sempre a tua autenticidade. Luta por valores. Acredita no amanhã que será sempre melhor do que o ontem. Vive o dia-a-dia com o prazer de te reencontrares e de novas descobertas, nem que essas sejam as que menos esperas e aches que já não há nada para descobrir.
Combate a tristeza, reaprende a sorrir. Procura transformar o impossível em possível. Combate os preconceitos. Sê tolerante. Aprende a ouvir.
Luta por ti. Não vires a cara à tua felicidade. Acredita nas tuas capacidades. Eleva a tua auto-estima.
O amanhã será sempre melhor do que o ontem ou o hoje.
Não desperdices a tua vida, não tens outra e o mundo não é perfeito. Aprende a lidar com a imperfeição e tenta melhorá-la, não lhe vires as costas, porque tu também não és perfeito.
Luta, mas luta serenamente, sem pressa de chegar à meta. Luta, porque a vida é uma caixa de surpresas.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Fiat 500 de 1957
FIAT 500 de 1957 descapotável recuperado ao pormenor.
Fantástico!
Aceitam-se ofertas.
Quem estiver interessado pode enviar a sua proposta para karmenoz@gmail.com, se o proprietário aceitar alguma proposta contactará o interessado.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Coco Montoya
Eu estive lá e gostei, por isso partilho este bocadinho convosco.
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Fragilidade
Quando tudo em nós se precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera
Houvesse um canto para se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse como um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade
Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve
Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar
E é tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra e já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve
Mafalda Veiga in Nada se Repete
domingo, 15 de julho de 2007
sábado, 7 de julho de 2007
Lado Lunar
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho
Não me abras assim o teu mundo
O teu lado solar só dura um segundo
Não é por ele que te quero amar
Embora seja ele que me esteja a enganar
Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar
Desvenda-me o teu lado malsão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e runas de amores
Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
À prova de bala à prova de tudo
[refrão]
Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo e tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso
Não é bem por ela que te quero amar
Embora seja ela que me vai enganar
Se mostrares agora o teu lado lunar
Mesmo às escuras eu não vou reclamar
Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Aqui Tão Perto de Ti
Perdida nas janelas da alma
Olho as cidades sem tempo
Cenários de vidas imaginadas
Distantes do trabalho intenso
Mundos no tempo imaginado só eu o sei
Perdidos à entrada do labirinto
No meio da vastidão a poesia
De um dia a mais a viver
Janelas da alma sol do meio-dia
Riquezas de quem não tem o que fazer
Cenários de vidas imaginadas
Frestas de luz ao amanhecer
E se o amor
Bate as asas e voa sobre nós
Eu vou ser feliz
Hoje amanhã e depois
E se o amor
Bate as asas e voa sobre nós
Eu vou ser feliz
Aqui tão perto de ti
Letra e Música: Múcio de Sá
Banda: Donna Maria
Dois Lados do Mesmo Adeus
Lágrimas no seu rosto
Suavemente descem
Deixam-lhe o desgosto
Entre dois suspiros
Sopro-lhe na face sem favor
Abre-se a janela
Tenta um disfarce
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Deixo-me ficar
Nunca quis saber nunca quis acreditar
Que tu irias partir não podias cá ficar
Nunca quis escutar muito menos quis ouvir
O teu silêncio que avisava a intenção de não voltar
Podes crer
Bem que me disseram para nunca me agarrar a uma pessoa a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora para que servem estes olhos se não podem mais te ver
Queria ver queria saber
O que fazias tu que estás aqui a observar
Tás a ver tás a perceber
Pode ser que um dia a gente volte a se encontrar
Agora embora, agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho p’ra pensar
Embora agora que a minha alma chora
Como disse alguém
Vou-me perder para me encontrar
Esse choro triste
Desespero seu
P’ra tentar dizer
Nada se perdeu
Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante
Música: Manuel Lourenço
Letra: Manuel Lourenço e Miguel A. Majer
Banda: Donna Maria
terça-feira, 26 de junho de 2007
Lado a Lado
Música: Nóbrega e Sousa
Letra: Jerónimo Bragança
Banda: Donna Maria
Somos dois caminhos paralelos
Vamos pela vida lado a lado
Doidos que nós somos
Loucos que nós fomos
Nem sei qual é de nós mais desgraçado
Lado a lado meu amor mas tão longe
Como é grande a distância entre nós
O que foi que se passou entre nós dois que nos separou
Porque foi que os meus ideais morreram assim dentro de mim
Ombro a ombro tanta vez mas tão longe
Indiferença entre nós quem diria
Custa a crer que tanto amor tão profundo amor tenha acabado
E nós ambos sem amor lado a lado
Fomos no passado um só destino
Somos um amor desencontrado
Doidos que nós somos
Loucos que nós fomos
Não sei qual é de nós mais desgraçado
sexta-feira, 22 de junho de 2007
O Primeiro Dia do Resto da Minha Vida
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vem cansaços e o corpo frequeja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Sérgio Godinho
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Filosofia de Boteco
Quase Perfeito
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero
Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia
Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça
Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito
Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito
Letra: Miguel A. Majer
Música: Miguel Rebelo
Banda: Donna Maria
sábado, 16 de junho de 2007
Dúvida
Só a verdade e a serenidade do tempo o dirá.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Miopia
Quando só vemos o superficial,
Perdemos o essencial.
Quando só vemos o essencial,
Perdemos o extraordinário.
Ver portas onde nem frestas existem.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Tempo
Nuno Júdice, "O Signo Segundo Saussure, Cartografia de Emoções, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001.
terça-feira, 12 de junho de 2007
O Sorriso
Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade





