terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Viver

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.


Charles Chaplin

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Parabéns!


Parabéns mãe! Aceita este ramo de gerberas, a flor que tu mais gostas, como símbolo do meu amor.

Hoje fazes anos e para mim é um dia igual, quer tu estejas, quer não estejas entre nós.

É o teu aniversário e eu recordo-te com muito amor e carinho.

Parabéns mãe!

domingo, 9 de dezembro de 2007

LOBOS!

O olhar do Lobo, ou do seu Espírito, passe a imodéstia.



São belos, os Lobos.













sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O Lume

vai caminhando desamarrado
dos nós e laços que o mundo faz
vai abraçando desenleado
de outros abraços que a vida dá

vai-te encontrando na água e no lume
na terra quente até perder
o medo, o medo levanta muros
e ergue bandeiras pra nos deter

não percas tempo, o tempo corre
só quando dói é devagar
e dá-te ao vento como um veleiro
solto no mais alto mar

liberta o grito que trazes dentro
e a coragem e o amor
mesmo que seja só um momento
mesmo que traga alguma dor

só isso faz brilhar o lume
que hás-de levar até ao fim
e esse lume já ninguém pode
nunca apagar dentro de ti


Letra e Música: Mafalda Veiga
in A Cor da Fogueira, Mafalda Veiga


Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto tudo o mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não pára


Letra e Música: Lenine / Dudu Falcão
in Lenine, Na Pressão


Foi por Ela

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela

Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela

Letra e Música: Fausto

Armadilhas

A vida parece longa
Mas é tão curta afinal
Ainda agora começamos
E já estamos a acabar

Muita coisa foi vivida
Muita saudade ficou
Muita mágoa também
Muita mágoa também

Para quê olhar para trás
Pessoas nos marcaram
Umas pela positiva
Outras pela negativa

A verdade está no que sentimos
Não naquilo que idealizamos
Por aqueles que nos amaram
Ou nos enganos que nos armaram

Não me arrependo de nada
Pois nada posso corrigir
Recordo as pessoas autênticas
Aquelas que foram sinceras

Para trás deixei ficar
As que na mentira viveram
Essas ficaram de fora
As outras estão dentro de mim

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Tempo

O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstracção
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.
O que podia ter sido e o que não foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral. As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito.

Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei

..........................

Vai, vai, vai, disse a ave; o género humano
Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.

T.S. Eliot

Emilio Cao - A Voz da Galiza

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* Cain as Follas
* Amiga Alba e Delgada
* Néboa no Val, Lus no Horizonte
* Lévame Lonxe

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Na memória ficou-me uma viagem pelos Picos de Europa, em 1996, mas tudo está já demasiado longe e não tem qualquer sentido, nem valor, nem significado. Tudo não passou duma mentira ardilosamente montada num local de rara beleza.

Eu a olhar para o fogo e o fogo a olhar para o meu fogo, mas depois ficamos reduzidos a cinzas. É a vida e já não há volta a dar.

Caminante

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.


Antonio Machado

Tradução para Português:

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

Antonio Machado, poeta Sevilhano

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Obrigado Ana por me relembrares o nome do poeta. Não há dúvida que em Castelhano fica melhor.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Aquele Homem

Aquele homem
foi irmão, amante, amigo
foi o companheiro perdido
na encruzilhada da vida

foi ele que me preencheu
embora sem o saber
e o seu rumo continuou
noutros portos atracou

Mas o seu sabor ficou
amargo e doce, intenso
e ainda quando penso
sinto em mim o seu calor

Mário, lembro teu nome
sussurro-o dentro de mim
mas o tempo não perdoa
talvez tenha sido o fim


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Quantos anos já passaram? Talvez uma dúzia, pelo menos. Obrigado minha doce Ana, mas nunca sabemos quando é o fim, apenas sabemos o que fizemos, nunca o que faremos. Mas vamos ficar com os pés bem assentes na terra. Beijos.

Aquela Mulher

Aquela mulher.
Foi aquela mulher.
Como pude desperdiçar,
Aquela mulher.

Foi ela que me preencheu,
Foi ela que foi autêntica.
Eu passei ao lado dela,
Mas ela foi aquela mulher.

A vida guarda-nos surpresas,
Mas aquela mulher...
É alguém que nunca esquecerei
É a mulher que recordarei.

Ana, lembro, o teu nome
Paula vem até mim.
Quero sentir o teu corpo
Quero-te junto de mim.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Caminho

O caminho é sempre em frente,
O passado está enterrado.
À frente vejo o sonho,
Atrás ficou o pesadelo.

É sempre bom esquecê-lo,
O passado medonho.
À frente o céu estrelado,
Que ilumina a minha mente.

Doce Novembro

Agora que chegamos a Dezembro, Novembro parece muito mais doce.


Marjorie Estiano - Doce Novembro

Poemeto de Pé Quebrado

Tropeças numa palavra,
A seguir num olhar.
Perguntas o que é amar.
A resposta fica no ar.

Amar é ser autêntico.
Viver aquele momento,
Sem esperar pagamento.
Sem viver o tormento.

Não esperes encontrar
O teu parceiro ideal.
Pode estar neste lugar,
Ou ser simplesmente irreal.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Carro que Respira

Em defesa do ambiente façamos o nosso dever de cidadãos, levantemos a nossa voz, e a nossa acção, contra os lobbies das indústrias automóvel e petrolífera.

VER AQUI.
(ficheiro pps)

Aproveito para relembrar que, na nossa luta para fazer baixar o preço dos combustíveis, não devemos abastecer, nos próximos meses, nos postos GALP e BP. Talvez seja lirismo, mas se todos colaborarmos podemos vencer esta batalha.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Uma Nova Vida


Como é bom sabermos que estamos a fazer de cada dia, um novo dia da nossa nova vida.

Não acredito em determinismos, por isso a vida é o que nós fazemos dela. É nosso privilégio reconstruir a nossa vida e procurar caminhos que nos levem a alcançar de novo momentos de felicidade.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Começar Dezembro com um Azul Especial



SO EASY - MARJORIE ESTIANO
Composição: (Alexandre Castilho / André Aquino / Victor Pozas)

O que você quer eu quero mais
o que você diz não me distrai
mas pode acreditar em mim
que tudo fica bem mais fácil assim

So Easy

Sei que é difícil arriscar
amanhã quem sabe o que será
mas pode acreditar em mim
por que você tem tanto medo assim?

So Easy...

So Easy, me dá a mão, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final

So Easy...So Easy, me dá a mão, So easy, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

{Solo}

Nanananananana... So Easy (2X)
me dá a mão, So easy, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final (3X)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Mágoa

Por todas as ondas do mar
Vou celebrar
À procura de um sonho azul
Que vai voltar

Por todas as luzes do céu
Vou celebrar
Sonhos de mil histórias de amor
Sem acordar

A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou

Por todas as juras perdidas
Vou celebrar
Às desilusões já esquecidas
Quero brindar


A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou

Vem, p'ra longe daqui
Um outro lugar de azul e mar
Vem, não percas a luz que tem
o teu olhar

A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou


RITUAL TEJO, letra e música de José Manuel Afonso

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

domingo, 25 de novembro de 2007

25 de Novembro

Obrigado filho. Eu também te amo muito. As tuas palavras sensibilizaram-me muito, por isso deixo aqui o link para o teu post:

25 de Novembro de 1975

Metade de mim é sonho,
Mas a outra metade desilusão.

Isto traz-me à memória um poema de OSWALDO MONTENEGRO, METADE:



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

sábado, 24 de novembro de 2007

Porque Hoje é Sábado

Vou aproveitar para ir curtir a noite. Um grupo de amigos fixes e umas amigas gatas, lindas e fixes.

Porque hoje é sábado.

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O Dia da Criação

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.



Vinicius de Moraes

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Homenagem ao meu amigo Pedro Martino

Professor e fotógrafo amador (porque ama a fotografia), Pedro Martino é uma pessoa rara, inteligente e sensível.

Na sua recente passagem pelo Vietname deixou-nos algumas das suas impressões das gentes que estão por detrás da gente. Convido-vos a ver as gentes do Vietname pelo olhos de Pedro Martino e, se possível, ver para lá dos olhos dele.

Obrigado Pedro e um grande abraço.

Vietnam (Gente 1)
Vietnam (Gente 2)
(Ficheiros PPS)

Esperar o que Acontece

Mário Viegas e a nêspera...

Há ainda quem se lembre? Há ainda quem prefira ficar calado?

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Uma nêspera estava na cama
deitada, muito calada, a ver o que acontecia.

Chegou a Velha e disse:
olha uma nêspera e zás comeu-a !

É o que acontece às nêsperas
que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!



Adaptado de Mário Henrique Leiria, "Novos contos do Gin Tonic", 1974

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Dá que pensar?...

Magia

Ilusão ou realidade? O que escolhes tu?

A realidade é sempre mais simples do que a ilusão!

Lilly and the World

Amazing.

Aflição


Adiante era o frio, mais atrás era o raio de sol.
uns pés passos largos; outra vez, caminhar devagar.
Entre o tremer e o abrasar, um modo
como se fosse o existir não mais que passar.

Para onde é que vou?

Se meço ou se me perco, se fio ou se desteço;
contar os números é para os sábios, eu só observo.
Fazer um círculo, desenhar quadrado:
a geometria é para quem sabe recomeçar.

Por que é que eu fico?

Minha história é sem início, não determina seu fim;
um dia perguntarão se fui gente ou estátua de sal.
Quando derem por minha ausência estarei
com meus olhos de saudade fitados para atrás.

Onde nos encontraremos?
Quando, o tempo de repousar?


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Poema original de Isaias Zuza Junior (Brasil) publicado iniciamente no se blog A Lanterna Mágica.

Aquecimento Global - Global Warming

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

PORTUGAL no EURO 2008

Jogo fraquito, com alguns requintes técnicos das nossas estrelas.

Mas apesar do empate a 0 com a Finlândia no Estádio do Dragão, Portugal qualificou-se para o Europeu 2008.

Nos Sub 21, depois do empate com a Inglaterra a 1 golo é que as coisas estão mais pretas, mas enquanto há vida há esperança.

Parabéns PORTUGAL!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Ana Popovic & Coco Montoya

Cidadão do Mundo

Anda a circular, por mail, um abaixo assinado que mereceu a minha atenção.

Se ainda não assinaram esta petição, peço-vos que copiem o texto em baixo (em itálico) e o enviem para todos os vossos contactos para dar início a uma nova corrente de solidariedade.

Assim que o número de assinaturas atingir os 250 esse mail deverá ser enviado para o endereço abaixo indicado.

Obrigado pela vossa participação, o Mundo está mesmo aqui ao virar da esquina e nós não podemos estar de costas voltadas para ele.
__________________________________________
Date: Thu, 8 Nov 2007 12:36:44 +0000

Ultraje na África do Sul

Na última semana uma menina de 3 anos de idade na África do Sul foi espancada e violada. Ainda está viva. O homem responsável foi libertado da cadeia ontem. Anda solto nas ruas.

Se você estiver demasiado ocupado para ler este mail então assine apenas o seu nome e reenvie. O Governo planeia fechar a unidade da protecção da criança (CPU) e esta é uma petição contra esse plano. Esta é uma petição muito importante.

É uma parte essencial do sistema da justiça para as crianças. Você pode já
ter ouvido que há um mito em África do Sul segundo o qual ter sexo com uma virgem curará a SIDA. Quanto mais nova for a Virgem, mais potente é a cura.

Isto conduziu a uma epidemia de violações por homens infectados, infectando assim crianças inocentes.

Muitas morreram nestas violações cruéis. Recentemente na cidade do Cabo, um bebé de 9 meses foi violado por 6 homens. Pense por favor sobre isto por um momento. A situação do abuso de criança está a alcançar agora proporções catastróficas e se não fizermos alguma coisa, quem o fará?

Adicione amavelmente seu nome ao fundo da lista e passe por favor este Mail a tantas pessoas quantas conhece.

Se fores a assinatura nº 250 por favor faz um reenvio para:

childprotectpca@saps.org.za

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Farmacêutico Dorme Tranquilo

Esta mensagem foi-me enviada por um amigo, mas também veio publicada na imprensa. Não posso deixar de a divulgar, talvez haja por aí outros, que igualmente altruístas ou menos gananciosos, sigam o exemplo deste farmacêutico. Parabéns Carlos Almeida!
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FARMACÊUTICO DORME TRANQUILO

Muitas clientes de Carlos de Almeida não podiam pagar a vacina contra o cancro do Colo do Útero. Então, decidiu vendê-la sem lucro.

Carlos Almeida, 47 anos, director técnico da Farmácia de Santa Catarina no Porto, desenvolveu um projecto filantrópico com repercussões vitais na saúde das mulheres portuguesas:
- Abdicou das margens de lucro das duas vacinas preventivas do cancro do colo do útero à venda no mercado, ficando as duas ao mesmo preço.

"Não preciso ganhar dinheiro com este medicamento, porque vejo que há uma extensa série de pessoas que não a consegue comprar. E essa imagem é mesmo muito triste", explicou ao 24 Horas.

Com a consciência atormentada, este João Semana das farmácias decidiu fazer alguma coisa. Vende as vacinas ao preço que as compra, possibilitando a mais gente o acesso a um eficaz meio de prevenção de uma das doenças mais mortífereas do sexo feminino.

"Pensei fazer um desconto, mas ainda assim era cara. Não fiz acordo com laboratórios nem com ninguém quando decidi vender a preço de custo. Não tenho lucro, mas pelo menos durmo de consciência tranquila", diz.

As duas vacinas custam 481 e 433 Euros e a Famácia Santa Catarina está a vendê-las a 390 Euros - ainda assim um preço alto para uma grande maioria de famílias, principalmente numerosas.

Ciente das dificuldades, Carlos Almeida, lembrou-se de negociar com uma empresa de crédito, permitindo aos clientes comprar a vacina e pagá-la ao longo de um ano.

"É mais um meio para adquirir o tratamento", justifica.

E até quando a Farmácia Santa Catarina vai continuar com tão altruísta acção?

"Até a vacina ser incluída no plano de vacinação nacional ou até ser comparticipada pelo Governo. A prevenção não pode ser um previlégio", sublinha.
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"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores". Platão

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Mineiro



Em noite de S. Martinho resolvi ir ao Teatro. Um dos actores é meu amigo do peito e era o último dia que a peça estava em cena.

O local foi o Forum Cultural de Ermesinde, a encenação de Júnior Sampaio e resultou de uma co-produção dos grupos ENTREtanto TEATRO e ESTACAZERO TEATRO, ambos da Área Metropolitana do Porto. A peça: MINEIRO, baseada em "A Cena do Ódio" de José de Almada Negreiros.

Uma encenação fabulosa, um texto muito interessante sobre o mundo hipócrita em que vivemos e uma actuação excelente do protagonista.

Dizia assim o convite: "MINEIRO um homem soterrado com os seus espectros concretos e utópicos. Num combate constante para fugir do mundo contemporâneo ele exorciza os vícios, os derrotados, os ultrajados, e discrimina o homem civilizado, os intelectuais, a canalha, a gente simples operária e (...) o burguês".

Texto denso em que cada frase tem de ser maduramente analisada, por isso se tiver oportunidade irei ver novamente a peça. Talvez haja uma reposição.

No fim ficaram a martelar-me na cabeça duas frase ditas pelo mineiro, e que cito de cor: "Esta vida é tão curta que ficamos sempre a meio caminho do desejo" e " com a idade a beleza deixa de ser tocada para ser só vista".

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Do programa de "Mineiro" retirei o texto que se segue, porque ajudará melhor a contextualizar a peça:

Medo do Outro.
Medo da Mãe. Medo do Pai.
Medo da Mão. Medo do Patrão.
Medo do Colega. Medo do Medo.
Medo da Amante. Medo da Mulher.
Medo do Outro. Medo do Medo.
Medo do Vivo. Medo do Morto.
Medo do Medo. Medo do Dedo.
Medo da Doença. Medo do Pânico.
Medo com Medo. Medo por Medo.


Um desmonoramento, provocado ou acidental, joga com a minha vida de quem não se importa de perder. Um jogo onde não há vencedores nem vencidos. Um empate? Não.
Um homem soterrado com os seus espectros concretos e utópicos, num combate para fugir do mundo contemporâneo, exorciza os derrotados e os ultrajados, discrimina o homem civilizado, os intelectuais, a canalha, a gente simples operária e (...) o burguês.
Com todos hei-de esperar o amor eterno dos homens.
Hei-de esperar humanidade.
Dói-me a falta de ser humano.

Júnior Sampaio
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Para a posteridade:

M I N E I R O
a patir de "A Cena do Ódio" de José de Almada Negreiros

texto, encenação e espaço cénico júnior sampaio
assistente de encenação daniela gonçalves
cenografia e figurinos rui azevedo
música original rui lima e sérgio gonçalves
interpretação hugo sousa e carlos gonçalves, emanuel de sousa, ivone oliveira, jaime pacheco, rita vieira, rui gomes, sara fernandes e tânia reis
imagem gráfica emanuel de sousa
produção executiva amélia carrapito, sofia leal [et], ivone oliveira, cláudia sousa [ez]
classificação etária m/14
duração aproximada 60 minutos

domingo, 11 de novembro de 2007

S. Martinho



Pelo S. Martinho,
castanhas e vinho!

Vergonhoso



Por sugestão de um comentário num post anterior resolvi ajudar a divulgar um artigo de um companheiro da blogosfera: Vergonhoso: professores das AEC não recebem.

Contra o silêncio. Marchar! Marchar!

Para quem quiser pode também aceder directamente ao blog CEGUEIRALUSA, o link está na lista: "Amigos e outros Blogs".

Se é vergonhoso o que o Ministério da Educação e o Governo, ou seja lá qual for a instância do Poder, andam demagogicamente a fazer com os Portugueses. Mais vergonhoso ainda é o silêncio dos Portugueses.

Participem, denunciem as injustiças, sejam cidadãos!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Defeitos


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Fernando Pessoa

Tutorkamon


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Goodnight Moon

Vejam e ouçam aqui (Shivaree). Boa noite a todos, mesmo para aqueles que não gostam de mim.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Sabedoria




A Verdade é Intemporal




Poema para a Morte


Beijo o vento com minha boca de flor.
É leve a brisa até se transformar em vento-forte,
carrega por ruas algo que se pode ver apenas
suspenso no ar, perto das estrelas, caindo nada...

Mas não te alcança o vento, e nem o sussurro,
porque é longe a tua presença e perto a falta...
Esta boca não abriu para a passagem do tempo
ou sequer se aproximou do céu ou levaram as ondas.

Voltou à terra e ficou roxa, a mesma flor
que nunca ninguém viu, nunca ninguém plantou.



Poema original de Isaias Zuza Junior (Brasil) publicado iniciamente no se blog A Lanterna Mágica.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Hoje










Preocupa-te só com o dia de hoje, porque o amanhã ainda não existe e o ontem já passou.

Vive um dia de cada vez e que cada um seja melhor do que o anterior.