sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
(SITTIN' ON) THE DOCK OF THE BAY
I'll be sittin' when the evenin' come
Watching the ships roll in
And then I watch 'em roll away again, yeah
I'm sittin' on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I'm just sittin' on the dock of the bay
Wastin' time
I left my home in Georgia
Headed for the 'Frisco bay
'Cause I've had nothing to live for
And look like nothin's gonna come my way
So I'm just gonna sit on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I'm sittin' on the dock of the bay
Wastin' time
Look like nothing's gonna change
Everything still remains the same
I can't do what ten people tell me to do
So I guess I'll remain the same, yes
Sittin' here resting my bones
And this loneliness won't leave me alone
It's two thousand miles I roamed
Just to make this dock my home
Now, I'm just gonna sit at the dock of the bay
Watching the tide roll away
Oooo-wee, sittin' on the dock of the bay
Wastin' time
(whistle)
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- written by Otis Redding and Steve Cropper
- lyrics as recorded by Otis Redding December 7, 1967, just three days before his death in a plane crash outside Madison, Wisconsin
- #1 for 4 weeks in 1968
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Beatas
Notícia de última hora: A Igreja Católica Portuguesa vai dar início a uma campanha contra a nova lei anti-tabaco que entrou em vigor, em Portugal, no passado dia 1 de Janeiro.
A hierarquia da Igreja, reunida em sínodo, queixa-se que a nova lei afasta os fiéis da prática religiosa, pois as beatas estão todas a fugir para as portas dos cafés. Assim, e em primeira instância, vai exigir que o director da ASAE afirme publicamente, tal como o fez em relação aos casinos, que se pode fumar no interior das Igrejas, justificando que o fumo é uma das tradições das cerimónias religiosas, pois em todas as missas já é utilizado o fumo do incenso.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Entender o Porto
Espero que esta leitura ajude os forasteiros a melhor decifrar esta cidade secreta que Eugénio de Andrade, um seu filho adoptivo, não hesitou em considerar a mais fechada das nossas cidades.
Frases soltas que alguns grandes escritores e intelectuais portugueses escreveram sobre o Porto:
O B PELO V
Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão.
MARAVILHAS E ANGÚSTIAS
O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias.
COMO SE VINGA
O portuense não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da Polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria.
RIR DESBRAGADAMENTE
E quanto ao riso, o Porto gosta de rir e de rir com uma certa insolência: ri mais desbragadamente, mais primariamente, mais saudavelmente e com mais gosto do que Lisboa.
REGAÇO ABERTO PARA O RIO
Afinal, o Porto, para verdadeiramente honrar o nome que tem, é, primeiro que tudo, este largo regaço aberto para o rio, mas que só do rio se vê, ou então, por estreitas bocas fechadas por muretes, pode o viajante debruçar-se para o ar livre e ter a ilusão de que todo o Porto é a Ribeira.
UMA ALMA DE MURALHA
Toda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha.
INVEJAS
Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem-estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho. Detestam-se!
LIÇÃO DE PORTUGUESISMO
Uma ida ao Porto é sempre uma lição de portuguesismo, tanto mais rica quanto mais raramente lá se vai. É indispensável – claro! - um mínimo de contacto reiterado com esse lar da nação para nele vermos algumas das significações latentes que enriquecem a nossa consciência de práticas.
UMA FAMÍLIA
O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação.
ASPECTO SEVERO E ALTIVO
O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Tabacaria
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
CÂNTIGO NEGRO
Sejamos cidadãos! Homens e Mulheres Livres!
Os nossos caminhos somos nós próprios que os desbravamos, sem medo de cometer erros, mas sempre com capacidade para aprender com eles.
BOM ANO NOVO!
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CÂNTICO NEGRO
Dizem-me alguns com os olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali....
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao Mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
Mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram Pai, todos tiveram Mãe;
Mas eu, que nunca principío nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: " vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!
José Régio
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Natal é Sempre ou Nunca
Alguém tem algo de novo a acrescentar? Eu não!
Hipocrisia? Não obrigado!
NATAL
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um Homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
DIA DE NATAL
Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Manuel Machado e os Gatos Fedorentos
É bom sabermos rir de nós próprios.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Sexto Andar
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar
E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar
Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção
Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar
Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã
sábado, 15 de dezembro de 2007
Pai

Eras um "velho" e austero republicano. Faz hoje precisamente 21 anos que morreste, tinhas 86 anos.
Quando nasci já ias a meio caminho dos 60 anos, nunca tivemos uma relação fácil. Não me lembro de um carinho, não me lembro de uma palavra, recordo muitas críticas.
Eras um homem bom, com príncipios muito válidos e um carácter muito forte, mas paraste no tempo, ao contrário da mãe, que se manteve sempre jovem e actual, tu ficaste amarrado aos teus princípios. Rígidos princípios.
Não percebeste que, à tua volta o mundo mudava e que a minha geração nada tinha a ver com a tua, nem com a dos meus irmãos. Fui um filho tardio de um pai que não conseguiu acompanhar a evolução do tempo.
Sei que me amavas, penso que me amavas, eu amei-te e amo-te. Discordei muitas vezes de ti, tentei aproximar-me, sem êxito. Havia um muro intransponível.
No entanto, tal como tu não sabias demonstrar o amor que me tinhas, eu também não soube mostrar-te o quanto te amava e, fica a saber, hoje a minha matriz tem muito a ver contigo. Tenho ainda alguma dificuldade em demonstrar quanto amo as pessoas, mas luto contra esse fantasma e hoje, a vida e as minhas vivências, ensinaram-me, que nunca devemos esconder o que sentimos pelos outros: os filhos, uma companheira, os amigos e amigas. Neste aspecto sou agora, para minha felicidade, muito diferente de ti.
Mas devo-te muito mais do que a vida que ajudaste a dar-me. Muitos dos teus prinicípios, são os meus princípios, mesmo que nunca o tenhas percebido.
Tento ser tão recto quanto tu, mas não tenho medo de cometer erros, não me sinto detentor da verdade, há muitas verdades. Tento fazer o bem, sabendo que muitas vezes faço mal, mesmo que não o queira fazer. Tento ser verdadeiro, mas tenho consciência que nem sempre o consigo ser totalmente. Tento ser autêntico, mesmo que essa autenticidade me prejudique, porque eu sou uma pessoa, não um ser infalível.
Pai, nunca é tarde para reconhecer que erramos, como nunca será tarde para dizer que te amei e que te amo.
A tolerância? Bem essa, desculpa, mas foi da mãe que a bebi.
Amo-te Pai.
Amor e Outros Desatres

Esta noite fui ver, com uma grande amiga, uma comédia romântica: "Amor e Outros Desastres".
Foi uma surpresa, rimo-nos e reflectimos sobre o que vimos. Um filme aparentemente ligeiro, mas cujo conteúdo deve ser analisado com mais profundidade.
Não vou resumir aqui a história do filme para não estragar a surpresa que, acreditem, é agradável.
Ficaram-me a bater na cabeça uma ou outra afirmação, das quais destaco, mais ou menos literalmente a seguinte: "o verdadeiro amor é algo que se vai construindo e não um acontecimento".
O Amor não é uma coisa que bate num momento, não é um flash, isso não passa de impulsos físicos. O amor não é estabelecer metas em relação ao futuro, o amor vive-se no dia-a-dia, ou simplesmente não se vive, porque não existe.
O amor é aquilo que se constrói ou destrói ao longo de um conhecimento mais profundo do outro e de si próprio, muitas vezes o impulso, a atracção física, mascara o verdadeiro amor, outras vezes pelo contrário.
Para mim não há amor sem paixão, mesmo que ele comece por um impulso a paixão deve estar sempre acesa, quando ela se extingue, pelo menos de um dos lados, a relação já não passa de uma farsa, porque amar não é unilateral.
Viver apaixonadamente, entre ambos, é o alimento fundamental para a consolidação de uma relação amorosa, doutra forma as sucessivas desilusões com um relação ideal que se pré-estabeleceu ou pré-concebeu, só tem um fim possível: o aniquilamento da relação, mais ou menos dolorosa, mais ou menos demorada, tudo depende dos sentimentos de cada um, mas não tem outra saída a não ser o seu fim.
Quando essa paixão foi ou teve momentos de grande intensidade, mas chega ao fim, nunca mais existirá qualquer tipo de relação entre os antigos amantes apaixonados. É impossível conviver com alguém por quem fomos apaixonados, o sentimento de desilusão em relação a essa pessoa é tão grande que o tudo passou a significar nada.
Vejam o filme, não vão perder o vosso tempo.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Aprender

Perdoar?
Devemos perdoar,
O mal que nos fizeram.
Reconhecer?
Devemos reconhecer,
O mal que nós fizemos.
Esquecer?
Devemos esquecer,
Mas é impossível esquecer.
Aprender?
Devemos aprender,
Com os erros cometidos.
Mas...
Como perdoar?
Como reconhecer?
Como esquecer?
O que está feito,
Está feito.
Não tem mais solução.
Podemos
Manipular o presente,
Influenciar o futuro.
Nunca refazer o passado.
Apenas aprender!
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Viver
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Parabéns!
domingo, 9 de dezembro de 2007
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
O Lume
dos nós e laços que o mundo faz
vai abraçando desenleado
de outros abraços que a vida dá
vai-te encontrando na água e no lume
na terra quente até perder
o medo, o medo levanta muros
e ergue bandeiras pra nos deter
não percas tempo, o tempo corre
só quando dói é devagar
e dá-te ao vento como um veleiro
solto no mais alto mar
liberta o grito que trazes dentro
e a coragem e o amor
mesmo que seja só um momento
mesmo que traga alguma dor
só isso faz brilhar o lume
que hás-de levar até ao fim
e esse lume já ninguém pode
nunca apagar dentro de ti
Paciência
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto tudo o mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não pára
in Lenine, Na Pressão
Foi por Ela
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
Letra e Música: Fausto
Armadilhas
Mas é tão curta afinal
Ainda agora começamos
E já estamos a acabar
Muita coisa foi vivida
Muita saudade ficou
Muita mágoa também
Muita mágoa também
Para quê olhar para trás
Pessoas nos marcaram
Umas pela positiva
Outras pela negativa
A verdade está no que sentimos
Não naquilo que idealizamos
Por aqueles que nos amaram
Ou nos enganos que nos armaram
Não me arrependo de nada
Pois nada posso corrigir
Recordo as pessoas autênticas
Aquelas que foram sinceras
Para trás deixei ficar
As que na mentira viveram
Essas ficaram de fora
As outras estão dentro de mim
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Tempo
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstracção
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.
O que podia ter sido e o que não foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral. As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito.
Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei
..........................
Vai, vai, vai, disse a ave; o género humano
Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.
Emilio Cao - A Voz da Galiza
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* Cain as Follas
* Amiga Alba e Delgada
* Néboa no Val, Lus no Horizonte
* Lévame Lonxe
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Na memória ficou-me uma viagem pelos Picos de Europa, em 1996, mas tudo está já demasiado longe e não tem qualquer sentido, nem valor, nem significado. Tudo não passou duma mentira ardilosamente montada num local de rara beleza.
Eu a olhar para o fogo e o fogo a olhar para o meu fogo, mas depois ficamos reduzidos a cinzas. É a vida e já não há volta a dar.
Caminante
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
Tradução para Português:
Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.
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Obrigado Ana por me relembrares o nome do poeta. Não há dúvida que em Castelhano fica melhor.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Aquele Homem
foi irmão, amante, amigo
foi o companheiro perdido
na encruzilhada da vida
foi ele que me preencheu
embora sem o saber
e o seu rumo continuou
noutros portos atracou
Mas o seu sabor ficou
amargo e doce, intenso
e ainda quando penso
sinto em mim o seu calor
Mário, lembro teu nome
sussurro-o dentro de mim
mas o tempo não perdoa
talvez tenha sido o fim
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Quantos anos já passaram? Talvez uma dúzia, pelo menos. Obrigado minha doce Ana, mas nunca sabemos quando é o fim, apenas sabemos o que fizemos, nunca o que faremos. Mas vamos ficar com os pés bem assentes na terra. Beijos.
Aquela Mulher
Foi aquela mulher.
Como pude desperdiçar,
Aquela mulher.
Foi ela que me preencheu,
Foi ela que foi autêntica.
Eu passei ao lado dela,
Mas ela foi aquela mulher.
A vida guarda-nos surpresas,
Mas aquela mulher...
É alguém que nunca esquecerei
É a mulher que recordarei.
Ana, lembro, o teu nome
Paula vem até mim.
Quero sentir o teu corpo
Quero-te junto de mim.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Caminho
O passado está enterrado.
À frente vejo o sonho,
Atrás ficou o pesadelo.
É sempre bom esquecê-lo,
O passado medonho.
À frente o céu estrelado,
Que ilumina a minha mente.
Doce Novembro
Marjorie Estiano - Doce Novembro
Poemeto de Pé Quebrado
A seguir num olhar.
Perguntas o que é amar.
A resposta fica no ar.
Amar é ser autêntico.
Viver aquele momento,
Sem esperar pagamento.
Sem viver o tormento.
Não esperes encontrar
O teu parceiro ideal.
Pode estar neste lugar,
Ou ser simplesmente irreal.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Carro que Respira
VER AQUI.
(ficheiro pps)
Aproveito para relembrar que, na nossa luta para fazer baixar o preço dos combustíveis, não devemos abastecer, nos próximos meses, nos postos GALP e BP. Talvez seja lirismo, mas se todos colaborarmos podemos vencer esta batalha.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Uma Nova Vida
sábado, 1 de dezembro de 2007
Começar Dezembro com um Azul Especial
SO EASY - MARJORIE ESTIANO
Composição: (Alexandre Castilho / André Aquino / Victor Pozas)
O que você quer eu quero mais
o que você diz não me distrai
mas pode acreditar em mim
que tudo fica bem mais fácil assim
So Easy
Sei que é difícil arriscar
amanhã quem sabe o que será
mas pode acreditar em mim
por que você tem tanto medo assim?
So Easy...
So Easy, me dá a mão, não há razão
So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar
Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final
So Easy...So Easy, me dá a mão, So easy, não há razão
So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar
{Solo}
Nanananananana... So Easy (2X)
me dá a mão, So easy, não há razão
So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar
Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final (3X)
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Estes Putos
Sócrates e Cia. Excelente!
Obrigado Maya.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Mágoa
Vou celebrar
À procura de um sonho azul
Que vai voltar
Por todas as luzes do céu
Vou celebrar
Sonhos de mil histórias de amor
Sem acordar
A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou
Por todas as juras perdidas
Vou celebrar
Às desilusões já esquecidas
Quero brindar
A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou
Vem, p'ra longe daqui
Um outro lugar de azul e mar
Vem, não percas a luz que tem
o teu olhar
A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
domingo, 25 de novembro de 2007
25 de Novembro
Isto traz-me à memória um poema de OSWALDO MONTENEGRO, METADE:

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
sábado, 24 de novembro de 2007
Porque Hoje é Sábado
Porque hoje é sábado.
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O Dia da Criação
I
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
II
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado
III
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Homenagem ao meu amigo Pedro Martino
Na sua recente passagem pelo Vietname deixou-nos algumas das suas impressões das gentes que estão por detrás da gente. Convido-vos a ver as gentes do Vietname pelo olhos de Pedro Martino e, se possível, ver para lá dos olhos dele.
Obrigado Pedro e um grande abraço.
Vietnam (Gente 1)
Vietnam (Gente 2)
(Ficheiros PPS)
Esperar o que Acontece
Há ainda quem se lembre? Há ainda quem prefira ficar calado?
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Uma nêspera estava na cama
deitada, muito calada, a ver o que acontecia.
Chegou a Velha e disse:
olha uma nêspera e zás comeu-a !
É o que acontece às nêsperas
que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Magia
A realidade é sempre mais simples do que a ilusão!
Aflição

uns pés passos largos; outra vez, caminhar devagar.
Entre o tremer e o abrasar, um modo
como se fosse o existir não mais que passar.
Para onde é que vou?
Se meço ou se me perco, se fio ou se desteço;
contar os números é para os sábios, eu só observo.
Fazer um círculo, desenhar quadrado:
a geometria é para quem sabe recomeçar.
Por que é que eu fico?
Minha história é sem início, não determina seu fim;
um dia perguntarão se fui gente ou estátua de sal.
Quando derem por minha ausência estarei
com meus olhos de saudade fitados para atrás.
Onde nos encontraremos?
Quando, o tempo de repousar?
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Poema original de Isaias Zuza Junior (Brasil) publicado iniciamente no se blog A Lanterna Mágica.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
PORTUGAL no EURO 2008
Jogo fraquito, com alguns requintes técnicos das nossas estrelas.Mas apesar do empate a 0 com a Finlândia no Estádio do Dragão, Portugal qualificou-se para o Europeu 2008.
Nos Sub 21, depois do empate com a Inglaterra a 1 golo é que as coisas estão mais pretas, mas enquanto há vida há esperança.
Parabéns PORTUGAL!
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Frase do Dia
"Se te derem um pontapé no cu, não te preocupes, é sinal que vais à frente..."











