quarta-feira, 2 de abril de 2008

Retemperador











Spiritwolf e Alcateia a retemperar energias no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Auuuuuuuuu!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dia do Pai (19 de Março de 2008)


Um ano depois quem diria que ia encontrar de novo a felicidade e a alegria de viver.

Mas cá estou eu, pronto para novas descobertas e aventuras, junto dos que mais amo: companheira, filhos e neto.

Não esqueço nunca os amigos/amigas, mas eles/elas que me desculpem porque este dia, embora lhe chamem do pai, é para os filhos.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Parque Nacional da Peneda/Gerês

PessoalOs lobos querem-se em terras de lobos.























Para quem vive no bulício da cidade nada melhor do que um retemperador fim-de-semana no Parque Nacional da Peneda/Gerês.

Aqui vive-se o contacto directo com a Natureza no seu estado mais puro, ao qual ninguém pode ficar indiferente. Daqui regressamos com mais energia para enfrentar a mesquinhez do dia-a-dia.

Na terra dos sonhos só tu podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal (Jorge Palma).

Fotos tiradas no Santuário da Senhora da Peneda, Castro Laboreiro e algures no Parque Nacional da Peneda/Gerês.

sexta-feira, 14 de março de 2008

MOVIMENTO PROFESSORES REVOLTADOS

Meus amigos!

"O comício nacional do PS marcado para o dia 15 de Março no Porto, que levará José Sócrates ao reencontro com as bases, foi transferido da Praça de D. João I para o Pavilhão do Académico, uma mudança que "protegerá" o líder socialista de qualquer imprevisto vindo da rua."

(Público, 06.03.08)

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Convocam-se todos os professores para, no dia 15 de Março, estarem presentes à porta do Pavilhão do Académico (Rua de Costa Cabral) às 15h 30m,

Concentração às 14h na Praça do Marquês de Pombal (Porto), não para "atacar" sua excelência, porque os professores não são arruaceiros!

Vamos dar-lhes mostras da nossa DIGNIDADE mas também da nossa IRREDUTIBILIDADE!...

Todos de NEGRO e em SILÊNCIO!... Os cartazes dirão o que se tiver a dizer!... Os meios de comunicação serão a nossa voz!


Acima de tudo, temos de mostrar que os vilões são eles!

  • Por uma carreira única!
  • Por uma avaliação formativa e não punitiva!
  • Pela melhoria de condições nas escolas!
  • PARTICIPA! DIZ PRESENTE!

"Vivo em roxo e morro em som!" Mário de Sá-Carneiro

quarta-feira, 12 de março de 2008

A Avaliação dos Professores

Como se pode avaliar professores, quando o Estado sistematicamente os "deseducou" durante 30 anos? Como se pode avaliar professores, quando o ethos do "sistema de ensino" foi durante 30 anos conservar e fazer progredir na escola qualquer aluno que lá entrasse? Como se pode avaliar professores, se a ortodoxia pedagógica durante 30 anos lhes tirou pouco a pouco a mais leve sombra de autoridade e prestígio? Como se pode avaliar professores, se a disciplina e a hierarquia se dissolveram? Como se pode avaliar professores, se ninguém se entende sobre o que devem ser os curricula e os programas? Como se pode avaliar professores se a própria sociedade não tem um modelo do "homem" ou da "mulher" que se deve "formar" ou "instruir"?

Sobretudo, como se pode avaliar professores, se o "bom professor" muda necessariamente em cada época e cada cultura? O ensino de Eton ou de Harrow (grego, latim, desporto e obediência) chegou para fundar o Império Britânico e para governar a Inglaterra e o mundo. Em França, o ensino público, universal e obrigatório (grego, latim e o culto patriótico da língua, da literatura e da história) chegou para unificar, republicanizar e secularizar o país. Mas quem é, ao certo, essa criatura democrática, "aberta", tolerante, saudável, "qualificada", competitiva e sexualmente livre que se pretende (ou não se pretende?) agora produzir? E precisamente de que maneira se consegue produzir esse monstro? Por que método? Com que meios? Para que fins? A isso o Estado não responde.

O exercício que em Portugal por estúpida ironia se chama "reformas do ensino" leva sempre ao mesmo resultado: à progressão geométrica da perplexidade e da ignorância. E não custa compreender porquê. Desde os primeiros dias do regime (de facto, desde o "marcelismo") que o Estado proclamou e garantiu uma patente falsidade: que a "educação" era a base e o motor do desenvolvimento e da igualdade (ou, se quiserem, da promoção social). Não é. Como se provou pelo interminável desastre que veio a seguir. Mas nem essa melancólica realidade demoveu cada novo governo de mexer e remexer no "sistema", sem uma ideia clara ou um propósito fixo, imitando isto ou imitando aquilo, como se "aperfeiçoar" a mentira a tornasse verdade. Basta olhar para o "esquema" da avaliação de professores para perceber em que extremos de arbítrio, de injustiça e de intriga irá inevitavelmente acabar, se por pura loucura o aprovarem. Mas loucura não falta.


Vasco Pulido Valente (2 de Março de 2008)

segunda-feira, 10 de março de 2008

10 de Março

Faz hoje um ano que, em resultado de um grave acidente de viação (choque frontal), estive em risco de vida.



Com força de vontade e com a ajuda dos meus filhos e dos verdadeiros amigos, fui ultrapassando as dificuldades e hoje estou recuperado fisica e mentalmente a praticamente 100%. Há ainda algumas pequenas mazelas que vão sendo solucionadas com o tempo e sobretudo com muita paciência.



É certo que assumo a responsabilidade total deste acidente. No entanto, não posso esquecer que, na altura, me encontrava muito fragilizado por causa de uma forte depressão e da qual resultou, primeiro a separação e posteriormente o divórcio da mulher que eu amava e pela qual julgava ser amado.

Não houve traições a não ser a de a minha ex-mulher insistir em dizer que me amava quando eu já sentia, pelo menos desde os últimos três anos, que as palavras dela não correspondiam ao que eu sentia.

Passei um período difícil, sobretudo porque mesmo após a separação e até mesmo após o divórcio continuou a não assumir claramente que se separava de mim porque tinha deixado de me amar. Esta tortura, consciente e/ou inconsciente, só terminou em Setembro quando, pela primeira vez admitiu, sem equívocos, que se tinha separado de mim porque tinha deixado de gostar de mim. Ora, isso já eu sabia há mais de 3 anos e, por isso, nunca mais voltei a questionar o assunto. Foi sempre isso que desejei que me dissesse para que eu pudesse ter paz.

Claro que toda esta situação me levou a cometer muitos erros, mas para quem não ama os erros são sempre entendido como ataques pessoais.

Finalmente entre Novembro e Janeiro consegui resolver tudo o que ainda me apoquentava em relação à pessoa em causa. Hoje dou-me bem com ela, mas não sou seu amigo, apenas a respeito como mãe da minha filha.

Quando se resolve um problema encontram-se facilmente outras saídas e em Fevereiro reencontrei uma antiga amiga.

Com o problema de fundo resolvido voltei a estar disponível para amar, sem angústias nem sentimentos de culpa. Bastava encontrar a pessoa que me aceitasse como sou, sem querer fazer de mim um simples pau-mandado ou transformar-me num clone de uma mentalidade pequeno-burguesa na qual me era impossível integrar, até porque há muito que deixara de ser amado. Eu já o sabia e disse-o muitas vezes, mas a mentalidade pequeno-burguesa prefere defender as aparências do que assumir a realidade.

Essa dificuldade em assumir a realidade prolongou a agonia de uma relação que há muito tinha terminado, porque o amor era unilateral.

Com a cabeça limpa voltei a ser a pessoa que sempre fui. Deixei de estar condicionado, de ter de me enquandrar em padrões de vida que não eram os meus e os quais abomino, porque a opção daquela que dizia amar-me nunca foi o de construir uma vida comigo, mas sim que eu me enquadrasse na vida dela e que tinha imaginado para nós. Eu era descartável: e/ou aceitava o seu modelo ou seria reduzido a cinzas. Não o fui, porque reagi e porque contei com o amor dos meus filhos e dos meus verdadeiros amigos.

É facil dizer que se ama. O difícil é demonstrá-lo.



Esta madrugada fui até ao local do acidente, não para relembrar o passado, mas para festejar o presente e celebrar o futuro.

Com um grupo de amigos e com a minha actual companheira deslocamo-nos até ao local do acidente.

A minha companheira, esta sim uma verdadeira companheira, porque está ao meu lado sem me impor condições nem me julgar e muito menos condenar antes ouvir a minhas razões, fomos até ao local do acidente.

Amar e ser verdadeiramente amado, sem subterfúgios nem falsas aparências, é assim que agora sinto e estou feliz com o rumo da minha vida. A meu lado está uma mulher completa que me preenche totalmente.



Fomos até ao local do acidente, abrimos uma garrafa de espumante (bruto como deve ser, porque o doce é um espumante falseado), onde brindámos ao presente e ao futuro. No final, simbolicamente, parti a garrafa contra o local onde o meu carro, há um ano, tinha ficado imobilizado, enterrando assim, definitivamente, o passado.




O passado ficou definitivamente arrumado. Viva a Vida.

Viver um dia de cada vez como se fosse o último é o meu lema e dele não vou fugir até que a morte me agarre e me desprenda da vida.

FIM! Ou será PRINCÍPIO?

domingo, 9 de março de 2008

Manifestação Gloriosa




Ontem, 8 de Março de 2008, foi um dia glorioso para os professores. Até eu, que já tenho alguma experiência em manifestações, senti uma emoção fora do normal.

Foi talvez a maior manifestação, ou pelo menos uma das maiores, que se realizaram no nosso país após os tempos áureos do PREC.

Os números variam entre os 80 mil e os 100 mil (números fornecidos pela polícia ou pelos organizadores). No entanto, estes números são irrelevantes, pois a manifestação foi enorme e a presença de professores foi altamente significativa, pois, no mínimo, estiveram presentes cerca de 70% do total de toda a classe docente.

O Ministério e o Governo não podem continuar cegos, surdos e mudos perante esta realidade e os professores não podem esmorecer na sua luta. Foi ganha uma batalha, a da mobilização, mas a guerra está ainda longe de estar ganha.

Muitos sacrifícios serão ainda pedidos ou exigidos aos professores, pois este Governo e esta política educativa já demonstraram à saciedade que é autista e fanática e ferida de défice democrático.

Todos os professores, ou pelo menos a sua esmagadora maioria, estão do mesmo lado: o da EDUCAÇÃO.

Amanhã, quando todos acordarmos da ressaca, temos de estar conscientes de que a luta continua e, por isso, temos de saber gerir este potencial, no sentido de exigirmos uma carreira única, um processo de avaliação justo, objectivo e formativo, com melhores condições de trabalho nas escolas, menos borucracia e a inclusão de todos os docentes no processo de ensino-aprendizagem segundo o mérito e não baseado no pressuposto de que os melhores professores são os que têm mais anos de serviço.

Por uma escola melhor, ao serviço da instrução dos alunos e que seja capaz de realmente abrir novas oportunidades para os alunos e não uma escola fazedora de clones obdientes e manipuláveis pelo poder político e/ou económico...

POR UMA ESCOLA VERDADEIRAMENTE DEMOCRÁTICA!

A LUTA CONTINUA!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Professores em Luta

Do meu amigo Jorge Seabra recebi este mail, que agradeço, e que aqui deixo para vossa apreciação e comentário:

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Passem os elogios iniciais a Valter Lemos (é a primeira vez que ouço alguém referir-se ao nosso querido secretário de estado como alguém trabalhador, é mais conhecida a sua faceta de absentista, mas o Sr. Ramiro lá terá as suas razões para dizer o que diz), é bom saber algumas estórias da génese do processo de avaliação que está em causa (depois dos comentários de Rebelo de Sousa, ontem à noite na RTP, cada vez mais acredito qua a nossa Marilu e o seu séquito são carne para canhão, e que já estão "vivos" há demasiado tempo). Não deixem também de visitar o blogue "RAMIROMARQUES", clicando na hiperligação abaixo.

Publicada a 7 de Fevereiro de 2008: Citação de:

RAMIRO MARQUES

"Vou contar pela primeira vez um episódio que esteve na génese do processo de avaliação de desempenho dos professores. O secretário de estado, Valter Lemos, que eu conheço desde os tempos em que estudámos juntos na Boston University, já lá vão 24 anos, pediu-me para reunir com ele com o objectivo de o aconselhar nesta matéria. Tenho de confessar que fiquei admirado com o conhecimento profundo e rigoroso que Valter Lemos mostrou ter da estrutura e da organização do sistema educativo português.Enquanto estudante, habituara-me a ver em Valter Lemos um aluno brilhante e extremamente trabalhador, qualidades que mantém passados tantos anos. No início, fui um entusiasta da avaliação de desempenho dos professores pois considerava que manter o status quo era injusto para os professores mais dedicados e competentes. Nessa altura, eu encarava a avaliação dos professores como um factor de diferenciação que pudesse premiar os melhores e incentivar os menos competentes a melhorarem o seu desempenho.Fiz algumas reuniões de trabalho com a equipa técnica do ME e logo me apercebi de que a Ministra da Educação estava a engendrar um processo altamente burocrático, subjectivo, injusto e complexo de avaliação do desempenho que tinha como principal objectivo domesticar a classe e forçar a estagnação profissional de dois terços dos docentes. Ao fim de duas reuniões, abandonei o grupo de trabalho porque antecipava o desastre que estava a ser criado. Nas reuniões que eu tive com a equipa técnica do ME, defendi a criação de fichas simples, com itens objectivos, sem a obrigatoriedade da assistência a aulas, a não ser para os casos de professores com risco de terem um Irregular ou um Regular, e com um espaçamento de três anos entre cada avaliação. Hoje, passados três anos, considero que se perdeu uma oportunidade de ouro para criar uma avaliação de desempemho dos professores realmente objectiva, justa, simples e equilibrada. Em vez disso, criou-se um monstro que vai consumir milhões de horas de trabalho nas escolas e infernizar a vida de muitos professores, roubando-lhes a motivação e a energia para a relação pedagógica e a preparação das aulas."

Atenciosamente,

A Equipa do Sala dos Professores.


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DIA 8 DE MARÇO TODOS À MANIFESTAÇÃO NACIONAL EM LISBOA!

Eu estarei presente, e tu? Não entregues o ouro ao bandido!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Um Dia Só? Não Chega!

Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de Janeiro
No Junho do meu carinho.

Ofélia Queirós, in Cartas de Amor de Fernando Pessoa

sábado, 9 de fevereiro de 2008

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Espaço de Liberdade e Debate

Recebi recentemente do meu prezado amigo JBS, o mail que agora publico na íntegra, nem sempre concordo com as opiniões dele, mas os amigos não têm de estar sempre de acordo, mas como espaço de debate, democracia e liberdade aqui deixo o texto dele e quem quiser que se manifeste, porque, concorde-se ou não, é no debate em liberdade que nasce a luz.



MM

O texto foi enviado também ao CARLOS MAGNO, jornalista.

PORTO, 2008.02.01

Meu caro MM,

Estive ontem à noite no PASSOS MANUEL, numa, digamos, reunião de amigos do Porto, que o senhor conduziu muito bem com a boa colaboração do César e da D. .Júlia, que tinha inicialmente o objectivo de falar sobre o 31 de Janeiro de1891.

Em meu entender, sem ter a certeza de poder expressar-me assim, considero um falhanço grave da cidade e das suas figuras mais representativas, como é o seu caso e do César que aí esteve consigo, o facto de ter acontecido o que aconteceu ontem à noite.

Mais grave ainda terem feito parte deste imbróglio, pessoas tidas como grandes vultos da cultura da cidade do Porto como são o Prof. Doutor Júlio Machado Vaz e o Poeta Manuel António Pina.

Quanto a mim, foi praticado um acto de falta de respeito pela data de 31 de Janeiro de 1891.

Por outro lado, tentou-se, com a sua habilidade dar a volta ao texto, o que de certo modo foi conseguido, com uma plateia de boa assistência e interessada.

Mas interessada em quê?... Em recordar o passado dos cafés do Porto, o Café Piolho, nomeadamente que tem a ver com um passado que não volta mais...

Alferes Malheiro... nem uma palavra... sargento Abílio nem uma palavra. Saudade dos cafés, sim.

Foi uma reunião de amigos do Porto. Não tenho nada contra reuniões de amigos, mas será que são nossos amigos aqueles que só falam bem de nós?... Duvido Ontem à noite só se falou bem do Porto.. mas duvido que esses que assim o fizeram sejam amigos do Porto.

Vou dar um exemplo do blogue
"A Bússola" dirigido por Manuel Serrão, Júlio Magalhães e outros, o Rogério Gomes fez publicar o post, com o título, "O Norte, a Universidade e a Informação", donde concluiu que "a iniciativa liderada pela Universidade do Porto (a maior do País, sabiam?) com o objectivo de discutir o futuro do Norte, foi de relativo pouco relevo...

E questiona-se porquê se afinal estavam lá Artur Santos Silva, Rui Moreira, Carlos Lage , Rui Rio, o reitor da UP, e muitas outras figuras do Porto e do Norte. .

Por falta de espaço ou excesso de agenda? Não faltaram temas bem menos interessantes a ocupar páginas e minutos de rádio e de televisão.

Por outro lado, diz Manuel Serrão em artigo de opinião publicado no JN: "Só a Regionalização permitirá a "emancipação política" do Norte, era o título que encabeçava a notícia que o JN publicou ontem sobre o terceiro encontro "Porto Cidade Região", que também ontem terminou no Palácio da Bolsa.

Nada mais verdadeiro, sobre isso, diz ainda Manuel Serrão."...

Depois na imprensa, JN nomeadamente, pude ler as palavras proferidas pelo Reitor da UP, Professor Doutor José Marques dos Santos, que foram: "Basta de lamúrias e bairrismos serôdios", e disse, ainda: "Perante a ausência de órgãos regionais com legitimidade democrática, a sociedade civil nortenha, não tem outra via para liderar o processo de desenvolvimento, que não seja a coopetição (COOPERAÇÃO e COMPETIÇÃO) entre instituições, de forma a gerar massa crítica."

Três opiniões válidas mas não coincidentes. Das três a que vale mais, em minha opinião, é a do Reitor, porque eu também penso assim. E esta é, uma frase que vem de um verdadeiro amigo do Porto, que deveria ser analisada, pelas forças da cidade. Mas imprensa calou-se...

Pelos vistos o Porto não quer saber...

Como MST não quer saber das declarações de Carolina Salgado.

O que é estranho, porque o Porto de Mestre Aquilino Ribeiro, o Porto queria saber ... melhor, o Porto, precisava de saber....

Hoje não é assim. PORQUÊ?...

É tudo.

Apresento-lhe os meus cumprimentos.

João Manuel de Brito de Sousa.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ser Solidário

AMI
Não custa nada e, desta forma, uma parte dos teus impostos vão para uma organização portuguesa, credível e solidária (AMI - Assistência Médica Internacional) em vez de serem desperdiçados pelo Estado em actividades megalómanas.

The Value Of Things We Love


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Enterrar o Passado

História Clínica:

Homem, internado para reparação de hérnia ventral da parede abdominal por laparoscopia.

Antecedentes médicos:
  • HTA
  • Sindrome depressivo
  • Acidente de viação (10 de Março de 2007) com as seguintes consequências médicas: fractura de C1 e luxação de C1-C2. Traumatismo abdominal - laparotomia exploradora e esplenectomia, contusão hepática e rafia do delgado em dois pontos. Traumatismo toráxico - derrame pelural associado a contusão LIE.
  • Fractura do tornozelo esquerdo.

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E pronto com este post o passado fica enterrado e bem enterrado, a vida é bela e há que vivê-la.

Vamos lá a ver se o meu amigo Seven traduz isto tudo por miúdos nos seus comentários.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Dilema da Vida, ou Encruzilhadas da Vida



Amar e ser amado por quem amamos.
Tudo parece fácil no princípio,
Mas depois as vontades mudam
E amar já não é suficiente.

Não era isto que eu tinha em mente
Porque do amor não nos alimentamos.
Temos de construir uma família,
Tal como os meus pais construíram.

Diz-me onde está essa família idílica?
Por acaso são eles felizes? Amam-se?
Não estávamos mais certos no princípio?
Viver um para o outro sem limites?

Eis o grande dilema da vida.
Uma mentalidade burguesa
Que se encantou pela novidade,
Pensando que a podia moldar.

Tirar o melhor de dois mundos
É tarefa impossível,
Porque eles são diferentes.
Podemos construir o nosso,
Diferente de todos os outros.

Ter asas e aprender a voar.
Saber cortar as amarras
Que nos prendem ao preconceito.
Ser livre para amar,
Ser livre para ser amado.
Amar e ser amado,
Viver com autenticidade,
Fazer de cada dia um novo amanhã.

O dilema da vida é que as
Autenticidades mudam
E as ilusões também.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Lobo no Luar



Passo a passo vou seguro,
Contra a cadência do dia,
No espelho o teu futuro
Sem sombra de fantasia.
Caio só aos pés da cama
Atiro o teu nome ao vento,
Que noite em que não se ama
Torna o meu amor sedento.
Esconde o teu olhar
Não me cruzes o caminho
Como um lobo no luar
Quero acordar sozinho
E digo… Oh oh oh
Como um lobo no luar…
É de alva a tua pele,
É de prata o teu silêncio,
Rasga, sê cruel,
Dá-me aquilo em que eu te penso.
Sou fera, sou fraco,
Sente esta mão de fogo,
Que dia em que não ataco
É dia em que não sou lobo.
Esconde o teu olhar
Não me cruzes o caminho
Como um lobo no luar
Quero acordar sozinho
E digo… Oh oh oh
Como um lobo no luar…

Composição: (Pedro Abrunhosa / Pedro Abrunhosa)

Resposta a uma Amiga


De uma querida amiga recebi esta imagem e poema.

Nunca é pelos outros que nos devemos libertar das correntes em que nos deixamos enlear, mas sim por nós próprios, quando o fazemos pelos outros estamos a criar expectativas que podem ser goradas e colocarmo-nos numa fossa ainda maior do que aquela em que estávamos anteriormente.

Se sentes necessidade de te libertar de correntes fá-lo primeiro por ti, de resto lembra-te das palavras de Saramago: “(...) é preciso esperar, dar tempo ao tempo, o tempo é que manda, o tempo é o parceiro que está a jogar do outro lado da mesa, e tem na mão todas as cartas do baralho, a nós compete-nos inventar os encartes com a vida, a nossa, (...)”.

Dentro de um mês completa-se exactamente um ano em que, sem o saber, se iniciou o meu processo de libertação. Muitas vezes somos acorrentados e acorrentamos os outros sem consciência do que estamos a fazer, mas outras não, temos tudo premeditado na nossa cabeça, queremos fazer do outro um clone de nós próprios, estas últimas são as características das pessoas falsas e fracas que não conseguem conviver com opiniões diferentes das suas. Nem sempre é fácil compreender perceber a realidade, sobretudo quando se ama, mas quando deixa de haver diálogo, algo está mesmo mal.

O meu processo foi longo (9 meses exactamente), doloroso e angustiante, mas saí dele pronto a enfrentar o futuro, a viver um dia de cada vez, não da boca para fora, mas na realidade. Nada me liga ao passado desperdiçado, porque o que ficou faz parte do presente: a minha filha.

Tu vais encontrar também o teu caminho, eu sei que não é fácil, mas o que tiveres de fazer, fá-lo por ti.

Fiquei muito sensibilizado com o poema que me mandaste. É certo que nunca te prometi nada, mas um dia resolvi que ia embora e fui, embora leal, não fui muito correcto contigo, mas a nossa amizade é bem mais profunda e não se deixou abalar por isso, não é, nunca foi, uma amizade de conveniência ou de fachada, mas sim uma amizade autêntica.

Beijinhos querida AP.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Sócrates!!! És mesmo o MAIOR!!!

Esta informação anda a circular na net via e-mail, este é apenas mais um meio para a divulgar.

A talhe de foice lembro a obra megalómana do Euro 2004 quando, tirando os estádios dos 3 grandes, os restantes estão praticamente às moscas, com especial destaque para o Estádio do Algarve. Mas os nossos políticos são egocêntricos até dizer basta e querem deixar o seu nome associado a qualquer obra, mesmo que inútil. Eu já nem lembro os nomes desses politiqueiros, alguns deles até tiveram de se por em bicos de pés para aparecer nas fotografias. Outros foram elevados à categoria de heróis nacionais. De alguns esquecemos a necessidade da justiça esclarecer possíveis envolvimentos criminosos.

Neste País tem-se a mania de deixar arrastar as situações, o que é mau para todos, pois a morosidade dos processos judiciais transforma os presumíveis inocentes em presumíveis culpados, pervertendo o sentido de justiça.

Tinha sido muito mais lógico que Portugal e Espanha tivesse partilhado a realização do Euro 2004, tal como o vão fazer no Euro 2008 a Áustria e a Suiça, Países bem mais ricos do Portugal.

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O novo estádio da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia, cuja construção foi financiada por Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento, vai ser inaugurado na próxima segunda-feira.

O recinto custou dois milhões de dólares, tem capacidade para seis mil espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação.

A cerimónia de inauguração abrirá com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais.

Já fechámos urgências, maternidades, centros de saúde e escolas primárias,
mas... oferecemos um estádio à Palestina.

Devíamos fechar o Hospital de Santa Maria e oferecer um pavilhão multiusos ao Afeganistão.

A seguir fechávamos a cidade universitária e oferecíamos um complexo olímpico (também com estádio) à Somália e, por último, fechávamos a Assembleia da República e oferecíamos os nossos políticos aos crocodilos do Nilo.


DIVULGUEM PARA SABEREM O QUE FAZ O GOVERNO COM OS NOSSOS IMPOSTOS

E Depois?...

Bem, meus amigos, e depois?...

Falando um pouco mais a sério do que no post anterior o problema que eu apresentava era uma hérnia semelhante à que está identificada na figura como "incisional", mas de muito maior extensão (desde o local onde aquela começa alongando-se para a esquerda até às costas, já próximo da coluna),

A técnica utilizada foi a laparoscopia, onde um micro-câmara permite ver o interior do corpo e através de laser e de uma rede apropriada, recolocar os órgãos (intestino delgado) no sítio apropriado.

Este tipo de operação causa menos estragos do que a de barriga aberta e permite uma mais rápida recuperação, sobretudo no que diz respeito a abandonar as instalações hospitalares, porque os cuidados de que necessitamos podem ser tidos em casa com a ajuda de um familiar ou amigo.

Fui internado na passada segunda-feira, operado na terça, durante a operação surgiu um pequeno problema com a diminuição dos batimentos cardíacos, por isso tive de ficar o resto do dia e noite nos cuidados intensivos, no entanto passadas 24 horas da operação já andava a pé.

Tive alta hospitalar hoje, mas ainda tenho muito trabalho de recuperação pela frente: as dores ainda são fortes e o abdomén, e não apenas a zona da hérnia, está ainda muito inchado, mais até do que estava antes, mas isto é normal nestas situações em cerca de duas semanas penso que estarei praticamente recuperado.

É só preciso um pouco mais de paciência para acabar com este ciclo negro que em breve completará um ano, para de novo entrar no deslumbramento do arco-íris deste mundo multifacetado em que vivemos.

E pronto, para todas as minhas amigas e os meus amigos, que andavam à espera de ter notícias mais concretas, optei por aqui deixar toda a informação, assim não terei de escrever a mesma coisa dúzias de vezes. :-))) ^_^ (((-:

domingo, 13 de janeiro de 2008

Amanhã vou ao Carniceiro

Pois é meus amigos amanhã de manhã lá vou de malas aviadas para o talho-mor cá do burgo, o Hospital de S. João.

Espero que destas vez não haja mais nenhum atraso e incompetência, porque um problema que podia ter sido resolvido logo em Março, na altura do meu acidente, tem-se prolongado e agravado ao longo dos meses.

Mas pronto, desta vez é que é, não estou preocupado, apenas ansioso para ver este problema resolvido. É o último, é o único que falta resolver de um longo processo iniciado a 19 de Fevereiro do ano passado, o dia 1 da libertação.

Tirando o próprio dia da operação, 15 de Janeiro, devo estar online várias vezes, pois levo comigo o portátil e espero não ter dores que me impeçam de comunicar.

Abraços e beijos a todos os que, sabendo do que se passa, têm demonstrado sincera preocupação, estão até mais preocupados do que eu próprio. Isto é só um problema de tripas e o meu prato favorito é tripas à moda do Porto.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

(SITTIN' ON) THE DOCK OF THE BAY

Sittin' in the mornin' sun
I'll be sittin' when the evenin' come
Watching the ships roll in
And then I watch 'em roll away again, yeah

I'm sittin' on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I'm just sittin' on the dock of the bay
Wastin' time

I left my home in Georgia
Headed for the 'Frisco bay
'Cause I've had nothing to live for
And look like nothin's gonna come my way

So I'm just gonna sit on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I'm sittin' on the dock of the bay
Wastin' time

Look like nothing's gonna change
Everything still remains the same
I can't do what ten people tell me to do
So I guess I'll remain the same, yes

Sittin' here resting my bones
And this loneliness won't leave me alone
It's two thousand miles I roamed
Just to make this dock my home

Now, I'm just gonna sit at the dock of the bay
Watching the tide roll away
Oooo-wee, sittin' on the dock of the bay
Wastin' time

(whistle)


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- written by Otis Redding and Steve Cropper
- lyrics as recorded by Otis Redding December 7, 1967, just three days before his death in a plane crash outside Madison, Wisconsin
- #1 for 4 weeks in 1968

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Beatas

Notícia de última hora:

A Igreja Católica Portuguesa vai dar início a uma campanha contra a nova lei anti-tabaco que entrou em vigor, em Portugal, no passado dia 1 de Janeiro.

A hierarquia da Igreja, reunida em sínodo, queixa-se que a nova lei afasta os fiéis da prática religiosa, pois as beatas estão todas a fugir para as portas dos cafés. Assim, e em primeira instância, vai exigir que o director da ASAE afirme publicamente, tal como o fez em relação aos casinos, que se pode fumar no interior das Igrejas, justificando que o fumo é uma das tradições das cerimónias religiosas, pois em todas as missas já é utilizado o fumo do incenso.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Entender o Porto

Com aquele abraço na alma ao meu amigo Rui Vasco e um muito obrigado por me ter mandado estas frases, que aqui ficam publicadas e que, embora conhecidas, nunca é demais recordar.

Espero que esta leitura ajude os forasteiros a melhor decifrar esta cidade secreta que Eugénio de Andrade, um seu filho adoptivo, não hesitou em considerar a mais fechada das nossas cidades.

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Frases soltas que alguns grandes escritores e intelectuais portugueses escreveram sobre o Porto:

O B PELO V

Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão.

Almeida Garrett

MARAVILHAS E ANGÚSTIAS

O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias.

Sophia de Mello Breyner

COMO SE VINGA

O portuense não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da Polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria.

Ramalho Ortigão

RIR DESBRAGADAMENTE

E quanto ao riso, o Porto gosta de rir e de rir com uma certa insolência: ri mais desbragadamente, mais primariamente, mais saudavelmente e com mais gosto do que Lisboa.

Vasco Graça Moura

REGAÇO ABERTO PARA O RIO

Afinal, o Porto, para verdadeiramente honrar o nome que tem, é, primeiro que tudo, este largo regaço aberto para o rio, mas que só do rio se vê, ou então, por estreitas bocas fechadas por muretes, pode o viajante debruçar-se para o ar livre e ter a ilusão de que todo o Porto é a Ribeira.

José Saramago

UMA ALMA DE MURALHA

Toda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha.

Agustina Bessa Luís

INVEJAS

Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem-estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho. Detestam-se!

Eça de Queiroz

LIÇÃO DE PORTUGUESISMO

Uma ida ao Porto é sempre uma lição de portuguesismo, tanto mais rica quanto mais raramente lá se vai. É indispensável – claro! - um mínimo de contacto reiterado com esse lar da nação para nele vermos algumas das significações latentes que enriquecem a nossa consciência de práticas.

Vitorino Nemésio

UMA FAMÍLIA

O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação.

João Chagas

ASPECTO SEVERO E ALTIVO

O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.

Alexandre Herculano

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


Álvaro de Campos [Fernando Pessoa] - (15-1-1928)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

CÂNTIGO NEGRO

Não encontrei poema que descrevesse melhor a época que estamos a atravessar. Quando querem fazer de nós carneiros e transformarem-nos em clones de si próprios nada como dar um murro na mesa e recusar seguir os caminhos que nos apontam como sendo os ideais. Cada um de nós tem direito à sua individualidade e às suas escolhas. Assim como devemos aceitar as escolhas dos outros, também devemos exigir que aceitem as nossas.

Sejamos cidadãos! Homens e Mulheres Livres!

Os nossos caminhos somos nós próprios que os desbravamos, sem medo de cometer erros, mas sempre com capacidade para aprender com eles.

BOM ANO NOVO!

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CÂNTICO NEGRO

Dizem-me alguns com os olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali....

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao Mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
Mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram Pai, todos tiveram Mãe;
Mas eu, que nunca principío nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: " vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!


José Régio

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natal é Sempre ou Nunca

Para quê inventar o que já está inventado? Para quê falar do que já está falado?

Alguém tem algo de novo a acrescentar? Eu não!

Hipocrisia? Não obrigado!

Spiritwolf (Mário)

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NATAL

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um Homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

José Carlos Ary dos Santos

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DIA DE NATAL

Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Manuel Machado e os Gatos Fedorentos

Com um abraço de amizade para o Manuel Machado e os votos dos maiores sucessos na sua carreira.

É bom sabermos rir de nós próprios.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Sexto Andar

Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar

Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

sábado, 15 de dezembro de 2007

Pai


Eras um "velho" e austero republicano. Faz hoje precisamente 21 anos que morreste, tinhas 86 anos.

Quando nasci já ias a meio caminho dos 60 anos, nunca tivemos uma relação fácil. Não me lembro de um carinho, não me lembro de uma palavra, recordo muitas críticas.

Eras um homem bom, com príncipios muito válidos e um carácter muito forte, mas paraste no tempo, ao contrário da mãe, que se manteve sempre jovem e actual, tu ficaste amarrado aos teus princípios. Rígidos princípios.

Não percebeste que, à tua volta o mundo mudava e que a minha geração nada tinha a ver com a tua, nem com a dos meus irmãos. Fui um filho tardio de um pai que não conseguiu acompanhar a evolução do tempo.

Sei que me amavas, penso que me amavas, eu amei-te e amo-te. Discordei muitas vezes de ti, tentei aproximar-me, sem êxito. Havia um muro intransponível.

No entanto, tal como tu não sabias demonstrar o amor que me tinhas, eu também não soube mostrar-te o quanto te amava e, fica a saber, hoje a minha matriz tem muito a ver contigo. Tenho ainda alguma dificuldade em demonstrar quanto amo as pessoas, mas luto contra esse fantasma e hoje, a vida e as minhas vivências, ensinaram-me, que nunca devemos esconder o que sentimos pelos outros: os filhos, uma companheira, os amigos e amigas. Neste aspecto sou agora, para minha felicidade, muito diferente de ti.

Mas devo-te muito mais do que a vida que ajudaste a dar-me. Muitos dos teus prinicípios, são os meus princípios, mesmo que nunca o tenhas percebido.

Tento ser tão recto quanto tu, mas não tenho medo de cometer erros, não me sinto detentor da verdade, há muitas verdades. Tento fazer o bem, sabendo que muitas vezes faço mal, mesmo que não o queira fazer. Tento ser verdadeiro, mas tenho consciência que nem sempre o consigo ser totalmente. Tento ser autêntico, mesmo que essa autenticidade me prejudique, porque eu sou uma pessoa, não um ser infalível.

Pai, nunca é tarde para reconhecer que erramos, como nunca será tarde para dizer que te amei e que te amo.

A tolerância? Bem essa, desculpa, mas foi da mãe que a bebi.

Amo-te Pai.

Amor e Outros Desatres


Esta noite fui ver, com uma grande amiga, uma comédia romântica: "Amor e Outros Desastres".

Foi uma surpresa, rimo-nos e reflectimos sobre o que vimos. Um filme aparentemente ligeiro, mas cujo conteúdo deve ser analisado com mais profundidade.

Não vou resumir aqui a história do filme para não estragar a surpresa que, acreditem, é agradável.

Ficaram-me a bater na cabeça uma ou outra afirmação, das quais destaco, mais ou menos literalmente a seguinte: "o verdadeiro amor é algo que se vai construindo e não um acontecimento".

O Amor não é uma coisa que bate num momento, não é um flash, isso não passa de impulsos físicos. O amor não é estabelecer metas em relação ao futuro, o amor vive-se no dia-a-dia, ou simplesmente não se vive, porque não existe.

O amor é aquilo que se constrói ou destrói ao longo de um conhecimento mais profundo do outro e de si próprio, muitas vezes o impulso, a atracção física, mascara o verdadeiro amor, outras vezes pelo contrário.

Para mim não há amor sem paixão, mesmo que ele comece por um impulso a paixão deve estar sempre acesa, quando ela se extingue, pelo menos de um dos lados, a relação já não passa de uma farsa, porque amar não é unilateral.

Viver apaixonadamente, entre ambos, é o alimento fundamental para a consolidação de uma relação amorosa, doutra forma as sucessivas desilusões com um relação ideal que se pré-estabeleceu ou pré-concebeu, só tem um fim possível: o aniquilamento da relação, mais ou menos dolorosa, mais ou menos demorada, tudo depende dos sentimentos de cada um, mas não tem outra saída a não ser o seu fim.

Quando essa paixão foi ou teve momentos de grande intensidade, mas chega ao fim, nunca mais existirá qualquer tipo de relação entre os antigos amantes apaixonados. É impossível conviver com alguém por quem fomos apaixonados, o sentimento de desilusão em relação a essa pessoa é tão grande que o tudo passou a significar nada.

Vejam o filme, não vão perder o vosso tempo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Aprender


Perdoar?
Devemos perdoar,
O mal que nos fizeram.

Reconhecer?
Devemos reconhecer,
O mal que nós fizemos.

Esquecer?
Devemos esquecer,
Mas é impossível esquecer.

Aprender?
Devemos aprender,
Com os erros cometidos.

Mas...
Como perdoar?
Como reconhecer?
Como esquecer?
O que está feito,
Está feito.
Não tem mais solução.

Podemos
Manipular o presente,
Influenciar o futuro.
Nunca refazer o passado.
Apenas aprender!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Viver

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.


Charles Chaplin