quarta-feira, 21 de abril de 2010

Carta Aberta ao Primeiro dos Ministros

Senhor Primeiro dos Ministros :

Eu, Mariana Pão Mole, tia do Francisco Mau Modo, mas bom falador, rapaz cá da terra que muito estimamos mesmo quando usa o santo nome da nossa aldeia em vão, profundamente aziada com a acusação que publicamente me fez, menos pela palavra, que essa é verdadeira, do que pela associação indevida e tauromáquica que lhe é feita, não porque eles me pesem mas pela calúnia ao meu querido defunto, não me pude conter e aqui estou ditando para o meu mais novo este testemunho que lhe quero mandar, certinha das palavras que aqui lhe mando não representarem apenas a minha incontida amargura e incompreensão, mas a da maioria absoluta cá da Aldeia.

Senhor Primeiro dos Ministros, sua graça, que vai sendo pouca, perdeu o juízo, anda por aí alguém a dar-lhe maus conselhos ou deu-lhe agora prós copos?

Então para além de pretender insultar-me por ser tia do Francisco, agora ameaça-nos de vender os Correios para arranjar uns cobres para dar a esse que dizem que Mexia aí nas coisas da electricidade!!! Deus nos livre… arre demónio… que fiquei logo a pensar na desgraçada história da minha amiga Maria Cola. Sabe senhor primeiro, as histórias das pessoas simples, às vezes, digam lá o que disserem, valem mais que muitos cursos para doutores, como de resto sua graça deve saber.

Na esperança de que ainda possa reconsiderar dessa malfadada ideia de nos vender os correios, não resisto a contar-lhe a história triste da minha querida ama Maria Cola, natural de Cabo Verde, mas trazida cá para a Aldeia pela Mãe, mulher para todo o serviço do agrário Fernandes, que por lá tinha umas propriedades.

A Maria Cola por cá cresceu ao serviço de meus pais até encontrar o conterrâneo com quem casou e que a levou lá para detrás dos montes, para uma Aldeia de brava gente mas muito isolada, no alto duma Serra de que já não me lembro o nome.

O marido, recém chegado do seu Cabo Verde natal, para resolver os tremendos problemas causados pelo isolamento, sobretudo a falta de água e de noticias da terra, resolveu comprar um burrinho e ensiná-lo a descer até ao fontanário da vila mais próxima, onde alguém sempre lhe enchia os cântaros, que o burrinho, ao fim de algum tempo, trazia, mais certinho que o romper da manhã, para as necessidades da família.

O dito, para além da água, transportava serra acima, num saquinho de plástico pendurado ao pescoço, cartas, notícias e outras encomendas. A chegada do burrinho era o momento mais alegre do dia.

Passado algum tempo, com a vida a dar para o torto, o marido da Maria Cola começou a afogar as consequências das crises nuns copitos duns licores caseiros, perdeu muita da capacidade que tinha para governar a família e decidiu, meio nublado pelos vapores dos álcoois, vender o burrinho!!!

Foi o fim da família… Sem o burrinho nada chegava lá a casa… A Maria Cola não teve outro remédio se não pegar nos cachopos e abandonar aquelas paragens… Andou por aí um par de anos aos trambolhões da vida, mas, cabo-verdiana de gema, rogou pragas à porca da vida e foi em frente até conseguir voltar para a sua terra, lá nos confins da chã do norte de Santo Antão assentou poiso e comprou dois “burrinhos-carteiros” para aí refazer a vida!

Sua graça percebeu?... Não venda os nossos burrinhos, (salvo seja) se não temos que nos ir embora, e as nossas Aldeias ficam mais desertas do que estão…

É isso que quer, continuar a esvaziar Portugal?... Vá de retro!

Mariana Pão Mole
Viúva do Inácio Pão Mole
Aldeia de São Mansos
Évora - Alentejo
Ao cuidado do meu mais novo:
Camilo Mortágua
Apartado 12
7920 ALVITO

Camilo Mortágua

A Escola Real de Hoje


Só quem está no ensino percebe a dimensão do problema. Vejam (ou leiam) isto!
________________________________________
PARTICIPAÇÃO DISCIPLINAR MUITO GRAVE:

Professora agredida: Leonídia Marinho Grupo Disciplinar: 10º B – Filosofia
Agressor: ********

Contextualização: Dia vinte e seis de Março de 2010. Último dia de aulas. Às 14 horas dirigi-me à sala 15 no Pavilhão A para dar a aula de Área de Integração à turma 10º DG do Curso Profissional de Design Gráfico. Propus aos alunos a ida à exposição no Polivalente e à Feira do Livro, actividades a decorrer no âmbito dos dias da ESE. A grande maioria dos elementos da turma concordou, com excepção de três ou quatro elementos que queriam permanecer dentro da sala de aula sozinhos. Deixar que os alunos fiquem sozinhos na sala de aula sem a presença do professor é algo que não está previsto no Regulamento Interno da Escola pelo que, perante a resistência dos alunos que não manifestavam qualquer interesse nas actividades supracitadas decidi que ficaríamos todos na sala com a seguinte tarefa: cada aluno deveria produzir um texto subordinado ao tema “A socialização” o qual me deveria ser entregue no final da aula. Será preciso dizer qual a reacção dos alunos? Apenas poderei afirmar que os alunos desta turma resistem sempre pela negativa a qualquer trabalho porque a escola é, na sua perspectiva, um espaço de divertimento mais do que um espaço de trabalho. Digamos que é uma Escola a fingir onde TUDO É PERMITIDO!

É muito fácil não ter problemas com os alunos. Basta concordar com eles e obedecer aos seus caprichos. Esta não é, para mim, uma solução apaziguadora do meu estado de espírito. Antes pelo contrário. A seriedade é uma bússola que sempre me orientou mas tenho que confessar, não raras vezes, sinto imensas dificuldades em estimular o apetite pelo saber a alunos que têm por este um desprezo absoluto. As generalizações são abusivas. Neste caso, não se trata de uma generalização abusiva mas de uma verdade inquestionável. Permitam-me um desabafo: os Cursos Profissionais são o maior embuste da actual Política Educativa. Acabar com estes cursos? Não me parece a solução. Alterem-se as regras.

Factos ocorridos na sala de aula:


Primeiro Facto:
Dei início à aula não sem antes solicitar aos alunos que se acomodassem nos seus lugares. Todos o fizeram exceptuando o aluno ***********, que fez questão de se sentar em cima da mesa com a intenção manifesta de boicotar a aula e de desafiar a autoridade da professora.

Dei ordem ao aluno para que se sentasse devidamente e este fez questão de que eu o olhasse com atenção para verificar que ele, ***********, já estava efectivamente sentado e ainda que eu não concordasse com a sua forma peculiar de se sentar no contexto de sala de aula, seria assim que ele continuaria: sentado em cima da mesa. Por três vezes insisti para que o aluno se acomodasse correctamente e por três vezes o aluno resistiu a esta ordem.

Reacção da maioria dos elementos da turma: Risada geral.

Reacção do aluno *********:
Olhar de agradecimento dirigido aos colegas porque afinal a sua “ousadia” foi reconhecida e aplaudida.
Reacção da professora:
sensação de impotência e quebra súbita da auto-estima. Senti este primeiro momento de desautorização como uma forma que o aluno, instalado na sua arrogância, encontrou de me tentar humilhar para não se sentir humilhado.

Como diria Gandhi, “O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam de humilhar os outros, para se sentirem fortes…”

Saliento que neste primeiro momento da aula a humilhação não me atingiu a alma embora essa fosse manifestamente a intenção do aluno.

Segundo Facto: Dei ordem de expulsão da sala de aula ao aluno **********, com falta disciplinar. O aluno recusou sair da sala e manteve-se sentado em cima da mesa com uma postura de “herói” que nenhum professor tem o direito de derrubar sob pena de ter que assumir as consequências físicas que a imposição da sua autoridade poderá acarretar.

Nem sempre um professor age ou reage da forma mais correcta quando é confrontado com situações de indisciplina na sala de aula. Deveria eu saber fazê-lo? Talvez! Afinal, a normalização da indisciplina é um facto que ninguém poderá negar. Deveria ter chamado o Director da Escola para expulsar o aluno da sala de aula? Talvez…mas não o fiz. Tenho a certeza de que se tivesse sido essa a minha opção a minha fragilidade ficaria mais exposta e doravante a minha autoridade ficaria arruinada.


Dirigi-me ao aluno e conduzi-o eu própria, pelo braço, até à porta para que abandonasse a sala. O aluno afastou-me com violência e fez questão de se despedir de uma forma tremendamente singular: colocou os seus dedos na boca e em jeito de despedida absolutamente desprezível, atirou-me um beijo que fez questão de me acertar na face com a palma da mão. Dito de uma forma muito simples e SEM VERGONHA: Fui vítima de agressão. Pela primeira vez em aproximadamente vinte anos de serviço.

Intensidade Física da agressão: Média (sem marcas).

Intensidade Psicológica e Moral da agressão: Muito Forte.

Reacção dos alunos: Riso Nervoso.
Reacção do aluno **********: Ódio visível no olhar.
Reacção da professora: Humilhação.

Ainda que eu saiba que a humilhação é fruto da arrogância e que os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexos de inferioridade que usam a humilhação para não serem humilhados, o que eu senti no momento da agressão foi uma espécie de visita tão incómoda quanto desesperante. Acreditem: a visita da humilhação não é nada agradável e só quem já a sentiu na alma pode compreender a minha linguagem.

Terceiro Facto: O aluno preparava-se para fugir da sala depois de me ter agredido e, conforme o Regulamento Interno determina, todos os alunos que são expulsos da sala de aula terão que ser conduzidos até ao GAAF, Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família. Para o efeito, chamei, sem êxito, a funcionária do Pavilhão A, que não me conseguiu ouvir por se encontrar no rés-do-chão. Enquanto tal, não larguei o aluno para que ele não fugisse da escola (embora lhe fosse difícil fazê-lo porque os portões da escola estão fechados).

Mais uma vez, o aluno agrediu-me, desta vez, com maior violência, sacudindo-me os braços para se libertar e depois de conseguir o seu objectivo, começou a imitar os movimentos típicos de um pugilista para me intimidar. Esta situação ocorreu já fora da sala de aula, no corredor do último piso do Pavilhão A.

Reacção dos alunos (que entretanto saíram da sala para assistir à cena lamentável de humilhação de uma professora no exercício das suas funções): Risada geral.
Reacção do aluno ********: Entregou-se à funcionária que entretanto se apercebeu da ocorrência.
Reacção da Professora: Revolta e Dor contidas que só o olhar de um aluno mais atento ou mais sensível conseguiria descodificar. Porque, acreditem: dei a aula no tempo que me restou com uma máscara de coragem que só caiu quando a aula terminou e sem que nenhum aluno se apercebesse. Entretanto, a funcionária bateu à porta para me informar que o aluno queria entrar na aula para me pedir desculpa pelo seu comportamento “exemplar”.

Diz-se que um pedido de desculpas engrandece as partes: quem o pede e quem o aceita. Não aceitei este pedido por considerar que, fazendo-o, estaria a pactuar com um sistema em que os professores são constantemente diabolizados, desprestigiados e ameaçados na sua integridade física e moral. Em última análise, a liberdade não se aliena. O aluno escolheu o seu comportamento. O aluno deverá assumir as consequências do comportamento que escolheu e deverá responder por ele. É preciso PUNIR quem deve ser punido. E punir em conformidade com a gravidade de cada situação. A situação relatada é muito grave e deverá ser punida severamente. Sou suspeita por estar a propor uma pena severa? Não! Estou simplesmente a pedir que se faça justiça.


Vamos ser sérios. Vamos ser solidários. Vamos lutar por uma Escola Decente.

Ps: Este caso já foi participado na Polícia e seguirá para Tribunal.

Ermesinde, 30 de Março de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sabias que?...



Porque é que entrou na moda os rapazes usarem as calças por baixo do rabo? É de facto algo fora do normal e de facto algo de muito mau gosto! Andar com os boxers à mostra!

A VERDADEIRA HISTÓRIA

Esta tendência nasceu nas prisões dos Estados Unidos. Os reclusos que estavam receptivos a relações sexuais com outros homens tiveram que inventar um sinal que passasse despercebido aos guardas prisionais para não sofreram consequências... Por isso, quem usasse calças descaídas por baixo do rabo estava somente a mostrar que estava disposto a ter sexo anal com outros homens... Look super cool!...


Com um muito obrigado à Linda por este esclarecimento

domingo, 11 de abril de 2010

INVERSÃO DE VALORES - CARTA DE UMA MÃE PARA OUTRA MÃE (ASSUNTO VERÍDICO)

*Carta enviada de uma mãe para outra mãe no Porto, após um telejornal da RTP1:

De mãe para mãe...

Cara Senhora, vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, presidiário, das dependências da prisão de Custóias para outra dependência prisional em Lisboa.

Vi-a a queixar-se da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que vai passar a ter para o visitar, bem como de outros inconvenientes decorrentes dessa mesma transferência.

Vi também toda a cobertura que os jornalistas e repórteres deram a este facto, assim como vi que não só você, mas também outras mães na mesma situação, contam com o apoio de Comissões, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, etc...

Eu também sou mãe e posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro, porque, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.

A trabalhar e a ganhar pouco, tenho as mesmas dificuldades e despesas para o visitar.

Com muito sacrifício, só o posso fazer aos domingos porque trabalho (inclusivé aos sábados) para auxiliar no sustento e educação do resto da família.

Se você ainda não percebeu, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a uma bomba de combustível, onde ele, meu filho, trabalhava durante a noite para pagar os estudos e ajudar a família.

No próximo domingo, enquanto você estiver a abraçar e beijar o seu filho, eu estarei a visitar o meu e a depositar algumas flores na sua humilde campa, num cemitério dos arredores...

Ah! Já me ia esquecendo: Pode ficar tranquila, que o Estado se encarregará de tirar parte do meu magro salário para custear o sustento do seu filho e, de novo, o colchão que ele queimou, pela segunda vez, na cadeia onde se encontrava a cumprir pena, por ser um criminoso.

No cemitério, ou na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante dessas "Entidades" que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto ou indicar-me quais "os meus direitos".

Para terminar, ainda como mãe, peço por favor:

Façam circular este manifesto! Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola Portugal e não só...

Direitos humanos só deveriam ser para "humanos direitos"!!!

sábado, 10 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010


Friedrich Nietzsche by Edvard Munch

Aquele que luta contra os monstros deve acautelar-se para não se tornar um monstro também. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo também olha para nós.


Friedrich Nietzsche

Aqui Dentro de Casa

terça-feira, 23 de março de 2010

ADEUS


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.

Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Vale a pena "ouver" música portuguesa


A viagem de um viageiro ao interior de si próprio... Delirante!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Injustiça!


Uma senhora de 98 anos chamada Irena Sendler acabou de falecer.

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.

Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã!)

Irena trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira, na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da camioneta, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto.

Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruido que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.

Por fim os nazis apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas e os braços e prenderam-na brutalmente.

Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma arvore no seu jardim.

Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a familia. A maioria tinha sido levada para aa camaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos.
No ano passado foi proposta para receber o Prémio Nobel da Paz... mas não foi seleccionada. quem o recebeu foi Al Gore por uns diapositivos sobre o Aquecimento Global .

Não permitamos que alguma vez, esta Senhora seja esquecida!!

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Contraluz (trailler)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fumar



Hoje vou deixar de fumar!

É o dia ideal para deixar o que gosto e que me dá prazer, mas que me faz mal.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fernando Nobre



O anúncio de Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI, em candidatar-se à Presidência da República colheu-me de surpresa, mas ao mesmo tempo de satisfação, isto porque não é um político de carreira, mas sim um homem de acção.

Fernando Nobre relaciona-se com as pessoas e não com os esquemas político-partidários ou os número, sabe o que é o sofrimento, pois lidou com ele ao longo dos anos.

Para já deixo aqui ficar a minha simpatia por esta candidatura que, pela primeira vez, parece fugir à lógica político-partidária, por isso vou aguardar pelo desenvolvimento desta candidatura, mas deixo desde já o meu voto de solidariedade se os acontecimentos futuros não me desiludirem.

COMENTÁRIO DE CAMILO MORTÁGUA

A vida é assim mesmo, por estar cheia de surpresas inesperadas, torna-se interessante!

Concordo contigo em relação à apreciação do personagem, mas sou obrigado a discordar frontalmente da sua decisão, não porque não tenha o pleno direito a candidatar-se, mas porque o contexto em que o faz afecta irremediavelmente a dimensão ética da sua imagem.

Prestar-se a ser muleta dos falcões do PS. para potenciar a eleição do Cavaco em detrimento de um candidato que no plano ético, moral e cívico, e como defensor dos valores fundamentais duma esquerda de princípios e não de negócios, é exemplar, como é o caso do Manuel Alegre, é, em minha opinião, uma atitude eticamente condenável.

Não basta vir dizer que a sua candidatura não tem nada a ver com partidos, mas que é uma simples questão de cidadania; dizia Salazar, que "em política o que parece é" e já antes do anúncio da candidatura, era público quem estava a pressionar o Homem para que se candidatasse... e, mesmo que assim não fosse, o Dr. Fernando Nobre pela sua experiência de vida, não pode alegar ingenuidade em sua defesa... sabe muito bem medir os efeitos da sua candidatura face ao panorama da próxima eleição à presidência da República!

Razão tinha quem sempre me disse para não acreditar na existência de grandes homens, mas sim, no facto de existirem grandes oportunidades em que os homens pelas opções que tomam sabem elevar-se ou não a cima da mediania.

Para mim... e receio que para muitos portugueses, (o que é pena) a partir de hoje, o Dr. Fernando Nobre, passou a chamar-se apenas... Fernando.

Camilo Mortágua

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Silêncio



O Silêncio dos Sindicatos de Professores é ensurdecedor. Sinto-me amordaçado!

Nas recentes "negociações" com o ME não ouvi um a única palavra, uma única reivindicação, a propósito dos dois anos e meio de serviço que nos foram roubados.

Se alguém ouviu alguma coisa que me diga para eu poder retratar-me.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CONVITE (29 de Janeiro de 2010)

CONVITE

Os Filhos Pródigos da Liberdade - A Oposição Democrática na Venezuela

Com a presença de Camilo Mortágua

29 de Janeiro de 2010, pelas 21:30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Valongo

camilo mortagua

domingo, 24 de janeiro de 2010

Certo ou Errado



Mais do que estar certo ou errado o que conta é a realidade.

Latin´América

Não Canto Porque Sonho



Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
O teu sorriso puro,
A tua graça animal.

Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
O mesmo bicho sadio
Embriagado na alegria
Da tua vinha sem vinho.

Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
Nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
Por vê-los nus e suados.


Eugénio de Andrade; De As Mãos e os Frutos (1948)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cinema, Guerra e Capitalismo



Estou farto de ver filmes de guerra, com um fundo real ou imaginário que, a propósito de mostrarem os horrores da guerra, são de facto apologistas da guerra e da pseudo-heroicidade.

Herói não é o belicista, é o pacifista.

Não é o cinema que vai mudar, porque na sociedade capitalista só se faz o que se vende, por isso nós é que temos de mudar a nossa mentalidade se queremos que a sociedade mude.

Não podemos ficar sentados à espera da revolução, a revolução tem de começar dentro de nós próprios. Não podemos esperar milagres, mas podemos fazer um pequeno milagre todos os dias. Não podemos mudar os outros, mas podemos mudar-nos a nós próprios.

Se o fizermos, serão os filmes que apelam à não violência e à tolerância que ganharão o mercado.

Quando isto acontecer, quando formos capazes de interiorizar a mudança, até a sociedade capitalista será uma boa sociedade, porque já não terá razão de existir.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Casamento Homossexual



Antes de mais quero afirmar que sou heterossexual, mas não tenho qualquer tipo de preconceito contra ou a favor dos homossexuais.

A diferença que existe entre um homossexual e um heterossexual é a mesma que existe entre uma pessoa que escreve com a mão esquerda ou com a direita, que gosta mais de carne ou mais de peixe, etc.

Está para aprovação na Assembleia da República Portuguesa uma lei que permite o casamento entre homossexuais. Entretanto criou-se um movimento que pretende um referendo sobre este tema e recolheu uma petição com cerca de 90.000 assinaturas, isto é, acima dos 75.000 exigidos por lei.

Cada cidadão está no seu direito de pedir seja o que for, mas não tem o direito de proibir os que são diferentes, não são melhores ou piores, são diferentes, de optarem pelo caminho que muito bem entendem.

O casamento homossexual, como muitos outros assuntos, não é uma questão de justiça ou de lei, é uma questão de ética e tolerância. A homossexualidade não é crime, não é pecado! A homossexualidade existe e tem de ser respeitada.

Nenhum cidadão tem o direito de negar a outro cidadão os seus direitos só porque é diferente da maioria. Diferente não significa superior ou inferior, significa simplesmente diferente.

Nenhum cidadão tem o direito de negar a outro a sua felicidade, de escolher o seu caminho.

As religiões que cuidem do seu rebanho, mas não têm o direito de impor aos outros uma moralidade que só pode ser exigida aos seus.

Sou a favor do casamento homossexual por completo, incluindo o direito a ter filhos, seja por adopção, seja por inseminação artificial.

Os medos, sempre os medos das mentalidades retrógradas, conservadoras e castradoras. Porque é que filhos de homossexuais deverão ser obrigatoriamente homossexuais? E se forem? Qual é o problema?

O que eu sei é que muitas filhas e filhos de casais heterossexuais são homossexuais.

Pensava que a sanha persecutória contra os que são diferentes ou que pensam de maneira diferente, que a caça às bruxas, a inquisição e os fogos crematórios nazis, já tinham acabado.

Melhor fora que usassem as suas energias para denunciar os políticos corruptos e os corruptos em geral, mas não, que esses são senhores doutores, pessoas muito importantes, digo, porque os cobardes temem sempre aquele que acham mais forte até ao ponto de os bajularem e votarem neles, por isso são cobardes.

O direito ao amor é uma máxima universal, ninguém pode ousar por isso em causa, e ai daqueles que nunca souberam amar.

O amor não se cala, vive-se!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Advogados


Justiça por Marília Chartune

Sem querer generalizar, embora tenha a percepção que uma grande percentagem de advogados no nosso país faça o mesmo, vou contar uma pequena história.

Há cerca de três anos precisei de recorrer aos serviços de um advogado por três vezes, não vou relatar o motivo porque é pessoal.

A primeira vez que fui ao seu consultório apenas lhe pedi um esclarecimento sobre um determinado documento. Deu-me o esclarecimento, mas não me alertou para algo que mais tarde me obrigou a recorrer aos seus serviços. A conversa não durou nem 30 minutos.

Das segunda e terceira vezes que fui ao seu consultório (cerca de meia hora por cada consulta), já por causa de não me ter alertado para algo que estava escrito no dito documento, o senhor doutor, sempre muito simpático, fez meia dúzia de telefonemas a outro advogado, recebeu um fax, conseguiu um acordo verbal e deixou ficar o assunto em banho Maria, a coisa estava correr-lhe bem e, provavelmente ao colega também, por isso resolvi prescindir dos seus serviços.

Pedi-lhe a conta pelos serviços prestados, dando por encerrada a questão, agradeci o trabalho realizado, mas a partir daquele momento as duas partes tratariam do problema directamente. O valor solicitado foi uma enormidade (750 Euros) para hora e meia a duas horas de conversa, meia dúzia de telefonemas, um pequeno documento (tipo chapa 5) e um fax recebido.

Lamentou que tivesse prescindido dos seus serviços, disse-me que tinha comunicado ao colega que eu tinha decidido encerrar o caso e que, segundo me contou, o colega também lamentou. Pois acredito que ambos tenham lamentado, o problema era ligeiro e só aconteceu por uma falta de diálogo, passageiro diga-se, entre os interlocutores, enquanto que os ditos senhores doutores estavam a sacar uma pipa de massa às pessoas que "representavam".

Inocentemente pedi-lhe um recibo. A resposta do senhor doutor foi curta e grossa: para passar recibo tinha de acrescentar o IVA, mais 21% (965 Euros). Na altura estava com a minha vida financeira muito complicada, porque tinha sido obrigado a grandes despesas nesse ano. Por isso cedi à chantagem e o dinheiro foi transferido para uma conta bancária.

Como sabemos a maioria dos políticos são oriundos da advocacia e quando são denunciados por falcatruas juram a pés juntos que estão de consciência tranquila, que é tudo uma cabala, que são bons pais de família, que vão à missa todos os dias, que até são sócios do clube A, B ou C e amigos pessoais dos respectivos presidentes, etc.

Sei que pactuei com a fraude, tenho como atenuante a minha situação económica para ceder à chantagem, mas deixo aqui o alerta para que não se caia neste tipo de chantagens. Eu não voltarei a fazê-lo, por mais simpáticos que sejam os senhores doutores.

Por outro lado é necessário que haja transparência em relação aos serviços prestados pelos advogados, para isso deve ser dado conhecimento prévio aos potenciais clientes, das tabelas de honorários que estes senhores doutores podem cobrar de acordo com o serviço solicitado.

Helping to Fight Aids in Africa



Love changes everything - including the world. Help me save lives by joining an unprecedented global event.

ALL YOU NEED IS LOVE

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Hoje é o Dia Mundial da Paz... Dizem!

Agora que se inicia um novo ano vale pena rever, recordar e reflectir.

Quanto vale a vida humana? Porque é que umas valem mais do que outras, porque é que a história que interiorizamos é sempre a da perspectiva do mais forte?...



Duração: cerca de 120 minutos.

ANO NOVO, VIDA NOVA!

Recomeça...

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade
Enquanto não alcances
Não descanses
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

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Com um grande abraço ao meu grande amigo Jaime, que me deu a conhecer este magnífico poema de Miguel Torga num jantar de amigos que tradicionalmente fazemos na véspera da passagem de ano.

I WILL SURVIVE


Vamos sobreviver por mais um ano. E viver?

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Anarco-Comunismo



Vale a pena ignorar as origens de classe para atingir a liberdade plena. Que 2010 seja um ano de reflexão em busca do Homem mais justo, mais sincero, mais autêntico, mais humano, mais tolerante, mais verdadeiro, mais pacífico.

É sempre um caminho inacabado, mas vale a pena começar a caminhar.

No século XIX já havia quem pensasse como a maioria ainda não pensa no século XXI

Tenho Vergonha de Mim


Retrato da nossa crise moral. Textos de Cleide Canton e Rui Barbosa. Declamação de Rolando Boldrin

Tenho vergonha de mim, seja eu brasileiro, português, angolano ou de qualquer outra nacionalidade.

Famílias Tradicionais do Porto



Alice Rios, jornalista e escritora, acabou de lançar o II Volume do seu livro "Famílias Tradicionais do Porto"

Não sei o que vale o meu conselho, provavelmente nada, mas digo a todos os amantes desta cidade maravilhosa que é o Porto, para lerem atentamente este livro, mas comecem pelo I Volume, de certeza que portuenses, e não só, não se vão arrepender de ler este livro de encantamento.

Feliz Ano Novo!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Para Refectir


Não adianta chorar, porque não se pode remediar. Quem sofre são sempre os que ficam, se amam os que partem ou os que ficaram maltratados. Tudo o mais são lágrimas de crocodilo, e também não é necessário passar por isto (com culpas ou sem culpas) para ter a certeza de quem nos ama, porque a verdade bem sempre à tona, mais tarde ou mais cedo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

NATAL

Para crentes ou crentes em outras religiões, ou simplesmente não crentes, como eu.

Com ou sem Árvores de Natal, Presépios, Pais Natal ou outros ícones alusivos à época que se vive no mundo cristão.

Desejo um Natal sem hipocrisia e que, num futuro próximo, a Humanidade, independentemente das suas crenças, consiga viver em igualdade, paz, harmonia e amor. Com tolerância para com as opções de cada um de nós!

São as diferenças que nos enriquecem, não as semelhanças. São as diferenças que nos obrigam a pensar, a encontrar alternativas. As semelhanças só nos podem levar ao comodismo e a criar fracturas com os que pensam de modo diferente. Um é o bom pensamento, outro o mau. Válido para ambos os lados, tudo depende da perspectiva e do número de adeptos que cada lado ganha.

Que o dito espírito de Natal seja algo que esteja presente em nós todos os dias e não hipocritamente num único dia do ano.

Que cada um de nós faça desta época um meio para se tornar um pouco melhor e consiga reflectir na prática do dia-a-dia os lindos pensamentos que partilhamos nesta altura.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sonhos



Mas não tem revolta, não
Eu só quero que você se encontre.
Ter saudade até que é bom,
É melhor que caminhar vazio.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DREN, DREC, DREL e AFINS


Estou a falar, como é evidente, das Direcções ditas Regionais de Educação.

Quando olhamos para os nomes pensamos tratar-se de um órgão descentralizador da Educação, mas na realidade estas Direcções Regionais não passam de correias de transmissão do órgão Central, isto é, o Ministério da Educação ou, como era vulgar ouvir-se há anos atrás, de cassetes do Ministério.

São órgão acéfalos, autênticos ninhos de boys for the job, armados em reizinhos, ou rainhas de contos de fada, ex-professores que normalmente, alguns deles senhores doutores, que não dão aulas há muitos anos, desligados da realidade docente e da prática pedagógica no terreno, ou ainda ex-presidentes ou ex-vice-presidentes de antigos Conselhos Executivos (assim se chamavam até ao ano lectivo anterior), agora Conselhos Directivos que, na sua maior parte foram recusados por incompetência pelos seu pares, quando a gestão das escolas era formalmente democrática, mas que agora à custa dos amigalhaços, das almoçaradas e jantaradas que proporcionaram enquanto ocupavam aqueles cargos, foram compensados pela sua incompetência.

Não pretendo generalizar no que diz respeito à competência, de certeza que estão lá muitos colegas com excelente qualificação e competência, que não acabaram os cursos ao domingo nem fizeram os célebres doutoramentos de Boston. Mas a verdade é que eu nunca vi um concurso público para admissão de professores para ocupar cargos em qualquer Direcção Regional.

Tudo se passa por convite, pelos amigalhaços, pela mediocridade dos oportunistas, pela estrada onde circulam os tais "chicos espertos", os ases das provas de perícia automóvel, sobretudo nas chincanes políticas. Claro para os cargos mais importantes, os cargos políticos, o próprio Governo escolhe os seus. Se o Governo mudar mudam os comissários, mas para os outros lá se arranja um lugarzito dentro do sistema, porque podem ser de outro partido, mas são todos porcos do mesmo lameiro.

Mas depois são estes que nos falam em exigência e numa cultura de excelência. Como resultado deste lamaçal lodoso passou-se de uma avaliação do serviço docente mau para um péssimo.

Nunca vi tanto oportunismo e bandalheira na avaliação do serviço docente dos professores como no ano lectivo anterior. Avaliadores à força, sem vocação nem capacidade para serem avaliadores. Outros que aproveitaram a oportunidade que lhes foi dada para se libertarem dos seus mesquinhos recalcamentos e aproveitarem para esmagar uns quantos coitados, sem critério nem isenção, apenas porque lhes interessava mostrar que aquelas figuras apagadas e baças eram, afinal, pessoas cheias de personalidade e tiveram aqui o incentivo que lhes faltava para revelarem todos os complexos de inferioridade e ignorância cultural e pedagógica de que padecem, assim como a sua incapacidade intelectual.

Para terminar não quero deixar de realçar que, apesar de tudo, nem todos entraram neste jogo e muitos tentaram, com as regras que lhes foram impostas, fazer um trabalho honesto, decente e competente, mas a esses não lhes serve esta carapuça.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Os Filhos Pródigos da Liberdade em Valongo

Por iniciativa da Biblioteca Museu República e Resistência de Lisboa, e com o apoio da Câmara Municipal de Valongo e da Escola EB 2/3 de Campo (Valongo), vai realizar-se no próximo dia 29 de Janeiro na Biblioteca Municipal de Valongo, com início marcado para as 21 horas, uma conferência/debate subordinada ao tema "Os Filhos Pródigos da Liberdade - A Oposição Democrática na Venezuela", com a presença de Camilo Mortágua.