quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eu

Não acredito!
Não sei!

Quem acredita,
que me ensine a acreditar.
Quem sabe,
que me ensine a saber.

Não quero acreditar.
Não quero saber.
Prefiro duvidar!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Resultados dos Exames Nacionais (9º Ano)

Foram hoje tornados públicos os resultados dos Exames Nacionais de Língua Portuguesa e Matemática do 9º Ano de Escolaridade.

Os resultados são assustadores: Língua Portuguesa 44% de níveis inferiores a 3; Matemática 58% de níveis inferiores a 3, sendo que 18% obtiveram nível 1, isto é, não conseguiram ultrapassar os 19% numa escala de 0 a 100%.

Analisei ambas as provas e, na minha opinião, nenhum deles apresenta um grau de dificuldade elevado. Se na Língua Portuguesa era essencial a concentração dos alunos e a leitura integral dos textos e perguntas, pois uma percentagem elevada das questões eram de âmbito interpretativo, na matemática o acento tónico era a interpretação e o raciocínio, não exigindo cálculos muito complexos.

Nos últimos anos temos vindo a observar que a situação tem piorado, mas este ano os resultados são assustadores. Os alunos que agora terminam o 9º ano, estavam no 7º ano quando foi nomeada para Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues. Costumo afirmar, em tom irónico, que estes alunos fazem parte da geração marilú. A verdade é que a situação se já não era boa antes da famigerada ministra, piorou, e de que maneira, com as reformas que a ministra de má memória tentou implementar na política educativa.

Como é possível alcançar sucesso escolar, quando as reformas introduzidas não passam da diabolização do professor, estigmatizando-o e responsabilizando-o integralmente pelo o insucesso dos seus alunos. Criou o caos nas escolas bem de acordo com a doutrina do choque tão cara aos neo-liberais. Fez cavalo de batalha, até muito tarde, do princípio de que o sucesso escolar dos alunos seria factor determinante na avaliação do desempenho docente (de forma acrítica e redutora).

A ministra que a substituiu, a ministra pseudónimo, continuou, nas suas linhas gerais a aventura da política educativa anterior, acrescentando-lhe confusão e acentuando o carácter arbitrário e subjectivo do processo de avaliação docente.

Quanto ao actual ministro, Nuno Crato, apesar de se encontrar ainda em estado de graça, não se pode esperar grandes alterações. É, tal como os anteriores, um neo-liberal, portanto adepto da doutrina do choque. A ideia de fazer implodir o ministério não passou de um fait diver, numa altura em que era politicamente correcto dizer mal do Ministério da Educação, mesmo que duma forma acrítica. Neste sentido insere-se também a tentativa do actual partido do Governo, o PSD, fazer uma tentativa de, em final de legislatura, pôr fim ao actual modelo de processo de avaliação do desempenho. Não que esta atitude fosse incorrecta, mas porque não rejeitou este modelo na altura própria, nem faz qualquer tentativa de, na actual legislatura, reverter este processo absurdo. Os professores não recusam a avaliação, mas sim a forma como está estruturado o actual modelo de avaliação. Só se deixa enganar quem quer.

O que se pode esperar de uma escola onde os professores se desdobram em actividades de enriquecimento curricular, muitas vezes como forma de disfarçar ou mascarar o insucesso, muitas vezes mais movidos pelo medo, sobretudo os professores contratados, em vez de investir, a escola e as políticas educativas, no que se passa dentro da sala de aula; duma escola em que se responsabiliza o professor, quase integralmente, pelo sucesso/insucesso dos alunos e se desresponsabilizam os encarregados de educação e os próprios alunos; duma política educativa em que se dão todas as condições à escola privada e se deixa degradar a escola pública, com a falácia da livre escolha; duma escola em que o principal objectivo é o sucesso dos alunos sem exigir rigor nas aprendizagens e responsabilização de pais, encarregados de educação e dos próprios alunos. Sim, o que se pode esperar desta escola?

O que dizer de uma escola que aposta na penalização dos professores, em vez de apostar na sua formação?

Quando o ministério pretende resultados deve lembrar-se que também é agente da transformação e para isso deve proporcionar os meios e as condições para a melhoria do desempenho docente e, consequentemente do sucesso escolar.

Usa e abusa o ministério de dados estatísticos, não com o objectivo de ajudar os profissionais da educação a encontrar alternativas, mas sim com o objectivo de os acusar de todos os males do processo de ensino/aprendizagem. As estatísticas têm diversas leituras e são um meio auxiliar para encontrar soluções, não um fim em si mesmo, o qual tem servido ao Ministério da Educação para intoxicar e manipular a opinião pública.

Na escola actual vemos exemplificada a doutrina do choque dos neo-liberais, de Milton Friedman e da Escola de Chicago, aplicados à educação.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Doutrina do Choque


A Doutrina do Choque from Muito Aterrorizado on Vimeo.

Para ver, reflectir e agir!

Yes, We can do it!


Enviar para a Moodys através do site: http://www.dinkypage.com/moodusta

People first! Yes, we can do it! - ALF-Anti-Liberalism Front
(As pessoas primeiro! Sim, nós conseguimos fazê-lo! FAL-Frente Anti-Liberal)

domingo, 5 de junho de 2011

5 de Junho de 2011


Votei livre e conscientemente, por isso ganhei.

Não, não votei no partido vencedor, mas ganhei, porque a democracia ganha quando um cidadão tem a liberdade de fazer as suas opções de acordo com os seus próprios valores e o faz de forma livre, sem se sujeitar a pressões, nem a operações de marketing.

O meu voto foi útil, mas não foi um "voto útil". Foi útil porque valorizou a democracia, foi a expressão da minha voz.

Votei contra a Troika.

No entanto, é bom que se compreenda que o meu, o nosso papel de cidadãos não se esgota na participação eleitoral. Uma democracia é mais forte quando os cidadão não se resignam à democracia representativa, mas sim, quando assumem uma democracia autêntica e participativa: em casa, nos locais de trabalho, nas ruas...

Reconheço que é difícil esperar por uma efectiva participação dos cidadãos na democracia, quando, num momento particularmente grave, mais de 40% dos cidadãos rejeita cumprir o seu dever nesta democracia representativa.

É curioso como ninguém, ou quase ninguém, com responsabilidades políticas, fala das abstenções e do absurdo que é, um país de cerca de 10 milhões de habitantes ter inscritos nos cadernos eleitorais um pouco mais de 9,6 milhões de eleitores. Isto é, só existem cerca de 400 mil indivíduos com menos de 18 anos? Que autenticidade eleitoral têm as eleições quando os cadernos eleitorais são compostos por, pelo menos, 2 milhões de eleitores fantasma?

A frase mais lúcida que ouvi, depois de conhecidas as previsões dos resultados eleitorais foi a de um militante do CDS-PP, quando, na RTP 1, afirmou que mais importante que as cento e tal páginas do programa do PSD, são as trinta e cinco páginas do acordo assinado com a Troika.

Já ouço por aí buzinadelas de festejo. Estão a festejar o quê? O que há para festejar?

Quanto ao engenheiro Sócrates: ouvi um emérito fazedor de opinião afirmar que Sócrates fez um discurso com grande dignidade. Eu pergunto: onde está a dignidade de alguém que, igual a si mesmo, faz uma encenação de dignidade e de seguida demite-se das suas responsabilidades, deixando o partido e, mais grave, o país à deriva. Não foi caso inédito, já um seu antecessor recente fez o mesmo só que teve a esperteza de garantir o seu futuro, pois se abandonou o país num momento difícil, mas não tão grave como o actual, arranjou um lugar que lhe garantiu o futuro na União Europeia. Estou a falar, como é evidente, de Durão Barroso.

Onde está a dignidade de alguém que só "serve" o país quando está no poder, mas que não compreende que o papel de um democrata, em defesa das seus ideais, é tão importante quando está no poder como quando está na oposição. A dignidade de Sócrates é a mesma do menino mimado que quando está a perder o jogo, vai embora e diz que não joga mais. A dignidade de Sócrates é igual à dos ratos que são os primeiros a abandonar o navio quando ele está a afundar-se.

Uma palavra para os eleitores PS que ainda votaram no seu partido. Compreendo a sua fidelidade, mesmo que seja apenas clubística, mas porquê manifestar essa fidelidade a um político que foi o primeiro a abandoná-los?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Indigna-te e VOTA!



Este vídeo foi feito para as eleições regionais em Espanha (País Valenciano) para esclarecer os que querem mudar alguma coisa sobre a necessidade e dever de votar.

Prestem atenção, pois o sistema eleitoral em Portugal é semelhante, por isso antes de votarem nulo, branco ou absterem-se, pensem se querem colaborar com o poder estabelecido e, por isso, perpetuá-lo.

VOTA CONSCIENTE, SEM CEDER À CHANTAGEM DO VOTO ÚTIL, MAS VOTA.

INDIGNA-TE E VOTA!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Escândalo? Qual escândalo?

Tem sido notícia na comunicação social mundial a actividade sexual do director do FMI (agora ex-director), Dominique Strauss-Kahn.

Quanto a mim o que é escandaloso não é o assédio, ou tentativa de assédio, sexual do Strauss-Kahn, mas sim o facto de homens como este pensarem que, pelos cargos que ocupam, estão acima da lei e que podem abusar dos outros só porque acham que têm esse poder e esse direito.

Algumas pessoas, muitas talvez, ainda vivem com uma mentalidade medieval, pois acham-se devedoras do direito de pernada.

O que é escandaloso é que estes indivíduos se dêem ao luxo de pagar mais de 2500 euros por uma dormida num hotel.

O que é escandaloso é saber que há quem cobre 2500 euros por uma simples dormida num hotel e que haja quem possa dar-se ao luxo de o pagar. Isto sim é um crime contra a Humanidade, quanto aos gostos sexuais deste autêntico "Gengis" Kahn dos tempo modernos não passam de fait-divers.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Morte do Binho Tinto

EPISÓDIO 6
Dias depois do nefasto encontro entre Binho Tinto, IT Girl e PC Man, aconteceu aquilo que acontece ao mais tranquilo dos mortais, pois, e citando Lili Caneças: "Estar morto é o contrário de estar vivo".

Binho Tinto, no seu passo distraído, atravessava, ao fim do dia, uma movimentada avenida da sua cidade, que terminava junto ao mar. Atravessou a avenida com o intuito de procurar o lado mais movimentado, de acordo com a sua profissão: arrumador de carros. Sem se aperceber, um carro prateado aproximou-se a grande velocidade. Não conseguindo travar a tempo, o carro colheu o transeunte que, projectado no ar, voou durante alguns metros (este Vinho Tinto sempre gostou de voar) e estatelou-se no chão completamente morto.

O automóvel atropelante, um verdadeiro topo de gama, era ocupado por dois homens altos. Um mais velho, que conduzia a viatura usando luvas pretas, e outro mais novo e de farta cabeleira.

Ambos saíram com ar aflito e gritando: "Ai coitado do homem!... Ai coitado do homem!...". Enquanto o mais velho acrescentava: "Não o vi, fui encandeado pelo pôr-do-Sol!!!".

Diz, quem presenciou a cena, que o morto exibia um sorriso, misto de alívio e felicidade.

Há muito desligado da família e dos amigos, Binho Tinto não tinha ninguém com quem lidasse habitualmente e, como não tinha documentos, o seu corpo, depois de autopsiado e confirmada a causa da morte, deu entrada nas câmaras frigoríficas da morgue do Dr. Pinto da Costa, onde aguardou que alguém o identificasse, e os seus restos mortais fossem reclamados.

Como ao fim de uma semana ninguém apareceu para identificar e reclamar o corpo, foi publicada nos jornais a seguinte nota:

Homem, do sexo masculino, encontra-se morto na morgue desta cidade.
Bem constituído fisicamente, embora seja um pouco careca, encontra-se na casa dos 50 anos e faltam-lhe alguns dentes.
Este indigente sem-abrigo foi vítima de atropelamento há cerca de 15 dias.
Pede-se a quem o possa identificar que se desloque a esta morgue com a maior brevidade possível, pois, caso contrário, o corpo será enviado para uma vala comum no cemitério da Jardim das Delícias, 15 dias após a publicação desta nota de imprensa.

Diz quem leu esta nota de imprensa que estranhou um pouco a referência inicial a homem, do sexo masculino, mas logo os mais avisados explicaram que isso se devia à qualidade da política de educação que se pratica no país.

O certo é que, nem passada uma semana, apareceram algumas pessoas com o intuito de identificar o morto.

Surgiu um primeiro grupo, constituído por cinco pessoas que chegaram ao mesmo tempo, a este grupo juntou-se, minutos mais tarde, uma sexta pessoa. Faziam grande algazarra no átrio da morgue, mas logo que apareceu o funcionário, mudaram a sua atitude e expressão, tal como se estivessem ali para velar um ente querido. Identificados um a um, ficamos a saber que se tratavam de Dona Laranjina, Sr. Água das Pedras, Herr Vinagra, IT Girl e PC Man.

Quanto à sexta pessoa, tratava-se de Caldinho sem Sal, uma senhora ainda jovem e de aparência frágil e pálida, que se sentia um pouco perdida e atordoada e falava com IT Girl e PC Man, os únicos que conhecia, aos quais dizia não saber muito bem por que estava ali, porque não conhecia ninguém que correspondesse àquela descrição, mas que impelida por um estranho impulso, ou algo assim de transcendente, sentiu-se na obrigação de se deslocar à morgue.

Entretanto o funcionário conduziu o grupo até à câmara frigorífica, enquanto, em surdina,  aqueles trocavam alguma palavras entre si.

ITG: Até quero mesmo ver se é ele. É que para este peditório já dei e quero deixar de se cobrada.

HV: Descansa, que eu tenho a certeza que vais deixar de ser cobrada.

PCM: Mas Herr Viagra, pode haver algum engano, nós não vimos o corpo a ser levado e não tínhamos ainda a certeza de que estava morto.

HV: Caluda! Deixa-te de nervosismos anglo-saxónicos. Eu tenho a certeza de que o Binho está morto e bem morto. Só nos falta identificar o presunto.

DL: Eu confio nas palavras e na acção do Vinagra, ele nunca me desiludiu. Bem, estas salas são bem giras.

SAP: Lá giras são, mas isto tem cá uma humidade, ainda apanho uma pneumonia.

ITG: Dá-me a tua mão, my love. Don't worry sweet, o Herr Vinagra tem muita experiência. Be calm, please. Aperta a minha mão com força que eu passo-te toda a minha energia. Finalmente, vamo-nos ver livres daquele empecilho que andava a infernizar a nossa vida.

Logo que o funcionário da morgue abre a câmara frigorífica, o quinteto grita em uníssono:

- É ele! É ele! É o Binho Tinto!

Mas, de imediato, com medo que o funcionário percebesse o seu regozijo, dizem num tom mais calmo e sereno:

- Sim, é o Binho Tinto. Coitado do homem.

- Será que sofreu muito? Coitado. - sublinha IT Girl.

Tendo, até aí, mantido a boca fechada, Caldinho sem Sal afirma não conhecer o morto. Sai com passo apressado. Intrigada com tudo o que havia observado dirige-se à sua biblioteca onde pretende fazer uma consulta aos seus oráculos.

Os restantes abandonam a morgue, com uma alegria mal disfarçada.

Tendo abandonado tudo e todos, desconhecia-se que Binho Tinto tinha família e amigos, mas duas, ou três horas depois, novo grupo chega à morgue para identificar o defunto. À posteriori percebemos que este grupo é constituído pelos filhos (não sabíamos que o Binho Tinto tinha filhos), e por alguns verdadeiros amigos, daqueles que nunca viram as costas. São eles o Zblues, o Dom Porto, a Lobinha, a Velhota, o Arquitecto, o Cubo, a Blimunda, o Aspirina, a Rapunzel, o Morfeu, a Mimo e mais três ou quatro, dos quais não sabemos o nome.

Todos identificam o falecido como sendo o Binho Tinto.

Organizam o funeral segundo a vontade do morto. O corpo é velado sem deuses nem pátrias e de seguida, cremado. As suas cinzas são lançadas ao vento no alto de uma montanha.

Terminada a cerimónia este grupo reune-se para festejar, segundo a vontade do próprio defunto, pois recordam bem as suas palavras, ditas e sentidas:

- QUANDO EU MORRER, BATAM EM LATAS, ROMPAM AOS SALTOS E AOS PINOTES...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Binho Tinto encontra o Casal Perfeito

EPISÓDIO 5
Num fim de tarde quente, Binho Tinto passeava pelo Parque da Cidade. De repente, ao fundo, repara que se deslocam na sua direcção IT Girl e PC Man. Ambos de mão dada, conversando apaixonadamente sobre o tempo, as plantas e a maresia. Acha curiosa a coincidência que, mais tarde o mais cedo, seria inevitável, mesmo que indesejável.

No outro extremo IT Girl repara em Binho Tinto e avisa PC Man.

ITG: Don't worry my love, just be calm.

Binho Tinto coloca um sorriso sarcástico e ao cruzar-se com o casal profere:

BT: Olha, olha!... O casal perfeito, o duo maravilha!...

PC Man, que tinha andado a estudar as origens da sociedade americana da Virgínia, sentia-se fortemente influenciado pela afectação daqueles americanos descendentes dos primeiros colonos ingleses, perde a compostura de "lord" americano, alça o braço direito acima dos seus dois metros de altura e desfere um murro bem no meio dos olhos de Binho Tinto.

De imediato IT Girl lança-se nos braços de PC Man e diz:

ITG: Oh my sweet love, are you hurt? Aquele bruto magoou-te?

E, virando-se para Binho Tinto, continuou:

- Seu bruto, seu... seu... seu grosseiro... seu ordinário... seu cabeça dura... magoaste a mãozinha do meu amor com o murro que ele te deu na cabeça.

Binho Tinto, que tinha ficado um pouco cambaleante com o murro de PC Man, reage. Prepara-se para dar o troco ao adversário, mas, de súbito, pára. Observa a cena lancinante e simultaneamente cómica de IT Girl a consolar PC Man pela ferida que este causou na sua própria e delicada mão, quando, num momento de desnorte, perdeu a sua postura aristocrática e reagiu a uma provocação da plebe.

Binho, ao ver  IT com lágrimas nos olhos e a beijar PC, que se contorcia com dores, comoveu-se.

Desistiu de retaliar e, chegando-se perto de PC, colocando-se em bicos de pés para que a sua cara chegasse bem perto da do outro, proferiu:

BT: Já nem vale a pena, meu. A minha retaliação são os beijos, que agora recebes da mulher aranha.

Binho Tinto, afasta-se do casal e segue o seu caminho com um sorriso de felicidade, enquanto o casal fica no seu lugar, abraçando-se e lamentando-se de tão indesejável encontro.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os Novos Servos da Gleba

Ontem, ao ouvir o primeiro-ministro a anunciar o acordo que o governo celebrou com o FMI e afins fiquei com uma sensação estranha.

Crise? Qual crise? Afinal existe na Europa um grupo de senhores muito ricos, os novos nobres, que até pagam para nós não trabalharmos, em contrapartida nós, os Portugueses, só temos de pagar impostos, recebê-los em nossa casa, manter as nossas praias limpas e regar os campos de golfe.

Obrigado FMI! Obrigado BCE! Obrigado Europa! Obrigado José Sócrates! Obrigado Passos Coelho! Obrigado Paulo Portas! Obrigado a todos os novos Messias Salvadores!

Afinal esta Europa de leite e mel não é mais do que um remake da Europa Medieval em versão retro. De um lado uma minoria que vive à tripa forra, os senhores da terra ou nova nobreza, do outro uma esmagadora maioria, formatada pelas sucessivas reformas na educação do poder económico-político, ignorante e acrítica, os novos servos da gleba.

domingo, 1 de maio de 2011

Carregador de Pianos


Hoje tive uma conversa com pessoas na casa dos 80 anos. Conforme ia decorrendo a conversa e as pessoas avivavam as suas memórias, também as minhas passavam em frente a mim como um filme, como uma visão do mundo em que vivemos.

De repente as palavras de um grande amigo de longa data, Camilo Mortágua, bateram a rebate no meu cérebro.

Dizia, diz, Camilo Mortágua, que a História é madrasta com os carregadores de piano. A História fala e exalta os autores e os solistas, mas nunca nos fala dos carregadores de piano. Sem estes, sem aqueles que se sacrificam para colocar os instrumentos no local certo, onde depois outros vão tirar os acordes que deslumbram as massas e dos quais recolhem dividendos em proveito próprio, não haveria música.

A História é a história dos poderosos, e os poderosos não reconhecem que o local que ocupam se deve ao sacrifício e exploração de outros seres humanos, os tais de que não reza a História, porque isso seria desmerecer as vitórias e o êxitos dos poderosos.

Um dia os carregadores de piano vão compreender que são sistematicamente usados e desprezados pelos outros, e não hesitarão em descarregar a sua carga em cima dos oportunistas que os exploram diariamente, de uma forma mais ou menos subliminar.

Essa família de ex-operários octogenários contou-me algumas situações que viveram no passado: a sua vida, o seu dia-a-dia, a sua família. Deram-me uma lição de vida e de dignidade.

Esta família, que não nasceu em berço de ouro, teve três filhos, a todos transmitiu valores e princípios, a todos deu uma formação, a todos preparou para a vida, com sacrifício, mas simultaneamente com orgulho. Já dizia Camões, tudo vale a pena se a alma não é pequena. O que fez desta família o que ela é agora foram os laços de solidariedade, que os uniu, que fez deles uma força, que resulta de uma vida de luta contra a opressão e o obscurantismo em que pretenderam colocá-los, mesmo que nem sempre se apercebessem exactamente disso. Uma luta altruísta porque se pretenderam dar algo melhor aos seu filhos contribuíram para que os filhos dos outros também lá chegassem. A isto os filhos responderam com carinho e amor.

Não, esta família não se fundou atrás de chavões abstractos, nem em princípios retóricos, nem de filosofias baratas, mas sim na luta diária pela sobrevivência.

Se há heróis, estes são os heróis.

Hoje vivemos todos fechados num mundo egoísta e egocêntrico, imaginado que o bem-estar está ao alcance de todos, que todos podem ser como nós, se não são é porque não querem, porque as oportunidades são iguais para todos.

Há conceitos que aqueles acusam de retrógrados, como por exemplo o de  mentalidade burguesa. É que esse apagar de evidências tranquiliza-os, aquilo de que não se fala é como se não existisse, e o que não existe sossega as suas consciências, não os perturba. A consciência não se apaga, apenas pode estar adormecida.

Esta viagem levou-me à minha infância, filho de pequeno-burgueses, tive a sorte de os meus pais não mascararem a realidade, para eles nunca os valores materiais foram o fundamental, muito menos obtê-los à custa da exploração de outros, para além de perceberem que todos temos direitos a viver em condições dignas, nunca colocaram rótulos nas pessoas e sempre incentivaram os filhos a perceber e a conviver com a realidade, que estava para lá dos muros que construímos à nossa volta.

A cada palavra proferida eu via as imagens da minha infância, dos meus amigos de escola, dos seus pais, das suas famílias, do modo como viviam, das casas suburbanas, das ilhas do Porto ou das casas dos camponeses. Por cada palavra proferida eu mergulhava na realidade que era este País, da miséria que eu vi desde tenra idade, quer em sectores operários, quer nas zonas rurais. Foram estas múltiplas vivências que ajudaram a moldar a minha personalidade.

Estou grato ao convívio que tive hoje ao almoço, pois que melhor maneira poderá haver para comemorar o 1º de Maio, que coincide com o Dia Mãe, senão o da tomada, ou reforço, de consciência, para os valores fundamentais da Humanidade, e da luta que ainda temos de travar, e das alterações que ainda temos de fazer, para que todos tenham de facto direito a uma vida digna e verdadeiramente Humana.

A lição é que temos de agir e reagir, individual ou colectivamente, contra aquilo que querem fazer de nós, amorfos seguidores de princípios que não são os nossos.

Folha de Sala


Todos os espectáculos se realizam no Centro Cultural de Campo (Valongo), entre os dias 6, 7 e 8 de Maio de 2011.

— dia 6/5, 21:00
FILHOS DE
ASSASSINOS
de Katori Hall
TnE-Teatronaescola
da EB 2,3 de Campo
(Valongo)

— dia 7/5, 15:00
TODOS OS RAPAZES
SÃO GATOS
de Álvaro
Magalhães
Grupo de Teatro
da Escola EB 2,3
de Sobrado

— dia 7/5, 21:00
A BIRRA DO MORTO
- FARSA TRÁGICA
de Vicente Sanches
Grupo de Teatro da
Escola Secundária
de Rio Tinto

Seguido de café/tertúlia à volta do tema do teatro nas escolas

— dia 8/5, 17:00
Apresentação
pública do
trabalho
desenvolvido
pelos
participantes
dos workshops,
seguida da
sessão de
encerramento

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O TEATRO É VIDA.

O Teatro funciona como um despertador do nosso rotineiro dia-a-dia.

Sentimentos e emoções, mágoas e alegrias, solidariedade e desprezo, passividade e protagonismo, tudo isto nos é transmitido pelo Teatro. Entra em nós e faz-nos reflectir. O Teatro funciona como uma Escola de Vida. Neste contexto, criar e interpretar textos, é uma experiência que faculta aos jovens oportunidades de questionar e contextualizar a vida nas suas múltiplas facetas

Pode dizer-se que promover a prática do teatro é, em última instância, proporcionar experiência significativas, as quais promovem a interacção entre actores e públicos e entre os actores em si mesmo, desenvolvendo capacidades fundamentais para o criação da personalidade do jovem, que permitirá desenvolver o seu espírito crítico e fornecer-lhe as ferramentas que lhe possibilitarão encarar a vida de uma forma autónoma e responsável, desenvolvendo-lhe a capacidade para ter opinião própria, de tomar decisões por si mesmo, fugindo ao estereótipo que, todos os dias, lhe é transmitido das mais variadas formas, e que não pretendem mais do que formatar o jovem num adulto obediente e seguidor cego de princípios que, na maior parte dos casos, são, no mínimo, questionáveis.

Esta mensagem mais ou menos subliminar, só pode ser combatida através de uma constante dialéctica em que tudo e todos são questionados, de forma a desenvolver um jovem adulto consciente do seu papel de cidadão activo e não um mero passivo que, acriticamente, assimila o que lhe é transmitido e exigido pela sociedade maioritária em que vive.

Formar cidadãos deverá ser o maior desígnio de uma escola e, o teatro e a cultura, são os veículos essenciais para atingir essa meta. Não uma meta estatística e efémera, mas uma meta que deixa a sua marca de água, que não se preocupa em ultrapassar etapas, mas sim em fazer chegar, com qualidade, o maior número possível de jovens a atingir uma maturidade que deverá estar ao alcance de todos. Sabemos que estas metas não se alcançam por decreto, mas sim com o empenho de toda a escola, da nossa escola.

Não restam dúvidas de proporcionar aos jovens em formação experiências que, com maior ou menor grau de consciencialização, sejam ricas em significados, que aguçam o espírito crítico, que obrigam a tomadas de posição e a escolhas que vão desenvolver o carácter e formar cidadãos verdadeiramente empenhados e responsáveis.

O TEATRANDO 2011 é o primeiro evento de muitos, que pretende ir mais além da simples partilha, que os grupos fazem do trabalho desenvolvido nos seus ambientes próprios.

O TEATRANDO convida os grupos de teatro escolar participantes (alunos e professores que os orientam) a revelarem os seus projectos, mas também os convida, durante três dias, a trabalharem em conjunto em novas experiências, devidamente enquadradas por profissionais de teatro e dinamizadores culturais.

VIVAS AO TEATRO FEITO NA ESCOLA!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ADD

Sou Professor e defendo a existência de uma avaliação do desempenho docente, não o modelo de avaliação que nos tem sido imposto nos últimos anos, mas um modelo novo, feito com os professores e cuja finalidade seja a melhoria do desempenho docente e não, tal como acontece agora, um modelo cujo único objectivo é economicistas e que joga, de forma suja, com a ignorância das pessoas, numa tentativa de virar a pinião pública contra os professores, acusando-os de corporativistas e elitistas que apenas pretendem privilégios.

Já aqui escrevi muito sobre o modelo que defendo, ou pelo menos tentei dar alguma achegas para a criação de um modelo de avaliação docente justo e desburocratizado. Não, para já voltar a falar no assunto.

Hoje pretendo apenas denunciar o joguete político de que têm sido vítimas os professores, as escolas, os alunos e os encarregados de educação por causa de calendários político-partidários.

O PSD teve oportunidade, na altura certa, de rejeitar o modelo de avaliação docente ainda em vigor, mas não o fez. "Acordou" tarde, mas acordou, mas o que fez não passou de uma manobra político-partidária com fins eleitoralistas, porque quando o devia ter feito, não o fez. Não também não acreditamos nos cristãos-novos, nos convertidos de última hora.

A juntar a todo este imbróglio o Presidente da República fez aquilo que convinha ao PSD, mandou a revogação aprovada na Assembleia da República para o Tribunal Constitucional. Assim, caso este órgão venha a anular a decisão da Assembleia da República, prestará ao PSD o serviço que este partido pretende, isto é, aparecer como paladino da revogação do perverso diploma e podendo deitar as culpas da sua não revogação para o TC e, com esta manobra de malabarismo hipócrita lavar as suas mãos de todo este processo, pensando que, desta forma, conseguiu enganar mais alguns incautos.

A ajudar a todo este processo o PR, o homem dos tabus, parece ter justificado o envio daquele diploma, aprovado na AR,  para o TC com o argumento ridículo de que os Sindicatos não foram consultados.

Parece que este facto é verdadeiro, por isso era bom que jornalistas e, sobretudo os Sindicatos, denunciassem este facto caso ele seja, como tudo indica, verdadeiro.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 DE ABRIL, SEMPRE!!!


Não fiques indiferente àqueles que não fazem crescer um grão e esmagam o alecrim, se ficares indeferente quando acordares já estarás amordaçado.

REVOLTA-TE!!!

AS 25 HORAS DO 25 DE ABRIL
[Clicar aqui para ouvir]


Depois de clicar no link vai abrir uma nova janela. Para ouvir é necessário seguir as instruções da imagem abaixo.



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Soberania

O nosso País está cheio de Miguéis de Vasconcelos, isto é, colaboradores com as potências ocupantes, que abdicam da nossa própria soberania em defesa da sua duquesa de Mântua.

Que Governo é este? Que Presidente é este? Que oposição é esta?

Todos abdicam daquilo que tanto apregoam e, com transparência e clareza, mostram a sua verdadeira essência: falta de sentido de Estado, de patriotismo e abdicam da soberania nacional como quem muda de camisa. Este políticos carreiristas, que cresceram no interior dos respectivos partidos como cogumelos, ou tacanhos self made men, empenharam o País, destruíram o sector produtivo e entregaram-se ao capitalismo nacional e internacional, "negociando" empréstimos como se fossem pedintes sem coluna vertebral, que estão agora a pagar um favor que lhes foi feito. Agem  como se nós, ainda acreditássemos em entidades abstractas, em relação às quais nada podemos fazer.

Os culpados têm cara e nome, todos nós sabemos quem são, por isso não adianta esconder a cabeça na areia.

Tal como dizia Churchill, pode-se enganar muita gente durante muito tempo, mas não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo.

Onde estão os valores? Onde está o espírito do 25 de Abril? Onde está a cidadania?

Talvez o povo desperte um destes dias da sua letargia e finalmente perceba o logro para onde tem sido empurrado e, aí sim, se faça justiça aos Miguéis de Vasconcelos que pululam por aí  e lhes façam o que fizeram com o original: os defenestrem.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Filhos de Assassinos



Alguns excertos da estreia da peça "Filhos de Assassinos" de Katori Hall, produzida pelo TnE e encenada por Jaime Pacheco.

Apoios: AEC, CMV, Culturgest (Panos).
Local: Centro Cultural de Campo, Valongo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Crise segundo Albert Einstein


Não podemos querer que as coisas mudem, se fazemos sempre o mesmo. A crise é a maior bênção que pode acontecer às pessoas e aos países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo, sem ter sido superado.

Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções.

A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a dificuldade para encontrar as saídas e as soluções. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crises não há méritos. É na crise que aflora o melhor de cada um, porque sem crise todo vento é uma carícia. Falar da crise é promovê-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.

Albert Einstein

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quem paga o Jantar?


Eu quero lá saber que sejam os finlandeses, os alemães, os franceses, ou outros a pagar o jantar, eu quero é que não sejam os  Portugueses a pagar as jantaradas da casta política, sejam senadores ou tribunos, que nos têm desgovernado nos últimos 30 anos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Novo-riquismo


Portugal é o país do novo-riquismo.

Novos ricos, parolos, filhos do papá, chicos espertos, carapaus de corrida, enfim a fauna habitual de oportunistas.

O novo-rico fica deslumbrado com o dinheiro que lhe caiu do céu, ou cuja "esperteza" lhe permitiu ganhar, de um dia para o outro.

Com tanta facilidade para quê prevenir o futuro? Temos muito, temos tudo, há que gastar à fartazana e mostrar aos outros que nós, sim nós, somos ricos. Pois, mas falta-nos a cultura, a inteligência para perceber que o que se ganhou, mesmo sem saber muito bem como, ou até sabendo demasiado bem, se não for devidamente aplicado esgota-se.

O novo-rico não sabe, o novo-rico nunca leu a história e depois, bem depois, há que arranjar milhões de desculpas:

"Não fui eu, não fui eu... foi o outro, foi o que esteve antes de mim. Mas não faz mal, que o que esteve antes mim vai voltar e ainda fazer pior. É assim que nós somos, ora agora ganho eu, ora depois ganhas tu. Tudo vai rolando na paz do senhor, pois o zé-povinho, com a educação que lhe damos, nunca vai perceber nada e, os que percebem, são uns radicais. Ninguém lhes presta atenção. Sim, porque isso de radicalismos esgota-se no futebol. Bem, também há alguns que percebem, mas esses estão connosco, julgam que se aproveitam de nós, mas na realidade nós é nos servimos deles."

  • ATÉ QUANDO?
  • ATÉ QUANDO TU QUISERES!...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Filhos de Assassinos



Filhos de Assassinos
 
1. Ficha Técnica


Texto: Katori Hall
Tradução: Francisco Frazão
Produção: TnE-teatronaescola
Encenação e direcção de actores: Álvaro Jaime Pacheco
Assistência de encenação: Mário Rietsch Monteiro
Sonoplastia: Álvaro Jaime Pacheco e Mário Rietsch Monteiro
Cenografia, adereços e figurinos: Álvaro Jaime Pacheco
Desenho de luz: Álvaro Jaime Pacheco
Interpretação: Nuno Medeiros (Vincent e Vincent pai); Ana Migueis (Bosco); Bruna Campos (Bosco); Sofia Silva (Bosco); Ana Sampaio (Emmanuel); Filipa Sousa (Ésperance); Inês Lopes (Vincent); Jonathan Amadeu (Innocent); Catarina Rocha (Gahahamuka); Joana Almeida (Gahahamuka); Beatriz Alves (Félicitè); Vanessa Seixas (Mamã); Joana Moreira (Ésperance); Filipa Paiva (Vincent); Ana Moreira (Gahahamuka); José Rodrigues (Gahahamuka); e Raquel Monteiro (Gahahamuka)
Desenho de máscaras: Lígia Almeida
Operação de luz e som: José Ricardo
Imagem: Sérgio Alves
Execução de dispositivos cénicos: LCMM Carpintaria e Marcenaria, Lda, e METALVA Soc. de Construções Metálicas de Valongo, Lda
Execução de figurinos: O Cantinho da Costura
Sinopse: O presidente do Ruanda está a libertar os assassinos. Anos depois do genocídio tutsi, os perpetradores começam a regressar ao campo a conta-gotas, de volta às suas aldeias. Três amigos – nascidos durante o rescaldo sangrento do genocídio – preparam-se para conhecer os homens que lhes deram vida. Mas à medida que o dia do regresso se aproxima os rapazes são assombrados pelos crimes dos pais.
Quem nos podemos tornar quando a violência é a nossa herança?

“Filhos de Assassinos” foi escrita por Katori Hall para ser estreada pelos grupos de teatro escolar e juvenil que integram a iniciativa PANOS promovida pela Culturgest em parceria com o programa Connections do National Theatre of London.

Data: 15 e 16 de Abril
Hora: 21:30
Local: Centro Cultural de Campo
Entrada: 1 Eur*

*A receita de bilheteira destina-se ao financiamento do próprio espectáculo.


2. Sobre o TnE-teatronaescola

O TnE-teatronaescola é uma estrutura do Agrupamento de Escola de Campo que desde 2005 tem vindo, de uma forma regular e sistemática, a promover a prática teatral com alunos do 2º e 3º ciclo de escolaridade. Desde peças originais a adaptações, entre apresentações mais tradicionais e espectáculos mais experimentalistas, o TnE já conta, nestes seis anos de existência, com 21 produções e mais de 40 apresentações públicas dos seus trabalhos.
O público-alvo do TnE tem sido a comunidade escolar e local. Com “Filhos de Assassinos”, o TnE expõem-se pela primeira vez a um público diferente procurando com esta experiência adquirir mais conhecimentos, alargar os seus horizontes e principalmente, facultar aos actores que formam o grupo, experiências únicas e formativamente significativas.


Apoios:

- Agrupamento de Escolas de Campo



- Câmara Municipal de Valongo



- Culturgest /Panos 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Ditadura dos Mercados



Afinal quem são os mercados? Qual é o poder democrático que os controla?

Chega de chantagens. Estamos fartos que os partidos do poder nos chantagiem.

É hora de acordarmos para a realidade e exigir uma mudança efectiva de política, pois é nos momentos de crise que surgem as ideias capazes de mudar o rumo dos acontecimentos.

A vítima desta política não é o Sócrates, nem o salvador é o Passos Coelho, também já não acredito que a solução esteja nos partidos do sistema, a solução está nas nossas mãos e na criatividade que fomos capazes de gerar.

Apenas tenho uma certeza, o capitalismo não é solução.

terça-feira, 22 de março de 2011

Indignação


Mais uma vez um grupo de energúmenos lançou pedras sobre um autocarro que transportava uma equipa de futebol, neste caso o SLB.

Como cidadão e portista sinto-me indignado por tais atitudes. Não gosto de bufos mas, nesta situação, era bom que quem sabe quem foi o responsável (ou responsáveis) por tais actos tivesse a coragem de os denunciar.

Já chega de irresponsabilidade e cobardia. Estou farto da coragem dos cobardes. Estou farto do fanatismo que gera o fenómeno desportivo e em particular o futebol.

Continuo a gostar de futebol, mas somente do que se passa dentro das quatro linhas, estou blindado a todo o tipo de discussões que se produzem ao longo da semana e não dou um tostão para alimentar este tipo de terrorismo.

Apelo às autoridades e aos tribunais para que prendam e julguem exemplarmente estes indivíduos (talvez fosse mais apropriado designá-los por coisas), mas que também não deixem escapar aqueles que incitam a este tipo de acções, que são vários e de vários quadrantes (não há pessoas inocentes, nem Pilatos que possam lavar as mãos).

O fanatismo é algo que tira capacidade de raciocínio. Para mim é incompreensível que o fanatismo do futebol possa conduzir a actos tresloucados e criminosos, mas que a realidade sócio-económica que vivemos não seja capaz de levar as pessoas à revolta.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Paradoxo da Ilusão



Ao olhar para a actual crise nacional e internacional vem-me à memória a polícia judaica do gueto de Varsóvia e dos campos de concentração nazis.

No meio da humilhação e do desespero, uns quantos sem escrúpulos, reprimiam e abusavam dos seus irmãos, simplesmente para agradar aos senhores da guerra, os nazis, e tiravam, oportunisticamente, proveito próprio com a desgraça dos seus irmãos.

Hoje a Humanidade continua de olhos fechados para a realidade, não compreendendo o embuste que os donos do mundo lhe arma.

A ilusão de democracia, a sofisticação da ilusão de democracia, enche de remela os olhos das pessoas. O Povo deixa-se adormecer e acredita que os sacrifícios que lhe impõem são um mal necessário para ultrapassar a situação presente.

O Povo não vê que não são os políticos, que julga escolher como seus governantes, que ditam as leis, mas sim um poder obscuro, que não é julgado nem responsabilizado por ninguém e a que, eufemisticamente chamam de mercado, que controla o Mundo.

É este poder anti-democrático e ditatorial que está a mexer os cordelinhos dos fantoches a que chamam políticos, os quais não são mais do que testas-de-ferro daqueles, mesmo que algumas vezes nem tenham consciência disso mesmo.

Até quando?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

12 de Março


O próximo dia 12 de Março pode ser aquele em os Portugueses poderão vislumbrar uma luz ao fundo do túnel, para tanto basta que sejam cidadãos, pois é altura de deixar o comodismo, não ter medo de assumir posições e dizer:

B A S T A !

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Como És?



Já passaste por muito na vida. Já sofreste, já amaste, já choraste e sorriste, já gritaste e desejaste gritar, já lutaste e deixaste lutas para trás. És um lutador e sabes que na vida tudo se consegue de cabeça erguida . Sabes que para alcançares a meta é preciso torcer os dois pés; sabes que há gente mesquinha mas também existem boas pessoas. Amas com tudo o que tens e contigo é sempre para durar. Continua assim, mesmo naqueles momentos em que parece que o Mundo caiu em cima de ti.

Fonte: Facebook Quiz

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Dia da Libertação


Quantas vezes olhamos para o prisioneiro, o prisioneiro de ideias, de palavras, de amor... e perguntamos: Porque não te libertas?

Ao que ele nos responde: Para me libertar tenho de ter consciência de que sou prisioneiro.

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A verdade é que nem sempre é fácil a percepção de que se é prisioneiro pois, na maior parte dos casos, o carcereiro faz-te pensar que o prisioneiro é ele. Ele, o carcereiro, deu-te tudo, deu-te uma casa, deu-te um lar, deu-te um filho, deu-te amor, e tu? O que lhe deste tu?

O carcereiro alguma vez te amou para além de palavras ocas pronunciadas em momentos de ocasião? O carcereiro alguma vez te deu ouvidos simplesmente para te ouvir e não para que concordasses com ele? O carcereiro alguma vez te deu uma palavra quando tu mais precisavas?

O carcereiro urdiu uma teia, juntamente com os seus apaniguados. Uma teia que te amordaçou, uma teia que te secou as ideias, uma teia que te fez sentir carcereiro do teu carcereiro.

Faz hoje anos que iniciaste a tua luta pela libertação. Foi dura e difícil a libertação, também por isso tem muito mais valor. Inicialmente nem tiveste consciência disso. Não tinhas consciência de que te encontravas aprisionado, num mundo e num modelo que não era o teu. Achavas que o amor quebraria todas as barreiras. Estavas enganado e confuso com as tuas próprias ideias. Acreditaste quando te disseram "Amo-te" que isso era mesmo verdadeiro. Pior, o teu carcereiro também acreditou.

Entraste em desespero e cometeste loucuras porque amavas. Quase destruíste a tua vida. Quase te auto-destruíste. Por quê? Para quê?

Não venceste o desespero e a angústia sozinho, alguém colheu a flor do seu jardim e cuidou de ti. E tu? Sim tu o que fizeste? ganhaste asas de novo e partiste. Partiste para voar. Sim para voar.

Eras prisioneiro e libertaste-te, não te tornes agora carcereiro.

Voa, mas não esqueças nunca os que te deram asas, aqueles que te amaram pelo que eras, e és, e não pelo que gostariam que fosses, alguém amorfo e dócil, incapaz de ter vontade própria e que deveria sempre sujeitar-se à vontade do seu carcereiro.

Por fim agradece ao teu carcereiro, pois foi ele que, cansado de te aturar, cansado de te ter por prisioneiro, te lançou para a sarjeta, pensado que te irias afundar, enganou-se, por isso lhe deves agradecer, pois foi ele que fez despertar em ti a consciência de que eras seu prisioneiro e isso deu-te a força suficiente para lutar pela tua libertação.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

TEATRANDO 2011


CLICAR PARA AMPLIAR

  • Peça 1 – “Filhos de Assassinos”, de Katori Hall, pelo TnE-teatronaescola (Escola EB2,3 Pde. Américo - Campo)
  • Peça 2 – “Todos os Rapazes são Gatos”, de Álvaro Magalhães, pelo Grupo de Teatro da Escola EB 2,3 de Sobrado
  • Peça 3 - “A Birra do Morto - Farsa Trágica”, de Vicente Sanches, pelo Grupo de Teatro da Escola Secundária de Rio Tinto

O TEATRANDO 2011, Encontro Internacional de Teatro Escolar, organizado pelos Agrupamentos de Escolas de Campo e Sobrado, realizar-se-á no Centro Cultural de Campo (Valongo) nos dias 6, 7 e 8 de Maio de 2011 de acordo com o Programa acima divulgado.

A edição do TEATRANDO deste ano não terá carácter internacional porque a escola galega convidada a participar não poderá estar presente.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

IT Girl & PC Man Valentine's Day

EPISÓDIO 4


IT Girl e PC Man vão jantar a um restaurante grego para comemorar o Valentine´s Day, aquele dia que a populaça designa por Dia dos Namorados.

Depois de um jantar romântico onde provaram iguarias afrodisíacas, bem regadas com "Ice Tea" e "Pepsi Cola", para condizer com os seus próprios nomes.

PC endireita-se na cadeira e olha fixamente para IT.

Com o olhar brilhante, aconchega as mão de IT com as suas, de forma decidida e forte, deixando transparecer todo o amor que dentro dele sente ao mesmo tempo que o faz fluir naquele aperto de mãos. Não resistindo à sedução do olhar de PC e à torrente que sente penetrar em si, IT verte uma lágrima, que lhe escorre pela face, e assume uma postura lânguida. Está com os sentidos e as emoções ao rubro.

Depois de um breve momento de silêncio, em que ambos ficam mudos pelo sublime êxtase que estão a viver, PC, com a garganta ainda meia a tremer diz:

PCM: Darling I'm so in love. I love you so much...

ITG: I love you too...

PCM: I love you too twice...

ITG: I love you twice too...

PCM: ??????

ITC: Sim, querido, eu amo-te no dobro em que tu me amas. Sabes, quando ficamos assim envolvidos, confundo as palavras todas e fico tão tonta que até esqueço o inglês. Fico naquela: you are here, you are eating.

PCM: I hope so honey.

ITG: Não sejas grosseiro "P"!

PCM: Ok, ok, estava só a fazer blague.

ITG: Tu e os teus francesismos. Nunca percebi porque gostas tanto dessa língua de idiotas.

PCM: Prontos querida, hoje não uso mais o francês.

ITG: Nice. Mas voltemos ao estado em que estávamos, porque eu estava toda derretidinha.

PCM: Today is our first Valentin's Day and I will need to say something to you that you'll never forget.

ITC: But I will never ever forget you, my darling.

PCM: So, I will go side by side with you... from dawn till the sunset!

ITC: Oh my God. I really love you my sweet dream. Sabes, eu tinha colocado num pedestal um demónio, mas agora sei que no meu pedestal está um santo.

Levantam-se. Pagam a conta.

Imaginam-se numa qualquer ilha grega ou, em alternativa, em Cuba, onde IT tinha prometido levar PC, mas num SPA de luxo, longe dos horrores da pobreza. Olham-se nos olhos como se estivessem num paraíso em que o Mundo, aquele que nós sabemos que é real, tivesse deixado de existir por artes mágicas e, em vez dele, tivesse sido criado um novo e idílico Mundo, só para sublinhar aquele momento de sublimação etérea que ambos partilhavam.

Apaixonados e de corpos bem colados um ao outro, dirigem-se para a porta de saída como se caminhassem rumo ao Pôr-do-Sol.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Haja Esperança



Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes, quando:
  • OS SÓCRATES, FOREM APENAS FILÓSOFOS
  • OS ALEGRES, APENAS CRIANÇAS
  • OS CAVACOS, APENAS INSTRUMENTOS MUSICAIS
  • OS SOARES, APENAS GASES
  • OS PASSOS, APENAS OS DE DANÇA
  • OS COELHOS, APENAS AS DA PLAYBOY
Até lá, paciência, muita paciência...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Saída Nocturna - IT e PC vão ao Baile

EPISÓDIO 3


PC Man e IT Girl saem juntos de casa. Vão encontrar-se com Dona Laranjina e o Sr. Águas das Pedras, para uma noite de divertimento, numa danceteria da moda.

PC Man abre a porta do carro para que IT Girl ocupe o seu lugar. Deixa-a passar e fecha a porta delicadamente, atirando um beijo pela janela. Contorna o carro pelas traseiras, abre a sua porta e faz um esforço para entrar, pois, devido à sua elevada estatura, tem alguma dificuldade em entrar.

Senta-se.

Liga a ignição do carro para a desligar logo de seguida.

Olha pelo espelho retrovisor que ajusta com cuidado.

Volta a abrir a porta e sai.

Contorna o carro lentamente e verifica a distância entre o seu carro e os que estão atrás e à frente.

Coça a farta cabeleira.

Volta a entrar, revelando de novo dificuldade.

Sem uma palavra, beija a face de IT Girl, que se mantém em silêncio e vai ao porta-luvas de onde retira um papel e uma caneta.

Faz um esquema onde calcula o número de manobras que terá de fazer para retirar o seu carro do estacionamento.

Volta a sair do carro, agora com o esquema na mão, verificando se o seu cálculo bate certo com a realidade.

Fazendo um gesto de concordância com a cabeça volta a entrar no carro, mais uma vez manifestando alguma dificuldade.

Liga a ignição e põe o carro a trabalhar.

Espera três ou quatro minutos até achar que o motor está suficientemente quente para iniciar a manobra.

Depois de sete ou oito manobras arriscadas, lá consegue retirar o carro do estacionamento, seguindo estrada fora a velocidade reduzida.

IT Girl suspira.

PC Man - Porque suspiras, darling?

IT Girl - Nada, nada my sweet love.

PC Man - Não, se suspiraste é porque tens alguma razão. Estás maldisposta “T”?

IT Girl - Não! Bem, é que… eu estava habituada a coisas mais rápidas…

PC Man - Mas, my love, you know, eu sou muito meticuloso!!!!

IT Girl - Sim… Sim… Não tem problema. Sabes, depressa e bem há pouco quem. Mas contigo é diferente. Tu és muito cuidadoso, fazes tudo by the book, por isso eu sinto-me muito mais segura e tranquila, dificilmente terei qualquer surpresa menos agradável contigo, my love. Look, vamos primeiro buscar a Laranjina e depois o Pedras.

PC Man - Ok, sweetie. A que danceteria vamos? Espero que a estrada não tenha muitas curvas.

IT Girl - Vamos a uma famosa aqui dos arredores. A “Abana o Kapa Sete”, my little bear. Não te preocupes com a estrada, nós sabemos que tu com as curvas ficas um pouco sea sick, por isso escolhemos um caminho só com vias rápidas para que tu possas ir devagar e quase sem curvas, pelo menos não tem curvas acentuadas.

PC Man - Thanks my darling, assim sinto-me muito melhor. Não há dúvida que te preocupas comigo, é por isso que I love you so much.

Chegam a casa de Laranjina. IT Girl faz-lhe uma chamada através do telemóvel.

IT Girl - Laranjina? Já chegamos. Desce depressa, porque ainda temos de ir buscar o Pedras.

Após breves minutos chega Laranjina. Como o carro só tem portas à frente, PC Man sai do seu lugar e deixa entrar Laranjina para o banco traseiro, depois de terem trocado um beijo de cumprimento.

PC retoma o seu lugar ao volante manifestando, mais uma vez, alguma dificuldade em entrar.

LaranjinaBora lá buscar o Pedras. Estou aqui que nem posso.

PC Man – Vamos lá, mas sossega um pouco, porque não quero gripar o motor ao carro.

IT Girl – Vá lá “P”, senão nem amanhã vamos dançar.

Depois de algumas referências ao atraso e já meio irritado, lá arranca PC Man rumo à casa do Pedras depois de mais um compasso de espera para o PC verificar, novamente, a comutação de luzes dos faróis!!!

E, for fim, por volta das três da manhã, chegam à tão afamada dancetaria de ritmos calientes. Pedras é o rei da festa, pois é conhecido de todas e, sobretudo, invejado por todos. No entanto, nessa noite apenas prestou atenção à sua Laranjina, embora tenha piscado, aqui e ali, o olhito malandro a uma ou outra conhecida, fazendo-lhes gestos com a mão por trás das costas de Laranjina, como que dizendo: “Tenham calma gatinhas, porque há mais marés do que marinheiros!

PC Man, mais comedido, e IT Girl mostraram que dominavam bem a arte da dança. Mesmo assim, IT precisou de, uma vez ou outra, acelerar o passo de PC, pois este tinha uma certa tendência para abrandar o ritmo, sobretudo sempre que os dois corpos se colavam mais um pouquinho.

PC Man e IT Girl chegaram a casa por volta das oito da manhã, depois de distribuírem o Pedras e a Laranjina pelas respectivas casas. Os 20 km do percurso de regresso demoraram cerca de hora e meia a ser percorridos!

Felizmente era sábado de manhã e ainda não havia trânsito!

Estado de Direito? Ou o Estado a que isto Chegou?



"Nos arredores de Lisboa, Augusta, que teria hoje 96 anos, morreu sem ninguém dar por nada. Nem família, nem amigos, nem serviços públicos. Uma vizinha, apenas ela, bateu a todas as portas que pôde, por estranhar a sua ausência. Da família, da GNR, de todos, apenas a indiferença. Nem a segurança social, nem os serviços de saúde. Ninguém. Era apenas uma velha num prédio de uns subúrbios. Passou oito anos a bater a portas. A burocracia impediu que alguém fizesse alguma coisa. A porta não podia ser arrombada. A GNR até gozou com a preocupação da vizinha. Coisas de velhos, terão pensado.

Mas Augusta, cidadã portuguesa, era também contribuinte. E aí deram por falta dela. Tinha uma dívida. Sem um único contacto, a frieza da máquina leiloou o seu apartamento. Quando os novos donos chegaram, a porta foi finalmente arrumada. E lá estava Augusta, morta no chão da cozinha. Tinha morrido há oito anos sem que ninguém tivesse dado ouvidos à vizinha.

O que impressiona, para além da solidão que permite que alguém morra sem que ninguém dê por nada, é que o mesmo Estado que dá pelo não pagamento de uma dívida ao fisco não dê, não queira dar, pelo desaparecimento de um ser humano. Que o contribuinte exista, mas o cidadão não. Que quem tinha a obrigação de pagar impostos tenha deixado de existir nos seus direitos. A metáfora é macabra. Mas é poderosa. Este Estado que não se esquece - não se deve esquecer - de nós quando é cobrador, mas para quem não existimos quando nos é devida alguma atenção.

Diz-se que só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. Parece que para o Estado português só a segunda parte é verdadeira."

Publicado no Expresso Online

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dona Larangina encontra IT Girl

EPISÓDIO 2

Num qualquer hiper centro comercial da moda, apinhado de gente, numa tarde cinzenta, vagueiam Dona Larangina e IT Girl em sentido convergente.

Ao entrar numa loja de langerie chocam uma com a outra.

Em simultâneo, gritam: MAS A SENHORA PENSA QUE EU SOU INVISÍVEL?

IT Girl - Ah, és tu Larangina! Ia tão distraída que nem te reconheci. Desculpa.

Larangina - "T", mas que prazer encontrar-te! Vinha mesmo a pensar em ti.

IT Girl - Então porquê?

Larangina - Espera, mas que coisa é essa que trazes pendurada ao pescoço?

IT Girl - Bem, se queres que te diga a verdade… é que eu já dei para todos os peditórios, por isso resolvi pedir para o meu próprio.

Larangina - ?????

IT Girl - Foi conselho do Pepsi. Em tempo de crise... e olha... pode ser que dê para compensar umas falhas e comprar uns chocolatitos para a depressão.

Larangina - Está bem, mas confesso que fiquei surpreendida ao ver essa caixa pendurada no teu pescoço. Mas qual é a justificação que dás para esse teu peditório?

IT Girl - É um peditório a favor de todas as mulheres maltratadas pelos actuais ou antigos namorados ou maridos.

Larangina - Bem se é essa a razão pega lá cem euritos para o teu peditório. Mas não te deixes abater. Um destes dias encontrei o Água das Pedras. Andava a queixar-se do frio, como sempre, mas sugeriu-me irmos, no próximo fim-de-semana, a uma danceteria. Claro que eu aceitei logo. Sabes como sou doida por um pezinho de dança! Porque não vens também? Ajudava-te a combater essa nuvem negra que anda por cima de ti. Aposto que o Binho Tinto andou novamente a fazer das dele. Deita isso para trás das costas e traz o PC contigo.

IT Girl - O portátil? Porque é que eu deveria de levar o portátil?

Larangina - Não querida, o Pepsi!

IT Girl - Ah! Olha que não é má ideia! Sempre dá para aumentar o astral e eu li no meu signo que este fim-de-semana precisava de sair e divertir-me para relançar o meu amor.

Larangina - Então querida, sejamos positivas e vamos lá abanar o capacete.

IT Girl - Combinado.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Educação do Nosso Descontentamento



Eu, Mário João Rietsch Monteiro, professor do Grupo de Recrutamento 400 (História – 3º Ciclo e Secundário) e do quadro do Agrupamento de Escolas de Campo, venho, desta forma, manifestar o meu desagrado pelo actual processo de Avaliação de Desempenho Docente, em particular, pela forma como é imposta a função de relator.

Não é minha intenção pedir escusa do cargo de relator, pois sei bem as consequências de tal acto, no entanto não posso deixar de manifestar a minha opinião relativamente ao processo de Avaliação de Desempenho Docente.

Não faz sentido esta, ou qualquer outra avaliação, no preciso momento em que a progressão na carreira foi suspensa sine die e o vencimentos da maioria dos docentes sofreu cortes significativos. É desta forma que se premeia o mérito?

Em minha convicção todos temos direito a manifestar a nossa opinião, por mais discordante que seja da maioria, pois discordar de opiniões é salutar e contribui para um alargamento de ideias, as quais poderão levar a encontrar soluções criativas para um processo burocrático e subjectivo, que não tem em conta o verdadeiro desempenho docente mas a compilação de evidências e a observação de um ou dois momentos de desempenho docente, sem que tal seja possível demonstrar que ocorre na generalidade das aulas dadas.

Discordar não é estar contra ninguém, mas sim contra alguma coisa. Já lá vai o tempo em alguém afirmava que “se não estás comigo, é porque estás contra mim”. A discordância é o princípio de uma dialéctica que conduzirá inevitavelmente a um diálogo construtivo em busca de soluções justas.

Discordo do processo de escolha dos relatores, imposto pela lei em vigor. Não escolhi, nem pretenda ser relator, nem sinto orgulho pela escolha, mas na realidade sou obrigado a cumprir uma função para a qual fui escolhido apenas pelo critério de antiguidade e para o qual não recebi qualquer formação específica, nem sinto qualquer apetência nem motivação, apenas a necessidade de cumprir uma tarefa a que sou obrigado, sem que sinta qualquer motivação para o fazer. Este processo de escolha dos relatores condena o livre-arbítrio e faz-me sentir como um prisioneiro de um sistema cada vez mais redutor do desempenho docente.

Não posso concordar com o facto de avaliado e avaliador concorrerem às mesmas quotas sem que estejam garantidos os princípios da isenção e de ausência de conflito de interesses. Deste modo irá haver, forçosamente, uma diminuição do trabalho cooperativo e colaborativo interpares e, consequentemente, aumentará a competição entre colegas do mesmo ofício sem que, objectivamente, tal traga qualquer benefício para o processo de ensino-aprendizagem ou para a qualidade do ensino.

Perante o exposto concluo que sou forçado a desempenhar um cargo, ou uma função, com a qual não concordo nem sinto qualquer motivação e que, por isso, a irei desempenhar de uma forma profissional, mas mecânica.

A Escola democrática morreu. Paz à sua alma.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Santa Liberdade



50 anos depois o Museu Nacional da Imprensa organiza uma exposição sobre o assalto ao Santa Maria.

Na inauguração do evento esteve presente Camilo Mortágua, adjunto do capitão Henrique Galvão, o qual prestou alguns esclarecimento sobre a tomada do Santa Maria a uma plateia interessada.

A bem da liberdade era bom que nunca mais fossemos obrigados a pegar em armas para combater a tirania.



Esta exposição, iniciada 50 anos depois do exacto dia (22 de Janeiro de 1961) em que se iniciou esta aventura que abalou as ditaduras salazarista e franquista, estará patente ao público, no Museu Nacional da Imprensa (Freixo, Porto) até ao próximo dia 30 de Junho.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais


PS, PSD, CDS e Governo elegeram o seu candidato.

Agora os salários não vão descer, o poder de compra dos Portugueses vai aumentar, o Serviço Nacional de Saúde vai funcionar como deve ser, a Escola Pública vai passar a formar cidadãos, o IVA vai baixar, o FMI não vai entrar em Portugal.

Obrigado e parabéns a todos os que votaram no Sr. Silva, agora sinto-me muito mais confortável e confiante no futuro.

Os Portugueses são masoquistas!