sábado, 15 de outubro de 2011

The Hollow Men



OS HOMENS OCOS (The Hollow Men), de T. S. Eliot, tradução de Ivan Junqueira

Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

II

Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

III

Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.

E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.

IV

Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos

Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio

Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.

V

Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada

Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

15 DE OUTUBRO


O Resumo do Movimento Zeitgeist


Caso este vídeo não esteja legendado, tem de clicar sobre CC e escolher a língua que desejar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

15 DE OUTUBRO 2011


Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Final Speech (Charlie Chaplin in The Great Dictator)


Se não visualizar as legendas (em inglês), passe o rato por cima do vídeo e clique em [CC] na barra inferior que aparece.


NOTA: O filme "O Grande Ditador" foi realizado por Charlie Chaplin em 1940, neste filme Charlie Chaplin desempenha dois personagens: o ditador e o barbeiro judeu. O vídeo acima apresenta-nos o discurso final de Chaplin, com recurso a imagens atuais, desta forma ainda se acentua mais a atualidade das palavras proferidas por Chaplin.


O Discurso

Ao final do filme, o personagem de Chaplin dá um belo discurso falando de direitos humanos no contexto da Segunda Guerra Mundial. Segue:

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos! (segue o estrondoso aplauso da multidão).

Então, dirige-se a Hannah :

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!."

domingo, 2 de outubro de 2011

Arbeit Macht Frei

Não há um único homem, ou mulher, decente que não deva reservar um momento da sua vida para mergulhar em Auschwitz.

Arbeit Macht Frei. "O Trabalho Liberta", era esta a frase que todos os deportados liam ao chegar a Auschwitz, era uma frase que abria ilusões, que fazia as pessoas pensar que estavam à porta de um mundo melhor, uma frase que criava ilusões e que abria as portas do sonho. estavam longe de perceber, os deportados para Auschwitz, ou para outro qualquer campo de concentração da Alemanha Nazi, que o trabalho, em vez de libertar, escravizava.

A ilusão, a santa ilusão, de que nós, simples humanos, de vida tão curta, nos iludimos que somos donos do nosso destino, que construímos a nossa vida, os nossos caminhos. Somos tão pequeninos e pensamos ser tão grandes.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Finalmente

Finalmente foi aprovada na Assembleia da República, por todos os partidos, mas com a excepção do PS, uma lei que criminaliza o enriquecimento ilícito privado com dinheiros públicos.

Parabéns!

Quanto ao PS mais uma vez dá um tiro no pé, até parece que o fantasma José Sócrates anda a controlar o cérebros dos deputados do PS.

Sem dúvida que a aprovação desta lei é um passo em frente rumo à transparência, mas não é decisivo, pois além da criminalização dos enriquecimentos ilícitos, também era fundamental que fossem responsabilizados e criminalizados os gestores públicos que desbaratam os dinheiros públicos. O julgamento político não chega, é necessário um julgamento criminal.

No entanto não basta aprovar leis, por mais justas que sejam, é necessário que estas possam ser efectivamente executadas. Aqui surge um problema grave ao qual os políticos submetidos ao grande capital, não têm coragem de aprovar: a existência de off shores.

É nestas off shores que é lavado o dinheiro do crime, seja ele a droga, seja ele o dos políticos corruptos ou do grande capital apátrida.

Ilegalizar os off shores é um esforço que se exige à comunidade mundial, mas aqui, Portugal pode dar o exemplo, ilegalizando o off shore da Madeira, onde, provavelmente, estará uma parte significativa do dinheiro do célebre buraco da Madeira.

Não posso afirmar que a conclusão anterior seja verdadeira, precisamente porque os off shores estão acima da lei, estão legalmente fora da lei. Quando se permite a existência de off shores no território nacional, quando existe um buraco orçamental monstruoso na Madeira e, provavelmente noutros locais, todas as especulações são possíveis e legítimas. Encerrar o off shore da Madeira não é uma solução milagrosa, pois o grande capital não tem pátria e, muito menos, escrúpulos, por isso caso fosse encerrado o da Madeira, colocariam o seu dinheiro sujo noutros off shores.

Num mundo tendencialmente globalizante, esta é uma luta global.

Quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Força das Ideias

Depois de falar da falta de coluna vertebral, é bom recordar aqueles que de facto deram tudo, abdicaram de tudo e arriscaram tudo para construir uma pátria que devia ser livre e verdadeira.

Um abraço aos companheiros Palma Inácio e Camilo Mortágua.



É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos

ATÉ SEMPRE COMPANHEIROS!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Demência Nacional


Este homem raia a demência. Este homem age de maneira impune. Este homem é um demagogo. Este homem é um oportunista.

Mas será que podemos deitar todas as culpas, todas as responsabilidades, àquele homem?

Eu acho que não!

Tão, ou mais, culpados da situação para que aquele homem está a arrastar o país, melhor, já arrastou, é a da casta política que tem "governado" este país nos últimos anos, desde os actuais PR e PM, passando por todos os anteriores, os quais cobardemente cedem sempre às exigências daquele homem, mesmo depois de serem frequentemente enxovalhados, amesquinhados e até insultados por ele.


Mais culpados do que quaisquer dos anteriores são os cidadãos portugueses, os quais continuam a dar voz a estes homens, embarcando no sistema e elegendo estes políticos.

É A DEMÊNCIA NACINAL!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Carta Aberta ao PR

Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva,

O meu nome é Catarina Patrício, sou licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, fiz Mestrado em Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou doutoranda em Ciências da Comunicação também pela FCSH-UNL, projecto de investigação "Dissuasão Visual: Arte, Cinema, Cronopolítica e Guerra em Directo" distinguido com uma bolsa de doutoramento individual da Fundação para a Ciência e Tecnologia. A convite do meu orientador, lecciono uma cadeira numa Universidade. Tenho 30 anos.

Não sinto qualquer orgulho na selecção de futebol nacional. Não fiquei tão pouco impressionada... O futebol é o actual opium do povo que a política subrepticiamente procura sempre exponenciar. A atribuição da condecoração de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique a jogadores de futebol nada tem que ver com "a visão de mundo" (weltanschauung) que Aquele português tinha. A conquista do povo português não é no relvado. Sinto orgulho no meu percurso, tenho trabalhado muito e só agora vejo alguns resultados. Como é que acha que me sinto quando vejo condecorado um jogador de futebol? Depois de tanto trabalho e investimento financeiro em estudos?!! Absolutamente indignada.

Sinto orgulho em muitos dos professores que tive, tanto no ensino secundário como no superior. Sinto orgulho em tantos pensadores e teóricos portugueses que Vossa Excelência deveria condecorar. Essas pessoas sim são brilhantes, são um bom exemplo para o país... fizeram-me e ainda fazem querer ser sempre melhor. Tenho orgulho nos meus jovens colegas de doutoramento pela sua persistência nos estudos, um caminho tortuoso cujos resultados jamais são imediatos, isto numa contemporaneidade que sublinha a imediaticidade. Tenho orgulho até em muitos dos meus alunos, que trabalham durante o dia e com afinco estudam à noite....

São tantos os portugueses a condecorar...

E o Senhor Presidente da República condecorou com a distinção de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique jogadores de futebol... e que alcançaram o segundo lugar... que exemplo são para a nação? Carros de luxo, vidas repletas de vaidades... que exemplo são?!

Apresento-lhe os meus melhores cumprimentos,

Catarina

domingo, 28 de agosto de 2011

D. Manuel Martins, antigo Bispo de Setúbal


Declarações de D. Manuel Martins, antigo Bispo de Setúbal, aos microfones da Antena1 em Junho de 2011.

«Vejo esta crise com muita apreensão, com muito desgosto, com alguma vergonha. Estou convicto que esta crise era evitável se à frente do país estivessem pessoas competentes, isentas, pessoas que não se considerassem responsáveis por clubes, mas que se considerassem responsáveis por todo um povo, cuja sorte depende muito deles. E fico muito irritado quando, por parte desses senhores, que nós escolhemos e a quem pagamos generosamente, vejo justificar que esta crise impensável por que estamos a passar, é resultante de uma crise mundial. Há pontas de verdade nesta justificação. Esta crise, embora agravada por situações internacionais, é uma crise que já podia ter sido debelada por nós há muito tempo, se nós não andássemos a estragar o dinheiro que precisávamos para o pão de cada dia.

(...) Estas situações, da maneira como estão a ser agravadas e, sobretudo, da maneira como estão a ser mal resolvidas, podem ser focos muito perigosos de um incêndio que em qualquer momento pode surgir e conduzir a uma confrontação e a uma desobediência civil generalizadas. 

(...) Mete-me uma raiva especial quando vejo o governo a justificar as suas políticas e as suas preocupações de manter e conservar e valorizar o estado social do país. Pois se há alguém que esteja a destruir o estado social do país, é o governo, com o que se passa a nível da saúde, a nível da educação, a nível da vida das famílias, dos impostos, dos remédios, mas que tem só atingido as pessoas menos capazes, enfim as pessoas que andam no chão, as pessoas que estão cada vez com mais dificuldades em viverem o dia-a-dia, precisamente por causa destas medidas do governo.»

D. Manuel Martins, antigo Bispo de Setúbal.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Diálogo de Surdos

Quando o "diálogo é de surdos" é porque já não existe comunicação possível.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Palavras Sábias para Ouvidos Moucos

Quem disse que não havia ricos esclarecidos e solidários?

Warren Buffett defendeu hoje uma subida dos impostos para os mais ricos, criticando a desigualdade na "partilha de sacrifícios". 

Num artigo de opinião no New York Times, o multimilionário norte-americano Warren Buffett criticou a classe política do país por considerar que a partilha de sacrifícios pedido à população tem sido profundamente injusta com as classes mais pobres.

"Os nossos líderes têm pedido que partilhemos os sacrifícios. No entanto, quando fizeram esse pedido, esqueceram-se de mim. Verifiquei com os meus amigos milionários para saber que sacrifícios lhes foram pedidos, mas também eles ficaram intactos", começa por escrever o Oráculo de Omaha, no artigo "Parem de mimar os super-ricos".

Buffett deu mesmo o exemplo dos seus rendimentos. "No último ano, a minha conta fiscal - o imposto sobre rendimentos que paguei, tal como os impostos sobre salários pagos por mim e em meu nome - era de 6.938.744 dólares. Parece ser muito dinheiro, mas apenas foi 17,4% dos meus rendimentos tributáveis - e, na verdade, é uma percentagem menor do que foi paga por qualquer uma das outras 20 pessoas do meu escritório. As suas taxas de impostos estavam entre 33% e 41%", revelou.

Nesse sentido, o célebre investidor diz que "é bom ter amigos em lugares altos" em Washington: "Dão-nos estas e outras bênçãos por se sentirem compelidos a proteger-nos, como se fossemos uma espécie em vias extinção."

"Enquanto as classes baixa e média lutam por nós no Afeganistão, e enquanto a maioria dos americanos luta para fazer face às despesas, nós, os mega ricos, continuamos a ter isenções fiscais extraordinárias", confessou.

Buffett termina então o seu artigo considerando que ele e os seus amigos têm sido "mimados por tempo suficiente por um congresso que é amigo dos multimilionários". "Agora é hora do governo levar a sério a partilha dos sacrifícios", pediu.

O "Buraco" da Madeira


A Madeira tem um buraco, mas Portugal é que se afunda.

Notícias recentes revelam que a Madeira tem um buraco orçamental de cerca de 280 milhões de euros, graças a endividamentos acima dos limites estabelecidos.

Esses limites foram estabelecidos por uma lei da República aprovada na Assembleia da República, no entanto o Presidente daquela região autónoma continua impune e acima da lei. Para tal refugia-se na insularidade e de forma truculenta e demagógica arrasta os cidadãos da Madeira para esta assimetria, perpetuando-se no poder à custa de benesses e um olhar para o lado por parte do Governo Central, de todos os Governos , não apenas deste último, porque a cobardia, em relação ao Governo da Madeira, tem sido apanágio de todos os Governos e inclusivamente dos Presidentes da República Portuguesa, incluindo o actual a quem Alberto João Jardim designou de Sr. Silva.

A insularidade é um facto, por isso compreende-se a concessão de certos benefícios, quer à Madeira, quer aos Açores, mas esses benefícios não justificam a falta de contributos para para o orçamento Nacional, sobretudo em período de grave crise económica como a que atravessamos hoje em dia.

Os impostos ficam nas regiões autónomas, cujos cidadãos pagam menos que os restantes, e ainda recebem avultadas transferências do Orçamento de estado muito superior às do resto do País.

Sim, a insularidade e as assimetrias são um facto, mas a falta de solidariedade Nacional também. Há outras regiões do País que padecem de um problema semelhante, a interioridade, mas nem por isso recebem qualquer compensação semelhante à que recebem as Regiões Autónomas.


Se existem assimetrias entre Continente e Regiões Autónomas, também existem entre Interior e Litoral, ou mesmo entre Norte e Sul, para já não falar na permanente macrocefalia da Capital.

Sem intenção de ser exaustivo lembro por exemplo a portagem nas ex-SCUT. Só o Litoral Norte paga portagens, o que tem contribuído para o definhar da economia local, a qual, por sua vez, se reflecte na recuperação económica do resto do País.

Voltando à Madeira, motivo central deste artigo, o seu Presidente comporta-se como um autêntico soba, chantageando os Madeirenses e os Portugueses. Quando a Madeira era, de facto, ostracizada e considerada uma coutada, isto é, antes do 25 de Abril, o que fez o truculento Jardim pela sua bela região? Nada, porque fazia parte da elite que apoiava o antigo regime. Aqueles que de facto lutavam pela autonomia foram ultrapassados pela demagogia.

O Sr. Jardim não é Madeirense, nem Português, é um oportunista. Durante o PREC andou conluiado com a FLAMA, defendia a independência da Madeira. Porquê? De onde lhe vinham os apoios económicos? Dos Estados Unidos.

Quer o nazismo alemão, quer o fascismo italiano chegaram ao poder por meios legais e democráticos, porque a democracia olhava para o lado. Na Madeira de Jardim a democracia também olha para o lado, mas para quê desmantelar a farsa de democracia se esta, ou melhor, os dirigentes nacionais, vivem com medo de afrontar o senhor da Madeira? Para quê mudar o regime de faz de conta, se este beneficia o seu chefe?

O Sr. Jardim que reivindique a independência, que exija um referendo. Eu cá por mim voto SIM.

domingo, 7 de agosto de 2011

O Inferno nas Escolas

Apesar de não partilhar totalmente com António José Saraiva na confiança que ele deposita no actual Ministro da Educação, Nuno Crato, no entanto, e para já, dou-lhe o benefício da dúvida. Apesar de não ser seguidor das concepções relativas à ciência da educação de Nuno Crato, espero que, como professor, consiga (desejo) independência em relação aos políticos, pois prefiro um conhecedor no ministério, mesmo que discordando dele, do que um comissário político.

depois deste prólogo segue-se o excelente e clarividente artigo de José António Saraiva.



1 de Agosto, 2011 por José António Saraiva

Um dia, o Henrique Monteiro, que na altura era meu subdirector e responsável pela revista do Expresso, disse-me que tinha um novo colaborador na área da Ciência. «Chama-se Nuno Crato», concretizou, nome que não me dizia absolutamente nada. E acrescentou que o homem regressara há pouco do estrangeiro e lhe parecia uma pessoa particularmente interessante e culta.

A partir daí ele começou a escrever uma crónica semanal, que confirmava todos os elogios que lhe tinham sido feitos. Eram textos frescos, ao mesmo tempo didácticos, consistentes e imaginativos – qualidades que é muito raro coexistirem numa mesma rubrica.

Mais tarde vi-o na televisão, julgo que na SIC, num programa que mantinha as mesmas características. Parecia um programazito de curiosidades, mas era um programa científico concebido de uma forma divertida.

Vi-o também em debates televisivos, onde se revelou um homem inteligente, sensato e com aderência à realidade. O oposto do burocrata.

Como se vê, tenho em muito boa conta a capacidade do novo ministro da Educação. Julgo que ele pode ter as ‘ideias certas’ para esta área. E ser capaz de encontrar soluções criativas para as pôr em prática.

Esta parte não é negligenciável. Não basta, de facto, fazer diagnósticos correctos. Havendo um salto enorme entre o diagnóstico e a solução, a criatividade (associada ao bom senso) é decisiva para pôr de pé estratégias novas que funcionem.

E o país precisa disso como do pão para a boca. Neste momento, o sector da Educação é certamente o mais difícil de todos. Se nas Finanças há um trabalho colossal a fazer, na Educação o trabalho é homérico. As histórias que se contam sobre a indisciplina nas escolas são arrepiantes. E não me refiro só àquelas que foram objecto de grande mediatização. Refiro-me às histórias corriqueiras, que acontecem a toda a hora. Como um professor mandar um aluno apanhar um papel que atirou para o chão e ouvir este responder: «Apanhe você!».

Pergunto a um professor experiente por que não se expulsam das escolas esses alunos indisciplinados, que acabam por inquinar o ambiente. Ele responde-me: «Porque a lei não permite que eles sejam expulsos do ensino público. Assim, se são expulsos de uma escola, vão criar problemas noutra. Ora não está correcto que, para nos livrarmos de um problema, o atiremos para cima dos colegas». Enfim, parece uma questão sem saída.

Há hoje professores que vivem aterrorizados, com medo dos alunos. E outros que desistiram do ensino porque não aguentavam mais. E outros que gostam de dar aulas nas prisões porque aí «ao menos há disciplina». O panorama é aterrador. A Educação tem sido desde o 25 de Abril um campo de experiências – e os resultados são catastróficos. A indisciplina atingiu níveis insuportáveis, a desmotivação dos professores alastrou assustadoramente, o nível de aprendizagem baixou.

É preciso dizer que se têm dado, no sector, muitos passos errados.

O anterior Governo tentou pôr em prática um novo método de avaliação dos professores – e muita gente, da esquerda à direita, apoiou a iniciativa. Criticaram-se os professores por não quererem ser avaliados. Quase todos os opinion makers alinharam neste coro.

Ora, a maior parte das pessoas em Portugal tem vistas curtas, pouco vendo para lá da ponta do nariz. Numa observação superficial, o objectivo de avaliar os professores era bom: se todas as pessoas são avaliadas, por que razão os professores não haviam de ser?

Sucede que essa avaliação introduzia no sistema educativo uma perversão que ninguém viu: punha os professores em cheque, questionava subtilmente a sua competência, atirando assim para cima deles parte das responsabilidades pelo fracasso do ensino. E, last but not least, retirava na prática autoridade aos professores, mostrando que o Governo não os apoiava.

Ora a prioridade no ensino neste momento não é avaliar os professores – é avaliar convenientemente os alunos. Aí é que bate o ponto. E associado a este objectivo, há outro: fazer regressar a disciplina às escolas. Não há ensino, não há aproveitamento, em suma, não há escola, sem disciplina.

Os meus filhos andaram sempre no ensino oficial: na escola primária oficial, no liceu do Estado, na universidade pública. Assim, posso dizer que gastei muito pouco dinheiro com as formaturas deles. Ora hoje vejo pessoas, mesmo modestas, a porem os filhos nas escolas privadas. Quando lhes pergunto porquê, espantam-se e respondem: «Eu não ficava descansado se o meu filho andasse na escola pública».

Há duas gerações, a situação era a oposta: os melhores alunos eram os dos liceus do Estado – sendo os das escolas privadas vistos como cábulas que nunca passariam de ano se andassem no liceu público.

E esta quase obrigatoriedade de ter hoje os filhos em colégios privados tem enormes consequências sociais. Como educar os filhos passou a ser muito caro, as pessoas evitam tê-los. «Um chega muito bem», é o que se ouve dizer. E cada vez há menos crianças. A nossa sociedade envelhece.

Roberto Carneiro, que foi ministro da Educação há 20 anos e é um homem muito capaz, levou a cabo uma mudança que se revelaria decisiva: chamou as famílias às escolas. Os pais foram convidados a participar mais activamente na vida da escola dos filhos, o que parecia um bom e lógico objectivo. Mas o resultado foi desastroso. A maior parte dos pais vai à escola apenas para defender os seus filhotes, mesmo quando estes fazem as piores patifarias. Poucos pais se mostram interessados em melhorar o ensino; a sua principal preocupação é defender egoisticamente os filhos, queixando-se muitas vezes de professores ou de colegas.

A entrada dos pais na escola, em vez de contribuir para a solução, contribuiu para ampliar o problema.

Indisciplina generalizada, dificuldade de castigar os prevaricadores, desautorização dos professores, envolvimento da família na vida das escolas – tudo isto forma um cocktail explosivo muito difícil de enfrentar.

Confio, porém, neste ministro.

Confio na sua capacidade para perceber o actual estado de coisas, para fazer um diagnóstico correcto, para detectar os pontos fracos, para encontrar soluções que sejam simultaneamente sensatas e criativas.

Eu sei que não basta isto. Depois há a máquina. A pesadíssima máquina do Ministério da Educação contra a qual esbarraram muito boas intenções. Ouvi pessoalmente queixas de António Brotas, de José Augusto Seabra, de Diamantino Durão, de Marçal Grilo, de Oliveira Martins, do próprio Roberto Carneiro, ao peso da burocracia daquele ministério.

Mas, mesmo assim, continuo a confiar em Nuno Crato. Acredito que seja capaz de romper este ciclo infernal. E tenho um palpite: se ele não conseguir, muito dificilmente outro conseguirá. E aí será a catástrofe.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eu

Não acredito!
Não sei!

Quem acredita,
que me ensine a acreditar.
Quem sabe,
que me ensine a saber.

Não quero acreditar.
Não quero saber.
Prefiro duvidar!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Resultados dos Exames Nacionais (9º Ano)

Foram hoje tornados públicos os resultados dos Exames Nacionais de Língua Portuguesa e Matemática do 9º Ano de Escolaridade.

Os resultados são assustadores: Língua Portuguesa 44% de níveis inferiores a 3; Matemática 58% de níveis inferiores a 3, sendo que 18% obtiveram nível 1, isto é, não conseguiram ultrapassar os 19% numa escala de 0 a 100%.

Analisei ambas as provas e, na minha opinião, nenhum deles apresenta um grau de dificuldade elevado. Se na Língua Portuguesa era essencial a concentração dos alunos e a leitura integral dos textos e perguntas, pois uma percentagem elevada das questões eram de âmbito interpretativo, na matemática o acento tónico era a interpretação e o raciocínio, não exigindo cálculos muito complexos.

Nos últimos anos temos vindo a observar que a situação tem piorado, mas este ano os resultados são assustadores. Os alunos que agora terminam o 9º ano, estavam no 7º ano quando foi nomeada para Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues. Costumo afirmar, em tom irónico, que estes alunos fazem parte da geração marilú. A verdade é que a situação se já não era boa antes da famigerada ministra, piorou, e de que maneira, com as reformas que a ministra de má memória tentou implementar na política educativa.

Como é possível alcançar sucesso escolar, quando as reformas introduzidas não passam da diabolização do professor, estigmatizando-o e responsabilizando-o integralmente pelo o insucesso dos seus alunos. Criou o caos nas escolas bem de acordo com a doutrina do choque tão cara aos neo-liberais. Fez cavalo de batalha, até muito tarde, do princípio de que o sucesso escolar dos alunos seria factor determinante na avaliação do desempenho docente (de forma acrítica e redutora).

A ministra que a substituiu, a ministra pseudónimo, continuou, nas suas linhas gerais a aventura da política educativa anterior, acrescentando-lhe confusão e acentuando o carácter arbitrário e subjectivo do processo de avaliação docente.

Quanto ao actual ministro, Nuno Crato, apesar de se encontrar ainda em estado de graça, não se pode esperar grandes alterações. É, tal como os anteriores, um neo-liberal, portanto adepto da doutrina do choque. A ideia de fazer implodir o ministério não passou de um fait diver, numa altura em que era politicamente correcto dizer mal do Ministério da Educação, mesmo que duma forma acrítica. Neste sentido insere-se também a tentativa do actual partido do Governo, o PSD, fazer uma tentativa de, em final de legislatura, pôr fim ao actual modelo de processo de avaliação do desempenho. Não que esta atitude fosse incorrecta, mas porque não rejeitou este modelo na altura própria, nem faz qualquer tentativa de, na actual legislatura, reverter este processo absurdo. Os professores não recusam a avaliação, mas sim a forma como está estruturado o actual modelo de avaliação. Só se deixa enganar quem quer.

O que se pode esperar de uma escola onde os professores se desdobram em actividades de enriquecimento curricular, muitas vezes como forma de disfarçar ou mascarar o insucesso, muitas vezes mais movidos pelo medo, sobretudo os professores contratados, em vez de investir, a escola e as políticas educativas, no que se passa dentro da sala de aula; duma escola em que se responsabiliza o professor, quase integralmente, pelo sucesso/insucesso dos alunos e se desresponsabilizam os encarregados de educação e os próprios alunos; duma política educativa em que se dão todas as condições à escola privada e se deixa degradar a escola pública, com a falácia da livre escolha; duma escola em que o principal objectivo é o sucesso dos alunos sem exigir rigor nas aprendizagens e responsabilização de pais, encarregados de educação e dos próprios alunos. Sim, o que se pode esperar desta escola?

O que dizer de uma escola que aposta na penalização dos professores, em vez de apostar na sua formação?

Quando o ministério pretende resultados deve lembrar-se que também é agente da transformação e para isso deve proporcionar os meios e as condições para a melhoria do desempenho docente e, consequentemente do sucesso escolar.

Usa e abusa o ministério de dados estatísticos, não com o objectivo de ajudar os profissionais da educação a encontrar alternativas, mas sim com o objectivo de os acusar de todos os males do processo de ensino/aprendizagem. As estatísticas têm diversas leituras e são um meio auxiliar para encontrar soluções, não um fim em si mesmo, o qual tem servido ao Ministério da Educação para intoxicar e manipular a opinião pública.

Na escola actual vemos exemplificada a doutrina do choque dos neo-liberais, de Milton Friedman e da Escola de Chicago, aplicados à educação.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Doutrina do Choque


A Doutrina do Choque from Muito Aterrorizado on Vimeo.

Para ver, reflectir e agir!

Yes, We can do it!


Enviar para a Moodys através do site: http://www.dinkypage.com/moodusta

People first! Yes, we can do it! - ALF-Anti-Liberalism Front
(As pessoas primeiro! Sim, nós conseguimos fazê-lo! FAL-Frente Anti-Liberal)

domingo, 5 de junho de 2011

5 de Junho de 2011


Votei livre e conscientemente, por isso ganhei.

Não, não votei no partido vencedor, mas ganhei, porque a democracia ganha quando um cidadão tem a liberdade de fazer as suas opções de acordo com os seus próprios valores e o faz de forma livre, sem se sujeitar a pressões, nem a operações de marketing.

O meu voto foi útil, mas não foi um "voto útil". Foi útil porque valorizou a democracia, foi a expressão da minha voz.

Votei contra a Troika.

No entanto, é bom que se compreenda que o meu, o nosso papel de cidadãos não se esgota na participação eleitoral. Uma democracia é mais forte quando os cidadão não se resignam à democracia representativa, mas sim, quando assumem uma democracia autêntica e participativa: em casa, nos locais de trabalho, nas ruas...

Reconheço que é difícil esperar por uma efectiva participação dos cidadãos na democracia, quando, num momento particularmente grave, mais de 40% dos cidadãos rejeita cumprir o seu dever nesta democracia representativa.

É curioso como ninguém, ou quase ninguém, com responsabilidades políticas, fala das abstenções e do absurdo que é, um país de cerca de 10 milhões de habitantes ter inscritos nos cadernos eleitorais um pouco mais de 9,6 milhões de eleitores. Isto é, só existem cerca de 400 mil indivíduos com menos de 18 anos? Que autenticidade eleitoral têm as eleições quando os cadernos eleitorais são compostos por, pelo menos, 2 milhões de eleitores fantasma?

A frase mais lúcida que ouvi, depois de conhecidas as previsões dos resultados eleitorais foi a de um militante do CDS-PP, quando, na RTP 1, afirmou que mais importante que as cento e tal páginas do programa do PSD, são as trinta e cinco páginas do acordo assinado com a Troika.

Já ouço por aí buzinadelas de festejo. Estão a festejar o quê? O que há para festejar?

Quanto ao engenheiro Sócrates: ouvi um emérito fazedor de opinião afirmar que Sócrates fez um discurso com grande dignidade. Eu pergunto: onde está a dignidade de alguém que, igual a si mesmo, faz uma encenação de dignidade e de seguida demite-se das suas responsabilidades, deixando o partido e, mais grave, o país à deriva. Não foi caso inédito, já um seu antecessor recente fez o mesmo só que teve a esperteza de garantir o seu futuro, pois se abandonou o país num momento difícil, mas não tão grave como o actual, arranjou um lugar que lhe garantiu o futuro na União Europeia. Estou a falar, como é evidente, de Durão Barroso.

Onde está a dignidade de alguém que só "serve" o país quando está no poder, mas que não compreende que o papel de um democrata, em defesa das seus ideais, é tão importante quando está no poder como quando está na oposição. A dignidade de Sócrates é a mesma do menino mimado que quando está a perder o jogo, vai embora e diz que não joga mais. A dignidade de Sócrates é igual à dos ratos que são os primeiros a abandonar o navio quando ele está a afundar-se.

Uma palavra para os eleitores PS que ainda votaram no seu partido. Compreendo a sua fidelidade, mesmo que seja apenas clubística, mas porquê manifestar essa fidelidade a um político que foi o primeiro a abandoná-los?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Indigna-te e VOTA!



Este vídeo foi feito para as eleições regionais em Espanha (País Valenciano) para esclarecer os que querem mudar alguma coisa sobre a necessidade e dever de votar.

Prestem atenção, pois o sistema eleitoral em Portugal é semelhante, por isso antes de votarem nulo, branco ou absterem-se, pensem se querem colaborar com o poder estabelecido e, por isso, perpetuá-lo.

VOTA CONSCIENTE, SEM CEDER À CHANTAGEM DO VOTO ÚTIL, MAS VOTA.

INDIGNA-TE E VOTA!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Escândalo? Qual escândalo?

Tem sido notícia na comunicação social mundial a actividade sexual do director do FMI (agora ex-director), Dominique Strauss-Kahn.

Quanto a mim o que é escandaloso não é o assédio, ou tentativa de assédio, sexual do Strauss-Kahn, mas sim o facto de homens como este pensarem que, pelos cargos que ocupam, estão acima da lei e que podem abusar dos outros só porque acham que têm esse poder e esse direito.

Algumas pessoas, muitas talvez, ainda vivem com uma mentalidade medieval, pois acham-se devedoras do direito de pernada.

O que é escandaloso é que estes indivíduos se dêem ao luxo de pagar mais de 2500 euros por uma dormida num hotel.

O que é escandaloso é saber que há quem cobre 2500 euros por uma simples dormida num hotel e que haja quem possa dar-se ao luxo de o pagar. Isto sim é um crime contra a Humanidade, quanto aos gostos sexuais deste autêntico "Gengis" Kahn dos tempo modernos não passam de fait-divers.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Morte do Binho Tinto

EPISÓDIO 6
Dias depois do nefasto encontro entre Binho Tinto, IT Girl e PC Man, aconteceu aquilo que acontece ao mais tranquilo dos mortais, pois, e citando Lili Caneças: "Estar morto é o contrário de estar vivo".

Binho Tinto, no seu passo distraído, atravessava, ao fim do dia, uma movimentada avenida da sua cidade, que terminava junto ao mar. Atravessou a avenida com o intuito de procurar o lado mais movimentado, de acordo com a sua profissão: arrumador de carros. Sem se aperceber, um carro prateado aproximou-se a grande velocidade. Não conseguindo travar a tempo, o carro colheu o transeunte que, projectado no ar, voou durante alguns metros (este Vinho Tinto sempre gostou de voar) e estatelou-se no chão completamente morto.

O automóvel atropelante, um verdadeiro topo de gama, era ocupado por dois homens altos. Um mais velho, que conduzia a viatura usando luvas pretas, e outro mais novo e de farta cabeleira.

Ambos saíram com ar aflito e gritando: "Ai coitado do homem!... Ai coitado do homem!...". Enquanto o mais velho acrescentava: "Não o vi, fui encandeado pelo pôr-do-Sol!!!".

Diz, quem presenciou a cena, que o morto exibia um sorriso, misto de alívio e felicidade.

Há muito desligado da família e dos amigos, Binho Tinto não tinha ninguém com quem lidasse habitualmente e, como não tinha documentos, o seu corpo, depois de autopsiado e confirmada a causa da morte, deu entrada nas câmaras frigoríficas da morgue do Dr. Pinto da Costa, onde aguardou que alguém o identificasse, e os seus restos mortais fossem reclamados.

Como ao fim de uma semana ninguém apareceu para identificar e reclamar o corpo, foi publicada nos jornais a seguinte nota:

Homem, do sexo masculino, encontra-se morto na morgue desta cidade.
Bem constituído fisicamente, embora seja um pouco careca, encontra-se na casa dos 50 anos e faltam-lhe alguns dentes.
Este indigente sem-abrigo foi vítima de atropelamento há cerca de 15 dias.
Pede-se a quem o possa identificar que se desloque a esta morgue com a maior brevidade possível, pois, caso contrário, o corpo será enviado para uma vala comum no cemitério da Jardim das Delícias, 15 dias após a publicação desta nota de imprensa.

Diz quem leu esta nota de imprensa que estranhou um pouco a referência inicial a homem, do sexo masculino, mas logo os mais avisados explicaram que isso se devia à qualidade da política de educação que se pratica no país.

O certo é que, nem passada uma semana, apareceram algumas pessoas com o intuito de identificar o morto.

Surgiu um primeiro grupo, constituído por cinco pessoas que chegaram ao mesmo tempo, a este grupo juntou-se, minutos mais tarde, uma sexta pessoa. Faziam grande algazarra no átrio da morgue, mas logo que apareceu o funcionário, mudaram a sua atitude e expressão, tal como se estivessem ali para velar um ente querido. Identificados um a um, ficamos a saber que se tratavam de Dona Laranjina, Sr. Água das Pedras, Herr Vinagra, IT Girl e PC Man.

Quanto à sexta pessoa, tratava-se de Caldinho sem Sal, uma senhora ainda jovem e de aparência frágil e pálida, que se sentia um pouco perdida e atordoada e falava com IT Girl e PC Man, os únicos que conhecia, aos quais dizia não saber muito bem por que estava ali, porque não conhecia ninguém que correspondesse àquela descrição, mas que impelida por um estranho impulso, ou algo assim de transcendente, sentiu-se na obrigação de se deslocar à morgue.

Entretanto o funcionário conduziu o grupo até à câmara frigorífica, enquanto, em surdina,  aqueles trocavam alguma palavras entre si.

ITG: Até quero mesmo ver se é ele. É que para este peditório já dei e quero deixar de se cobrada.

HV: Descansa, que eu tenho a certeza que vais deixar de ser cobrada.

PCM: Mas Herr Viagra, pode haver algum engano, nós não vimos o corpo a ser levado e não tínhamos ainda a certeza de que estava morto.

HV: Caluda! Deixa-te de nervosismos anglo-saxónicos. Eu tenho a certeza de que o Binho está morto e bem morto. Só nos falta identificar o presunto.

DL: Eu confio nas palavras e na acção do Vinagra, ele nunca me desiludiu. Bem, estas salas são bem giras.

SAP: Lá giras são, mas isto tem cá uma humidade, ainda apanho uma pneumonia.

ITG: Dá-me a tua mão, my love. Don't worry sweet, o Herr Vinagra tem muita experiência. Be calm, please. Aperta a minha mão com força que eu passo-te toda a minha energia. Finalmente, vamo-nos ver livres daquele empecilho que andava a infernizar a nossa vida.

Logo que o funcionário da morgue abre a câmara frigorífica, o quinteto grita em uníssono:

- É ele! É ele! É o Binho Tinto!

Mas, de imediato, com medo que o funcionário percebesse o seu regozijo, dizem num tom mais calmo e sereno:

- Sim, é o Binho Tinto. Coitado do homem.

- Será que sofreu muito? Coitado. - sublinha IT Girl.

Tendo, até aí, mantido a boca fechada, Caldinho sem Sal afirma não conhecer o morto. Sai com passo apressado. Intrigada com tudo o que havia observado dirige-se à sua biblioteca onde pretende fazer uma consulta aos seus oráculos.

Os restantes abandonam a morgue, com uma alegria mal disfarçada.

Tendo abandonado tudo e todos, desconhecia-se que Binho Tinto tinha família e amigos, mas duas, ou três horas depois, novo grupo chega à morgue para identificar o defunto. À posteriori percebemos que este grupo é constituído pelos filhos (não sabíamos que o Binho Tinto tinha filhos), e por alguns verdadeiros amigos, daqueles que nunca viram as costas. São eles o Zblues, o Dom Porto, a Lobinha, a Velhota, o Arquitecto, o Cubo, a Blimunda, o Aspirina, a Rapunzel, o Morfeu, a Mimo e mais três ou quatro, dos quais não sabemos o nome.

Todos identificam o falecido como sendo o Binho Tinto.

Organizam o funeral segundo a vontade do morto. O corpo é velado sem deuses nem pátrias e de seguida, cremado. As suas cinzas são lançadas ao vento no alto de uma montanha.

Terminada a cerimónia este grupo reune-se para festejar, segundo a vontade do próprio defunto, pois recordam bem as suas palavras, ditas e sentidas:

- QUANDO EU MORRER, BATAM EM LATAS, ROMPAM AOS SALTOS E AOS PINOTES...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Binho Tinto encontra o Casal Perfeito

EPISÓDIO 5
Num fim de tarde quente, Binho Tinto passeava pelo Parque da Cidade. De repente, ao fundo, repara que se deslocam na sua direcção IT Girl e PC Man. Ambos de mão dada, conversando apaixonadamente sobre o tempo, as plantas e a maresia. Acha curiosa a coincidência que, mais tarde o mais cedo, seria inevitável, mesmo que indesejável.

No outro extremo IT Girl repara em Binho Tinto e avisa PC Man.

ITG: Don't worry my love, just be calm.

Binho Tinto coloca um sorriso sarcástico e ao cruzar-se com o casal profere:

BT: Olha, olha!... O casal perfeito, o duo maravilha!...

PC Man, que tinha andado a estudar as origens da sociedade americana da Virgínia, sentia-se fortemente influenciado pela afectação daqueles americanos descendentes dos primeiros colonos ingleses, perde a compostura de "lord" americano, alça o braço direito acima dos seus dois metros de altura e desfere um murro bem no meio dos olhos de Binho Tinto.

De imediato IT Girl lança-se nos braços de PC Man e diz:

ITG: Oh my sweet love, are you hurt? Aquele bruto magoou-te?

E, virando-se para Binho Tinto, continuou:

- Seu bruto, seu... seu... seu grosseiro... seu ordinário... seu cabeça dura... magoaste a mãozinha do meu amor com o murro que ele te deu na cabeça.

Binho Tinto, que tinha ficado um pouco cambaleante com o murro de PC Man, reage. Prepara-se para dar o troco ao adversário, mas, de súbito, pára. Observa a cena lancinante e simultaneamente cómica de IT Girl a consolar PC Man pela ferida que este causou na sua própria e delicada mão, quando, num momento de desnorte, perdeu a sua postura aristocrática e reagiu a uma provocação da plebe.

Binho, ao ver  IT com lágrimas nos olhos e a beijar PC, que se contorcia com dores, comoveu-se.

Desistiu de retaliar e, chegando-se perto de PC, colocando-se em bicos de pés para que a sua cara chegasse bem perto da do outro, proferiu:

BT: Já nem vale a pena, meu. A minha retaliação são os beijos, que agora recebes da mulher aranha.

Binho Tinto, afasta-se do casal e segue o seu caminho com um sorriso de felicidade, enquanto o casal fica no seu lugar, abraçando-se e lamentando-se de tão indesejável encontro.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os Novos Servos da Gleba

Ontem, ao ouvir o primeiro-ministro a anunciar o acordo que o governo celebrou com o FMI e afins fiquei com uma sensação estranha.

Crise? Qual crise? Afinal existe na Europa um grupo de senhores muito ricos, os novos nobres, que até pagam para nós não trabalharmos, em contrapartida nós, os Portugueses, só temos de pagar impostos, recebê-los em nossa casa, manter as nossas praias limpas e regar os campos de golfe.

Obrigado FMI! Obrigado BCE! Obrigado Europa! Obrigado José Sócrates! Obrigado Passos Coelho! Obrigado Paulo Portas! Obrigado a todos os novos Messias Salvadores!

Afinal esta Europa de leite e mel não é mais do que um remake da Europa Medieval em versão retro. De um lado uma minoria que vive à tripa forra, os senhores da terra ou nova nobreza, do outro uma esmagadora maioria, formatada pelas sucessivas reformas na educação do poder económico-político, ignorante e acrítica, os novos servos da gleba.

domingo, 1 de maio de 2011

Carregador de Pianos


Hoje tive uma conversa com pessoas na casa dos 80 anos. Conforme ia decorrendo a conversa e as pessoas avivavam as suas memórias, também as minhas passavam em frente a mim como um filme, como uma visão do mundo em que vivemos.

De repente as palavras de um grande amigo de longa data, Camilo Mortágua, bateram a rebate no meu cérebro.

Dizia, diz, Camilo Mortágua, que a História é madrasta com os carregadores de piano. A História fala e exalta os autores e os solistas, mas nunca nos fala dos carregadores de piano. Sem estes, sem aqueles que se sacrificam para colocar os instrumentos no local certo, onde depois outros vão tirar os acordes que deslumbram as massas e dos quais recolhem dividendos em proveito próprio, não haveria música.

A História é a história dos poderosos, e os poderosos não reconhecem que o local que ocupam se deve ao sacrifício e exploração de outros seres humanos, os tais de que não reza a História, porque isso seria desmerecer as vitórias e o êxitos dos poderosos.

Um dia os carregadores de piano vão compreender que são sistematicamente usados e desprezados pelos outros, e não hesitarão em descarregar a sua carga em cima dos oportunistas que os exploram diariamente, de uma forma mais ou menos subliminar.

Essa família de ex-operários octogenários contou-me algumas situações que viveram no passado: a sua vida, o seu dia-a-dia, a sua família. Deram-me uma lição de vida e de dignidade.

Esta família, que não nasceu em berço de ouro, teve três filhos, a todos transmitiu valores e princípios, a todos deu uma formação, a todos preparou para a vida, com sacrifício, mas simultaneamente com orgulho. Já dizia Camões, tudo vale a pena se a alma não é pequena. O que fez desta família o que ela é agora foram os laços de solidariedade, que os uniu, que fez deles uma força, que resulta de uma vida de luta contra a opressão e o obscurantismo em que pretenderam colocá-los, mesmo que nem sempre se apercebessem exactamente disso. Uma luta altruísta porque se pretenderam dar algo melhor aos seu filhos contribuíram para que os filhos dos outros também lá chegassem. A isto os filhos responderam com carinho e amor.

Não, esta família não se fundou atrás de chavões abstractos, nem em princípios retóricos, nem de filosofias baratas, mas sim na luta diária pela sobrevivência.

Se há heróis, estes são os heróis.

Hoje vivemos todos fechados num mundo egoísta e egocêntrico, imaginado que o bem-estar está ao alcance de todos, que todos podem ser como nós, se não são é porque não querem, porque as oportunidades são iguais para todos.

Há conceitos que aqueles acusam de retrógrados, como por exemplo o de  mentalidade burguesa. É que esse apagar de evidências tranquiliza-os, aquilo de que não se fala é como se não existisse, e o que não existe sossega as suas consciências, não os perturba. A consciência não se apaga, apenas pode estar adormecida.

Esta viagem levou-me à minha infância, filho de pequeno-burgueses, tive a sorte de os meus pais não mascararem a realidade, para eles nunca os valores materiais foram o fundamental, muito menos obtê-los à custa da exploração de outros, para além de perceberem que todos temos direitos a viver em condições dignas, nunca colocaram rótulos nas pessoas e sempre incentivaram os filhos a perceber e a conviver com a realidade, que estava para lá dos muros que construímos à nossa volta.

A cada palavra proferida eu via as imagens da minha infância, dos meus amigos de escola, dos seus pais, das suas famílias, do modo como viviam, das casas suburbanas, das ilhas do Porto ou das casas dos camponeses. Por cada palavra proferida eu mergulhava na realidade que era este País, da miséria que eu vi desde tenra idade, quer em sectores operários, quer nas zonas rurais. Foram estas múltiplas vivências que ajudaram a moldar a minha personalidade.

Estou grato ao convívio que tive hoje ao almoço, pois que melhor maneira poderá haver para comemorar o 1º de Maio, que coincide com o Dia Mãe, senão o da tomada, ou reforço, de consciência, para os valores fundamentais da Humanidade, e da luta que ainda temos de travar, e das alterações que ainda temos de fazer, para que todos tenham de facto direito a uma vida digna e verdadeiramente Humana.

A lição é que temos de agir e reagir, individual ou colectivamente, contra aquilo que querem fazer de nós, amorfos seguidores de princípios que não são os nossos.

Folha de Sala


Todos os espectáculos se realizam no Centro Cultural de Campo (Valongo), entre os dias 6, 7 e 8 de Maio de 2011.

— dia 6/5, 21:00
FILHOS DE
ASSASSINOS
de Katori Hall
TnE-Teatronaescola
da EB 2,3 de Campo
(Valongo)

— dia 7/5, 15:00
TODOS OS RAPAZES
SÃO GATOS
de Álvaro
Magalhães
Grupo de Teatro
da Escola EB 2,3
de Sobrado

— dia 7/5, 21:00
A BIRRA DO MORTO
- FARSA TRÁGICA
de Vicente Sanches
Grupo de Teatro da
Escola Secundária
de Rio Tinto

Seguido de café/tertúlia à volta do tema do teatro nas escolas

— dia 8/5, 17:00
Apresentação
pública do
trabalho
desenvolvido
pelos
participantes
dos workshops,
seguida da
sessão de
encerramento

----------------------------------------

O TEATRO É VIDA.

O Teatro funciona como um despertador do nosso rotineiro dia-a-dia.

Sentimentos e emoções, mágoas e alegrias, solidariedade e desprezo, passividade e protagonismo, tudo isto nos é transmitido pelo Teatro. Entra em nós e faz-nos reflectir. O Teatro funciona como uma Escola de Vida. Neste contexto, criar e interpretar textos, é uma experiência que faculta aos jovens oportunidades de questionar e contextualizar a vida nas suas múltiplas facetas

Pode dizer-se que promover a prática do teatro é, em última instância, proporcionar experiência significativas, as quais promovem a interacção entre actores e públicos e entre os actores em si mesmo, desenvolvendo capacidades fundamentais para o criação da personalidade do jovem, que permitirá desenvolver o seu espírito crítico e fornecer-lhe as ferramentas que lhe possibilitarão encarar a vida de uma forma autónoma e responsável, desenvolvendo-lhe a capacidade para ter opinião própria, de tomar decisões por si mesmo, fugindo ao estereótipo que, todos os dias, lhe é transmitido das mais variadas formas, e que não pretendem mais do que formatar o jovem num adulto obediente e seguidor cego de princípios que, na maior parte dos casos, são, no mínimo, questionáveis.

Esta mensagem mais ou menos subliminar, só pode ser combatida através de uma constante dialéctica em que tudo e todos são questionados, de forma a desenvolver um jovem adulto consciente do seu papel de cidadão activo e não um mero passivo que, acriticamente, assimila o que lhe é transmitido e exigido pela sociedade maioritária em que vive.

Formar cidadãos deverá ser o maior desígnio de uma escola e, o teatro e a cultura, são os veículos essenciais para atingir essa meta. Não uma meta estatística e efémera, mas uma meta que deixa a sua marca de água, que não se preocupa em ultrapassar etapas, mas sim em fazer chegar, com qualidade, o maior número possível de jovens a atingir uma maturidade que deverá estar ao alcance de todos. Sabemos que estas metas não se alcançam por decreto, mas sim com o empenho de toda a escola, da nossa escola.

Não restam dúvidas de proporcionar aos jovens em formação experiências que, com maior ou menor grau de consciencialização, sejam ricas em significados, que aguçam o espírito crítico, que obrigam a tomadas de posição e a escolhas que vão desenvolver o carácter e formar cidadãos verdadeiramente empenhados e responsáveis.

O TEATRANDO 2011 é o primeiro evento de muitos, que pretende ir mais além da simples partilha, que os grupos fazem do trabalho desenvolvido nos seus ambientes próprios.

O TEATRANDO convida os grupos de teatro escolar participantes (alunos e professores que os orientam) a revelarem os seus projectos, mas também os convida, durante três dias, a trabalharem em conjunto em novas experiências, devidamente enquadradas por profissionais de teatro e dinamizadores culturais.

VIVAS AO TEATRO FEITO NA ESCOLA!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ADD

Sou Professor e defendo a existência de uma avaliação do desempenho docente, não o modelo de avaliação que nos tem sido imposto nos últimos anos, mas um modelo novo, feito com os professores e cuja finalidade seja a melhoria do desempenho docente e não, tal como acontece agora, um modelo cujo único objectivo é economicistas e que joga, de forma suja, com a ignorância das pessoas, numa tentativa de virar a pinião pública contra os professores, acusando-os de corporativistas e elitistas que apenas pretendem privilégios.

Já aqui escrevi muito sobre o modelo que defendo, ou pelo menos tentei dar alguma achegas para a criação de um modelo de avaliação docente justo e desburocratizado. Não, para já voltar a falar no assunto.

Hoje pretendo apenas denunciar o joguete político de que têm sido vítimas os professores, as escolas, os alunos e os encarregados de educação por causa de calendários político-partidários.

O PSD teve oportunidade, na altura certa, de rejeitar o modelo de avaliação docente ainda em vigor, mas não o fez. "Acordou" tarde, mas acordou, mas o que fez não passou de uma manobra político-partidária com fins eleitoralistas, porque quando o devia ter feito, não o fez. Não também não acreditamos nos cristãos-novos, nos convertidos de última hora.

A juntar a todo este imbróglio o Presidente da República fez aquilo que convinha ao PSD, mandou a revogação aprovada na Assembleia da República para o Tribunal Constitucional. Assim, caso este órgão venha a anular a decisão da Assembleia da República, prestará ao PSD o serviço que este partido pretende, isto é, aparecer como paladino da revogação do perverso diploma e podendo deitar as culpas da sua não revogação para o TC e, com esta manobra de malabarismo hipócrita lavar as suas mãos de todo este processo, pensando que, desta forma, conseguiu enganar mais alguns incautos.

A ajudar a todo este processo o PR, o homem dos tabus, parece ter justificado o envio daquele diploma, aprovado na AR,  para o TC com o argumento ridículo de que os Sindicatos não foram consultados.

Parece que este facto é verdadeiro, por isso era bom que jornalistas e, sobretudo os Sindicatos, denunciassem este facto caso ele seja, como tudo indica, verdadeiro.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 DE ABRIL, SEMPRE!!!


Não fiques indiferente àqueles que não fazem crescer um grão e esmagam o alecrim, se ficares indeferente quando acordares já estarás amordaçado.

REVOLTA-TE!!!

AS 25 HORAS DO 25 DE ABRIL
[Clicar aqui para ouvir]


Depois de clicar no link vai abrir uma nova janela. Para ouvir é necessário seguir as instruções da imagem abaixo.



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Soberania

O nosso País está cheio de Miguéis de Vasconcelos, isto é, colaboradores com as potências ocupantes, que abdicam da nossa própria soberania em defesa da sua duquesa de Mântua.

Que Governo é este? Que Presidente é este? Que oposição é esta?

Todos abdicam daquilo que tanto apregoam e, com transparência e clareza, mostram a sua verdadeira essência: falta de sentido de Estado, de patriotismo e abdicam da soberania nacional como quem muda de camisa. Este políticos carreiristas, que cresceram no interior dos respectivos partidos como cogumelos, ou tacanhos self made men, empenharam o País, destruíram o sector produtivo e entregaram-se ao capitalismo nacional e internacional, "negociando" empréstimos como se fossem pedintes sem coluna vertebral, que estão agora a pagar um favor que lhes foi feito. Agem  como se nós, ainda acreditássemos em entidades abstractas, em relação às quais nada podemos fazer.

Os culpados têm cara e nome, todos nós sabemos quem são, por isso não adianta esconder a cabeça na areia.

Tal como dizia Churchill, pode-se enganar muita gente durante muito tempo, mas não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo.

Onde estão os valores? Onde está o espírito do 25 de Abril? Onde está a cidadania?

Talvez o povo desperte um destes dias da sua letargia e finalmente perceba o logro para onde tem sido empurrado e, aí sim, se faça justiça aos Miguéis de Vasconcelos que pululam por aí  e lhes façam o que fizeram com o original: os defenestrem.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Filhos de Assassinos



Alguns excertos da estreia da peça "Filhos de Assassinos" de Katori Hall, produzida pelo TnE e encenada por Jaime Pacheco.

Apoios: AEC, CMV, Culturgest (Panos).
Local: Centro Cultural de Campo, Valongo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Crise segundo Albert Einstein


Não podemos querer que as coisas mudem, se fazemos sempre o mesmo. A crise é a maior bênção que pode acontecer às pessoas e aos países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo, sem ter sido superado.

Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções.

A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a dificuldade para encontrar as saídas e as soluções. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crises não há méritos. É na crise que aflora o melhor de cada um, porque sem crise todo vento é uma carícia. Falar da crise é promovê-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.

Albert Einstein

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quem paga o Jantar?


Eu quero lá saber que sejam os finlandeses, os alemães, os franceses, ou outros a pagar o jantar, eu quero é que não sejam os  Portugueses a pagar as jantaradas da casta política, sejam senadores ou tribunos, que nos têm desgovernado nos últimos 30 anos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Novo-riquismo


Portugal é o país do novo-riquismo.

Novos ricos, parolos, filhos do papá, chicos espertos, carapaus de corrida, enfim a fauna habitual de oportunistas.

O novo-rico fica deslumbrado com o dinheiro que lhe caiu do céu, ou cuja "esperteza" lhe permitiu ganhar, de um dia para o outro.

Com tanta facilidade para quê prevenir o futuro? Temos muito, temos tudo, há que gastar à fartazana e mostrar aos outros que nós, sim nós, somos ricos. Pois, mas falta-nos a cultura, a inteligência para perceber que o que se ganhou, mesmo sem saber muito bem como, ou até sabendo demasiado bem, se não for devidamente aplicado esgota-se.

O novo-rico não sabe, o novo-rico nunca leu a história e depois, bem depois, há que arranjar milhões de desculpas:

"Não fui eu, não fui eu... foi o outro, foi o que esteve antes de mim. Mas não faz mal, que o que esteve antes mim vai voltar e ainda fazer pior. É assim que nós somos, ora agora ganho eu, ora depois ganhas tu. Tudo vai rolando na paz do senhor, pois o zé-povinho, com a educação que lhe damos, nunca vai perceber nada e, os que percebem, são uns radicais. Ninguém lhes presta atenção. Sim, porque isso de radicalismos esgota-se no futebol. Bem, também há alguns que percebem, mas esses estão connosco, julgam que se aproveitam de nós, mas na realidade nós é nos servimos deles."

  • ATÉ QUANDO?
  • ATÉ QUANDO TU QUISERES!...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Filhos de Assassinos



Filhos de Assassinos
 
1. Ficha Técnica


Texto: Katori Hall
Tradução: Francisco Frazão
Produção: TnE-teatronaescola
Encenação e direcção de actores: Álvaro Jaime Pacheco
Assistência de encenação: Mário Rietsch Monteiro
Sonoplastia: Álvaro Jaime Pacheco e Mário Rietsch Monteiro
Cenografia, adereços e figurinos: Álvaro Jaime Pacheco
Desenho de luz: Álvaro Jaime Pacheco
Interpretação: Nuno Medeiros (Vincent e Vincent pai); Ana Migueis (Bosco); Bruna Campos (Bosco); Sofia Silva (Bosco); Ana Sampaio (Emmanuel); Filipa Sousa (Ésperance); Inês Lopes (Vincent); Jonathan Amadeu (Innocent); Catarina Rocha (Gahahamuka); Joana Almeida (Gahahamuka); Beatriz Alves (Félicitè); Vanessa Seixas (Mamã); Joana Moreira (Ésperance); Filipa Paiva (Vincent); Ana Moreira (Gahahamuka); José Rodrigues (Gahahamuka); e Raquel Monteiro (Gahahamuka)
Desenho de máscaras: Lígia Almeida
Operação de luz e som: José Ricardo
Imagem: Sérgio Alves
Execução de dispositivos cénicos: LCMM Carpintaria e Marcenaria, Lda, e METALVA Soc. de Construções Metálicas de Valongo, Lda
Execução de figurinos: O Cantinho da Costura
Sinopse: O presidente do Ruanda está a libertar os assassinos. Anos depois do genocídio tutsi, os perpetradores começam a regressar ao campo a conta-gotas, de volta às suas aldeias. Três amigos – nascidos durante o rescaldo sangrento do genocídio – preparam-se para conhecer os homens que lhes deram vida. Mas à medida que o dia do regresso se aproxima os rapazes são assombrados pelos crimes dos pais.
Quem nos podemos tornar quando a violência é a nossa herança?

“Filhos de Assassinos” foi escrita por Katori Hall para ser estreada pelos grupos de teatro escolar e juvenil que integram a iniciativa PANOS promovida pela Culturgest em parceria com o programa Connections do National Theatre of London.

Data: 15 e 16 de Abril
Hora: 21:30
Local: Centro Cultural de Campo
Entrada: 1 Eur*

*A receita de bilheteira destina-se ao financiamento do próprio espectáculo.


2. Sobre o TnE-teatronaescola

O TnE-teatronaescola é uma estrutura do Agrupamento de Escola de Campo que desde 2005 tem vindo, de uma forma regular e sistemática, a promover a prática teatral com alunos do 2º e 3º ciclo de escolaridade. Desde peças originais a adaptações, entre apresentações mais tradicionais e espectáculos mais experimentalistas, o TnE já conta, nestes seis anos de existência, com 21 produções e mais de 40 apresentações públicas dos seus trabalhos.
O público-alvo do TnE tem sido a comunidade escolar e local. Com “Filhos de Assassinos”, o TnE expõem-se pela primeira vez a um público diferente procurando com esta experiência adquirir mais conhecimentos, alargar os seus horizontes e principalmente, facultar aos actores que formam o grupo, experiências únicas e formativamente significativas.


Apoios:

- Agrupamento de Escolas de Campo



- Câmara Municipal de Valongo



- Culturgest /Panos 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Ditadura dos Mercados



Afinal quem são os mercados? Qual é o poder democrático que os controla?

Chega de chantagens. Estamos fartos que os partidos do poder nos chantagiem.

É hora de acordarmos para a realidade e exigir uma mudança efectiva de política, pois é nos momentos de crise que surgem as ideias capazes de mudar o rumo dos acontecimentos.

A vítima desta política não é o Sócrates, nem o salvador é o Passos Coelho, também já não acredito que a solução esteja nos partidos do sistema, a solução está nas nossas mãos e na criatividade que fomos capazes de gerar.

Apenas tenho uma certeza, o capitalismo não é solução.

terça-feira, 22 de março de 2011

Indignação


Mais uma vez um grupo de energúmenos lançou pedras sobre um autocarro que transportava uma equipa de futebol, neste caso o SLB.

Como cidadão e portista sinto-me indignado por tais atitudes. Não gosto de bufos mas, nesta situação, era bom que quem sabe quem foi o responsável (ou responsáveis) por tais actos tivesse a coragem de os denunciar.

Já chega de irresponsabilidade e cobardia. Estou farto da coragem dos cobardes. Estou farto do fanatismo que gera o fenómeno desportivo e em particular o futebol.

Continuo a gostar de futebol, mas somente do que se passa dentro das quatro linhas, estou blindado a todo o tipo de discussões que se produzem ao longo da semana e não dou um tostão para alimentar este tipo de terrorismo.

Apelo às autoridades e aos tribunais para que prendam e julguem exemplarmente estes indivíduos (talvez fosse mais apropriado designá-los por coisas), mas que também não deixem escapar aqueles que incitam a este tipo de acções, que são vários e de vários quadrantes (não há pessoas inocentes, nem Pilatos que possam lavar as mãos).

O fanatismo é algo que tira capacidade de raciocínio. Para mim é incompreensível que o fanatismo do futebol possa conduzir a actos tresloucados e criminosos, mas que a realidade sócio-económica que vivemos não seja capaz de levar as pessoas à revolta.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Paradoxo da Ilusão



Ao olhar para a actual crise nacional e internacional vem-me à memória a polícia judaica do gueto de Varsóvia e dos campos de concentração nazis.

No meio da humilhação e do desespero, uns quantos sem escrúpulos, reprimiam e abusavam dos seus irmãos, simplesmente para agradar aos senhores da guerra, os nazis, e tiravam, oportunisticamente, proveito próprio com a desgraça dos seus irmãos.

Hoje a Humanidade continua de olhos fechados para a realidade, não compreendendo o embuste que os donos do mundo lhe arma.

A ilusão de democracia, a sofisticação da ilusão de democracia, enche de remela os olhos das pessoas. O Povo deixa-se adormecer e acredita que os sacrifícios que lhe impõem são um mal necessário para ultrapassar a situação presente.

O Povo não vê que não são os políticos, que julga escolher como seus governantes, que ditam as leis, mas sim um poder obscuro, que não é julgado nem responsabilizado por ninguém e a que, eufemisticamente chamam de mercado, que controla o Mundo.

É este poder anti-democrático e ditatorial que está a mexer os cordelinhos dos fantoches a que chamam políticos, os quais não são mais do que testas-de-ferro daqueles, mesmo que algumas vezes nem tenham consciência disso mesmo.

Até quando?