terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dragões de Ouro 2012

 Por um simples acaso, ao fazer um zapping deparo com a entrega dos Dragões de Ouro no Porto Canal.

Surpreendido, fiquei a ver um bocado. Os meus parabéns a todos os atletas galardoados e também àqueles que ainda o não foram, mas que tem um
comportamento cívico e desportivo igualmente notável e exemplar.

Lamentável, francamente lamentável, é que o meu clube dê tempo de antena a um cobarde como Durão Barroso, que deixou o país à deriva para se ir abotoar com as mordomias da União Europeia, mesmo que não passe de um simples moço de recados do grupo de Bilderberg.

Lamentável, francamente lamentável, é que o meu clube dê tempo de antena ao chico espertismo do Miguel Relvas, campeão das aldrabices.

Nós portistas já não somos indivíduos de beijar a mão a um qualquer cacique, por muito admiração que tenhamos pelo desempenho que tenha à frente do nosso clube e, para mim, ver aqueles duas pessoas, no que devia ser a festa do portismo e dos portista, é uma mancha que ensombra aquele evento.


domingo, 21 de outubro de 2012

Agir Localmente, mas Pensar Globalmente


O problema das sociedade actuais é global, mas isso não deve evitar que não está nas nossas mãos fazermos algo para mudar o rumo da história. Se o problema é global, e é, então temos de agir localmente, para que esta acção se propague a todos os cantos do globo e assim estender a revolução, não podemos esperar que todas as condições estejam reunidas para avançar.

Quando uma situação não tem a sua expressão global, acontece o mesmo que aconteceu em Cuba. Cuba teve condições e homens capazes de avançar, mas o resto do mundo fechou-lhe as portas e por isso a revolução cubana ficou isolada e hoje, graças ao bloqueio económico dos EUA e ao fechar de olhos do resto do mundo, Cuba está de facto isolada e o seu desenvolvimento económico está comprometido, daí a necessidade também de pensar globalmente e não acusar Fidel ou Che de erros, que os houve e há, sem dúvida, mas de combater os que globalmente têm o desplante de usar os povos do mundo como se fossem donos e senhores do mundo e os restantes povos fossem apenas uns animalzinhos que vivem na sua quinta.

Não temos um Che, pois não, mas muitos que hoje defendem o Che, combateram-no enquanto vivo. Sou grande admirador do Che, do seu pensamento e da sua acção, mas como ateu que sou não endeuso ninguém, não presto culto da personalidade a ninguém, mas não nego que a minha admiração pelo Che vai para além do racional, assim como por Gandhi, mas todos os "ídolos" têm pés de barro, felizmente uns menos do que outros e é destes que devemos beber e aprender a agir, não nos podemos ficar pelas intenções, há mesmo que agir, essa foi a grande lição de homens como Che e Gandhi. Não podemos estar à espera dos "Ches", eles aparecem quando a dinâmica do povo vai no sentido de dar voz aos seus legítimos anseios.

Os povos, os oprimidos, os que lutam e trabalham arduamente dia a dia, sem que o seu trabalho seja reconhecido pelos falsos patriotas que tudo sugam, os capitalistas. Já Lenine dizia: Proletários de todo o Mundo uni-vos! O capital tem sido bem mais inteligente, infelizmente, do que o trabalho. O capital age localmente (condiciona, manipula, etc) mas pensa globalmente, por isso é que se tem mantido no poder. Quanto ao trabalho, mesmo que perceba o que se passa, deixa-se cair em ilusórias acções, muita palavra e pouca acção, anda mais preocupado com a cor da camisola que cada um usa, se é verde, preta, vermelha ou outra, se anda de fato e gravata, de calças de ganga, esfarrapado ou de sotaina, enfim o trabalho anda preocupado com as aparências em vez de se preocupar com a essência. Quem é que se aproveita desta divisão? Claro que sabem a resposta.

O meu patriotismo é a solidariedade com todos os trabalhadores, sobretudo os que ousam lutar contra a arrogância do poder e do capital, não é o patriotismo daqueles que aceitam que as suas quintas (países) sejam a essência, isso foi mais uma falácia que os donos das quintas inventaram, acho que todos conhecem a frase: dividir para reinar.

Eu sou um cidadão do mundo, mas talvez alguns ainda se lembrem de uma outra frase tão cara a Lenine e com a qual concordo totalmente: internacionalismo proletário. Ser cidadão do mundo é defender o internacionalismo proletário. Gostar do local onde nascemos é amor, são as nossas raízes, mas tal como a criança se liberta dos pais, nós temos de nos libertar das nossas raízes, por mais que as amemos, se queremos ir mais além.

    

domingo, 14 de outubro de 2012

A SEDUÇÃO DAS MARIONETAS


Um dia prometeram-nos leite e mel.

O nosso país, e outros, em termos de desenvolvimento económico, viviam a anos-luz das três grandes potências da Europa: a Alemanha, a França e a Inglaterra. A Inglaterra, isolada na sua ilha, não deixou de estar atenta, mas não embarcou de imediato nesta proposta, tinha a Commonwealth.

Mas o crescimento económico não dura sempre, por isso aqueles países inventaram um modelo. Um modelo de desenvolvimento, de partilha e solidariedade, diziam. Tornaram-no atrativo: olhem para nós, para o nosso desenvolvimento, para a nossa riqueza, nós queremos que vocês sejam como nós.

Criaram a CECA e depois a CEE, mais tarde a UE. Primeiro foi permitido que aderissem os parceiros mais próximos, aqueles que não exigiam investimento, mas que se mostraram igualmente "solidários" com esta ideia. Havia que alargar o grupo, dar-lhe homogeneidade, para assim convencer melhor os outros, aqueles que realmente interessavam. O trabalho é lento, mas profícuo.

Em cada um dos restantes países europeus, os ricos tinham os seus emissários, os seus bons alunos. Alguns desses emissários até percebiam perfeitamente o que estava para além da ponta do iceberg, mas sentiram-se seduzidos pela ideia. Era a forma de chegarem ao poder e, pelo menos no seu quintal, serem donos e senhores, controlarem as suas próprias marionetas, mesmo sabendo que não deixavam de ser marionetas de outros. A ideia seduziu-os.

Vieram as ajudas. Primeiros para os comissários políticos da Europa da fartura, os quais tiveram os meios necessários para criar nos outros a inevitabilidade da adesão à nova ordem económica, a tal que nos traria riqueza e desenvolvimento. A pouco e pouco, os povos europeus foram aderindo à ideia: Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha, etc..

O dinheiro veio a rodos. Gastem, gastem, diziam, nós queremos que vocês fiquem rapidamente ao nosso nível, nós somos a Europa solidária, a Europa da fartura.

Os fundos chegaram. Construíram-se estradas, promoveram-se formações, aumentou-se o poder de compra dos neófitos, construíram-se algumas obras emblemáticas e megalómanas. Era um maná vindo do céu.

No entanto aqueles que até percebiam onde se queria chegar deixaram-se seduzir, era melhor, bem melhor, do que a maçã-de-adão.

Para que nada falhasse fechou-se os olhos a oportunistas, pois quem tinha poder económico enriquecia rápida e facilmente, ajudava a criar a ilusão que a riqueza afinal era fácil, bastava esticar a mão de pedinte para que ela ficasse cheia de moedas. É a síndrome do novo-rico: se o dinheiro afinal é fácil para quê lutar por ele, basta abrir a boca. Cada vez mais gente via nesta ideia peregrina a solução de todas as suas frustrações, todos os seus males.

Quem tem um pouco mais de dinheiro tem sempre mais poder sobre os que têm menos. Acham.

A partir de certa altura começaram a mandar dinheiro para destruirmos a nossa agricultura, as nossas pescas. Era preciso escoar os seus produtos, por isso passavam a fornecer os novos países. Era mais barato e os produtos tinham uma aparência de melhor qualidade. Tudo muito bem apresentado, tudo muito bem embalado, tudo muito bem uniformizado.

As marionetas sentiram-se seduzidas.

Se há muito dinheiro há que gastar. Este princípio era alimentado incessantemente pelos que puxavam os cordelinhos.

Com o tempo o mercado voltou a saturar-se, até porque a economia não pode crescer indefinidamente e, lá para oriente, surgiram novos rivais e novas hipóteses de mercado. Os outros continuaram a gastar, mas ninguém se preocupou, porque quanto mais gastavam mais ficavam a dever e, se não pagassem, ficariam de novo na miséria, enquanto os países ricos continuavam a enriquecer, porque passaram a ver novos e maiores mercados nas economias emergentes: China, Índia, Brasil, etc..

Está na hora das marionetas seduzidas acordarem do seu torpor e perceberem que têm de cortar os fios que os controlam, por mais dourados que sejam.

Está na hora de pensarmos em alternativas realmente sustentáveis e solidárias, está na hora de pensarmos numa economia de recursos.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Manifesto dos Indignados

Deixa de ser macaco e pára de disparar à sorte, assume-te como humano e escolhe bem o teu alvo


AVISO MUITO SÉRIO AOS POLÍTICOS: OS QUE (DES)GOVERNAM ESTE PAÍS, OS QUE NOS TENTAM ENQUADRAR E PACIFICAR (OPOSIÇÃO E SINDICATOS). NÓS ESTAMOS A ATINGIR O LIMITE, MAS NÃO VAMOS FAZER COMO O CIDADÃO GREGO QUE SE SUICIDOU EM FRENTE AO PARLAMENTO, NÓS ESTAMOS A ATINGIR O LIMITE E É PRECISO QUE TODOS CLARIFIQUEM DE QUE LADO É QUE ESTÃO: DO LADO DO GOVERNO (DO GRANDE CAPITAL) OU DO NOSSO LADO.

NÓS ESTAMOS A ATINGIR O LIMITE E OS ALVOS SERÃO VOCÊS.

Dedico a todos os que nos têm (des)governado, em particular nos últimos anos, o poema de Alberto Pimenta, os "Filhos da Puta", apelando a todos os indignados, que estão fartos deste sistema, desta política, que o publiquem nas respectivas redes sociais ou blogs, com uma dedicatória alusiva aos que deviam estar atrás das grades, mas continuam arrogantemente a "mandar" em nós.

BASTA!

Segue-se o Manifesto dos Indignados:

De Alberto Pimenta, "Filho da Puta"

I
O pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.

no entanto, há
filhos-da-puta que nascem
grandes e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.
de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho-da-puta.

o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho-da-puta.

no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho-da-puta.
todos os grandes
filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

dentro do
pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os grandes filhos-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

o pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.

é o pequeno filho-da-puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
de resto,
o pequeno filho-da-puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho-da-puta.

II
o grande filho-da-puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho-da-puta,
e não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

no entanto,
há filhos-da-puta
que já nascem grandes
e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho-da-puta.

por isso
o grande filho-da-puta
tem orgulho em ser
o grande filho-da-puta.

todos
os pequenos filhos-da-puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
dentro do
grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.

é o grande filho-da-puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.
de resto,
o grande filho-da-puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:
o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho-da-puta.

sábado, 31 de março de 2012

As Novas Leis do Trabalho

Recentemente foram aprovadas novas Leis do Trabalho na Assembleia da República, por proposta do Governo e respectivos partidos da maioria, e por imposição da Troika.

A votação não me surpreendeu. O actual Governo legitimado pelo Governo de Sócrates e pelo esbanjamento da economia nacional desde, pelo menos, o Governo de Cavaco Silva, permitiu à maioria aprovar a lei sem qualquer dificuldade.

Apesar de não ter ficado surpreso com os resultados, só um inocente teria alguma surpresa, há alguns factos curiosos: o PS deu mais um tiro no pé e, pelo seguro, resolveu abster-se em nítida subserviência à Troika; uma deputada do PS, Isabel Teixeira, assume o seu dever de deputada e vota contra a disciplina de voto do PS; curiosa também foi o voto do deputado Ribeiro e Castro do CDS, que votou contra a disciplina de voto imposta pela maioria e o pelo Governo.

Surpreso com a votação de Ribeiro e Castro? Não! Quando a notícia foi parcialmente transmitida achei que havia alguma coerência no sentido de voto daquele deputado, pois como o seu partido, o CDS, e o PSD, sempre pretenderam alterar profundamente as leis do trabalho ainda mais do que a lei agora aprovada, poderia ser uma atitude coerente mas, para espanto dos incautos, afinal o Sr. Deputado até não tinha nenhuma objecção a fazer à "macieza" das leis aprovadas, o Sr. Deputado marcava posição em defesa da não abolição do feriado do 1º de Dezembro.

Isto é, os trabalhadores foram, mais uma vez, fortemente penalizados, mas o Sr Deputado Ribeiro e castro só se preocupou com a abolição do 1º de Dezembro. Olhe Sr. Deputado, deixe-me dizer-lhe, em linguagem que o senhor percebe perfeitamente, pois faz parte dos chavões que os senhores deputados usam regularmente, sobretudo quando não sabem o que  querem dizer e para ganhar tempo até que alguma coisa sia, dizia, deixe-me dizer-lhe com toda a clareza e solicitando que ninguém me interrompa, por enquanto os outros falavam eu não interrompi ninguém, sim, deixe-me dizer-lhe com toda a clareza que a vontade de comemorar o 1º de Dezembro está plasmada na alma do Povo Português, não porque esta data ainda digo algo aos Portugueses, mas porque os Portugueses sintam, cada vez como mais urgente,  um novo 1ª de Dezembro capaz de derrotar os traidores que mais uma vez colocam, a troco de uns tostões, o país na dependência do estrangeiro.

Para rematar ente imbróglio sublinho a notícia que acabei de ler:


Salários nas empresas públicas alemãs vão subir 6,3% nos próximos dois anos


Continuem a preocupar-se com o supérfluo e deixem o essencial, quando acordarem já vão ver a "duquesa de Mântua" deitada na cama do "Miguel de Vasconcelos" a comer-lhe as papas na cabeça e o Zé Povinho a pagar a vilanagem.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Legalização do Roubo

A sensação que tenho é que, nos últimos dois séculos, não vivemos uma mudança estrutural, seja ela social, política ou económica, mas que vivemos numa conjuntura de longa duração.

Os princípios da revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade; soam hoje a algo de falso, soam a algo que serviu simplesmente para empalear e perpetuar os mesmo no poder, isto é, os ricos e poderosos, sejam eles a burguesia, a nobreza, ou simplesmente os tipos do dinheiro.

Dizem que estamos em crise. Será? Olhem à vossa volta e digam-me onde faltam os recursos?

Os recursos faltam onde falta o dinheiro, isto é, eles existem, mas só os podem alcançar quem tem acesso ao dinheiro, quero com isto dizer que para aqueles que inventaram o dinheiro e o manipulam nunca faltaram os recursos. Para os detentores do poder económico, nada melhor do que alimentar uma crise, do que criar uma crise, pois é à custa dessa crise fictícia que o seu poder económico vai aumentar e, consequentemente, o seu poder político e social.

A democracia, esta democracia, é mais uma invenção do poder para ludibriar as pessoas e fazê-las ceder à chantagem de um nome, digo, de um nome vazio, pois a forma sobrepõe-se ao conteúdo.

Já na Grécia Antiga, em Atenas, a democracia, o governo do povo e para o povo, era uma forma de os cidadãos atenienses, apenas 10% da população ateniense, dividirem entre si a riqueza ociosa à custa do trabalho, do negócio, dos restantes habitantes da pólis, achando perfeitamente normal a existência de escravos (cerca de metade da população ateniense), assim como se achava normal a falta de direitos para todas as mulheres, mesmo para as mulheres dos cidadãos. Hoje a proporção entre os detentores do poder e da riqueza e os restantes é bem menor. Chamam a isto progresso? Tecnológico sim, mas e humano?

Tentando fugir ao anacronismo histórico, pergunto se os atenienses teriam consciência das desigualdades da sua sociedade dita democrática, da mesma forma me questiono que a actual Humanidade não tem, não deve ter, consciência dessas desigualdades. Quer numa situação quer na outra, o que impede o desenvolvimento do espírito crítico é a educação. A educação formata o Homem para responder ao que se espera dele, não para criticar e transformar o mundo que nos rodeia.

Se a educação condiciona a instrução liberta.

A sociedade actual é composta por quatro círculos, os quais podem ser concêntricos, secantes, tangentes ou até mesmo divergentes: no centro estão os homens do dinheiro, os que realmente detêm o poder; o segundo círculo é composto pelos sabujos que comem das migalhas daqueles, a troco do formarem uma opinião pública favorável aos interesses dos primeiros, este círculo é constituído pelos políticos profissionais, pelos fazedores de opinião, pelos oportunistas, pelos homens de cultura comprometida, pelos pseudo intelectuais e pelos self made men; um terceiro círculo divergente destes dois primeiros é um círculo marginal, composto por aqueles que contestam o status quo, mas que têm opinião sobre uma sociedade diferente baseada em princípios diferentes, aqueles que pretendem contrariar a lógica dos vencedores, este grupo é constituído por todos aqueles que acreditam que é necessário construir um novo paradigma contrariando aquele em que assenta a actual dita Humanidade, um paradigma baseado nos recursos e não no dinheiro e na posse, este grupo de marginalizados é constantemente abafado pela "polícia" de choque do círculo anterior, o qual tem ao seu alcance armas muito mais poderosas excepto a força da razão; finalmente o último círculo, esmagadoramente maioritário, é constituído por uma imensa massa amorfa e acéfala, fruto de uma educação milenar de subserviência, de falsas necessidades, da criação de um produto facilmente manipulável, ao qual facilmente se podem criar pseudo ilusões, ou pseudo necessidades, para que possam servir os interesses do primeiro círculo, muitos dos que pertencem a este círculo começam, aos poucos e poucos, a despertar desta letargia e começam a prestar mais atenção ao mundo à sua volta, começando a olhar para o círculo anterior como um círculo de libertação e não como um inimigo como os restantes o educaram para aceitar.

Sempre foi assim. Não é o que desde sempre nos disseram? Pois está na hora de começarmos a pensar que tudo pode ser de maneira diferente.

O roubo está agora legalizado, não me refiro ao roubo do dinheiro, mas sim ao roubo dos recurso, que são de todos, e ao roubo das consciências.

Está nas tuas mãos começar a mudar este estado das coisas.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

ET


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Notícias do Futuro

Notícias do futuro:

A boa nova
Sim…daqui fala o Mohamed Abdul  Paulinho da Silveira, directamente da nova sede das Nações Unidas da Terra, ( N.U.T ou  U.N.T ) situada na Ilha atlântica de Santa Maria, adquirida a Portugal na sequência da grande crise  dos anos 2005 a 2020…para anunciar ao mundo, o fim da era monetária.

Ontem mesmo,  29 de Janeiro de 2032,  a Assembleia Geral das NUT- Nações Unidas da Terra, por proposta dos Estados Unidos do Atlântico Sul  ou
U.S. S. A.- Unite States of Sud Atlantic; e na sequência dos resultados obtidos pela Câmara Mundial de Compensação das dívidas Soberanas, reunida durante os anos 2014 a 2019 , decidiu, por unanimidade que:
a).
As dividas soberanas apuradas, devem ser saldadas no prazo  de 30 anos a contar da presente decisão, sem recurso a moedas em circulação, mas tão somente através do fornecimento de serviços e produtos, segundo
os valores internacionalmente definidos pelo novo padrão a decidir
durante esta sessão da Assembleia

b).
A partir desta data, não são autorizadas e serão reconhecidas como nulas, todas as transacções internacionais que não tenham por meios recíprocos de pagamento, a troca de serviços ou produtos.

c)
A nível Nacional, cada País é soberano para reestruturar conforme entender o seu sistema económico-financeiro e produtivo,
mantendo ou não em circulação a sua moeda, todas elas de circulação restrita aos espaços nacionais respectivos.


( Ultima Hora )

A Assembleia acaba de decidir a substituição do Ouro como valor padrão,  pelo barril  de 100 litros de água potável. Todos os serviços e produtos terão o seu valor definido em relação ao preço da água.

A Assembleia, suspenderá os seus trabalhos por 24 horas, que continuarão por tempo indefinido, até que sejam discutidos e decididos
todos os importantes assuntos decorrentes destas profundas alterações para o ordenamento e governação das Sociedades Humanas.

A Assembleia saúda e congratula-se com  o inestimável serviço prestado  pelos Estados Unidos do Atlântico Sul, novel organização regional  herdeira  histórica de matrizes culturais que ajudaram a configurar  o   planeta que hoje conhecemos.

O Sonho comanda a vida!
Feliz Natal!

Camilo Mortágua

Natal 2011

Reflexões:

1. A inovação tecnológica e a competitividade desregulamentada dos mercados de trabalho apresentam ou não, para os últimos 20 anos, uma tendência contínua para o aumento progressivo de excluídos. (desempregados)?

2. Qual a alternativa a esta questão: (maior produção, mais produtos, mais desempregados, menos consumidores solventes)?

3. As bolsas de valores, tem demonstrado, ou não, serem bolsas de especulação financeira e de manipulação das economias mais frágeis?

4. Que fazer para defender as populações das orientações desonestas e interessadas dadas aos investidores que nelas acreditam, vendendo papeis de valor mais que duvidoso e incutindo nas populações a pedagogia da especulação, sem trabalho produtivo.


5. Que fazer para equilibrar os níveis de vida das populações que vivem de actividades do sector primário em relação com as que actuam nos outros sectores da economia, sem este equilíbrio, não pode haver coesão social nem paz.

6. Como organizar a sociedade para que toda a riqueza criada seja a expressão da produção real de bens e ou serviços e não meros exercícios de “criatividade financeira virtual”.


7. Que fazer, para acabar com o anonimato e consequente desresponsabilização dos agiotas que nada produzem e se servem do dinheiro de outrem para gerar mais dinheiro (fictício) e deste, para extorquir os resultados de quem produz efectivamente riqueza?

8. Que fazer para que nenhuma entidade nacional humana possa consumir mais energia e recursos naturais que aqueles que pode produzir, sem provocar desequilíbrios ambientais.

9. Que fazer para conceber um sistema seguro, fiável e barato, para guardar o dinheiro daqueles que prefiram usar esses “cofres”

10. Que fazer, para que a nível planetário, os
Excedentes de uns, sirvam para a solidariedade com os mais necessitados, e não para sustentar a guerra e a exploração dos mais débeis.

11.Que fazer, para que cada nação ou estado, conheça os limites das suas possibilidades e só os ultrapasse quando estejam reunidas as solidariedades reais e necessárias capazes de as sustentar, sem gerar encargos ou
dependências materiais, morais ou de soberania.

12.Se a posse de dinheiro se transformar ( sem resistência ) no valor supremo para o objectivo da realização da Humanidade, e regra absoluta para o reconhecimento de capacidades de governação; a sua híper-concentração na mão de descontroladas minorias, transformará a raça Humana numa
raça outra, de escravidão, onde não valerá a pena viver!

- Que fazer para contrariar esta tendência?

Três questões
A).
A presente crise, é do euro, da Europa, ou simplesmente e apenas uma consequência temporã do modelo social dominante, aqui sentida
com maior impacto, por ser uma das zonas do Mundo onde o modelo, por mais evoluído, mostra mais cedo as suas incontornáveis limitações?


B).
As CRISES europeias, são crises essencialmente devidas a más práticas
governativas e maus governos, que possamos resolver mudando de governantes;
- ou são CRISES devidas ás erradas formas dominantes e generalizadas de pensar a
organização das nossas sociedades? - Crises de modelo de sociedade e de
regimes apenas formalmente democráticos?

C).
Se for este o caso, como encarar as “lutas” partidárias no presente contexto? –
Que alternativa…(Sem entrar no jogo das alternâncias).?
Porquê ocupar o nosso tempo a tentar recuperar velhos instrumentos ?

Jovens…antevejo que os combates que se avizinham, não permitirão salvar as duas coisas essenciais: A VIDA E A LIBERDADE.! Uma destas coisas vos será roubada, é por isso que “candeia que vai à frente, ilumina duas vezes” e há quem diga que: “a vitória prepara-se cedo”.

Camilo Mortágua

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

25 de Novembro

Coisa estranha o 25 de Novembro de 1975. Foi o dia em que perdemos a inocência. Não me lembro de nada, não quero lembrar nada, por isso a minha memória vem de dentro, vem do meu próprio filho que, segundo diz, foi concebido nesse dia, eu não sei, mas ele deve saber, pois é suposto que estivesse presente. Como diz a canção do Sérgio Godinho: éramos tão jovens... mas não desperdiçávamos a vida, digo eu.

Para assinalar este dia deixo aqui o texto que o Guilherme escreveu e nos leu no lançamento, no Porto, do livro de Camilo Mortágua, Andanças pela Liberdade, no dia 28 de Maio de 2009 (curiosa esta data, o 28 de Maio, digo, não o ano, acho que me faz lembrar qualquer coisa, qualquer coisa também relacionada com perda de inocência, mas se calhar estou enganado).

Bom, isto hoje não está para grandes reflexões, aqui vai o texto do Guilherme:

"Intervenção na apresentação, no Porto, do livro "Andanças pela liberdade", de Camilo Mortágua

Não conhecia o Camilo até hoje, nem tive ainda a oportunidade de ler o livro, por isso, o que me trás aqui?!
Para melhor explicar, vou ler-vos o último capítulo de "O Estranho Caso do Cadáver Sorridente", do Miguel Miranda:

"- Deixa cair o corpo sobre a cama, e concentra-te apenas na minha voz...

Viajo na voz de Ofélia, com a pressa de quem deixou algo por fazer. Voz de mel, língua de veludo que me percorre o corpo que se entrega à sua hipnose húmida. Quero regressar ao passado, a ver se ainda vou a tempo. Desta vez, não vamos falhar. Não sei se acerto na espira certa do tempo, estas coisas da hipnose não sei se acontecem à medida dos desejos. Ofélia, ajuda-me a regressar àquela noite do vinte e cinco de Novembro, onde estávamos todos reunidos numa cave. Tu não sabes, Ofélia, nunca poderás saber a força que nos unia, eu, o Gato, o Alegria, o Mau Tempo, o Quim Comandos, o Professor, a Adélia, o Cofres, o Tono da Viela, o Leonel, a Lisa, a Elsa, o Dílio Bailarino, o Hiroxima, o Vagamente, o Beto Doutor, o Poeta, espalhados em silêncio esperando pelas armas pesadas que vinham de Lisboa. Tu nunca poderás ter a noção de como foi dura a espera, como a nossa força se transformou em desespero, pela madrugada dentro, quando nos convencemos de que as armas não chegariam nunca.

- Concentra-te na minha voz, tu tens muito sono...

Sim, sinto uma vontade irresistível de adormecer, e acordar noutro tempo. Desta vez nada vai falhar, iremos a Maceda buscar os arsenais de reserva, não ficaremos eternamente à espera. Cortaremos a Ponte da Arrábida e o Viaduto de Santo Ovídio na noite de vinte e quatro para vinte e cinco, abriremos caminho à bala e à granada, morreremos se preciso for, para que a noite não acabe. Para não voltarmos a acordar de manhã com os sonhos todos desfeitos. Revolução ou morte, será o nosso grito. Talvez ainda haja tempo para fazer com que não tenha acontecido o que aconteceu. Talvez possamos salvar a Revolução, repito vezes sem conta, enquanto escorrego na voz de Ofélia direito ao passado com a certeza de ter uma missão a cumprir. Como se caísse num poço sem fundo, sem certeza de regresso.

Desta vez, nada vai falhar."

E foi exactamente nesta noite, ou nas imediatamente a seguir, que os meus pais, companheiros de luta quer do Camilo, quer das personagens do texto que acabei de ler, me amaram pela primeira vez, e me trouxeram para a luta (uma vez que nasci 9 meses depois), porque de facto, a história e aquela noite ainda não acabaram.

Com 15 anos, em 1991, deixo-me fascinar pelo Francisco Louçã e pela campanha do PSR. 5 anos mais tarde tornava-me militante, no Porto, tendo chegado a ser dirigente nacional dos jovens do PSR, e tendo participado em movimentos anti-racistas, anti-praxe e nas lutas estudantis que se viveram no final da década de 90, do século passado. É por isso pois, que tenho o maior orgulho de, em 1999 ter tido a oportunidade de me pronunciar, e ter respondido afirmativamente quanto à construção do Bloco de Esquerda. Hoje, mais afastado da militância partidária, mas não totalmente desligado, continuo a lutar por aquilo em que acredito e actualmente, sou dirigente de uma associação de Comércio Justo.

Por isso, quer a minha simples existência, quer aquilo que hoje sou, devo-o a este passado, aos meus pais  e a estas pessoas, Camilo Mortágua, Palma Inácio, e outros, que felizmente com eles se cruzaram.

Para terminar, as palavras do Luís Represas (que com o Manuel Faria, do Trovante, também andou pela LUAR):

“Fecho a fronteira p’ra lá de mim
olho-me em ti p’ra me ver
juro que a paz não faz parte de um sonho
espero por ti p’ra vencer” 


Guilherme Rietsch Monteiro

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

GREVE GERAL

O dia 24 de Novembro está a chegar ao fim. É hora de fazer um primeiro balanço desta greve geral.

Não tenho qualquer filiação partidária, não me revejo neste sistema político, mas não sou apolítico. Ainda me enquadro naquilo a que vulgarmente designamos de esquerda, não do ponto de vista ideológico, mas sim filosófico.

Não sei se esta greve foi, ou não foi, um êxito. A informação que nos chega ou é parcelar, ou mentirosa, ou condicionada, isto é, não é informação. Não, a culpa não é só dos média, todos prestam um mau serviço ao direito do cidadão ser informado com isenção: do governo aos sindicatos; da esquerda à direita. Quando se apresentam números, as informações são sistematicamente tão desfasadas, que ninguém de bom senso pode acreditar em nenhuma das versões. Resultado desta confusão é não ser possível agir, nem corrigir, porque a verdade só é realmente conhecida de uma meia dúzia de eleitos, cuja missão é exclusivamente manipular.

É necessário e urgente ir mais além, procurar outros caminhos, mas como? Primeiro, assumir que não nos deixamos manipular, segundo, deixar de nos enganarmos a nós próprios.

Eu sei que este tipo de greves se tornaram institucionais, daí que os efeitos sejam quase nulos, melhor, nos tenhamos convencido que a nossa participação, ou não participação, é completamente desnecessária, porque as leituras dos "opinion maker" vão ser sempre as mesmas. Mas quem disse que os "opinion maker" são os detentores da verdade? Na realidade são apenas simples manipuladores ao serviço do poder, os quais serão descartáveis logo que o seu papel seja irrelevante, ou que, num momento de clarividência, ousem falar a verdade. Todos estão comprometidos com os poderes, por isso não estão isentos, são simples funcionários ou comissários políticos.

Porque razão arranjamos desculpas para não participar? Quem queremos enganar? Não concordamos, porquê? Concordamos, porquê?

Achamos que uma greve não chega, que eram necessários mais dias, que precisamos de encontrar outras formas de lutas que, sendo mais criativas, poderão ser mais eficazes? Concordo! Mas se nem num simples dia de greve conseguimos mostrar que estamos descontentes com o que, há anos, nos andam a fazer, como será possível criar alternativas?

Não concordamos com o sistema? Otimo, mas então vamos usar aquilo que o sistema nos permite para partir depois para outro rumo, por nossa iniciativa e não pela iniciativa de outros. Outros que não são mais do que manipuladores.

A opção é, em primeiro lugar, tomada individualmente e de acordo com os nossos princípios e só depois é que devemos pensar nos custos. E então tomar uma decisão, isto é, se vão prevalecer os princípios ou os custos. Quando prevalecem os custos devemos assumi-lo claramente e não mascarar a realidade. Aceita-se que haja quem privilegie os custos aos princípios, é legítimo, mas assuma-o claramente, não arranjem subterfúgios que apenas ajudam a que cada um digira a sua falta, ou falha, de princípios.

É um fato que este sistema não tem futuro, que a democracia não existe, a democracia é apenas uma invenção do capitalismo para perpetuar os ricos no poder, criando a ilusão de que os outros têm liberdade de escolha. Se queremos derrubar este sistema temos de ser inteligentes e ser capazes de usar as suas próprias armas, sobretudo aquelas que eles pensaram que sempre poderiam controlar, para dar o passo em frente. Uma dessas armas é, sem dúvida, a greve geral.

Com maior ou menor adesão, nem tão baixa como uns nos tentam fazer acreditar, nem tão alta, como outros nos tentam fazer acreditar. A verdade é que, mais uma vez, ficou em mim um sentimento de frustração, porque mais uma vez desperdiçamos a oportunidade de mostrar a força solidária do trabalho e nos libertarmos do jugo e da chantagem que tentam fazer sobre a nossa consciência. Concretizado este primeiro passo, estaremos em condições de, livres, darmos o passo decisivo para inverter a lógica dos poderes e seguir em frente com outro tipo de exigências e levantar outro tipo de questões sobre o que queremos e como construir uma sociedade diferente, baseada em novos princípios, porque as atuais bases da sociedade estão podres.

Claro que nada disto se alcança sem sacrifícios, mas os sacrifícios custam, é sempre mais cómodo esperar que outros façam aquilo que compete a nós fazer.

Posso continuar frustrado, mas nunca baixarei os braços, nunca desistirei, nunca deixarei de dizer e lutar por aquilo que, em minha opinião, é justo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Como Hermínio da Palma Inácio escapou à PIDE


Mário Soares, num livro escrito no exílio no início dos anos setenta do século XX, assinalou as tremendas derrotas para a PIDE que constituíram as dificílimas fugas da cadeia de diversos dirigentes do PCP e, em 1969, do «dirigente revolucionário da L.U.A.R., Hermínio da Palma Inácio, que nesse momento era concerteza (sic) o homem mais vigiado e bem guardado do País». Antes dessa fuga, que foi aliás a última de um estabelecimento prisional gerido pela polícia política de Salazar e Caetano, já Hermínio da Palma Inácio tinha conseguido escapar da prisão do Aljube, em 1949, após ter sido detido em 6 de Setembro de 1947, na sequência da sabotagem de avionetas, na tentativa falhada de golpe da «Mealhada» contra o regime ditatorial. No Aljube, frente à Sé de Lisboa, todas as janelas eram então «gradeadas, menos uma, pequenina, numa arrecadação à altura de um 5.º andar, a caminho do gabinete de inspecção médica». Palma Inácio enrolou lençóis nas pernas, debaixo das calças, e meteu-se na fila para aí ser atendido, às 8 horas da manhã. Aproveitando um momento de ausência do guarda, utilizou os panos como corda e escapou-se para o pátio, 15 metros abaixo. Já na rua, um guarda fez frente a Palma Inácio, que o derrubou e desapareceu.


Rigorosamente vinte anos depois dessa fuga, Hermínio da Palma Inácio voltou a escapar, em 8 de Maio de 1969, da prisão da delegação da PIDE do Porto. Tinha sido novamente detido, em 20 de Agosto de 1968, na falhada tentativa de ocupação da Covilhã por brigadas da LUAR, começando por ficar no forte de Caxias, antes da de ser transferido para o Porto, para ser julgado. No princípio de 1969, um inspector superior da DGS dera conhecimento a José Barreto Sacchetti, director dos serviços e Investigação, de uma futura tentativa de introdução, por Helena Palma, irmã de Hermínio da Palma Inácio, na prisão de Caxias, de umas serras, dissimuladas nas capas de uma agenda. No entanto, dias depois da data prevista para a visita de Helena Palma ao irmão, o responsável pelo forte de Caxias, inspector da PIDE Gomes da Silva, assegurou, numa carta à direcção dessa polícia que nada tinha sido entregue àquele recluso. Sacchetti seria porém posteriormente informado por Agostinho Barbieri Cardoso e Álvaro Pereira de Carvalho, respectivamente subdirector e chefe dos serviços de Informação da polícia política, de que a agenda já se encontrava em poder de Palma Inácio.


Veja-se como tudo se passou. Para protegerem um informador da polícia infiltrado na LUAR, Ernesto Castelo Branco («Canário»), a quem a irmã de Palma Inácio tinha dado conta da vontade de fuga deste, Pereira de Carvalho e Barbieri Cardoso entregaram uma serras ao “colaborador” da PIDE. Ernesto Castelo Branco remetera as serras à irmã de Palma Inácio, que, por seu turno as entregara a este, escondidas na capa almofadada de uma agenda. Partindo para Londres, onde residia, a irmã apurara que a encomenda só tinha chegado às mãos de Palma Inácio, quatro semanas depois. Mal sabia a irmã de Palma Inácio que «a sua artimanha era já do conhecimento da PIDE», mas que esta «foi impotente para desfazer o engenho do processo utilizado» (Diário de Lisboa, 3/5/1974), pois nada conseguira encontrar na revista ao embrulho com a agenda. Foi, assim, que a fuga de Palma Inácio contou com a ajuda, embora involuntária da… própria PIDE/DGS, apesar de alguns dos seus elementos o negarem mais tarde.


O inspector da PIDE/DGS, Abílio Pires, garantiria, após 25 de Abril de 1974, ter sido ele próprio a comprar as serras, para proteger o infiltrado no seio da LUAR, afirmando que a fuga de Palma Inácio valia bem a protecção de um informador. Após ser preso, depois de 1974, o informador infiltrado na LUAR, Ernesto Castelo Branco, confirmaria ter sido ele a entregar as serras à irmã de Palma Inácio e a avisar Pereira de Carvalho da introdução das mesmas no forte de Caxias. Castelo Branco acrescentaria que, após a fuga de Palma Inácio, utilizando as serras, Pereira de Carvalho e Barbieri Cardoso se tinham zangado com ele e que as relações entre o informador e a PIDE haviam esfriado.


Fernando Pereira Marques, outro membro da LUAR que estava detido na mesma cela da delegação da PIDE do Porto, para onde Hermínio da Palma Inácio fora transferido de Caxias, com o objectivo de ambos serem julgados naquela cidade nortenha, também descreveu mais tarde a «fuga que deixou a PIDE verdadeiramente desesperada pela sua ineficácia». Lembrando que, «devido a traição de um tipo chamado Castelo Branco, a PIDE soube que iam ser introduzidas serras, na prisão, para Palma se poder evadir, sabendo a polícia como se processaria a passagem das serras trazidas de Londres por uma irmã deste», Pereira Marques relatou que a própria polícia não descobrira porém onde o utensílio para a fuga estava escondido. Ao ser transferido para o Porto, Palma Inácio conseguira levar as serras, com as quais serrara as grades durante as noites de chuva, disfarçando cada corte com uma massa de pão e cinza.


Pelo testemunho de Mário Soares, ao qual a irmã de Palma Inácio recorrera como advogado, sabe-se que era vontade do irmão que o julgamento fosse adiado até chover. À beira de ser novamente transferido para Caxias ou para o forte de Peniche, Palma Inácio iniciou a fuga, precisamente numa noite de chuva, ajudado por Pereira Marques. Ambos tiraram os parafusos da bandeira da janela, que este último voltou a colocar, após o fugitivo atravessar o patamar, deslizar sobre um telhado de zinco, visível da janela do piquete da PIDE/DGS, o que demorou quase uma hora. Saltou, em seguida, para a rua, caindo por trás da guarita do guarda, que, devido à chuva, estava dentro do seu abrigo, e passou assim diante deste. Pereira Marques conseguiu depois que o alerta fosse dado o mais tarde possível, pelo que os guardas prisionais só se aperceberam da fuga, pelas 9 horas da manhã. Refira-se ainda que, na sequência de um inquérito relativo à fuga de Palma Inácio, conduzido no seio da PIDE/DGS pelo inspector Fernando Gouveia, foram suspensos do serviço um chefe de brigada e um agente de 2.ª classe dessa polícia, respectivamente António de Matos Pais e Rogério Guimarães Lages, bem como o guarda prisional Fernando Martins de Lemos.

Fontes e bibliografia:
- Arquivo do Ministério da Administração Interna (MAI) no IANTT, Gabinete do ministro, caixas 011 («Ministério das Comunicações») e 359 («Pessoal»)
- Arquivo da PIDE/DGS no IANTT, proc. 457 GT, Hermínio da Palma Inácio, fls. 45, 50 e segs. e 54
- Arquivo do Tribunal Militar, Ernesto Castelo Branco, proc. 14/80 do TMT de Lisboa, fls. 187-199
- A Capital, 25/2/1975, pp. 12-13
- «O aventureiro da liberdade perdida», Visão, 16/6/1994, pp. 40 e 42
- Bruno de Oliveira Santos, Histórias Secretas da PIDE/DGS, Lisboa, Nova Arrancada, 2000, p. 121
- Mário Soares, Portugal Amordaçado, Depoimento sobre os Anos do Fascismo, Lisboa, Arcádia, 1974, pp. 260-262


Como complemento, ler:
Mário Soares, Em memória de Palma Inácio


Artigo original publicado aqui: Como Hermínio da Palma Inácio escapou à PIDE

sábado, 15 de outubro de 2011

The Hollow Men



OS HOMENS OCOS (The Hollow Men), de T. S. Eliot, tradução de Ivan Junqueira

Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

II

Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

III

Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.

E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.

IV

Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos

Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio

Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.

V

Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada

Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

15 DE OUTUBRO


O Resumo do Movimento Zeitgeist


Caso este vídeo não esteja legendado, tem de clicar sobre CC e escolher a língua que desejar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

15 DE OUTUBRO 2011


Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Final Speech (Charlie Chaplin in The Great Dictator)


Se não visualizar as legendas (em inglês), passe o rato por cima do vídeo e clique em [CC] na barra inferior que aparece.


NOTA: O filme "O Grande Ditador" foi realizado por Charlie Chaplin em 1940, neste filme Charlie Chaplin desempenha dois personagens: o ditador e o barbeiro judeu. O vídeo acima apresenta-nos o discurso final de Chaplin, com recurso a imagens atuais, desta forma ainda se acentua mais a atualidade das palavras proferidas por Chaplin.


O Discurso

Ao final do filme, o personagem de Chaplin dá um belo discurso falando de direitos humanos no contexto da Segunda Guerra Mundial. Segue:

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos! (segue o estrondoso aplauso da multidão).

Então, dirige-se a Hannah :

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!."

domingo, 2 de outubro de 2011

Arbeit Macht Frei

Não há um único homem, ou mulher, decente que não deva reservar um momento da sua vida para mergulhar em Auschwitz.

Arbeit Macht Frei. "O Trabalho Liberta", era esta a frase que todos os deportados liam ao chegar a Auschwitz, era uma frase que abria ilusões, que fazia as pessoas pensar que estavam à porta de um mundo melhor, uma frase que criava ilusões e que abria as portas do sonho. estavam longe de perceber, os deportados para Auschwitz, ou para outro qualquer campo de concentração da Alemanha Nazi, que o trabalho, em vez de libertar, escravizava.

A ilusão, a santa ilusão, de que nós, simples humanos, de vida tão curta, nos iludimos que somos donos do nosso destino, que construímos a nossa vida, os nossos caminhos. Somos tão pequeninos e pensamos ser tão grandes.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Finalmente

Finalmente foi aprovada na Assembleia da República, por todos os partidos, mas com a excepção do PS, uma lei que criminaliza o enriquecimento ilícito privado com dinheiros públicos.

Parabéns!

Quanto ao PS mais uma vez dá um tiro no pé, até parece que o fantasma José Sócrates anda a controlar o cérebros dos deputados do PS.

Sem dúvida que a aprovação desta lei é um passo em frente rumo à transparência, mas não é decisivo, pois além da criminalização dos enriquecimentos ilícitos, também era fundamental que fossem responsabilizados e criminalizados os gestores públicos que desbaratam os dinheiros públicos. O julgamento político não chega, é necessário um julgamento criminal.

No entanto não basta aprovar leis, por mais justas que sejam, é necessário que estas possam ser efectivamente executadas. Aqui surge um problema grave ao qual os políticos submetidos ao grande capital, não têm coragem de aprovar: a existência de off shores.

É nestas off shores que é lavado o dinheiro do crime, seja ele a droga, seja ele o dos políticos corruptos ou do grande capital apátrida.

Ilegalizar os off shores é um esforço que se exige à comunidade mundial, mas aqui, Portugal pode dar o exemplo, ilegalizando o off shore da Madeira, onde, provavelmente, estará uma parte significativa do dinheiro do célebre buraco da Madeira.

Não posso afirmar que a conclusão anterior seja verdadeira, precisamente porque os off shores estão acima da lei, estão legalmente fora da lei. Quando se permite a existência de off shores no território nacional, quando existe um buraco orçamental monstruoso na Madeira e, provavelmente noutros locais, todas as especulações são possíveis e legítimas. Encerrar o off shore da Madeira não é uma solução milagrosa, pois o grande capital não tem pátria e, muito menos, escrúpulos, por isso caso fosse encerrado o da Madeira, colocariam o seu dinheiro sujo noutros off shores.

Num mundo tendencialmente globalizante, esta é uma luta global.

Quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Força das Ideias

Depois de falar da falta de coluna vertebral, é bom recordar aqueles que de facto deram tudo, abdicaram de tudo e arriscaram tudo para construir uma pátria que devia ser livre e verdadeira.

Um abraço aos companheiros Palma Inácio e Camilo Mortágua.



É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos

ATÉ SEMPRE COMPANHEIROS!