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domingo, 31 de maio de 2009

Intervenção de Guilherme Rietsch Monteiro no lançamento do livro de Camilo Mortágua, "Andanças para a Liberdade"

Não conhecia o Camilo até hoje, nem tive ainda a oportunidade de ler o livro, por isso, o que me trás aqui?!

Para melhor explicar, vou ler-vos o último capítulo de "O Estranho Caso do Cadáver Sorridente", do Miguel Miranda:

"- Deixa cair o corpo sobre a cama, e concentra-te apenas na minha voz...

Viajo na voz de Ofélia, com a pressa de quem deixou algo por fazer. Voz de mel, língua de veludo que me percorre o corpo que se entrega à sua hipnose húmida. Quero regressar ao passado, a ver se ainda vou a tempo. Desta vez, não vamos falhar. Não sei se acerto na espira certa do tempo, estas coisas da hipnose não sei se acontecem à medida dos desejos. Ofélia, ajuda-me a regressar àquela noite do vinte e cinco de Novembro, onde estávamos todos reunidos numa cave. Tu não sabes, Ofélia, nunca poderás saber a força que nos unia, eu, o Gato, o Alegria, o Mau Tempo, o Quim Comandos, o Professor, a Adélia, o Cofres, o Tono da Viela, o Leonel, a Lisa, a Elsa, o Dílio Bailarino, o Hiroxima, o Vagamente, o Beto Doutor, o Poeta, espalhados em silêncio esperando pelas armas pesadas que vinham de Lisboa. Tu nunca poderás ter a noção de como foi dura a espera, como a nossa força se transformou em desespero, pela madrugada dentro, quando nos convencemos de que as armas não chegariam nunca.

- Concentra-te na minha voz, tu tens muito sono...

Sim, sinto uma vontade irresistível de adormecer, e acordar noutro tempo. Desta vez nada vai falhar, iremos a Maceda buscar os arsenais de reserva, não ficaremos eternamente à espera. Cortaremos a Ponte da Arrábida e o Viaduto de Santo Ovídio na noite de vinte e quatro para vinte e cinco, abriremos caminho à bala e à granada, morreremos se preciso for, para que a noite não acabe. Para não voltarmos a acordar de manhã com os sonhos todos desfeitos. Revolução ou morte, será o nosso grito. Talvez ainda haja tempo para fazer com que não tenha acontecido o que aconteceu. Talvez possamos salvar a Revolução, repito vezes sem conta, enquanto escorrego na voz de Ofélia direito ao passado com a certeza de ter uma missão a cumprir. Como se caísse num poço sem fundo, sem certeza de regresso.

Desta vez, nada vai falhar."

E foi exactamente nesta noite, ou nas imediatamente a seguir, que os meus pais, companheiros de luta quer do Camilo, quer das personagens do texto que acabei de ler, me amaram pela primeira vez, e me trouxeram para a luta (uma vez que nasci 9 meses depois), porque de facto, a história e aquela noite ainda não acabaram.

Com 15 anos, em 1991, deixo-me fascinar pelo Francisco Louçã e pela campanha do PSR. 5 anos mais tarde tornava-me militante, no Porto, tendo chegado a ser dirigente nacional dos jovens do PSR, e tendo participado em movimentos anti-racistas, anti-praxe e nas lutas estudantis que se viveram no final da década de 90, do século passado. É por isso pois, que tenho o maior orgulho de, em 1999 ter tido a oportunidade de me pronunciar, e ter respondido afirmativamente quanto à construção do Bloco de Esquerda. Hoje, mais afastado da militância partidária, mas não totalmente desligado, continuo a lutar por aquilo em que acredito e actualmente, sou dirigente de uma associação de Comércio Justo.

Por isso, quer a minha simples existência, quer aquilo que hoje sou, devo-o a este passado, aos meus pais e a estas pessoas, Camilo Mortágua, Palma Inácio, e outros, que felizmente com eles se cruzaram.

Para terminar, as palavras do Luís Represas (que com o Manuel Faria, do Trovante, também andou pela LUAR):

“Fecho a fronteira p’ra lá de mim
olho-me em ti p’ra me ver
juro que a paz não faz parte de um sonho
espero por ti p’ra vencer”

Guilherme Rietsch Monteiro

quarta-feira, 27 de maio de 2009

É JÁ AMANHÃ!


Será lançado no Porto, no dia 28 de Maio de 2009, pelas 18h 30m na Cooperativa Árvore, o Volume I do livro de Camilo Mortágua, "Andanças para a Liberdade", editado pela Esfera do Caos.


Intervenções de:

  • Guilherme Monteiro
  • Elisabete Neves
  • Jorge Velhote
  • Camilo Mortágua.


TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM!


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lançamento no Porto do "Andanças para a Liberdade"

Por coincidência de datas, será lançado no Porto no próximo dia 28 de Maio, o 1º volume do livro de Camilo Mortágua, Andanças para a Liberdade.

Em 1926, uma coluna militar, saída de Braga e comandada por Gomes da Costa, marchou sobre Lisboa, derrubou o regime democrático da 1º República e instaurou em Portugal uma ditadura que viria a durar 48 anos.

O Povo ficou calado e indiferente à manobra militar. O Povo estava cansado de golpes e contra-golpes, de revoluções e contra-revoluções, de oportunismos e favoritismos, por isso não reagiu ao golpe de Estado. O Povo mergulhou na letargia, deixou-se envolver pelo obscurantismo, adormeceu.

Durante a longa noite de 48 anos, teve alguns momentos em que pareceu despertar (as campanhas de Norton de Matos e de Humberto Delgado), mas, num ápice, uma oposição que não era capaz de se unir por muito tempo em torno de um objectivo comum (o derrube da ditadura), criava objectivamente condições para que o Povo permanecesse dormente.

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, o Povo, finalmente, acordou e, de um golpe com fortes características corporativas na sua génese, fez uma autêntica revolução.

Durante cerca de dois anos, o Povo, que tinha acordado de longo pesadelo, pareceu despertar para o sonho. O sonho de construir uma nova realidade, um País diferente, onde todos poderíamos olharmo-nos olhos nos olhos e acreditar no Homem Novo, no Homem Livre.

Mas... de repente... o Povo adormeceu de novo.

Aqueles que sempre estiveram no poder, vestindo as mais variadas roupagens do mundo bi-polar que se vivia, não podiam admitir uma alternativa, uma terceira e autêntica via ao status quo mundial e, cedo, se encarregaram de domesticar as massas, criando-lhes a ilusão de liberdade e democracia para se perpetuarem no poder.

Hoje, estamos de novo adormecidos por uma ilusão de democracia que mais não é do que uma oligarquia onde prolifera o nepotismo.

Até quando?

Foi neste contexto histórico e social que surgiram algumas vozes alternativas, da qual Camilo Mortágua e outros companheiros são exemplos vivos. Pessoas que não se conformaram, que tantas e tantas vezes puseram de parte a sua vida pessoal para lutarem pelo valor mais nobre a que um homem pode aspirar: a LIBERDADE.

O caminho não é fácil, está mesmo cheio de ratoeiras, mas a liberdade não se dá, conquista-se. A liberdade não se impõe, busca-se.

A liberdade começa em nós próprios, não como seres egoístas, mas sim como seres solidários e altruístas.

A Liberdade conquista-se localmente e depois, pelo exemplo, vai-se alargando, sem desânimo nem ânsia, mas com paciência e determinação.

No livro Andanças para a Liberdade, Camilo Mortágua mostra-nos, pelo seu exemplo e pelas suas vivências, que há muito caminho a percorrer, mas que nunca, mas mesmo nunca, podemos deixar de acreditar na liberdade e combater por ela.

Quanto maior for a liberdade dos outros, maior será a nossa liberdade!

No próximo dia 28 de Maio de 2009, pelas 18h 30m, será lançado, na Cooperativa Árvore, Porto, o Volume I do livro de Camilo Mortágua, "Andanças para a Liberdade", editado pela Esfera do Caos.

Intervenções a cargo de: Guilherme Monteiro, Elisabete Neves, Jorge Velhote e Camilo Mortágua.

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Andanças para a Liberdade

Através da memória do autor ficamos a conhecer andanças de desespero e esperança, e algumas das estórias dos combates contra a ditadura, num inesperado contributo para a História da luta dos portugueses pela Liberdade e pela Demo­cracia.

Volume I: 1934-1961 | De Estarreja ao Santa Maria
Volume II: 1962-1977 (no prelo) | Do Santa Maria ao 25 de Abril… e o que aconteceu depois

Partindo de uma aldeia portuguesa da Beira litoral, estas “Andanças” atravessarão mares e continentes, em viagens de ida e volta. Nos dois volumes desta obra dá-se conta, nomeadamente: do derrube da ditadura venezuelana e das solidariedades com a revolução cubana; da concepção, prepa­ração e execução do assalto ao Santa Maria; da ascensão e queda de Jânio Quadros e da implantação da ditadura militar no Brasil; do assalto ao quartel de Beja e da campanha de Humberto Delgado para a Presidência da República; de certos «mistérios» relacionados com os primórdios da guerra colonial; da preparação e execução da operação VAGÓ (desvio do avião da TAP a partir de Marrocos); das misérias e dos desânimos de quem não se conformava, e das traições entre militantes; da oposição do PCP à luta armada; da preparação e exe­cução do assalto ao Banco da Figueira da Foz e do subsequente apa­recimento da LUAR; dos percursos de muitos dos nossos “líderes” de hoje nesses tempos de Medo e Resistência…

SOBRE O LIVRO:

“Estas «Andanças» de Camilo Mortágua, para além de nos oferecerem uma visão global dos tempos da Ditadura Salazarista, remetem-nos para três valências (3Ms) que no contexto da obra assumem especial relevância: 1) A Metáfora das raízes: não há cultura válida sem ligação às origens; 2) A Mestria da arte de contar: pelo expressivo visualismo que se traduz numa escrita feita de oralidade; 3) O Mito das utopias: daquelas que afinal se tornam possíveis e realizáveis…”, José Rabaça Gaspar

SOBRE O AUTOR:

Camilo Mortágua

Entre os inimigos de Salazar que lutaram de armas na mão contra o Estado Novo destacam-se dois homens: Camilo Mortágua e Hermínio da Palma Inácio ― os últimos revolucionários românticos. A eles se devem os golpes mais espectaculares que abalaram a ditadura. Mas a história da acção directa contra o regime há-de reservar a Camilo Mortágua um capítulo muito especial: participou na Operação Dulcineia, em Janeiro de 1961, comandada pelo capitão Henrique Galvão e inspirada pelo general Humberto Delgado ― o desvio do paquete português «Santa Maria», que seria o primeiro acto de pirataria dos tempos modernos. Mais tarde, com Palma Inácio e outros companheiros, fundaria a LUAR.
Nos últimos anos tem trabalhado na concepção e implementação de programas e projectos de desenvolvimento local, assim como na mobilização de pessoas e grupos socialmente desprotegidos e na animação e organização de comunidades em risco de exclusão.
Presidente da DELOS Constellation, Association International pour le Developpement Local Soutenable (1994-2002). Presidente da APURE, Associação para as Universidades Rurais Europeias. Grande Oficial da Ordem da Liberdade da República Portuguesa.

Este livro foi publicado com o apoio de:
ADRACES – Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro-Sul
APURE – Associação para as Universidades Rurais Europeias
Câmara Municipal de Alvito
Câmara Municipal de Estarreja

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Será lançado no Porto, no próximo dia 28 de Maio de 2009, pelas 18h 30m na Cooperativa Árvore, o Volume I do livro de Camilo Mortágua "Andanças para a Liberdade", editado pela Esfera do Caos.

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terça-feira, 28 de abril de 2009

Lançamento no Porto o Volume I do Livro "Andanças para a Liberdade" de Camilo Mortágua



Será lançado no Porto, no próximo dia 28 de Maio de 2009, pelas 18h 30m na Cooperativa Árvore, o Volume I do livro de Camilo Mortágua "Andanças para a Liberdade", editado pela Esfera do Caos.

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AS ANDANÇAS DE CAMILO



Partindo de uma aldeia portuguesa da Beira Litoral, estas "Andanças" atravessarão mares e continentes, em viagens de ida e volta. Nos dois volumes desta obra dá-se conta, nomeadamente: do derrube da ditadura venezuelana e das solidariedades com a revolução cubana; da concepção, preparação e execução do assalto ao Santa Maria; da ascensão e queda de Jânio Quadros e da implantação da ditadura militar no Brasil; do assalto ao quartel de Beja e da campanha de Humberto Delgado para a Presidência da República; de certos «mistérios» relacionados com os primórdios da guerra colonial; da preparação e execução da operação VAGÓ (desvio do avião da TAP a partir de Marrocos); das misérias e dos desânimos de quem não se conformava, e das traições entre militantes; da oposição do PCP à luta armada; da preparação e execução do assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz e do subsequente aparecimento da LUAR; dos percursos de muitos dos nossos "líderes" de hoje nesses tempos de Medo e Resistência...

Volume I 1934-1961 [De Estarreja ao Santa Maria]
Volume II 1962-1977 (no prelo) [Do Santa Maria ao 25 de Abril... e o que aconteceu depois]