Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
6 QUESTÕES SOBRE EDUCAÇÃO
A escola é o espelho da sociedade, mas não devia ser. A escola devia ser o motor capaz de mudar a sociedade, não uma simples peça da engrenagem.
Não acredito em maus professores, só porque os resultados escolares não são os desejados. Nenhum profissional da educação pretende o insucesso dos seus alunos, mas também nenhum deve promover um sucesso visível só porque sim.
É necessário que, em primeiro lugar, se dê as condições necessárias para que os docentes possam desenvolver as suas potencialidades com solidez. Não defendo que se deva estar à espera que todas as condições estejam criadas para depois as colocar em prática. Pensar desta forma contribui para um cruzar de braços que é pernicioso no que diz respeito ao sucesso escolar, da mesma forma que não passa de uma falácia cumprir integralmente um processo burocratizado e caduco, que não leva a lado nenhum e só serve para mascarar a realidade. Um e outro são as duas faces da mesma moeda, cujos resultados estão à vista. Para mudar o status quo é necessário ousar ser criativo para reverter a favor de um processo que todos pretendemos fiável, gratificante e com resultados efetivos, mesmo que os resultados não sejam imediatos, pois a ânsia dos resultados imediatos arrasta-nos para um poço sem fundo.
É um caminho cheio de obstáculos, algumas frustrações, mas que no fim trará os seus frutos, mesmo que se tenha de passar por um período de tempo em que os mesmos sejam manifestamente inferiores ao ideal, pois a frustração combate-se com a assimilação de medidas que, com os professores e não contra os professores, irão dar frutos palpáveis a médio prazo.
É preciso fazer uma travessia do deserto? Claro que sim, claro que é necessário ter coragem e ideias para fazer essa caminhada, mesmo com os meios que hoje estão ao alcance das escolas, desde que haja um interiorização deste processo por parte de todos nós.
A primeira questão é: O que fazer? Refletir ou agir?
Refletir sem agir é inconsequente e agir sem refletir é uma perda de tempo.
A reflexão é importante, pois só quando existe consciencialização do insucesso se pode compreender as suas causas e pensar em ações capazes de contrariar a tendência de maus resultados. Uma ação sem uma sólida reflexão arrasta inevitavelmente o problema para um beco sem saída, pois as medidas tomadas são avulsas e, portanto, o seu resultado depende do fator sorte.
Daqui se concluiu que uma sem a outra são insuficientes, por isso a uma reflexão deve seguir-se uma medida prática, que deve ser testada com rigor, a qual deverá ser reformulada se, e só se, ficar comprovado que não é a mais eficaz.
A segunda questão é: Tem a escola meios suficientes e capazes para colocar em prática medidas eficazes no combate ao insucesso escolar?
Na minha opinião tem os meios suficientes para abrir caminho numa fase de arranque, e alguns para a sua consolidação.
A terceira questão é: Porque não possui a escola todos os meios necessários?
Não os possui, porque a política educativa governamental privilegia o ensino privado em relação ao público e nega à escola pública as mesmas armas para obtenção do sucesso escolar com que beneficia a escola privada. Não se pretende com esta ideia adotar uma política de exclusão dos alunos, que não se enquadram no perfil do bom aluno ou do aluno sem dificuldades educativas. Neste caso as regras de admissão e exclusão devem ser iguais sem diferenciar a escola pública da privada, isto é, quanto a este problema é a escola pública que está no bom caminho, pois ao fazer essa distinção está a criar-se a ilusão de que as escolas privadas são melhores do que as públicas.
A quarta questão é: A escola e os professores devem cruzar os braços por lhes negarem todos os meios necessários para promover o sucesso escolar?
Claro que não, refugiar-se na falta de meios é desistir de exercer a sua profissão com rigor e dignidade, apesar de haver consciência de que não podemos usar todos os meios ao alcance da escola privada, existem alguns que podem ser implementados, não porque é lei e, portanto é uma obrigação, mas porque urge usá-los com critério e rigor, como forma de promover a motivação dos professores para a sua profissão, a qual tem sofrido um desgaste enorme nos últimos anos, por causa das políticas educativas que têm sido colocadas em prática e que promovem um caminho persecutório ao professor por parte da sociedade, o qual, muitas vezes, de forma consciente ou inconsciente, direta ou subliminar, é apoiado e colocado em prática pelas direções das escolas e também, por muitos docentes que agem por medo (alguns dos mais novos), ou por já não acreditarem numa profissão que os motivou (os mais velhos).
A quinta questão é: Quais são os caminhos da educação?
Os quatro pilares do sucesso educativo são as direções das escolas, os professores, os encarregados de educação e os alunos. Da estrutura enunciada podemos concluir que a harmonia entre os três primeiros pilares é fundamental para alicerçar e desenvolver o quarto pilar, o qual é a razão dos anteriores existirem no processo de ensino-aprendizagem.
Torna-se evidente que uma escola excessivamente burocratizada não tem sucesso, a não ser que os resultados finais sejam mascarados, mas, quanto a mim, mascarar os resultados é crime, por isso esta questão, a de mascarar os resultados, fica imediatamente descartada.
Sabe-se as funções de cada um dos pilares deste sistema e, por isso, é fundamental criar as condições para que todos os pilares funcionem devidamente. As direções devem criar as condições de trabalho e diálogo para que os atores que estão no terreno se sintam motivados e com autonomia suficiente para colocar na prática as medidas necessárias para promover o sucesso. Para isso é essencial que o processo ensino-aprendizagem se centre na sala de aula cujas paredes são: a língua e a comunicação; a ciência; a cultura; a arte. Sendo que estas paredes devem ser devidamente alicerçadas numa prática pedagógica adequada e diferenciada, não condicionada por medidas economicistas, as quais desvirtuam os fundamentos da educação, no sentido de criar condições para a aquisição dos meios fundamentais à autonomia e criticismo dos cidadãos em formação. Quero com isto dizer que a finalidade da educação não é formatar, no sentido de estandardizar, cidadãos, mas sim de criar os mecanismos e fornecer a informação necessária para que o cidadão em formação adquira a autonomia e conhecimentos necessários para, criticamente, escolher os seus caminhos, livres de preconceitos que condicionem o desenvolvimento humano.
A sexta questão é: Quais são os meios de que a escola pública dispõe para concretizar um efetivo sucesso dos alunos?
Em primeiro lugar as direções precisam de promover a motivação dos professores sem procurar resultados imediatos, isto é no final de apenas um ano letivo. Entende-se por motivação dos professores dar-lhes condições para que, na sala de aula, possam concretizar, com competência e qualidade o seu trabalho. Neste campo é necessário ser determinado e eficaz no que diz respeito à disciplina na sala de aula e na escola. Existem os mecanismos necessários para concretizar estas medidas, os quais estão no Regulamento Interno das Escolas, os quais podem ser alterados e melhorados autonomamente por cada escola.
Este entendimento envolve, como não podia deixar de ser, todos os pilares da educação e não apenas os docentes.
Centrar toda a atividade letiva fundamentalmente no conselho de turma e não nos departamentos e grupos disciplinares, os quais deviam refletir e agir de acordo com o que se passa nos conselhos de turma e não o contrário. Os departamentos e grupos disciplinares são importantes, mas para aglutinar experiências e as desenvolver, porque o verdadeiro motor do processo é o conselho de turma.
Todo o processo pode ser, deve ser, implementado na confiança que as direções das escolas depositam no seu corpo docente, numa atitude de diálogo franco e de busca de soluções, sem agitação de bandeiras de metas, muitas vezes fictícias, impondo aquilo que é uma simples orientação.
Para qualquer professor a meta de sucesso dos seus alunos é de 100%, por isso não é por estarem estabelecidas, ou institucionalizadas metas de sucesso, que ele vai acontecer. Nenhum professor trabalha de maneira e com empenho diferente, quer a meta de sucesso seja de 50 ou de 100%, mas todos, quando devidamente motivados, procuram aferir constantemente os itens em falha, numa tentativa de corrigir aquilo que ele pode corrigir.
Um professor não trabalha à peça ou com peças, mas sim com seres humanos (direção, encarregados de educação e alunos), os quais não controla, nem deve controlar, por isso a solução do sucesso passa, inevitavelmente pelo empenho de todos.
domingo, 7 de agosto de 2011
O Inferno nas Escolas
Apesar de não partilhar totalmente com António José Saraiva na confiança que ele deposita no actual Ministro da Educação, Nuno Crato, no entanto, e para já, dou-lhe o benefício da dúvida. Apesar de não ser seguidor das concepções relativas à ciência da educação de Nuno Crato, espero que, como professor, consiga (desejo) independência em relação aos políticos, pois prefiro um conhecedor no ministério, mesmo que discordando dele, do que um comissário político.
depois deste prólogo segue-se o excelente e clarividente artigo de José António Saraiva.
depois deste prólogo segue-se o excelente e clarividente artigo de José António Saraiva.
1 de Agosto, 2011 por José António Saraiva
Um dia, o Henrique Monteiro, que na altura era meu subdirector e responsável pela revista do Expresso, disse-me que tinha um novo colaborador na área da Ciência. «Chama-se Nuno Crato», concretizou, nome que não me dizia absolutamente nada. E acrescentou que o homem regressara há pouco do estrangeiro e lhe parecia uma pessoa particularmente interessante e culta.
A partir daí ele começou a escrever uma crónica semanal, que confirmava todos os elogios que lhe tinham sido feitos. Eram textos frescos, ao mesmo tempo didácticos, consistentes e imaginativos – qualidades que é muito raro coexistirem numa mesma rubrica.
Mais tarde vi-o na televisão, julgo que na SIC, num programa que mantinha as mesmas características. Parecia um programazito de curiosidades, mas era um programa científico concebido de uma forma divertida.
Vi-o também em debates televisivos, onde se revelou um homem inteligente, sensato e com aderência à realidade. O oposto do burocrata.
Como se vê, tenho em muito boa conta a capacidade do novo ministro da Educação. Julgo que ele pode ter as ‘ideias certas’ para esta área. E ser capaz de encontrar soluções criativas para as pôr em prática.
Esta parte não é negligenciável. Não basta, de facto, fazer diagnósticos correctos. Havendo um salto enorme entre o diagnóstico e a solução, a criatividade (associada ao bom senso) é decisiva para pôr de pé estratégias novas que funcionem.
E o país precisa disso como do pão para a boca. Neste momento, o sector da Educação é certamente o mais difícil de todos. Se nas Finanças há um trabalho colossal a fazer, na Educação o trabalho é homérico. As histórias que se contam sobre a indisciplina nas escolas são arrepiantes. E não me refiro só àquelas que foram objecto de grande mediatização. Refiro-me às histórias corriqueiras, que acontecem a toda a hora. Como um professor mandar um aluno apanhar um papel que atirou para o chão e ouvir este responder: «Apanhe você!».
Pergunto a um professor experiente por que não se expulsam das escolas esses alunos indisciplinados, que acabam por inquinar o ambiente. Ele responde-me: «Porque a lei não permite que eles sejam expulsos do ensino público. Assim, se são expulsos de uma escola, vão criar problemas noutra. Ora não está correcto que, para nos livrarmos de um problema, o atiremos para cima dos colegas». Enfim, parece uma questão sem saída.
Há hoje professores que vivem aterrorizados, com medo dos alunos. E outros que desistiram do ensino porque não aguentavam mais. E outros que gostam de dar aulas nas prisões porque aí «ao menos há disciplina». O panorama é aterrador. A Educação tem sido desde o 25 de Abril um campo de experiências – e os resultados são catastróficos. A indisciplina atingiu níveis insuportáveis, a desmotivação dos professores alastrou assustadoramente, o nível de aprendizagem baixou.
É preciso dizer que se têm dado, no sector, muitos passos errados.
O anterior Governo tentou pôr em prática um novo método de avaliação dos professores – e muita gente, da esquerda à direita, apoiou a iniciativa. Criticaram-se os professores por não quererem ser avaliados. Quase todos os opinion makers alinharam neste coro.
Ora, a maior parte das pessoas em Portugal tem vistas curtas, pouco vendo para lá da ponta do nariz. Numa observação superficial, o objectivo de avaliar os professores era bom: se todas as pessoas são avaliadas, por que razão os professores não haviam de ser?
Sucede que essa avaliação introduzia no sistema educativo uma perversão que ninguém viu: punha os professores em cheque, questionava subtilmente a sua competência, atirando assim para cima deles parte das responsabilidades pelo fracasso do ensino. E, last but not least, retirava na prática autoridade aos professores, mostrando que o Governo não os apoiava.
Ora a prioridade no ensino neste momento não é avaliar os professores – é avaliar convenientemente os alunos. Aí é que bate o ponto. E associado a este objectivo, há outro: fazer regressar a disciplina às escolas. Não há ensino, não há aproveitamento, em suma, não há escola, sem disciplina.
Os meus filhos andaram sempre no ensino oficial: na escola primária oficial, no liceu do Estado, na universidade pública. Assim, posso dizer que gastei muito pouco dinheiro com as formaturas deles. Ora hoje vejo pessoas, mesmo modestas, a porem os filhos nas escolas privadas. Quando lhes pergunto porquê, espantam-se e respondem: «Eu não ficava descansado se o meu filho andasse na escola pública».
Há duas gerações, a situação era a oposta: os melhores alunos eram os dos liceus do Estado – sendo os das escolas privadas vistos como cábulas que nunca passariam de ano se andassem no liceu público.
E esta quase obrigatoriedade de ter hoje os filhos em colégios privados tem enormes consequências sociais. Como educar os filhos passou a ser muito caro, as pessoas evitam tê-los. «Um chega muito bem», é o que se ouve dizer. E cada vez há menos crianças. A nossa sociedade envelhece.
Roberto Carneiro, que foi ministro da Educação há 20 anos e é um homem muito capaz, levou a cabo uma mudança que se revelaria decisiva: chamou as famílias às escolas. Os pais foram convidados a participar mais activamente na vida da escola dos filhos, o que parecia um bom e lógico objectivo. Mas o resultado foi desastroso. A maior parte dos pais vai à escola apenas para defender os seus filhotes, mesmo quando estes fazem as piores patifarias. Poucos pais se mostram interessados em melhorar o ensino; a sua principal preocupação é defender egoisticamente os filhos, queixando-se muitas vezes de professores ou de colegas.
A entrada dos pais na escola, em vez de contribuir para a solução, contribuiu para ampliar o problema.
Indisciplina generalizada, dificuldade de castigar os prevaricadores, desautorização dos professores, envolvimento da família na vida das escolas – tudo isto forma um cocktail explosivo muito difícil de enfrentar.
Confio, porém, neste ministro.
Confio na sua capacidade para perceber o actual estado de coisas, para fazer um diagnóstico correcto, para detectar os pontos fracos, para encontrar soluções que sejam simultaneamente sensatas e criativas.
Eu sei que não basta isto. Depois há a máquina. A pesadíssima máquina do Ministério da Educação contra a qual esbarraram muito boas intenções. Ouvi pessoalmente queixas de António Brotas, de José Augusto Seabra, de Diamantino Durão, de Marçal Grilo, de Oliveira Martins, do próprio Roberto Carneiro, ao peso da burocracia daquele ministério.
Mas, mesmo assim, continuo a confiar em Nuno Crato. Acredito que seja capaz de romper este ciclo infernal. E tenho um palpite: se ele não conseguir, muito dificilmente outro conseguirá. E aí será a catástrofe.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Resultados dos Exames Nacionais (9º Ano)
Foram hoje tornados públicos os resultados dos Exames Nacionais de Língua Portuguesa e Matemática do 9º Ano de Escolaridade.
Os resultados são assustadores: Língua Portuguesa 44% de níveis inferiores a 3; Matemática 58% de níveis inferiores a 3, sendo que 18% obtiveram nível 1, isto é, não conseguiram ultrapassar os 19% numa escala de 0 a 100%.
Analisei ambas as provas e, na minha opinião, nenhum deles apresenta um grau de dificuldade elevado. Se na Língua Portuguesa era essencial a concentração dos alunos e a leitura integral dos textos e perguntas, pois uma percentagem elevada das questões eram de âmbito interpretativo, na matemática o acento tónico era a interpretação e o raciocínio, não exigindo cálculos muito complexos.
Nos últimos anos temos vindo a observar que a situação tem piorado, mas este ano os resultados são assustadores. Os alunos que agora terminam o 9º ano, estavam no 7º ano quando foi nomeada para Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues. Costumo afirmar, em tom irónico, que estes alunos fazem parte da geração marilú. A verdade é que a situação se já não era boa antes da famigerada ministra, piorou, e de que maneira, com as reformas que a ministra de má memória tentou implementar na política educativa.
Como é possível alcançar sucesso escolar, quando as reformas introduzidas não passam da diabolização do professor, estigmatizando-o e responsabilizando-o integralmente pelo o insucesso dos seus alunos. Criou o caos nas escolas bem de acordo com a doutrina do choque tão cara aos neo-liberais. Fez cavalo de batalha, até muito tarde, do princípio de que o sucesso escolar dos alunos seria factor determinante na avaliação do desempenho docente (de forma acrítica e redutora).
A ministra que a substituiu, a ministra pseudónimo, continuou, nas suas linhas gerais a aventura da política educativa anterior, acrescentando-lhe confusão e acentuando o carácter arbitrário e subjectivo do processo de avaliação docente.
Quanto ao actual ministro, Nuno Crato, apesar de se encontrar ainda em estado de graça, não se pode esperar grandes alterações. É, tal como os anteriores, um neo-liberal, portanto adepto da doutrina do choque. A ideia de fazer implodir o ministério não passou de um fait diver, numa altura em que era politicamente correcto dizer mal do Ministério da Educação, mesmo que duma forma acrítica. Neste sentido insere-se também a tentativa do actual partido do Governo, o PSD, fazer uma tentativa de, em final de legislatura, pôr fim ao actual modelo de processo de avaliação do desempenho. Não que esta atitude fosse incorrecta, mas porque não rejeitou este modelo na altura própria, nem faz qualquer tentativa de, na actual legislatura, reverter este processo absurdo. Os professores não recusam a avaliação, mas sim a forma como está estruturado o actual modelo de avaliação. Só se deixa enganar quem quer.
O que se pode esperar de uma escola onde os professores se desdobram em actividades de enriquecimento curricular, muitas vezes como forma de disfarçar ou mascarar o insucesso, muitas vezes mais movidos pelo medo, sobretudo os professores contratados, em vez de investir, a escola e as políticas educativas, no que se passa dentro da sala de aula; duma escola em que se responsabiliza o professor, quase integralmente, pelo sucesso/insucesso dos alunos e se desresponsabilizam os encarregados de educação e os próprios alunos; duma política educativa em que se dão todas as condições à escola privada e se deixa degradar a escola pública, com a falácia da livre escolha; duma escola em que o principal objectivo é o sucesso dos alunos sem exigir rigor nas aprendizagens e responsabilização de pais, encarregados de educação e dos próprios alunos. Sim, o que se pode esperar desta escola?
O que dizer de uma escola que aposta na penalização dos professores, em vez de apostar na sua formação?
Quando o ministério pretende resultados deve lembrar-se que também é agente da transformação e para isso deve proporcionar os meios e as condições para a melhoria do desempenho docente e, consequentemente do sucesso escolar.
Usa e abusa o ministério de dados estatísticos, não com o objectivo de ajudar os profissionais da educação a encontrar alternativas, mas sim com o objectivo de os acusar de todos os males do processo de ensino/aprendizagem. As estatísticas têm diversas leituras e são um meio auxiliar para encontrar soluções, não um fim em si mesmo, o qual tem servido ao Ministério da Educação para intoxicar e manipular a opinião pública.
Na escola actual vemos exemplificada a doutrina do choque dos neo-liberais, de Milton Friedman e da Escola de Chicago, aplicados à educação.
Os resultados são assustadores: Língua Portuguesa 44% de níveis inferiores a 3; Matemática 58% de níveis inferiores a 3, sendo que 18% obtiveram nível 1, isto é, não conseguiram ultrapassar os 19% numa escala de 0 a 100%.
Analisei ambas as provas e, na minha opinião, nenhum deles apresenta um grau de dificuldade elevado. Se na Língua Portuguesa era essencial a concentração dos alunos e a leitura integral dos textos e perguntas, pois uma percentagem elevada das questões eram de âmbito interpretativo, na matemática o acento tónico era a interpretação e o raciocínio, não exigindo cálculos muito complexos.
Nos últimos anos temos vindo a observar que a situação tem piorado, mas este ano os resultados são assustadores. Os alunos que agora terminam o 9º ano, estavam no 7º ano quando foi nomeada para Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues. Costumo afirmar, em tom irónico, que estes alunos fazem parte da geração marilú. A verdade é que a situação se já não era boa antes da famigerada ministra, piorou, e de que maneira, com as reformas que a ministra de má memória tentou implementar na política educativa.
Como é possível alcançar sucesso escolar, quando as reformas introduzidas não passam da diabolização do professor, estigmatizando-o e responsabilizando-o integralmente pelo o insucesso dos seus alunos. Criou o caos nas escolas bem de acordo com a doutrina do choque tão cara aos neo-liberais. Fez cavalo de batalha, até muito tarde, do princípio de que o sucesso escolar dos alunos seria factor determinante na avaliação do desempenho docente (de forma acrítica e redutora).
A ministra que a substituiu, a ministra pseudónimo, continuou, nas suas linhas gerais a aventura da política educativa anterior, acrescentando-lhe confusão e acentuando o carácter arbitrário e subjectivo do processo de avaliação docente.
Quanto ao actual ministro, Nuno Crato, apesar de se encontrar ainda em estado de graça, não se pode esperar grandes alterações. É, tal como os anteriores, um neo-liberal, portanto adepto da doutrina do choque. A ideia de fazer implodir o ministério não passou de um fait diver, numa altura em que era politicamente correcto dizer mal do Ministério da Educação, mesmo que duma forma acrítica. Neste sentido insere-se também a tentativa do actual partido do Governo, o PSD, fazer uma tentativa de, em final de legislatura, pôr fim ao actual modelo de processo de avaliação do desempenho. Não que esta atitude fosse incorrecta, mas porque não rejeitou este modelo na altura própria, nem faz qualquer tentativa de, na actual legislatura, reverter este processo absurdo. Os professores não recusam a avaliação, mas sim a forma como está estruturado o actual modelo de avaliação. Só se deixa enganar quem quer.
O que se pode esperar de uma escola onde os professores se desdobram em actividades de enriquecimento curricular, muitas vezes como forma de disfarçar ou mascarar o insucesso, muitas vezes mais movidos pelo medo, sobretudo os professores contratados, em vez de investir, a escola e as políticas educativas, no que se passa dentro da sala de aula; duma escola em que se responsabiliza o professor, quase integralmente, pelo sucesso/insucesso dos alunos e se desresponsabilizam os encarregados de educação e os próprios alunos; duma política educativa em que se dão todas as condições à escola privada e se deixa degradar a escola pública, com a falácia da livre escolha; duma escola em que o principal objectivo é o sucesso dos alunos sem exigir rigor nas aprendizagens e responsabilização de pais, encarregados de educação e dos próprios alunos. Sim, o que se pode esperar desta escola?
O que dizer de uma escola que aposta na penalização dos professores, em vez de apostar na sua formação?
Quando o ministério pretende resultados deve lembrar-se que também é agente da transformação e para isso deve proporcionar os meios e as condições para a melhoria do desempenho docente e, consequentemente do sucesso escolar.
Usa e abusa o ministério de dados estatísticos, não com o objectivo de ajudar os profissionais da educação a encontrar alternativas, mas sim com o objectivo de os acusar de todos os males do processo de ensino/aprendizagem. As estatísticas têm diversas leituras e são um meio auxiliar para encontrar soluções, não um fim em si mesmo, o qual tem servido ao Ministério da Educação para intoxicar e manipular a opinião pública.
Na escola actual vemos exemplificada a doutrina do choque dos neo-liberais, de Milton Friedman e da Escola de Chicago, aplicados à educação.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A Educação do Nosso Descontentamento

Eu, Mário João Rietsch Monteiro, professor do Grupo de Recrutamento 400 (História – 3º Ciclo e Secundário) e do quadro do Agrupamento de Escolas de Campo, venho, desta forma, manifestar o meu desagrado pelo actual processo de Avaliação de Desempenho Docente, em particular, pela forma como é imposta a função de relator.
Não é minha intenção pedir escusa do cargo de relator, pois sei bem as consequências de tal acto, no entanto não posso deixar de manifestar a minha opinião relativamente ao processo de Avaliação de Desempenho Docente.
Não faz sentido esta, ou qualquer outra avaliação, no preciso momento em que a progressão na carreira foi suspensa sine die e o vencimentos da maioria dos docentes sofreu cortes significativos. É desta forma que se premeia o mérito?
Em minha convicção todos temos direito a manifestar a nossa opinião, por mais discordante que seja da maioria, pois discordar de opiniões é salutar e contribui para um alargamento de ideias, as quais poderão levar a encontrar soluções criativas para um processo burocrático e subjectivo, que não tem em conta o verdadeiro desempenho docente mas a compilação de evidências e a observação de um ou dois momentos de desempenho docente, sem que tal seja possível demonstrar que ocorre na generalidade das aulas dadas.
Discordar não é estar contra ninguém, mas sim contra alguma coisa. Já lá vai o tempo em alguém afirmava que “se não estás comigo, é porque estás contra mim”. A discordância é o princípio de uma dialéctica que conduzirá inevitavelmente a um diálogo construtivo em busca de soluções justas.
Discordo do processo de escolha dos relatores, imposto pela lei em vigor. Não escolhi, nem pretenda ser relator, nem sinto orgulho pela escolha, mas na realidade sou obrigado a cumprir uma função para a qual fui escolhido apenas pelo critério de antiguidade e para o qual não recebi qualquer formação específica, nem sinto qualquer apetência nem motivação, apenas a necessidade de cumprir uma tarefa a que sou obrigado, sem que sinta qualquer motivação para o fazer. Este processo de escolha dos relatores condena o livre-arbítrio e faz-me sentir como um prisioneiro de um sistema cada vez mais redutor do desempenho docente.
Não posso concordar com o facto de avaliado e avaliador concorrerem às mesmas quotas sem que estejam garantidos os princípios da isenção e de ausência de conflito de interesses. Deste modo irá haver, forçosamente, uma diminuição do trabalho cooperativo e colaborativo interpares e, consequentemente, aumentará a competição entre colegas do mesmo ofício sem que, objectivamente, tal traga qualquer benefício para o processo de ensino-aprendizagem ou para a qualidade do ensino.
Perante o exposto concluo que sou forçado a desempenhar um cargo, ou uma função, com a qual não concordo nem sinto qualquer motivação e que, por isso, a irei desempenhar de uma forma profissional, mas mecânica.
A Escola democrática morreu. Paz à sua alma.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
DREN, DREC, DREL e AFINS

Estou a falar, como é evidente, das Direcções ditas Regionais de Educação.
Quando olhamos para os nomes pensamos tratar-se de um órgão descentralizador da Educação, mas na realidade estas Direcções Regionais não passam de correias de transmissão do órgão Central, isto é, o Ministério da Educação ou, como era vulgar ouvir-se há anos atrás, de cassetes do Ministério.
São órgão acéfalos, autênticos ninhos de boys for the job, armados em reizinhos, ou rainhas de contos de fada, ex-professores que normalmente, alguns deles senhores doutores, que não dão aulas há muitos anos, desligados da realidade docente e da prática pedagógica no terreno, ou ainda ex-presidentes ou ex-vice-presidentes de antigos Conselhos Executivos (assim se chamavam até ao ano lectivo anterior), agora Conselhos Directivos que, na sua maior parte foram recusados por incompetência pelos seu pares, quando a gestão das escolas era formalmente democrática, mas que agora à custa dos amigalhaços, das almoçaradas e jantaradas que proporcionaram enquanto ocupavam aqueles cargos, foram compensados pela sua incompetência.
Não pretendo generalizar no que diz respeito à competência, de certeza que estão lá muitos colegas com excelente qualificação e competência, que não acabaram os cursos ao domingo nem fizeram os célebres doutoramentos de Boston. Mas a verdade é que eu nunca vi um concurso público para admissão de professores para ocupar cargos em qualquer Direcção Regional.
Tudo se passa por convite, pelos amigalhaços, pela mediocridade dos oportunistas, pela estrada onde circulam os tais "chicos espertos", os ases das provas de perícia automóvel, sobretudo nas chincanes políticas. Claro para os cargos mais importantes, os cargos políticos, o próprio Governo escolhe os seus. Se o Governo mudar mudam os comissários, mas para os outros lá se arranja um lugarzito dentro do sistema, porque podem ser de outro partido, mas são todos porcos do mesmo lameiro.
Mas depois são estes que nos falam em exigência e numa cultura de excelência. Como resultado deste lamaçal lodoso passou-se de uma avaliação do serviço docente mau para um péssimo.
Nunca vi tanto oportunismo e bandalheira na avaliação do serviço docente dos professores como no ano lectivo anterior. Avaliadores à força, sem vocação nem capacidade para serem avaliadores. Outros que aproveitaram a oportunidade que lhes foi dada para se libertarem dos seus mesquinhos recalcamentos e aproveitarem para esmagar uns quantos coitados, sem critério nem isenção, apenas porque lhes interessava mostrar que aquelas figuras apagadas e baças eram, afinal, pessoas cheias de personalidade e tiveram aqui o incentivo que lhes faltava para revelarem todos os complexos de inferioridade e ignorância cultural e pedagógica de que padecem, assim como a sua incapacidade intelectual.
Para terminar não quero deixar de realçar que, apesar de tudo, nem todos entraram neste jogo e muitos tentaram, com as regras que lhes foram impostas, fazer um trabalho honesto, decente e competente, mas a esses não lhes serve esta carapuça.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A Nova Ministra da Educação

A Nova Ministra da Educação celebrizou-se com os seu contos juvenis "Uma Aventura".
É bem mais simpática do que a anterior e, para já, mostra-se mais dialogante. No entanto eu já estou habituado a estas coisas, por isso só acredito quando vir o preto no branco.
Desejo-lhe as maiores felicidades e, sobretudo, não desejo vir a fazer-lhe críticas ferozes como fiz à sua antecessora, a qual era perfeitamente incapaz e incompetente para o lugar que ocupava.
O primeiro e decisivo passo que a nova Ministra tem de fazer é rever o ECD, acabar com a divisão na carreira docente.
Fico a aguardar os novos episódios desta trágico-cómica telenovela.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Ao que isto chegou
Composição de aluno do 9º ano "O Pipol e a Escola"
Se não entenderem à 1ª tentem uma 2ª vez que está de mais!!!!!!!!
[Texto verídico retirado de uma prova livre de Língua Portuguesa, realizada por um aluno do 9º ano, numa Escola Secundária das Caldas da Rainha (para ler, estarrecer e reflectir...!!!)]
REDAXÃO
'O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?
Parabéns Milu! Continua a trabalhar para as estatísticas e depois diz que a culpa é dos professores.
Se não entenderem à 1ª tentem uma 2ª vez que está de mais!!!!!!!!
[Texto verídico retirado de uma prova livre de Língua Portuguesa, realizada por um aluno do 9º ano, numa Escola Secundária das Caldas da Rainha (para ler, estarrecer e reflectir...!!!)]
REDAXÃO
'O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?
Parabéns Milu! Continua a trabalhar para as estatísticas e depois diz que a culpa é dos professores.
sábado, 11 de abril de 2009
A CONFAP DO SR. ALBINO

Para que conste e porque muita gente não sabe, a CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais) recebeu do Gabinete da Ministra da Educação duas tranches de 38.717,50 euros cada uma, no segundo semestre de 2006, conforme publicação no Diário da República N. 109 de 6/6/2007 (pág. 15720). Recebeu ainda mais 39.298,25 euros no primeiro semestre de 2007, conforme publicação no DR N. 201, de 18/10/2007(Pág. 30115). Trata-se da única organização que recebe verbas directamente do Gabinete da Ministra. Com um salário destes, o que se pode esperar do sr. Albino Almeida? Mais de 150.000 euros por ano é muito dinheiro. O sr. Albino é apenas e só um assalariado do Ministério da Educação (por sinal, muito bem pago com os nossos impostos - vergonhoso, sra. ministra!!! Sr. PM!!!!!!!).
Com a verdade me enganas.
Olha-me para este meco armado em Pinto da Costa.
Este gajo deve passar o dia a falar para o espelho.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Educação de Antigamente
Subscrever:
Mensagens (Atom)


