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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

MEMORIAL PALMA INÁCIO

EM MEMÓRIA DA ESPECTACULAR FUGA DE PALMA INÁCIO
(Porto, 7 para 8 de Maio de 1969)


PIDE OFERECE 50 MIL ESCUDOS POR INFORMAÇÃO DO SEU PARADEIRO


No Plenário do Porto:

Nove acusados de pertencerem à organização L.U.A.R. (Liga de União e de Acção Revolucionária), presos em Agosto do ano findo, quando entravam clandestinamente pela fronteira do Nordeste transmontano, acabaram de ser julgados no Plenário do Porto.

(…)

Faltou o réu principal, Hermínio da Palma Inácio, de 47 anos, industrial de reparação de aviões, residente em Paris, que, como se sabe já, se evadiu das prisões da Polícia Internacional e de Defesa do Estado. 

Diário de Lisboa, 8/5/1969




Dando voz ao desejo, tantas vezes expresso dos amigos e admiradores de Hermínio da Palma Inácio, um grupo de antigos companheiros resolveu avançar com o projecto de edificação dum monumento comemorativo da sua fuga, no Largo Soares dos Reis, no Porto.

O projecto, cuja fotomontagem pode ser vista acima deste texto, já foi aprovado pela Câmara Municipal do Porto e é da autoria do escultor Joaquim Álvares de Sousa.

Nos tempos que correm, homenagear e relembrar a coragem de PALMA INÁCIO é um pequeno nada nas nossas vidas, que pode ser uma muito grande ajuda para o nosso ânimo colectivo.

Para poder levar a bom termo este propósito, teremos de juntar, até finais de Março, uma quantia próxima dos quinze mil euros e necessitamos da contribuição de todos.

Graças à solidariedade sempre manifestada por todos quantos se sentiram orgulhosos do seu exemplo e agradecidos pelo seu combate pela nossa libertação, confiamos no sucesso desta iniciativa. E, como há verbas que têm de ser disponibilizadas de imediato, apelamos a que nos façam chegar o mais rápido possível a vossa contribuição.

Assim:

1. Para o efeito, existe uma conta com o nº 0214025424200, aberta na Caixa Geral de Depósitos, NIB 003502140002542420072, IBAN PT50003502140002542420072 e BIC CGDIPTPL, que servirá exclusivamente para este fim e de cujo movimento será dado conhecimento detalhado, à medida que as contribuições forem chegando, a todos os que contribuam e o desejem.

2. Agradecemos que cada contribuição/transferência seja confirmada para este e-mail: memorial.palma.inacio@gmail.com

3. A contribuição pode ser feita em fracções, cujos prazos de entrega deverão ser inicialmente programados por um prazo que não deve ir além do fim de Março de 2013.

4. A inauguração do referido memorial está prevista para 8 de Maio de 2013. Certos da vossa resposta a este apelo, recebam as nossas saudações democráticas e sempre solidárias.

A Comissão Organizadora:
Armando Coelho (Comandante)
Camilo Tavares Mortágua
Maria Elisabete Neves
Mário Rietsch Monteiro

Para qualquer contacto:
Maria Elisabete Neves
e-mail: memorial.palma.inacio@gmail.com
Telemóvel: 911 082 328

Mais informações:
Memorial Palma Inácio no Facebook
Grupo Hermínio da Palma Inácio (Facebook)


AMIGO! NÃO DEIXE PARA AMANHÃ O SEU CONTRIBUTO!
E divulgue pelos seus contactos, por favor


CONTA DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS:

Nº da Conta – 0214025424200 NIB – 003502140002542420072
IBAN – PT50003502140002542420072 e BIC – CGDIPTLP (No estrangeiro)

domingo, 23 de dezembro de 2012

Memorial Palma Inácio

Maqueta do Memorial Palma Inácio
da autoria do escultor portuense
Joaquim Álvares de Sousa


PROJECTO MEMORIAL PALMA INÁCIO

Comissão Operacional Promotora:

Armando Coelho (Comandante)
Camilo Mortágua
Maria Elisabete Neves
Mario Rietsch Monteiro

Autoria: escultor Joaquim Álvares de Sousa
Localização: Largo Soares dos Reis (Porto)
Inauguração: Prevista para 2013

Farão ainda parte da Comissão de Honra alguns companheiros ligados ao Palma e à fundação da LUAR, os quais serão brevemente contactados e pedida a autorização de divulgação dos seus nomes.

Neste momento o maior desafio à concretização deste projecto concentra-se na recolha de fundos junto de antigos companheiros e amigos de Palma Inácio, estamos em crer que, até em época de crise, seremos capazes, com a ajuda de todos, de recolher os fundos necessários para a sua concretização.

Memorial Palma Inácio no Facebook


Memorial Palma Inácio

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Como Hermínio da Palma Inácio escapou à PIDE


Mário Soares, num livro escrito no exílio no início dos anos setenta do século XX, assinalou as tremendas derrotas para a PIDE que constituíram as dificílimas fugas da cadeia de diversos dirigentes do PCP e, em 1969, do «dirigente revolucionário da L.U.A.R., Hermínio da Palma Inácio, que nesse momento era concerteza (sic) o homem mais vigiado e bem guardado do País». Antes dessa fuga, que foi aliás a última de um estabelecimento prisional gerido pela polícia política de Salazar e Caetano, já Hermínio da Palma Inácio tinha conseguido escapar da prisão do Aljube, em 1949, após ter sido detido em 6 de Setembro de 1947, na sequência da sabotagem de avionetas, na tentativa falhada de golpe da «Mealhada» contra o regime ditatorial. No Aljube, frente à Sé de Lisboa, todas as janelas eram então «gradeadas, menos uma, pequenina, numa arrecadação à altura de um 5.º andar, a caminho do gabinete de inspecção médica». Palma Inácio enrolou lençóis nas pernas, debaixo das calças, e meteu-se na fila para aí ser atendido, às 8 horas da manhã. Aproveitando um momento de ausência do guarda, utilizou os panos como corda e escapou-se para o pátio, 15 metros abaixo. Já na rua, um guarda fez frente a Palma Inácio, que o derrubou e desapareceu.


Rigorosamente vinte anos depois dessa fuga, Hermínio da Palma Inácio voltou a escapar, em 8 de Maio de 1969, da prisão da delegação da PIDE do Porto. Tinha sido novamente detido, em 20 de Agosto de 1968, na falhada tentativa de ocupação da Covilhã por brigadas da LUAR, começando por ficar no forte de Caxias, antes da de ser transferido para o Porto, para ser julgado. No princípio de 1969, um inspector superior da DGS dera conhecimento a José Barreto Sacchetti, director dos serviços e Investigação, de uma futura tentativa de introdução, por Helena Palma, irmã de Hermínio da Palma Inácio, na prisão de Caxias, de umas serras, dissimuladas nas capas de uma agenda. No entanto, dias depois da data prevista para a visita de Helena Palma ao irmão, o responsável pelo forte de Caxias, inspector da PIDE Gomes da Silva, assegurou, numa carta à direcção dessa polícia que nada tinha sido entregue àquele recluso. Sacchetti seria porém posteriormente informado por Agostinho Barbieri Cardoso e Álvaro Pereira de Carvalho, respectivamente subdirector e chefe dos serviços de Informação da polícia política, de que a agenda já se encontrava em poder de Palma Inácio.


Veja-se como tudo se passou. Para protegerem um informador da polícia infiltrado na LUAR, Ernesto Castelo Branco («Canário»), a quem a irmã de Palma Inácio tinha dado conta da vontade de fuga deste, Pereira de Carvalho e Barbieri Cardoso entregaram uma serras ao “colaborador” da PIDE. Ernesto Castelo Branco remetera as serras à irmã de Palma Inácio, que, por seu turno as entregara a este, escondidas na capa almofadada de uma agenda. Partindo para Londres, onde residia, a irmã apurara que a encomenda só tinha chegado às mãos de Palma Inácio, quatro semanas depois. Mal sabia a irmã de Palma Inácio que «a sua artimanha era já do conhecimento da PIDE», mas que esta «foi impotente para desfazer o engenho do processo utilizado» (Diário de Lisboa, 3/5/1974), pois nada conseguira encontrar na revista ao embrulho com a agenda. Foi, assim, que a fuga de Palma Inácio contou com a ajuda, embora involuntária da… própria PIDE/DGS, apesar de alguns dos seus elementos o negarem mais tarde.


O inspector da PIDE/DGS, Abílio Pires, garantiria, após 25 de Abril de 1974, ter sido ele próprio a comprar as serras, para proteger o infiltrado no seio da LUAR, afirmando que a fuga de Palma Inácio valia bem a protecção de um informador. Após ser preso, depois de 1974, o informador infiltrado na LUAR, Ernesto Castelo Branco, confirmaria ter sido ele a entregar as serras à irmã de Palma Inácio e a avisar Pereira de Carvalho da introdução das mesmas no forte de Caxias. Castelo Branco acrescentaria que, após a fuga de Palma Inácio, utilizando as serras, Pereira de Carvalho e Barbieri Cardoso se tinham zangado com ele e que as relações entre o informador e a PIDE haviam esfriado.


Fernando Pereira Marques, outro membro da LUAR que estava detido na mesma cela da delegação da PIDE do Porto, para onde Hermínio da Palma Inácio fora transferido de Caxias, com o objectivo de ambos serem julgados naquela cidade nortenha, também descreveu mais tarde a «fuga que deixou a PIDE verdadeiramente desesperada pela sua ineficácia». Lembrando que, «devido a traição de um tipo chamado Castelo Branco, a PIDE soube que iam ser introduzidas serras, na prisão, para Palma se poder evadir, sabendo a polícia como se processaria a passagem das serras trazidas de Londres por uma irmã deste», Pereira Marques relatou que a própria polícia não descobrira porém onde o utensílio para a fuga estava escondido. Ao ser transferido para o Porto, Palma Inácio conseguira levar as serras, com as quais serrara as grades durante as noites de chuva, disfarçando cada corte com uma massa de pão e cinza.


Pelo testemunho de Mário Soares, ao qual a irmã de Palma Inácio recorrera como advogado, sabe-se que era vontade do irmão que o julgamento fosse adiado até chover. À beira de ser novamente transferido para Caxias ou para o forte de Peniche, Palma Inácio iniciou a fuga, precisamente numa noite de chuva, ajudado por Pereira Marques. Ambos tiraram os parafusos da bandeira da janela, que este último voltou a colocar, após o fugitivo atravessar o patamar, deslizar sobre um telhado de zinco, visível da janela do piquete da PIDE/DGS, o que demorou quase uma hora. Saltou, em seguida, para a rua, caindo por trás da guarita do guarda, que, devido à chuva, estava dentro do seu abrigo, e passou assim diante deste. Pereira Marques conseguiu depois que o alerta fosse dado o mais tarde possível, pelo que os guardas prisionais só se aperceberam da fuga, pelas 9 horas da manhã. Refira-se ainda que, na sequência de um inquérito relativo à fuga de Palma Inácio, conduzido no seio da PIDE/DGS pelo inspector Fernando Gouveia, foram suspensos do serviço um chefe de brigada e um agente de 2.ª classe dessa polícia, respectivamente António de Matos Pais e Rogério Guimarães Lages, bem como o guarda prisional Fernando Martins de Lemos.

Fontes e bibliografia:
- Arquivo do Ministério da Administração Interna (MAI) no IANTT, Gabinete do ministro, caixas 011 («Ministério das Comunicações») e 359 («Pessoal»)
- Arquivo da PIDE/DGS no IANTT, proc. 457 GT, Hermínio da Palma Inácio, fls. 45, 50 e segs. e 54
- Arquivo do Tribunal Militar, Ernesto Castelo Branco, proc. 14/80 do TMT de Lisboa, fls. 187-199
- A Capital, 25/2/1975, pp. 12-13
- «O aventureiro da liberdade perdida», Visão, 16/6/1994, pp. 40 e 42
- Bruno de Oliveira Santos, Histórias Secretas da PIDE/DGS, Lisboa, Nova Arrancada, 2000, p. 121
- Mário Soares, Portugal Amordaçado, Depoimento sobre os Anos do Fascismo, Lisboa, Arcádia, 1974, pp. 260-262


Como complemento, ler:
Mário Soares, Em memória de Palma Inácio


Artigo original publicado aqui: Como Hermínio da Palma Inácio escapou à PIDE

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

In Memorium...

Palma Inácio (1922-2009)

Hermínio da Palma Inácio que morreu no passado dia 14 no lar da Associação Casapiana de Solidariedade, em Lisboa, onde há tempos vivia, tendo o seu corpo sido velado na sede do Partido Socialista, foi opositor incansável e indómito do regime autocrático que Oliveira Salazar chefiou com mão de ferro durante quase quarenta anos e o movimento militar derrubaria, levando ao restabelecimento da democracia parlamentar em Portugal. A 25 de Abril de 1974 Palma Inácio estava no Forte de Caxias de onde, a 26, seria o último preso a ser libertado, pois mesmo depois da revolução triunfar havia autoridades, civis e militares, a quererem tratá-lo como criminoso de delito comum. Era o seu terceiro encarceramento político desde 1947.


Coragem - a única virtude que, dizia Napoleão, não se pode imitar - tinha ele a rodos e também indignação profunda perante a injustiça social que a política do Estado Novo promovia e perpetuava. E revolta era a sua resposta natural ao atentado à liberdade de cada um que o regime incarnava.

Trazia dentro dele o gosto da aventura. Algarvio de origem modesta alistara-se na aviação, arma que ganhara na guerra de 14-18 imagem romântica de combate individual, não conspurcada por bombardeamentos generalizados de civis ou, mais tarde, por alvos e trajectos determinados por computadores. Como não era oficial não pôde ser piloto da Força Aérea, ficando sargento navegador, embora obtivesse o brevet de piloto civil. (As barreiras entre oficiais, sargentos e praças eram muito maiores do que são agora - como haviam sido na Europa toda até ao fim da guerra de 39-45). O avião iria dar-lhe uma menção no grande livro da História.

A 10 de Novembro de 1961, nas vésperas de eleições em Portugal - como sempre, durante o Estado Novo, nem livres nem limpas -, Palma Inácio, acompanhado por mais cinco conspiradores (entre os quais uma mulher de esperanças), embarcou em Casablanca num Super Constellation da TAP destinado a Lisboa e, já sobre Portugal, apontou uma pistola à cabeça do comandante e mandou-o voar baixo para poderem ser deitados sobre Lisboa e outras cidades panfletos exortando o povo à revolta. O comandante tentou dissuadi-lo com argumentos técnicos que Palma Inácio rebateu. Concluída a operação, o Super Constellation foi aterrar a Tanger. Os assaltantes - e a tripulação - tinham evitado assustar os outros passageiros que só nessa altura perceberam o que acontecera. Marrocos recusou-se a extraditar Palma Inácio. Em Lisboa o incómodo das autoridades foi tão grande quanto a admiração divertida da população: o desvio do avião fora uma première internacional, não houvera mortos nem feridos e os assaltantes haviam-se portado como cavalheiros.

Em 1967, praticou o seu segundo feito célebre. Para financiar a oposição armada a Salazar assaltou com três companheiros a delegação do Banco de Portugal na Figueira da Foz. Levaram 30.000 contos, fugiram de avião e depois de automóvel até Paris onde as autoridades também se recusaram a extraditá-los. Durante dias, carros haviam sido revistados em vão do norte ao sul do país. Perto de Évora, um cabo da GNR que inspeccionava o meu 2 cavalos desabafou: "Isto só pondo uma patrulha da Guarda à porta de cada banco!" O regime sentiu-se de novo desfeiteado e ridículo.

Outras iniciativas audazes de Palma Inácio acabaram mal. Em 1947, participação em golpe militar falhado - primeira prisão, fuga e exílio. Poucos anos depois da Figueira, tentativa gorada de conquista da Covilhã - outra vez prisão, fuga e exílio. Em 1973, entrado em Portugal para mais uma operação, a PIDE prende-o em Caxias.

Homem elegante e encantador, ajudara a deitar abaixo um poder ilegítimo e não fora tentado por benesses do poder legítimo que o substituíra. Além de coragem física e moral, possuía dois dons também raros entre nós: gostava da vida em vez de se queixar dela e preferia fazer coisas a falar de coisas. Indiferente a luxos e honrarias, morreria mais pobre ainda do que nascera.

Texto de José Cutileiro in "Expresso" (29 de Julho de 2009)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Hermínio da Palma Inácio



Hermínio da Palma Inácio, faleceu hoje, 14 de Julho de 2009, às 12h15m.

Foi com profundo pesar que recebi esta notícia, mas já todos estávamos à espera que acontecesse em breve.

Há Homens que nunca morrem e o “Velho”, como carinhosamente lhe chamávamos, é um desses Homens.

Como não poderei estar presente no funeral, deixo aqui um forte abraço ao Palma e a todos os companheiros que, tal como eu, mas sobretudo mais do que eu, tiveram o prazer de conviver com ele.

Até sempre companheiro!

Liberdade ou Morte!

Quantas vezes a morte é a única forma de chegarmos à liberdade.

Para que a memória não se apague, ver aqui e também aqui.