domingo, 21 de outubro de 2012

Agir Localmente, mas Pensar Globalmente


O problema das sociedade actuais é global, mas isso não deve evitar que não está nas nossas mãos fazermos algo para mudar o rumo da história. Se o problema é global, e é, então temos de agir localmente, para que esta acção se propague a todos os cantos do globo e assim estender a revolução, não podemos esperar que todas as condições estejam reunidas para avançar.

Quando uma situação não tem a sua expressão global, acontece o mesmo que aconteceu em Cuba. Cuba teve condições e homens capazes de avançar, mas o resto do mundo fechou-lhe as portas e por isso a revolução cubana ficou isolada e hoje, graças ao bloqueio económico dos EUA e ao fechar de olhos do resto do mundo, Cuba está de facto isolada e o seu desenvolvimento económico está comprometido, daí a necessidade também de pensar globalmente e não acusar Fidel ou Che de erros, que os houve e há, sem dúvida, mas de combater os que globalmente têm o desplante de usar os povos do mundo como se fossem donos e senhores do mundo e os restantes povos fossem apenas uns animalzinhos que vivem na sua quinta.

Não temos um Che, pois não, mas muitos que hoje defendem o Che, combateram-no enquanto vivo. Sou grande admirador do Che, do seu pensamento e da sua acção, mas como ateu que sou não endeuso ninguém, não presto culto da personalidade a ninguém, mas não nego que a minha admiração pelo Che vai para além do racional, assim como por Gandhi, mas todos os "ídolos" têm pés de barro, felizmente uns menos do que outros e é destes que devemos beber e aprender a agir, não nos podemos ficar pelas intenções, há mesmo que agir, essa foi a grande lição de homens como Che e Gandhi. Não podemos estar à espera dos "Ches", eles aparecem quando a dinâmica do povo vai no sentido de dar voz aos seus legítimos anseios.

Os povos, os oprimidos, os que lutam e trabalham arduamente dia a dia, sem que o seu trabalho seja reconhecido pelos falsos patriotas que tudo sugam, os capitalistas. Já Lenine dizia: Proletários de todo o Mundo uni-vos! O capital tem sido bem mais inteligente, infelizmente, do que o trabalho. O capital age localmente (condiciona, manipula, etc) mas pensa globalmente, por isso é que se tem mantido no poder. Quanto ao trabalho, mesmo que perceba o que se passa, deixa-se cair em ilusórias acções, muita palavra e pouca acção, anda mais preocupado com a cor da camisola que cada um usa, se é verde, preta, vermelha ou outra, se anda de fato e gravata, de calças de ganga, esfarrapado ou de sotaina, enfim o trabalho anda preocupado com as aparências em vez de se preocupar com a essência. Quem é que se aproveita desta divisão? Claro que sabem a resposta.

O meu patriotismo é a solidariedade com todos os trabalhadores, sobretudo os que ousam lutar contra a arrogância do poder e do capital, não é o patriotismo daqueles que aceitam que as suas quintas (países) sejam a essência, isso foi mais uma falácia que os donos das quintas inventaram, acho que todos conhecem a frase: dividir para reinar.

Eu sou um cidadão do mundo, mas talvez alguns ainda se lembrem de uma outra frase tão cara a Lenine e com a qual concordo totalmente: internacionalismo proletário. Ser cidadão do mundo é defender o internacionalismo proletário. Gostar do local onde nascemos é amor, são as nossas raízes, mas tal como a criança se liberta dos pais, nós temos de nos libertar das nossas raízes, por mais que as amemos, se queremos ir mais além.

    

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