segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

CÂNTIGO NEGRO

Não encontrei poema que descrevesse melhor a época que estamos a atravessar. Quando querem fazer de nós carneiros e transformarem-nos em clones de si próprios nada como dar um murro na mesa e recusar seguir os caminhos que nos apontam como sendo os ideais. Cada um de nós tem direito à sua individualidade e às suas escolhas. Assim como devemos aceitar as escolhas dos outros, também devemos exigir que aceitem as nossas.

Sejamos cidadãos! Homens e Mulheres Livres!

Os nossos caminhos somos nós próprios que os desbravamos, sem medo de cometer erros, mas sempre com capacidade para aprender com eles.

BOM ANO NOVO!

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CÂNTICO NEGRO

Dizem-me alguns com os olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali....

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao Mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
Mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram Pai, todos tiveram Mãe;
Mas eu, que nunca principío nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: " vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!


José Régio

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natal é Sempre ou Nunca

Para quê inventar o que já está inventado? Para quê falar do que já está falado?

Alguém tem algo de novo a acrescentar? Eu não!

Hipocrisia? Não obrigado!

Spiritwolf (Mário)

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NATAL

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um Homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

José Carlos Ary dos Santos

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DIA DE NATAL

Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Manuel Machado e os Gatos Fedorentos

Com um abraço de amizade para o Manuel Machado e os votos dos maiores sucessos na sua carreira.

É bom sabermos rir de nós próprios.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Sexto Andar

Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar

Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

sábado, 15 de dezembro de 2007

Pai


Eras um "velho" e austero republicano. Faz hoje precisamente 21 anos que morreste, tinhas 86 anos.

Quando nasci já ias a meio caminho dos 60 anos, nunca tivemos uma relação fácil. Não me lembro de um carinho, não me lembro de uma palavra, recordo muitas críticas.

Eras um homem bom, com príncipios muito válidos e um carácter muito forte, mas paraste no tempo, ao contrário da mãe, que se manteve sempre jovem e actual, tu ficaste amarrado aos teus princípios. Rígidos princípios.

Não percebeste que, à tua volta o mundo mudava e que a minha geração nada tinha a ver com a tua, nem com a dos meus irmãos. Fui um filho tardio de um pai que não conseguiu acompanhar a evolução do tempo.

Sei que me amavas, penso que me amavas, eu amei-te e amo-te. Discordei muitas vezes de ti, tentei aproximar-me, sem êxito. Havia um muro intransponível.

No entanto, tal como tu não sabias demonstrar o amor que me tinhas, eu também não soube mostrar-te o quanto te amava e, fica a saber, hoje a minha matriz tem muito a ver contigo. Tenho ainda alguma dificuldade em demonstrar quanto amo as pessoas, mas luto contra esse fantasma e hoje, a vida e as minhas vivências, ensinaram-me, que nunca devemos esconder o que sentimos pelos outros: os filhos, uma companheira, os amigos e amigas. Neste aspecto sou agora, para minha felicidade, muito diferente de ti.

Mas devo-te muito mais do que a vida que ajudaste a dar-me. Muitos dos teus prinicípios, são os meus princípios, mesmo que nunca o tenhas percebido.

Tento ser tão recto quanto tu, mas não tenho medo de cometer erros, não me sinto detentor da verdade, há muitas verdades. Tento fazer o bem, sabendo que muitas vezes faço mal, mesmo que não o queira fazer. Tento ser verdadeiro, mas tenho consciência que nem sempre o consigo ser totalmente. Tento ser autêntico, mesmo que essa autenticidade me prejudique, porque eu sou uma pessoa, não um ser infalível.

Pai, nunca é tarde para reconhecer que erramos, como nunca será tarde para dizer que te amei e que te amo.

A tolerância? Bem essa, desculpa, mas foi da mãe que a bebi.

Amo-te Pai.

Amor e Outros Desatres


Esta noite fui ver, com uma grande amiga, uma comédia romântica: "Amor e Outros Desastres".

Foi uma surpresa, rimo-nos e reflectimos sobre o que vimos. Um filme aparentemente ligeiro, mas cujo conteúdo deve ser analisado com mais profundidade.

Não vou resumir aqui a história do filme para não estragar a surpresa que, acreditem, é agradável.

Ficaram-me a bater na cabeça uma ou outra afirmação, das quais destaco, mais ou menos literalmente a seguinte: "o verdadeiro amor é algo que se vai construindo e não um acontecimento".

O Amor não é uma coisa que bate num momento, não é um flash, isso não passa de impulsos físicos. O amor não é estabelecer metas em relação ao futuro, o amor vive-se no dia-a-dia, ou simplesmente não se vive, porque não existe.

O amor é aquilo que se constrói ou destrói ao longo de um conhecimento mais profundo do outro e de si próprio, muitas vezes o impulso, a atracção física, mascara o verdadeiro amor, outras vezes pelo contrário.

Para mim não há amor sem paixão, mesmo que ele comece por um impulso a paixão deve estar sempre acesa, quando ela se extingue, pelo menos de um dos lados, a relação já não passa de uma farsa, porque amar não é unilateral.

Viver apaixonadamente, entre ambos, é o alimento fundamental para a consolidação de uma relação amorosa, doutra forma as sucessivas desilusões com um relação ideal que se pré-estabeleceu ou pré-concebeu, só tem um fim possível: o aniquilamento da relação, mais ou menos dolorosa, mais ou menos demorada, tudo depende dos sentimentos de cada um, mas não tem outra saída a não ser o seu fim.

Quando essa paixão foi ou teve momentos de grande intensidade, mas chega ao fim, nunca mais existirá qualquer tipo de relação entre os antigos amantes apaixonados. É impossível conviver com alguém por quem fomos apaixonados, o sentimento de desilusão em relação a essa pessoa é tão grande que o tudo passou a significar nada.

Vejam o filme, não vão perder o vosso tempo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Aprender


Perdoar?
Devemos perdoar,
O mal que nos fizeram.

Reconhecer?
Devemos reconhecer,
O mal que nós fizemos.

Esquecer?
Devemos esquecer,
Mas é impossível esquecer.

Aprender?
Devemos aprender,
Com os erros cometidos.

Mas...
Como perdoar?
Como reconhecer?
Como esquecer?
O que está feito,
Está feito.
Não tem mais solução.

Podemos
Manipular o presente,
Influenciar o futuro.
Nunca refazer o passado.
Apenas aprender!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Viver

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.


Charles Chaplin

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Parabéns!


Parabéns mãe! Aceita este ramo de gerberas, a flor que tu mais gostas, como símbolo do meu amor.

Hoje fazes anos e para mim é um dia igual, quer tu estejas, quer não estejas entre nós.

É o teu aniversário e eu recordo-te com muito amor e carinho.

Parabéns mãe!

domingo, 9 de dezembro de 2007

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O Lume

vai caminhando desamarrado
dos nós e laços que o mundo faz
vai abraçando desenleado
de outros abraços que a vida dá

vai-te encontrando na água e no lume
na terra quente até perder
o medo, o medo levanta muros
e ergue bandeiras pra nos deter

não percas tempo, o tempo corre
só quando dói é devagar
e dá-te ao vento como um veleiro
solto no mais alto mar

liberta o grito que trazes dentro
e a coragem e o amor
mesmo que seja só um momento
mesmo que traga alguma dor

só isso faz brilhar o lume
que hás-de levar até ao fim
e esse lume já ninguém pode
nunca apagar dentro de ti


Letra e Música: Mafalda Veiga
in A Cor da Fogueira, Mafalda Veiga


Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto tudo o mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não pára


Letra e Música: Lenine / Dudu Falcão
in Lenine, Na Pressão


Foi por Ela

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela

Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela

Letra e Música: Fausto

Armadilhas

A vida parece longa
Mas é tão curta afinal
Ainda agora começamos
E já estamos a acabar

Muita coisa foi vivida
Muita saudade ficou
Muita mágoa também
Muita mágoa também

Para quê olhar para trás
Pessoas nos marcaram
Umas pela positiva
Outras pela negativa

A verdade está no que sentimos
Não naquilo que idealizamos
Por aqueles que nos amaram
Ou nos enganos que nos armaram

Não me arrependo de nada
Pois nada posso corrigir
Recordo as pessoas autênticas
Aquelas que foram sinceras

Para trás deixei ficar
As que na mentira viveram
Essas ficaram de fora
As outras estão dentro de mim

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Tempo

O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstracção
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.
O que podia ter sido e o que não foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral. As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito.

Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei

..........................

Vai, vai, vai, disse a ave; o género humano
Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.

T.S. Eliot

Emilio Cao - A Voz da Galiza

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* Cain as Follas
* Amiga Alba e Delgada
* Néboa no Val, Lus no Horizonte
* Lévame Lonxe

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Na memória ficou-me uma viagem pelos Picos de Europa, em 1996, mas tudo está já demasiado longe e não tem qualquer sentido, nem valor, nem significado. Tudo não passou duma mentira ardilosamente montada num local de rara beleza.

Eu a olhar para o fogo e o fogo a olhar para o meu fogo, mas depois ficamos reduzidos a cinzas. É a vida e já não há volta a dar.

Caminante

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.


Antonio Machado

Tradução para Português:

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

Antonio Machado, poeta Sevilhano

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Obrigado Ana por me relembrares o nome do poeta. Não há dúvida que em Castelhano fica melhor.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Aquele Homem

Aquele homem
foi irmão, amante, amigo
foi o companheiro perdido
na encruzilhada da vida

foi ele que me preencheu
embora sem o saber
e o seu rumo continuou
noutros portos atracou

Mas o seu sabor ficou
amargo e doce, intenso
e ainda quando penso
sinto em mim o seu calor

Mário, lembro teu nome
sussurro-o dentro de mim
mas o tempo não perdoa
talvez tenha sido o fim


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Quantos anos já passaram? Talvez uma dúzia, pelo menos. Obrigado minha doce Ana, mas nunca sabemos quando é o fim, apenas sabemos o que fizemos, nunca o que faremos. Mas vamos ficar com os pés bem assentes na terra. Beijos.

Aquela Mulher

Aquela mulher.
Foi aquela mulher.
Como pude desperdiçar,
Aquela mulher.

Foi ela que me preencheu,
Foi ela que foi autêntica.
Eu passei ao lado dela,
Mas ela foi aquela mulher.

A vida guarda-nos surpresas,
Mas aquela mulher...
É alguém que nunca esquecerei
É a mulher que recordarei.

Ana, lembro, o teu nome
Paula vem até mim.
Quero sentir o teu corpo
Quero-te junto de mim.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Caminho

O caminho é sempre em frente,
O passado está enterrado.
À frente vejo o sonho,
Atrás ficou o pesadelo.

É sempre bom esquecê-lo,
O passado medonho.
À frente o céu estrelado,
Que ilumina a minha mente.

Doce Novembro

Agora que chegamos a Dezembro, Novembro parece muito mais doce.


Marjorie Estiano - Doce Novembro

Poemeto de Pé Quebrado

Tropeças numa palavra,
A seguir num olhar.
Perguntas o que é amar.
A resposta fica no ar.

Amar é ser autêntico.
Viver aquele momento,
Sem esperar pagamento.
Sem viver o tormento.

Não esperes encontrar
O teu parceiro ideal.
Pode estar neste lugar,
Ou ser simplesmente irreal.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Carro que Respira

Em defesa do ambiente façamos o nosso dever de cidadãos, levantemos a nossa voz, e a nossa acção, contra os lobbies das indústrias automóvel e petrolífera.

VER AQUI.
(ficheiro pps)

Aproveito para relembrar que, na nossa luta para fazer baixar o preço dos combustíveis, não devemos abastecer, nos próximos meses, nos postos GALP e BP. Talvez seja lirismo, mas se todos colaborarmos podemos vencer esta batalha.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Uma Nova Vida


Como é bom sabermos que estamos a fazer de cada dia, um novo dia da nossa nova vida.

Não acredito em determinismos, por isso a vida é o que nós fazemos dela. É nosso privilégio reconstruir a nossa vida e procurar caminhos que nos levem a alcançar de novo momentos de felicidade.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Começar Dezembro com um Azul Especial



SO EASY - MARJORIE ESTIANO
Composição: (Alexandre Castilho / André Aquino / Victor Pozas)

O que você quer eu quero mais
o que você diz não me distrai
mas pode acreditar em mim
que tudo fica bem mais fácil assim

So Easy

Sei que é difícil arriscar
amanhã quem sabe o que será
mas pode acreditar em mim
por que você tem tanto medo assim?

So Easy...

So Easy, me dá a mão, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final

So Easy...So Easy, me dá a mão, So easy, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

{Solo}

Nanananananana... So Easy (2X)
me dá a mão, So easy, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final (3X)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Mágoa

Por todas as ondas do mar
Vou celebrar
À procura de um sonho azul
Que vai voltar

Por todas as luzes do céu
Vou celebrar
Sonhos de mil histórias de amor
Sem acordar

A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou

Por todas as juras perdidas
Vou celebrar
Às desilusões já esquecidas
Quero brindar


A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou

Vem, p'ra longe daqui
Um outro lugar de azul e mar
Vem, não percas a luz que tem
o teu olhar

A mágoa que passou
Não canto mais, não choro mais
É o vento que mudou
E agarro a força que restou


RITUAL TEJO, letra e música de José Manuel Afonso

domingo, 25 de novembro de 2007

25 de Novembro

Obrigado filho. Eu também te amo muito. As tuas palavras sensibilizaram-me muito, por isso deixo aqui o link para o teu post:

25 de Novembro de 1975

Metade de mim é sonho,
Mas a outra metade desilusão.

Isto traz-me à memória um poema de OSWALDO MONTENEGRO, METADE:



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

sábado, 24 de novembro de 2007

Porque Hoje é Sábado

Vou aproveitar para ir curtir a noite. Um grupo de amigos fixes e umas amigas gatas, lindas e fixes.

Porque hoje é sábado.

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O Dia da Criação

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.



Vinicius de Moraes

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Homenagem ao meu amigo Pedro Martino

Professor e fotógrafo amador (porque ama a fotografia), Pedro Martino é uma pessoa rara, inteligente e sensível.

Na sua recente passagem pelo Vietname deixou-nos algumas das suas impressões das gentes que estão por detrás da gente. Convido-vos a ver as gentes do Vietname pelo olhos de Pedro Martino e, se possível, ver para lá dos olhos dele.

Obrigado Pedro e um grande abraço.

Vietnam (Gente 1)
Vietnam (Gente 2)
(Ficheiros PPS)

Esperar o que Acontece

Mário Viegas e a nêspera...

Há ainda quem se lembre? Há ainda quem prefira ficar calado?

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Uma nêspera estava na cama
deitada, muito calada, a ver o que acontecia.

Chegou a Velha e disse:
olha uma nêspera e zás comeu-a !

É o que acontece às nêsperas
que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!



Adaptado de Mário Henrique Leiria, "Novos contos do Gin Tonic", 1974

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video

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Dá que pensar?...

Magia

Ilusão ou realidade? O que escolhes tu?

video

A realidade é sempre mais simples do que a ilusão!

Lilly and the World

Amazing.

video

Aflição


Adiante era o frio, mais atrás era o raio de sol.
uns pés passos largos; outra vez, caminhar devagar.
Entre o tremer e o abrasar, um modo
como se fosse o existir não mais que passar.

Para onde é que vou?

Se meço ou se me perco, se fio ou se desteço;
contar os números é para os sábios, eu só observo.
Fazer um círculo, desenhar quadrado:
a geometria é para quem sabe recomeçar.

Por que é que eu fico?

Minha história é sem início, não determina seu fim;
um dia perguntarão se fui gente ou estátua de sal.
Quando derem por minha ausência estarei
com meus olhos de saudade fitados para atrás.

Onde nos encontraremos?
Quando, o tempo de repousar?


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Poema original de Isaias Zuza Junior (Brasil) publicado iniciamente no se blog A Lanterna Mágica.

Aquecimento Global - Global Warming

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

PORTUGAL no EURO 2008

Jogo fraquito, com alguns requintes técnicos das nossas estrelas.

Mas apesar do empate a 0 com a Finlândia no Estádio do Dragão, Portugal qualificou-se para o Europeu 2008.

Nos Sub 21, depois do empate com a Inglaterra a 1 golo é que as coisas estão mais pretas, mas enquanto há vida há esperança.

Parabéns PORTUGAL!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Ana Popovic & Coco Montoya

Cidadão do Mundo

Anda a circular, por mail, um abaixo assinado que mereceu a minha atenção.

Se ainda não assinaram esta petição, peço-vos que copiem o texto em baixo (em itálico) e o enviem para todos os vossos contactos para dar início a uma nova corrente de solidariedade.

Assim que o número de assinaturas atingir os 250 esse mail deverá ser enviado para o endereço abaixo indicado.

Obrigado pela vossa participação, o Mundo está mesmo aqui ao virar da esquina e nós não podemos estar de costas voltadas para ele.
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Date: Thu, 8 Nov 2007 12:36:44 +0000

Ultraje na África do Sul

Na última semana uma menina de 3 anos de idade na África do Sul foi espancada e violada. Ainda está viva. O homem responsável foi libertado da cadeia ontem. Anda solto nas ruas.

Se você estiver demasiado ocupado para ler este mail então assine apenas o seu nome e reenvie. O Governo planeia fechar a unidade da protecção da criança (CPU) e esta é uma petição contra esse plano. Esta é uma petição muito importante.

É uma parte essencial do sistema da justiça para as crianças. Você pode já
ter ouvido que há um mito em África do Sul segundo o qual ter sexo com uma virgem curará a SIDA. Quanto mais nova for a Virgem, mais potente é a cura.

Isto conduziu a uma epidemia de violações por homens infectados, infectando assim crianças inocentes.

Muitas morreram nestas violações cruéis. Recentemente na cidade do Cabo, um bebé de 9 meses foi violado por 6 homens. Pense por favor sobre isto por um momento. A situação do abuso de criança está a alcançar agora proporções catastróficas e se não fizermos alguma coisa, quem o fará?

Adicione amavelmente seu nome ao fundo da lista e passe por favor este Mail a tantas pessoas quantas conhece.

Se fores a assinatura nº 250 por favor faz um reenvio para:

childprotectpca@saps.org.za

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Farmacêutico Dorme Tranquilo

Esta mensagem foi-me enviada por um amigo, mas também veio publicada na imprensa. Não posso deixar de a divulgar, talvez haja por aí outros, que igualmente altruístas ou menos gananciosos, sigam o exemplo deste farmacêutico. Parabéns Carlos Almeida!
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FARMACÊUTICO DORME TRANQUILO

Muitas clientes de Carlos de Almeida não podiam pagar a vacina contra o cancro do Colo do Útero. Então, decidiu vendê-la sem lucro.

Carlos Almeida, 47 anos, director técnico da Farmácia de Santa Catarina no Porto, desenvolveu um projecto filantrópico com repercussões vitais na saúde das mulheres portuguesas:
- Abdicou das margens de lucro das duas vacinas preventivas do cancro do colo do útero à venda no mercado, ficando as duas ao mesmo preço.

"Não preciso ganhar dinheiro com este medicamento, porque vejo que há uma extensa série de pessoas que não a consegue comprar. E essa imagem é mesmo muito triste", explicou ao 24 Horas.

Com a consciência atormentada, este João Semana das farmácias decidiu fazer alguma coisa. Vende as vacinas ao preço que as compra, possibilitando a mais gente o acesso a um eficaz meio de prevenção de uma das doenças mais mortífereas do sexo feminino.

"Pensei fazer um desconto, mas ainda assim era cara. Não fiz acordo com laboratórios nem com ninguém quando decidi vender a preço de custo. Não tenho lucro, mas pelo menos durmo de consciência tranquila", diz.

As duas vacinas custam 481 e 433 Euros e a Famácia Santa Catarina está a vendê-las a 390 Euros - ainda assim um preço alto para uma grande maioria de famílias, principalmente numerosas.

Ciente das dificuldades, Carlos Almeida, lembrou-se de negociar com uma empresa de crédito, permitindo aos clientes comprar a vacina e pagá-la ao longo de um ano.

"É mais um meio para adquirir o tratamento", justifica.

E até quando a Farmácia Santa Catarina vai continuar com tão altruísta acção?

"Até a vacina ser incluída no plano de vacinação nacional ou até ser comparticipada pelo Governo. A prevenção não pode ser um previlégio", sublinha.
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"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores". Platão

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Mineiro



Em noite de S. Martinho resolvi ir ao Teatro. Um dos actores é meu amigo do peito e era o último dia que a peça estava em cena.

O local foi o Forum Cultural de Ermesinde, a encenação de Júnior Sampaio e resultou de uma co-produção dos grupos ENTREtanto TEATRO e ESTACAZERO TEATRO, ambos da Área Metropolitana do Porto. A peça: MINEIRO, baseada em "A Cena do Ódio" de José de Almada Negreiros.

Uma encenação fabulosa, um texto muito interessante sobre o mundo hipócrita em que vivemos e uma actuação excelente do protagonista.

Dizia assim o convite: "MINEIRO um homem soterrado com os seus espectros concretos e utópicos. Num combate constante para fugir do mundo contemporâneo ele exorciza os vícios, os derrotados, os ultrajados, e discrimina o homem civilizado, os intelectuais, a canalha, a gente simples operária e (...) o burguês".

Texto denso em que cada frase tem de ser maduramente analisada, por isso se tiver oportunidade irei ver novamente a peça. Talvez haja uma reposição.

No fim ficaram a martelar-me na cabeça duas frase ditas pelo mineiro, e que cito de cor: "Esta vida é tão curta que ficamos sempre a meio caminho do desejo" e " com a idade a beleza deixa de ser tocada para ser só vista".

________________________________________________________

Do programa de "Mineiro" retirei o texto que se segue, porque ajudará melhor a contextualizar a peça:

Medo do Outro.
Medo da Mãe. Medo do Pai.
Medo da Mão. Medo do Patrão.
Medo do Colega. Medo do Medo.
Medo da Amante. Medo da Mulher.
Medo do Outro. Medo do Medo.
Medo do Vivo. Medo do Morto.
Medo do Medo. Medo do Dedo.
Medo da Doença. Medo do Pânico.
Medo com Medo. Medo por Medo.


Um desmonoramento, provocado ou acidental, joga com a minha vida de quem não se importa de perder. Um jogo onde não há vencedores nem vencidos. Um empate? Não.
Um homem soterrado com os seus espectros concretos e utópicos, num combate para fugir do mundo contemporâneo, exorciza os derrotados e os ultrajados, discrimina o homem civilizado, os intelectuais, a canalha, a gente simples operária e (...) o burguês.
Com todos hei-de esperar o amor eterno dos homens.
Hei-de esperar humanidade.
Dói-me a falta de ser humano.

Júnior Sampaio
________________________________________________________

Para a posteridade:

M I N E I R O
a patir de "A Cena do Ódio" de José de Almada Negreiros

texto, encenação e espaço cénico júnior sampaio
assistente de encenação daniela gonçalves
cenografia e figurinos rui azevedo
música original rui lima e sérgio gonçalves
interpretação hugo sousa e carlos gonçalves, emanuel de sousa, ivone oliveira, jaime pacheco, rita vieira, rui gomes, sara fernandes e tânia reis
imagem gráfica emanuel de sousa
produção executiva amélia carrapito, sofia leal [et], ivone oliveira, cláudia sousa [ez]
classificação etária m/14
duração aproximada 60 minutos

domingo, 11 de novembro de 2007

S. Martinho



Pelo S. Martinho,
castanhas e vinho!

Vergonhoso



Por sugestão de um comentário num post anterior resolvi ajudar a divulgar um artigo de um companheiro da blogosfera: Vergonhoso: professores das AEC não recebem.

Contra o silêncio. Marchar! Marchar!

Para quem quiser pode também aceder directamente ao blog CEGUEIRALUSA, o link está na lista: "Amigos e outros Blogs".

Se é vergonhoso o que o Ministério da Educação e o Governo, ou seja lá qual for a instância do Poder, andam demagogicamente a fazer com os Portugueses. Mais vergonhoso ainda é o silêncio dos Portugueses.

Participem, denunciem as injustiças, sejam cidadãos!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Defeitos


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Fernando Pessoa

Tutorkamon


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Sabedoria




A Verdade é Intemporal




Poema para a Morte


Beijo o vento com minha boca de flor.
É leve a brisa até se transformar em vento-forte,
carrega por ruas algo que se pode ver apenas
suspenso no ar, perto das estrelas, caindo nada...

Mas não te alcança o vento, e nem o sussurro,
porque é longe a tua presença e perto a falta...
Esta boca não abriu para a passagem do tempo
ou sequer se aproximou do céu ou levaram as ondas.

Voltou à terra e ficou roxa, a mesma flor
que nunca ninguém viu, nunca ninguém plantou.



Poema original de Isaias Zuza Junior (Brasil) publicado iniciamente no se blog A Lanterna Mágica.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Hoje










Preocupa-te só com o dia de hoje, porque o amanhã ainda não existe e o ontem já passou.

Vive um dia de cada vez e que cada um seja melhor do que o anterior.

sábado, 3 de novembro de 2007

Segredo da Vida

Ver aqui o segredo da vida. Como se já não soubéssemos qual é.

Forte e Profundo

Quando, no passado dia 10 de Março, fui operado de madrugada em resultado de um grave acidente de viação, o médico disse aos meus filhos mais velhos, depois de várias horas de operação, que estivessem descansados porque o pai deles iria sobreviver porque era forte e profundo.

A interpretação do médico, que não conheço, mas a quem agradeço profundamente ter-me salvo a vida, é diferente da minha, pelo menos pontualmente, mas o contexto também é diferente.

Forte sou, sei-o agora. Quanto ao profundo bem, quanto a profundo, isso sim, gostaria de ser.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Erradicar a Pobreza

A ONU, o Google e o Cisco lançaram um site para acompanhar a evolução dos esforços para acabar a pobreza no Mundo.

Todos nós podemos dar uma pequena contribuição, sem esperar nada em troca, a não ser a nossa satisfação de sermos cidadãos do Mundo e a nossa obrigação para contribuir para erradicar o maior mal da nossa sociedade.

Para tirar partido do site devem ter instalado o Google Earth, aliás neste site tem um link para fazer o download gratuito do Google Earth.

Não é necessário dinheiro, mas sim vozes que calem o silêncio.

O acesso a esse site pode ser feito a partir daqui: MDG Monitor

Com o mesmo objectivo também podem consultar este site Make Poverty History.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

YouTube

Hoje senti um pouquinho de orgulho e muita satisfação, porque recebi este mail do YouTube:

"Temos a satisfação de comunica-lo que seu nome foi mencionado em algum de nossos vídeos mais acessado de nossa rede."

Foi um pequeno vídeo, feito com uma simples máquina fotográfica em 21 de Julho de 2007, de um espectáculo memorável de Coco Montoya, realizado em Gaia, Porto.

Deixo-vos aqui novamente o link, para que possam continuar a visualizá-lo e, se possível, deixarem alguns comentários.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Recordar é Viver

Faz hoje quatro anos que faleceu a minha mãe, tinha quase noventa anos, faltava-lhe um mês e alguns dias para os completar (nesta foto deveria ter cerca de 75 anos).

Tinha uma felicidade de viver e uma juventude que é difícil encontrar noutras pessoas, mesmo muito mais novas.

As saudades são muitas, mas o seu exemplo e o seu carácter mantêm-na sempre bem viva em todos os que lidaram com ela, em particular os filhos, netos e bisnetos.

Por isso todos sentimos sempre a sua presença e a recordamos com prazer.

Estás sempre no meio de nós. Um beijinho mãe!

domingo, 21 de outubro de 2007

Fernando Pessoa

Vida

Estou agora muito bem, acabei de chegar de uma noite de convívio e copos, risadas e palermices, mas também conversas muito sérias, com alguns dos meus melhores amigos e amigas, daqueles que não querem condicionar-me aos respectivos padrões e opções de vida, mas que me aceitam tal como sou.

Conheci hoje pessoas fantásticas e quero deixá-lo aqui dito, porque a amizade não é uma questão de tempo, mas de autenticidade.

A minha vida mudou, agora sinto-me feliz, porque voltei a ser eu.

Para todos os meus verdadeiros amigos e amigas aquele abraço e beijos, conforme as preferências.

Sabem que podem sempre contar comigo.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Mestre Júlio Resende



A lucidez de um Homem de 90 anos em cerca de cinco minutos.

Nota: a captação de som está um pouco baixa, por isso para ouvir em condições as palavras de Mestre Júlio Resende devem pôr o som tão alto quanto possível

(Video gravado em 22 de Setembro de 2007)

Adeus Amor

Adeus amor que cresci
Já pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
Que de bom tinha a beber

Adeus amor, vou embora
Não me impeças por favor
Sabes que só vou agora
Porque dei tempo ao amor

Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial

Adeus amor já me cansa
A canção do teu cinismo
Essa pose de quem dança
Sempre à beira do abismo

Adeus amor que cresci
Pouco me tens a dizer
Já bebi tudo de ti
E há mais mundo a beber

Não suporto o teu modo
Carinhoso e paternal
No tom de quem sabe tudo
Sem saber o essencial


-------------------------------
Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Saudade

Recordando uma mulher íntegra, frontal e solidária: a minha mãe.

Aqui tinha 16 anos, morreu cerca de um mês antes de completar 90 anos.

Já fui um filho tardio, o último de um total de seis.

O seu modo de estar na vida continua a ser um exemplo e uma fonte de inspiração para mim.

domingo, 30 de setembro de 2007

Frontalidade

Ou melhor, a falta de frontalidade e a hipocrisia, são os principais atributos daqueles que agem por má fé.

Aqueles que agem subrepticiamente, que não hesitam nos meios a utilizar, que se aproveitam de um momento de fraqueza e da dor dos outros para os atacar, que são desonestos, que usam amigos, tentando pôr uns contra os outros para se auto-justificarem, para dar cobertura à sua desonestidade. São mentirosos.

As pessoas sem frontalidade são frias e calculistas e esperam, ou provocam, o momento certo, para pôr a sua vingança mesquinha em acção, sem olhar a meios nem às consequências.

As pessoas sem frontalidade nem merecem ser desprezadas, basta que sejam ignoradas, porque de facto ao desprezar quem não é boa pessoa é dar-lhes uma importância que não têem, é como se ainda estivessemos, de alguma forma, dependentes ou ligadas a elas e tivessemos ainda qualquer recordação de tempos que nos pareceram outros.

Ignorar os que não são frontais é colocar um fim a uma realidade que nunca existiu ou, no mínimo, a uma realidade virtual que nos iludiu durante algum tempo.

Demorei a entender, mas aprendi a ignorar aqueles que de facto não prestam, mesmo que continuem a enganar outros, a mim já não me enganam.

Podemos e devemos desculpar quem erra, todos nós estamos sujeitos a errar, mas não tem desculpa quem age de forma calculista e premeditada.

A melhor maneira de lidar com aqueles que desceram ao patamar da ignomínia e da ordinarice é de facto ignorando-os, a nossa mente fica em paz e despimo-nos de qualquer sentimento de retaliação que nos tornaria iguais a eles.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Frases Soltas

Em tempos entrou na minha caixa de e-mail uma série de frases soltas sobre o amor. Já nem me lembro quando nem quem as mandou.

Mesmo que no momento não ame ninguém, também é certo que há muitas formas de amor (pelos filhos, pelos amigos, etc.) a verdade é que a nossa disponibilidade para amar deve estar sempre presente.

Pode parecer lamechas, mas já dizia Fernando Pessoa que as cartas, eu direi mesmo, palavras, de amor são ridículas, sobretudo quando lidas à posteriori. Seja como for aqui ficam, de autor desconhecido, as breves linhas que recebi e que sirvam para a vossa reflexão.

Aproveitem-nas e enviem-nas para a pessoa que amam ou por quem estão apaixonados/as.

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  • É difícil dizer adeus quando se quer ficar. É difícil sorrir, quando se quer chorar. É difícil ter que se esquecer quando se quer amar.


  • Não há amor humano que não decepcione, pois ele não é mais do que uma porta para que o amor se torne maior.


  • Amar não é aceitar tudo. Aliás onde tudo é aceite, desconfio da falta de amor.


  • A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.


  • Faz da tua ausência, o bastante para que sinta a tua falta, mas não a prolongues a ponto de me acostumar a viver sem ti.


  • Dizer que te amo é pouco... e tudo ao mesmo tempo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Quem Faz Anos Comigo?

Para quem quiser saber a personalidade que tem o mesmo dia de aniversário, é só clicar aqui: Projecto VIP.

Para quem quiser pesquisar logo o dia e mês, então clica aqui: Dia/Mês.

Talvez vos saia John Carpenter, Nicolau Copérnico, Pamela Anderson, Bernard Shaw, Yasser Arafat, Johann Göethe ou Keanu Reeves, quem sabe?

Também aparece associado a cada data um obituário.

Não é muito exaustivo, mas até que tem alguma piada.

Das personalidades que fazem anos no mesmo dia que eu, escolhi Bernard Shaw. Qual é a tua?


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Dizer que um crente é mais feliz do que um céptico é como dizer que um bêbedo é mais feliz do que um sóbrio.


Bernard Shaw

The End

(...) Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem. (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Ver o que não se Via

(...) O segundo a recuperar a vista (...) foi a rapariga. (...) O (...) abraço foi para o velho (...) agora vamos saber o que verdadeiramente valem as palavras, (...) mas a situação mudou, a rapariga (...) tem diante de si um homem velho que ela já pode ver, acabaram-se as idealizações emocionais, as falsas harmonias na ilha deserta, rugas são rugas, calvas são calvas, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Tempo

(...) é preciso esperar, dar tempo ao tempo, o tempo é que manda, o tempo é o parceiro que está a jogar do outro lado da mesa, e tem na mão todas as cartas do baralho, a nós compete-nos inventar os encartes com a vida, a nossa, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Palavras

(...) As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntando umas com as outras, parece que não sabem aonde querem ir, e de repente, por causa de duas ou três, ou quatro que de repente saem, simples em si mesmas, um pronome pessoal, um advérbio, um verbo, um adjectivo, e aí temos a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compustura dos sentimentos, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Sonhos

(...) Vagos no princípio, imprecisos, os sonhos iam de dormente em dormente, colhiam daqui, colhiam dali, levavam consigo novas memórias, novos segredos, novos desejos, (...) Este sonho não é meu, diziam, mas o sonho respondia, Ainda não conheces os teus sonhos (...) a rapariga (...) ficou a saber quem era o velho (...) que dormia ali (...) desta maneira julgou ele saber quem ela era, apenas julgou, porque não chega serem recíprocos os sonhos para que sejam iguais. (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

Incertezas da Certeza

(...) o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios, (...)

José Saramago in "Ensaio sobre a Cegueira"

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Mudar

Fazer coisas, faz com que as coisas mudem. Não fazer nada, não muda nada.

Quem baixa os braços primeiro? Quem nada quer mudar ou tem medo da mudança!

Só os cobardes não mudam.

domingo, 23 de setembro de 2007

Eu

Não sou bandido, nem criminoso, nem louco. Nunca ameacei ninguém a não ser a mim próprio. Tenho direitos e vou lutar por eles.

Não sou uma coisa, sou uma pessoa!

Há quem tenha a obrigação de saber quem sou e quais os meus princípios mas, de repente, cega pelo ódio e mal aconselhada, tudo esqueceu. O mais grave é que as nossas atitudes não afectam apenas a nós próprios, mas principalmente quem não pode nem deve ser afectado.

Ainda espero que haja um pingo de bom senso, mas já não acredito, pois ninguém consegue dialogar com um muro empedernido que não quer dialogar, ainda mais quando o muro não pensa pela própria cabeça, mas sim pela dos que lhe ditam o discurso.

O meu "crime" foi ter amado e acreditado em quem não o merecia, porque não é quem aparentava ser.

Que indignidade! Não restou nada: nem amizade, nem respeito, apenas desprezo e indiferença, de parte a parte.

Já não espero mais pelo julgamento da vida. Acabou o tempo de ser bonzinho. Tudo será tratado onde deve ser tratado, com a réstia de dignidade e bom senso que sobrar. Se é que sobrou, mas não me parece.

Pois que seja muito feliz na sua redoma e no seu mundo de horizontes estreitos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Encosta-te a Mim



Encosta-te a Mim

Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.


Jorge Palma

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Certezas

Depois passaram as dúvidas e veio o pesadelo. Mas agora o pesadelo acabou, já nem me lembro de nada, porque não há nada para lembrar, foi tudo um engano, uma mentira.

Não tenho medo, não me escondo da verdade, não mascaro a realidade. Não quero dar uma imagem que não corresponde ao que sou. Não gosto de enganar. Não sei enganar!

Não quero ser criticado pelo que não sou, mas não me importo de o ser pelo que sou, com lealdade e frontalidade.

A minha memória ficou apagada e não tem nada de bom para recordar, para além do amor dos e pelos filhos e da amizade dos e pelos verdadeiros amigos.

Já dizia Churchill: pode-se enganar muita gente durante muito tempo, mas ninguém consegue enganar toda a gente todo o tempo.

Agora que acordei do pesadelo, as dúvidas transformaram-se em certezas. Há sempre um dia em que as pessoas acordam. Não é verdade?

Não ouvirão mais lamentações ou queixas, nem acusações, da minha parte. Não fui eu que desejei esta situação, mas a verdade é que não soube, não soubemos, ou não quisemos, encontrar outra saída, mesmo que fosse, e devia ser, a mesma, mas o modo devia ter sido digno e não o foi. Já nada me interessa. Não se pode amar quem não ama. Varri da minha memória o que não interessa, pois de outra forma corria o risco da loucura.

Eu não quero enlouquecer, quero ser a pessoa que sou e não a que estava a ser, ou que me obrigavam a ser, uma coisa. Quero ser pessoa, quero reconquistar a capacidade de amar e de viver. Pois aqui estou eu.

Nunca ameacei ninguém a não ser a mim próprio. Sou uma pessoa de paz. Sou tolerante, mas exijo que também o sejam comigo. Sou frontal, mas dos outros espero frontalidade. Errei e assumo os erros, mas gostava que os outros também assumissem os seus. Quando amo gosto de ser amado.

Só quem não ama, ou não tem capacidade de amar, não comete loucuras. Não se pode amar quem não ama ou não sabe amar, ou ainda quem só se ama a si próprio e não sabe partilhar. Para além de partilhar, amar também é ceder, compreender, ajudar, quando é preciso ajudar. Podemos nem sempre estar atentos ou não perceber que o outro precisa de ajuda, mas há um momento em que tudo fica claro, sobretudo quando o outro tem atitudes diferentes conforme as pessoas com quem está: com uns está tudo bem, com outros está tudo mal. É um logro. Amar uma pessoa assim só pode afectar a nossa sanidade mental. Eu libertei-me.

É fácil lançar acusações, ou fazer análises, quando só se conhece, ou só se quer reconhecer, a ponta do iceberg. Não rejeito os meus erros, os quais, como é evidente, foram muitos, mas era bom que cada um reconhecesse também os seus. Estou neste momento numa situação insustentável, mas que compreendo face aos erros que cometi recentemente, mas era bom que houvesse bom senso de parte a parte e que se reconhecesse os seus próprios erros e se compreendesse que a intolerância prejudica mais do que beneficia quem não merece, nem pode, ser prejudicado. Que haja uma réstia de bom senso é o que eu espero, de mim e dos outros.

Tenho muito, tenho tudo. Amo e sou amado pelos meus filhos. Amo e sou amado pelos amigos. Que mais posso querer? Todos me aceitam como sou, com os meus defeitos e com as minhas qualidades. As suas críticas são sempre bem-vindas, porque são construtivas e me alertam para a correcção de erros. Todos me ajudam a mudar naquilo que devo mudar, sem deixar de ser quem sou. Sem acusações, nem julgamentos sumários. Nem condenações, sem direito a defesa.

Não posso ser frio e calculista, porque sou sensível e emotivo. Não posso ser egoísta, porque sou solidário. Nisto não posso nem quero mudar, mas posso estar mais atento e estarei. Mas posso ser mais interveniente e serei.

De resto foi apenas uma pedra insignificante em que eu tropecei. Uma pequena pedra dura que se acha uma montanha. Ferido de amor também fiquei com a ilusão de que a pedra era de facto uma montanha. Enganei-me, mas custou a perceber.

Fui à beira do mar, peguei na pedra e, com todas as minhas forças, atirei-a para bem longe. Seguiu aos saltos e a chapinhar tudo que estava perto de si. Adeus pedra, vai para bem longe e fundo onde poderás estar rodeada de outras pedras como tu e sentires-te aconchegada e confortável. Todas as outras pedras são iguais a ti, não tens mais nada com que te preocupar.

Já não sinto amor, já não sinto mágoa, nem raiva, nem rancor, nem dor. Já não sinto nada, apenas alívio e indiferença.

Sei que um dia tropeçarei numa "coisa" fôfa, meiga, sensível, emotiva, amiga, solidária e autêntica que será do tamanho que quiser ser e que saberá aceitar-me tal como sou e então ambos poderemos construir de facto uma relação em que 1 e 1 seja sempre 1 + 1 e não 2.

Ponto final, parágrafo. Dá-se início ao novo capítulo.

Spiritwolf em 17 de Setembro de 2007

domingo, 16 de setembro de 2007

Cornflakes

No dia 19 de Fevereiro de 1906 William Kellog fundou a primeira companhia de cornflakes, originalmente utilizados como comida para doentes psiquiátricos.

Kellog escolheu bem a data para lançar no mercado um alimento para doentes psiquiátricos. Eu até proponho que esta data passe a ser considerada o Dia Mundial dos Doentes Psiquiátricos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Boa Sorte - Good Luck


Boa Sorte/Good Luck - Vanessa da Mata e Ben Harper


É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte

Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz

Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That’s it
There is no way
It over, Good luck

I have nothing left to say
It’s only words
And what I feel
Won’t change


Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It´s too much
É pesado/ It’s heavy
Não há paz / There is no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / Isn´t real
Expectativas / Expectations
Desleais

Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha

Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who poisoned you

There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world
In the world
All you want
All you want


Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It´s too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There is no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais/ Isn’t real
Expectativas / Expectations
Desleais

Now were Falling into the night
Um bom encontro é de dois

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Horizontes

Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura...

Fernando Pessoa

Dúvidas

Se eu fosse olhos,
Tu serias o meu olhar?

Se eu fosse emoção,
Tu serias a minha lágrima?

Spiritwolf em 5 de Fevereiro de 1997

Obstáculos

Se são os obstáculos que nos mostram o caminho, então prefiro sonhar acordado a viver a realidade a dormir.