segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Mineiro



Em noite de S. Martinho resolvi ir ao Teatro. Um dos actores é meu amigo do peito e era o último dia que a peça estava em cena.

O local foi o Forum Cultural de Ermesinde, a encenação de Júnior Sampaio e resultou de uma co-produção dos grupos ENTREtanto TEATRO e ESTACAZERO TEATRO, ambos da Área Metropolitana do Porto. A peça: MINEIRO, baseada em "A Cena do Ódio" de José de Almada Negreiros.

Uma encenação fabulosa, um texto muito interessante sobre o mundo hipócrita em que vivemos e uma actuação excelente do protagonista.

Dizia assim o convite: "MINEIRO um homem soterrado com os seus espectros concretos e utópicos. Num combate constante para fugir do mundo contemporâneo ele exorciza os vícios, os derrotados, os ultrajados, e discrimina o homem civilizado, os intelectuais, a canalha, a gente simples operária e (...) o burguês".

Texto denso em que cada frase tem de ser maduramente analisada, por isso se tiver oportunidade irei ver novamente a peça. Talvez haja uma reposição.

No fim ficaram a martelar-me na cabeça duas frase ditas pelo mineiro, e que cito de cor: "Esta vida é tão curta que ficamos sempre a meio caminho do desejo" e " com a idade a beleza deixa de ser tocada para ser só vista".

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Do programa de "Mineiro" retirei o texto que se segue, porque ajudará melhor a contextualizar a peça:

Medo do Outro.
Medo da Mãe. Medo do Pai.
Medo da Mão. Medo do Patrão.
Medo do Colega. Medo do Medo.
Medo da Amante. Medo da Mulher.
Medo do Outro. Medo do Medo.
Medo do Vivo. Medo do Morto.
Medo do Medo. Medo do Dedo.
Medo da Doença. Medo do Pânico.
Medo com Medo. Medo por Medo.


Um desmonoramento, provocado ou acidental, joga com a minha vida de quem não se importa de perder. Um jogo onde não há vencedores nem vencidos. Um empate? Não.
Um homem soterrado com os seus espectros concretos e utópicos, num combate para fugir do mundo contemporâneo, exorciza os derrotados e os ultrajados, discrimina o homem civilizado, os intelectuais, a canalha, a gente simples operária e (...) o burguês.
Com todos hei-de esperar o amor eterno dos homens.
Hei-de esperar humanidade.
Dói-me a falta de ser humano.

Júnior Sampaio
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Para a posteridade:

M I N E I R O
a patir de "A Cena do Ódio" de José de Almada Negreiros

texto, encenação e espaço cénico júnior sampaio
assistente de encenação daniela gonçalves
cenografia e figurinos rui azevedo
música original rui lima e sérgio gonçalves
interpretação hugo sousa e carlos gonçalves, emanuel de sousa, ivone oliveira, jaime pacheco, rita vieira, rui gomes, sara fernandes e tânia reis
imagem gráfica emanuel de sousa
produção executiva amélia carrapito, sofia leal [et], ivone oliveira, cláudia sousa [ez]
classificação etária m/14
duração aproximada 60 minutos
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