segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

CÂNTIGO NEGRO

Não encontrei poema que descrevesse melhor a época que estamos a atravessar. Quando querem fazer de nós carneiros e transformarem-nos em clones de si próprios nada como dar um murro na mesa e recusar seguir os caminhos que nos apontam como sendo os ideais. Cada um de nós tem direito à sua individualidade e às suas escolhas. Assim como devemos aceitar as escolhas dos outros, também devemos exigir que aceitem as nossas.

Sejamos cidadãos! Homens e Mulheres Livres!

Os nossos caminhos somos nós próprios que os desbravamos, sem medo de cometer erros, mas sempre com capacidade para aprender com eles.

BOM ANO NOVO!

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CÂNTICO NEGRO

Dizem-me alguns com os olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali....

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao Mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
Mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram Pai, todos tiveram Mãe;
Mas eu, que nunca principío nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: " vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!


José Régio

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natal é Sempre ou Nunca

Para quê inventar o que já está inventado? Para quê falar do que já está falado?

Alguém tem algo de novo a acrescentar? Eu não!

Hipocrisia? Não obrigado!

Spiritwolf (Mário)

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NATAL

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um Homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

José Carlos Ary dos Santos

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DIA DE NATAL

Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Manuel Machado e os Gatos Fedorentos

Com um abraço de amizade para o Manuel Machado e os votos dos maiores sucessos na sua carreira.

É bom sabermos rir de nós próprios.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Sexto Andar

Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar

Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves
in Cintura, Clã

sábado, 15 de dezembro de 2007

Pai


Eras um "velho" e austero republicano. Faz hoje precisamente 21 anos que morreste, tinhas 86 anos.

Quando nasci já ias a meio caminho dos 60 anos, nunca tivemos uma relação fácil. Não me lembro de um carinho, não me lembro de uma palavra, recordo muitas críticas.

Eras um homem bom, com príncipios muito válidos e um carácter muito forte, mas paraste no tempo, ao contrário da mãe, que se manteve sempre jovem e actual, tu ficaste amarrado aos teus princípios. Rígidos princípios.

Não percebeste que, à tua volta o mundo mudava e que a minha geração nada tinha a ver com a tua, nem com a dos meus irmãos. Fui um filho tardio de um pai que não conseguiu acompanhar a evolução do tempo.

Sei que me amavas, penso que me amavas, eu amei-te e amo-te. Discordei muitas vezes de ti, tentei aproximar-me, sem êxito. Havia um muro intransponível.

No entanto, tal como tu não sabias demonstrar o amor que me tinhas, eu também não soube mostrar-te o quanto te amava e, fica a saber, hoje a minha matriz tem muito a ver contigo. Tenho ainda alguma dificuldade em demonstrar quanto amo as pessoas, mas luto contra esse fantasma e hoje, a vida e as minhas vivências, ensinaram-me, que nunca devemos esconder o que sentimos pelos outros: os filhos, uma companheira, os amigos e amigas. Neste aspecto sou agora, para minha felicidade, muito diferente de ti.

Mas devo-te muito mais do que a vida que ajudaste a dar-me. Muitos dos teus prinicípios, são os meus princípios, mesmo que nunca o tenhas percebido.

Tento ser tão recto quanto tu, mas não tenho medo de cometer erros, não me sinto detentor da verdade, há muitas verdades. Tento fazer o bem, sabendo que muitas vezes faço mal, mesmo que não o queira fazer. Tento ser verdadeiro, mas tenho consciência que nem sempre o consigo ser totalmente. Tento ser autêntico, mesmo que essa autenticidade me prejudique, porque eu sou uma pessoa, não um ser infalível.

Pai, nunca é tarde para reconhecer que erramos, como nunca será tarde para dizer que te amei e que te amo.

A tolerância? Bem essa, desculpa, mas foi da mãe que a bebi.

Amo-te Pai.

Amor e Outros Desatres


Esta noite fui ver, com uma grande amiga, uma comédia romântica: "Amor e Outros Desastres".

Foi uma surpresa, rimo-nos e reflectimos sobre o que vimos. Um filme aparentemente ligeiro, mas cujo conteúdo deve ser analisado com mais profundidade.

Não vou resumir aqui a história do filme para não estragar a surpresa que, acreditem, é agradável.

Ficaram-me a bater na cabeça uma ou outra afirmação, das quais destaco, mais ou menos literalmente a seguinte: "o verdadeiro amor é algo que se vai construindo e não um acontecimento".

O Amor não é uma coisa que bate num momento, não é um flash, isso não passa de impulsos físicos. O amor não é estabelecer metas em relação ao futuro, o amor vive-se no dia-a-dia, ou simplesmente não se vive, porque não existe.

O amor é aquilo que se constrói ou destrói ao longo de um conhecimento mais profundo do outro e de si próprio, muitas vezes o impulso, a atracção física, mascara o verdadeiro amor, outras vezes pelo contrário.

Para mim não há amor sem paixão, mesmo que ele comece por um impulso a paixão deve estar sempre acesa, quando ela se extingue, pelo menos de um dos lados, a relação já não passa de uma farsa, porque amar não é unilateral.

Viver apaixonadamente, entre ambos, é o alimento fundamental para a consolidação de uma relação amorosa, doutra forma as sucessivas desilusões com um relação ideal que se pré-estabeleceu ou pré-concebeu, só tem um fim possível: o aniquilamento da relação, mais ou menos dolorosa, mais ou menos demorada, tudo depende dos sentimentos de cada um, mas não tem outra saída a não ser o seu fim.

Quando essa paixão foi ou teve momentos de grande intensidade, mas chega ao fim, nunca mais existirá qualquer tipo de relação entre os antigos amantes apaixonados. É impossível conviver com alguém por quem fomos apaixonados, o sentimento de desilusão em relação a essa pessoa é tão grande que o tudo passou a significar nada.

Vejam o filme, não vão perder o vosso tempo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Aprender


Perdoar?
Devemos perdoar,
O mal que nos fizeram.

Reconhecer?
Devemos reconhecer,
O mal que nós fizemos.

Esquecer?
Devemos esquecer,
Mas é impossível esquecer.

Aprender?
Devemos aprender,
Com os erros cometidos.

Mas...
Como perdoar?
Como reconhecer?
Como esquecer?
O que está feito,
Está feito.
Não tem mais solução.

Podemos
Manipular o presente,
Influenciar o futuro.
Nunca refazer o passado.
Apenas aprender!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Viver

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.


Charles Chaplin

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Parabéns!


Parabéns mãe! Aceita este ramo de gerberas, a flor que tu mais gostas, como símbolo do meu amor.

Hoje fazes anos e para mim é um dia igual, quer tu estejas, quer não estejas entre nós.

É o teu aniversário e eu recordo-te com muito amor e carinho.

Parabéns mãe!

domingo, 9 de dezembro de 2007

LOBOS!

O olhar do Lobo, ou do seu Espírito, passe a imodéstia.



São belos, os Lobos.













sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O Lume

vai caminhando desamarrado
dos nós e laços que o mundo faz
vai abraçando desenleado
de outros abraços que a vida dá

vai-te encontrando na água e no lume
na terra quente até perder
o medo, o medo levanta muros
e ergue bandeiras pra nos deter

não percas tempo, o tempo corre
só quando dói é devagar
e dá-te ao vento como um veleiro
solto no mais alto mar

liberta o grito que trazes dentro
e a coragem e o amor
mesmo que seja só um momento
mesmo que traga alguma dor

só isso faz brilhar o lume
que hás-de levar até ao fim
e esse lume já ninguém pode
nunca apagar dentro de ti


Letra e Música: Mafalda Veiga
in A Cor da Fogueira, Mafalda Veiga


Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto tudo o mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não pára


Letra e Música: Lenine / Dudu Falcão
in Lenine, Na Pressão


Foi por Ela

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela

Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela

Letra e Música: Fausto

Armadilhas

A vida parece longa
Mas é tão curta afinal
Ainda agora começamos
E já estamos a acabar

Muita coisa foi vivida
Muita saudade ficou
Muita mágoa também
Muita mágoa também

Para quê olhar para trás
Pessoas nos marcaram
Umas pela positiva
Outras pela negativa

A verdade está no que sentimos
Não naquilo que idealizamos
Por aqueles que nos amaram
Ou nos enganos que nos armaram

Não me arrependo de nada
Pois nada posso corrigir
Recordo as pessoas autênticas
Aquelas que foram sinceras

Para trás deixei ficar
As que na mentira viveram
Essas ficaram de fora
As outras estão dentro de mim

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Tempo

O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstracção
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.
O que podia ter sido e o que não foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral. As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito.

Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei

..........................

Vai, vai, vai, disse a ave; o género humano
Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.

T.S. Eliot

Emilio Cao - A Voz da Galiza

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* Cain as Follas
* Amiga Alba e Delgada
* Néboa no Val, Lus no Horizonte
* Lévame Lonxe

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Na memória ficou-me uma viagem pelos Picos de Europa, em 1996, mas tudo está já demasiado longe e não tem qualquer sentido, nem valor, nem significado. Tudo não passou duma mentira ardilosamente montada num local de rara beleza.

Eu a olhar para o fogo e o fogo a olhar para o meu fogo, mas depois ficamos reduzidos a cinzas. É a vida e já não há volta a dar.

Caminante

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.


Antonio Machado

Tradução para Português:

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

Antonio Machado, poeta Sevilhano

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Obrigado Ana por me relembrares o nome do poeta. Não há dúvida que em Castelhano fica melhor.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Aquele Homem

Aquele homem
foi irmão, amante, amigo
foi o companheiro perdido
na encruzilhada da vida

foi ele que me preencheu
embora sem o saber
e o seu rumo continuou
noutros portos atracou

Mas o seu sabor ficou
amargo e doce, intenso
e ainda quando penso
sinto em mim o seu calor

Mário, lembro teu nome
sussurro-o dentro de mim
mas o tempo não perdoa
talvez tenha sido o fim


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Quantos anos já passaram? Talvez uma dúzia, pelo menos. Obrigado minha doce Ana, mas nunca sabemos quando é o fim, apenas sabemos o que fizemos, nunca o que faremos. Mas vamos ficar com os pés bem assentes na terra. Beijos.

Aquela Mulher

Aquela mulher.
Foi aquela mulher.
Como pude desperdiçar,
Aquela mulher.

Foi ela que me preencheu,
Foi ela que foi autêntica.
Eu passei ao lado dela,
Mas ela foi aquela mulher.

A vida guarda-nos surpresas,
Mas aquela mulher...
É alguém que nunca esquecerei
É a mulher que recordarei.

Ana, lembro, o teu nome
Paula vem até mim.
Quero sentir o teu corpo
Quero-te junto de mim.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Caminho

O caminho é sempre em frente,
O passado está enterrado.
À frente vejo o sonho,
Atrás ficou o pesadelo.

É sempre bom esquecê-lo,
O passado medonho.
À frente o céu estrelado,
Que ilumina a minha mente.

Doce Novembro

Agora que chegamos a Dezembro, Novembro parece muito mais doce.


Marjorie Estiano - Doce Novembro

Poemeto de Pé Quebrado

Tropeças numa palavra,
A seguir num olhar.
Perguntas o que é amar.
A resposta fica no ar.

Amar é ser autêntico.
Viver aquele momento,
Sem esperar pagamento.
Sem viver o tormento.

Não esperes encontrar
O teu parceiro ideal.
Pode estar neste lugar,
Ou ser simplesmente irreal.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Carro que Respira

Em defesa do ambiente façamos o nosso dever de cidadãos, levantemos a nossa voz, e a nossa acção, contra os lobbies das indústrias automóvel e petrolífera.

VER AQUI.
(ficheiro pps)

Aproveito para relembrar que, na nossa luta para fazer baixar o preço dos combustíveis, não devemos abastecer, nos próximos meses, nos postos GALP e BP. Talvez seja lirismo, mas se todos colaborarmos podemos vencer esta batalha.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Uma Nova Vida


Como é bom sabermos que estamos a fazer de cada dia, um novo dia da nossa nova vida.

Não acredito em determinismos, por isso a vida é o que nós fazemos dela. É nosso privilégio reconstruir a nossa vida e procurar caminhos que nos levem a alcançar de novo momentos de felicidade.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Começar Dezembro com um Azul Especial



SO EASY - MARJORIE ESTIANO
Composição: (Alexandre Castilho / André Aquino / Victor Pozas)

O que você quer eu quero mais
o que você diz não me distrai
mas pode acreditar em mim
que tudo fica bem mais fácil assim

So Easy

Sei que é difícil arriscar
amanhã quem sabe o que será
mas pode acreditar em mim
por que você tem tanto medo assim?

So Easy...

So Easy, me dá a mão, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final

So Easy...So Easy, me dá a mão, So easy, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

{Solo}

Nanananananana... So Easy (2X)
me dá a mão, So easy, não há razão

So Easy, de se esconder nesse luga-a-a-aar

Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final (3X)