domingo, 29 de março de 2009

Arte Efémera


O Seabra é o primeiro a atacar a parede com traço e cores fortes.


Segue-se a Mariana com cores mais suaves e um traço mais arredondado.


Por último o Sabão, ainda a sofrer da maleita de que foi vítima esta semana usa cores castanhas e figuras demoníacas, mas se repararem bem algo mais aparece escondido.


A Elsa e a Lília também colaboram dando uma ajuda com o seu cunho naif.








O aplauso é geral.


Eu não fiz nada, mas diverti-me imenso, fico a guardar-me para a escrita.








Por hoje a obra ficou assim.


Como é da praxe encerramos a primeira fase de arte efémera com um uivo.


Eis que chega o crítico de arte.


Em breve mais pinturas aqui e também uns poemasitos para abrilhantar a obra.

terça-feira, 24 de março de 2009

Violência nas Escolas


Especialistas reunidos em Espanha defendem que o aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar.

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.


Os participantes no encontro 'Família eEscola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas. 'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater. '

As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.


Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.


No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..
.

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois.

Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.


'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.


Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.


'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.


Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Sonho


Às vezes construímos grandes sonhos em cima de grandes pessoas. Com o passar do tempo, descobrimos que grandes eram os sonhos e as pessoas pequenas demais.

Às vezes construímos grandes casas em cima de grandes árvores. Com o passar do tempo, descobrimos que as casas, ao contrário das árvores, precisam de muita manutenção.

Sábio é o ser humano que tem a coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer os seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno da sua inteligência.


autores desconhecidos

sábado, 14 de março de 2009

sexta-feira, 13 de março de 2009

Cântico Negro


«Vem por aqui» - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: «vem por aqui»!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam os meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: «vem por aqui»?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: «vem por aqui»!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átmo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

José Régio (Poemas de Deus e do Diabo, 1925)

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José Régio (1901/1969) é o pseudónimo do poeta português José Maria dos Reis Pereira, natural de Vila do Conde. José Régio foi co-fundador da revista Presença (1927), de que foi um dos principais animadores. Escreveu poemas, peças de teatro, romances, ensaios, crítica literária e memórias.

Aconselho a audição da excelente interpretação deste poema dito por João Villaret, num espectáculo memorável que deu no S. Luís, em Lisboa, nos finais dos anos 50 ou princípios de 60. Existe gravação em CD editada em 1991 pela EMI-Valentim de Carvalho, que infelizmente é muito pobre, para não dizer nula, em informações adicionais, ao contrário da edição original em vinil que possuía muito mais informação.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Tabacaria


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbedo, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbedo tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928

quarta-feira, 11 de março de 2009

Viva La Vita


O Oásis da Amizade, por Jorge Seabra (7 de Julho de 2008)

Fez ontem dois anos em que tive um brutal acidente que me colocou entre a vida e a morte. Desde o ano passado que, no dia 10 de Março, me reúno com um grupo de amigos no local para fazer um brinde à vida.

A Lua estava praticamente cheia, o que nos possibilitou fazer uns uivos e estreitar ainda mais a amizade que nos une.

Naquela curva fatídica, vencido pelo cansaço de vários dias sem dormir, os meus olhos fecharam-se, inconscientemente desisti. A curva apertava, apertava, apertava e a minha mente voava, voava, voava. Partia para outro mundo sem mesmo saber que estava a partir. Não tinha feito qualquer escolha.

Embalado no meu sarcófago andante fui deslizando para a faixa contrária, sem me aperceber de nada. De repente acordo com um estrondo e um clarão. Tinha acabado de ter um choque frontal com o carro que vinha em sentido contrário. O carro imobiliza-se a 6,6Km do Porto. A partir daqui fico no limbo, onde permaneci durante duas a três semanas.

Felizmente nada de grave aconteceu aos passageiros do carro que vinha em sentido contrário. Seria para mim insustentável viver se algo de grave lhes tivesse acontecido, sabendo que eu tinha sido o causador dessa desgraça, mesmo que involuntariamente.

Silêncio!... O tempo parou.

Deixemos passar a vida. Nada de sobrenatural aconteceu, apenas uma série de acasos e a vontade de fintar a morte. Não aceitar a derrota, lutar para abrir novos caminhos. Aprender com os erros.

Não travei esta batalha sozinho. Foi fundamental a presença e amor dos filhos e amigos. Sem eles muito provavelmente não teria conseguido travar esta batalha decisiva com êxito.

Às vezes, um azar pode transformar-se num maravilhoso golpe de sorte. Mesmo que de forma violenta e escusada, este azar permitiu-me clarificar muita coisa. Permitiu-me saber, sem equívocos, quem gostava ou não de mim, quem era ou não meu amigo. Não me tinha enganado muito. Dois ou três tinham por mim apenas uma amizade conjuntural, nada mais do que isso e, como dizia Luís de Camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Com os filhos e com os amigos autênticos os laços ficaram ainda mais fortes, indestrutíveis. Recuperei amizades que estavam um pouco adormecidas e também fiz novas amizades. Em relação aos outros, poucos, nada me move contra eles, não guardo rancores, apenas alguma mágoa, mas também mais porque tenho consciência que nem sempre soube estar atento, ou não soube demonstrar essa amizade. Se algum dia precisarem de mim, sabem que poderão contar comigo de forma totalmente desinteressada e verdadeira, porque a minha amizade em relação a eles não era conjuntural, era autêntica, mesmo que não isenta de erros da minha parte. Sou um simples ser humano.

Não estou a falar neste assunto por auto-comiseração, isso é palavra que não entra no meu vocabulário, apenas gostava de saber fazer um hino ao amor, à amizade e à autenticidade, os valores fundamentais que, juntamente com o sonho, fazem avançar o mundo, faço-o de um modo desajeitado, mas é o meu modo.

Há coisas que nem sempre se consegue traduzir por palavras.

Ei-los que chegam, sedentos presumo. Chegou a hora de celebrar a vida e a amizade.

Nem todos puderam estar presentes, mas aqueles que não estiveram fisicamente não deixaram de estar connosco.

Está na hora de abrir o espumante. Esquecer o passado e viver o presente. Está na hora de partilhar o momento.

Copos cheios de vida borbulhante, laços estreitados, pois que viva a vida.

Ideias são trocadas, brinca-se, contam-se anedotas. A vida são dois dias e o primeiro já passou. Reforçam-se laços. Todos estamos unidos num mesmo acto de amor desinteressado: a amizade pela amizade.

Passou o breve momento. Intenso. Há que romper com o passado, viver o momento e perspectivar o futuro em bases cada vez mais sólidas.

Para o ano cá estaremos de novo. O meu desejo é simples: viver um dia de cada vez e, para o ano, quando se realizar de novo este encontro, ter perdido os quilitos que agora tenho a mais.

No fim desta jornada veio-me à memória um filme fabuloso: "Favores em Cadeia".

VIVA A VIDA!

terça-feira, 10 de março de 2009

Esperança

R.I.P. Morte



Podes procurar-me,
Ó morte.

Podes procurar-me
Por vales e montanhas,
Por aldeias e cidades,
Por ruas e estradas,
De dia e de noite.
Não me encontrarás!

Lembra-te,
Ó morte,
Que já te olhei nos olhos,
Já senti no corpo
A tua lâmina afiada,
Por isso não te temo.

Não és tu que fazes o meu destino.
O nosso confronto será inevitável,
Mas não serás tu que escolherás o momento.

Não adianta perseguires-me,
Não te deixarei apanhar-me.
Serei eu que te encontrarei,
Quando achar que chegou a hora.

Podes ir embora,
Partir para outras paragens,
Perseguir outros incautos.
Não faltarei ao nosso confronto final,
Mas quem marcará a hora serei eu.

Quando chegar esse momento
matarei a morte com a minha vida.

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Hoje, dia em que faz dois anos em que fintei a morte no nosso primeiro grande confronto, estarei no local com um grupo de amigos e todos faremos um brinde à vida.

Viva a vida!

segunda-feira, 9 de março de 2009

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor. (Jô Soares)

É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.

Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".

Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta ao colégio, é um "caxias".
Precisa faltar, é um "turista".

Conversa com os outros professores, está "malhando" os alunos.
Não conversa, é um desligado.

Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.

Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.

A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.

Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.

Exige, é rude.
Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu "mole".

É... o professor está sempre errado, mas, se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

Frases Soltas

  • Tem em conta que os grandes amores e enganos comportam um grande risco.
  • Recorda que, às vezes, não conseguir o que queres é um maravilhoso golpe de sorte.
  • Não permitas que uma pequena discussão afecte uma grande relação.
  • Passa algum tempo sozinho todos os dias.
  • Abre os teus braços à mudança, mas não abandones os teus valores.
  • Recorda que, às vezes, o silêncio é a melhor resposta.
  • Quando não estiveres de acordo com os teus entes queridos, preocupa-te unicamente com a situação actual. Não faças referência a anteriores disputas.
  • Recorda que a melhor relação é aquela em que o amor mútuo é maior do que a necessidade mútua.
Algumas frases do Dalai Lama que poderão servir para reflexão, sem crenças, mas virados para o nosso interior

quinta-feira, 5 de março de 2009

Filhos



Filhos!

Como vos amo!
Nem sempre o soube demonstrar.
Nem sempre o sei demonstrar.

Filhos!

A vida vai-se através de mim, escorre.

Protector serei?
Não sei!

- Protejo à distância!

Deixei, deixo-vos crescer.

Não vos quero ensinar caminhos.
Nunca quis!
Apenas mostrar caminhos.

E vós meus filhos?
O que sois vós?

- A âncora que me amarra à vida!

A vós, meus filhos, apenas vos peço que me deixem voar.
Deixem-me partir, para regressar.

Deixem-me voar!

Mãe!



Para quê inventar quando está tudo escrito... Mãe!

Recordo-te mãe. Estás sempre presente. Recordo quando me contavas, ou me lias, o "Suave Milagre", ou o "Menino da Mata e o seu Cão Piloto". Era tão pequenino e ficava tão preso às tuas palavras, dias e dias, mas a tua história era como se todos os dias fosse uma história nova. Havia sempre algo de novo. Era o teu amor que era sempre mais do que no dia anterior. Mãe que saudades de voltar ou teu colo. De voltar a ser pequenino e encontrar protecção em ti, muito mais do que no pai, que passou sempre ao lado de mim.

Mãe, se nunca te disse, digo-o agora.

- Amo-te mãe!

--------------------------------------------------------------

[...]

Mãe, eu quero ficar sozinho...

Mãe, não quero pensar mais...

Mãe, eu quero morrer mãe.

Eu quero desnascer, ir-me embora, sem sequer me ir embora.

Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe?

Diz, são coisas que se me perguntem?

Não pode haver razão para tanto sofrimento.

E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar.

Partir, e aí, nessa viajem, ressuscitar da morte às arrecuas que me deste.

Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe...

Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar, nota a nota, o canto das sereias, lembrar o "Depois do Adeus", e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal.


Lembrar, cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

[...]
José Mário Branco, in "FMI" (1979)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Por Quem Não Esqueci


Há uma voz de sempre,
Que chama por mim.
Para que eu lembre,
Que a noite tem fim.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Em nome de um sonho,
Em nome de ti.

Procuro à noite,
Um sinal de ti.
Espero à noite,
Por quem não esqueci.

Eu peço à noite,
Um sinal de ti.
Quem eu não esqueci...

Por sinais perdidos,
Espero em vão.
Por tempos antigos,
Por uma canção.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Por quem já não volta,
Por quem eu perdi.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Palavras


De um amigo recebi um desses e-mails que andam por aí a circular na net já há vários anos. Dele transcrevi algumas das frases que se coadunam mais com a minha maneira de ser e de pensar e deixo-as aqui para vossa reflexão.

  • Sabias que aqueles que parecem ter um coração muito forte, são na verdade fracos e mais susceptíveis?
  • Sabias que aqueles que passam o seu tempo protegendo os outros são aqueles que na verdade precisam que alguém os proteja a eles?
  • Sabias que as três coisas mais difíceis de dizer são: Amo-te, desculpa e ajuda-me?
  • As pessoas que dizem isto realmente sentem necessidade disto ou sentem-no, e são aqueles que realmente precisas de valorizar, porque o disseram.
  • Sabias que aquelas pessoas que se ocupam servindo de companhia para alguém ou ajudando os outros, são aqueles que realmente precisam de companhia e ajuda?
  • Sabias que aqueles que se vestem de preto, são aqueles que querem passar despercebidos e precisam da tua ajuda e compreensão?
  • Sabias que aqueles que necessitam mais da tua ajuda são aqueles que menos o mencionam?
  • Sabias que é mais fácil dizeres o que sentes escrevendo do que dizê-lo cara a cara? Mas sabias que tem mais valor quando o dizes na cara?

'Um dia, nós mudaremos o mundo... ou já o estamos a fazer', A BOLA ESTÁ AGORA NO TEU CAMPO... Se o mundo acabasse daqui a 24 horas, todas as linhas telefónicas, chat rooms e e-mails estariam saturados de pessoas enviando mensagens aos outros, dizendo: 'Arrependo-me de te ter magoado', 'Perdoa-me', 'Amo-te', 'Tenho-te em grande estima', 'Toma conta de ti' e também, 'Eu sempre te amei, mas nunca to disse'.