domingo, 9 de dezembro de 2012

UMA AULA DE HISTÓRIA?



Nas minhas aulas uso, com alguma frequência, o recurso à metáfora e, para tal, utilizo a sala de aula, objetos vários e os próprios alunos.

Interrogo-me muitas vezes de qual seria o resultado se, após terminar a aula, pedisse aos meus alunos que me fizessem um breve resumo sobre a matéria leccionada. Por minha culpa, não por culpa dos alunos, imagino que esse resumo seria algo de estranho e absurdo.

Assim, no final de uma aula sobre a I Guerra Mundial, acho que o resumo dos alunos seria algo deste género:

Bem professor, partindo do princípio que a Europa é a fila do meio, aquela em que a Eugénia está à frente; a América a da esquerda, dominada pela Amélia; a África a da direita, onde se destaca a Alfredina. A França é a Francisca, a Inglaterra a Isabel, os EUA o Américo, a Rússia a Rute, a Alemanha o Almeida, a Áustria-Hungria a Augusta e a Itália a Irene, então a aula foi assim:

A Francisca, a Isabel e o Almeida, suspiravam por fazer da Alfredina o seu quintal e então foram para lá e retalharam tudo quanto podiam, no entanto outros também queriam um pouco dos terrenos da bela e sensual Alfredina. Como ninguém se entendia, resolveram fazer uma conferência internacional na pastelaria Berlim, ali para os lados do Almeida, onde todos se reuniram, incluindo o Paulo (Portugal) e a Belmira (Bélgica), além de outros. Aqui acordaram com que pedacinho de terra ia ficar cada um, não se importando minimamente com o que aconteceria aos milhões de seres que viviam na Alfredina.

Durante anos andaram a sorrir uns para os outros, mas nas costas fabricavam cada vez mais fisgas, setas, pistolas, barcos, etc. Na Eugénia vivia-se um clima de ódio latente, cada dirigente queria ter mais força do que o vizinho, queria mais fábricas e mais matérias-primas, assim como mais gente para comprar o que faziam.

Um dia, em 1914, o barão Francisco Fernando, que tinha sido prometido em casamento à Augusta, foi visitar o Sérgio (Sérvia), onde apanhou com um balázio e foi desta para melhor, tendo o casamento sido anulado.

Triste e zangada a Augusta declarou guerra ao Sérgio, logo a amiga e amante do Sérgio, a Rute, declarou guerra à Augusta.

 Desataram todos à trolha. Os amigos juntaram-se e declararam guerra aos amigos dos outros. Iniciou-se a grande barafunda. Todos pensaram que seria uma questão de dias e tudo ficaria resolvido rapidamente. A verdade é que a quantidade de fisgas, pistolas, setas e outros utensílios de destruição era tão grande, de parte a parte, que rapidamente se entrou num impasse, por outro lado os generais de ambos os lados eram velhos e não tinham percebido que com o material bélico de que dispunham, não poderiam continuar a combater como faziam no século passado (século XIX). 

O resultado foi que tiveram necessidade de construir largos milhares de buracos ao longo das respectivas fronteiras e os soldados passaram a viver e a combater nesses buracos. Durante três anos, os homens combateram como ratos, enquanto os generais faziam experiências, tal como os cientistas fazem com as cobaias nos laboratórios.

Nas trincheiras os soldados viviam aos milhares, nas povoações próximas da frente de batalha as populações civis também. A I Guerra Mundial foi a primeira em que o número de mortos civis foi superior à de soldados.

Em 1917 a Rute contraiu uma forte dor de barriga e teve e abandonar a guerra para cuidar da sua própria saúde. No Atlântico, os cargueiros que o Américo enviava para a Isabel e para a Francisca eram afundados pelos submarinos do Almeida. Um dia um paquete que realizava uma viagem entre as terras do Américo e da Eugénia foi afundado por um submarino do Almeida. Indignado o presidente Américo declarou guerra ao Almeida. Demorou cerca de um ano a colocar as suas tropas na Eugénia, mas quando cá chegaram, bem armadas e treinadas, colocaram um rápido fim à guerra.

O Almeida, triste, teve de assumir todos os estragos provocados pela guerra e pagar a todos os vencedores pesadas indemnizações.

A guerra acabou, mas a semente de uma nova guerra foi lançada à terra em Versalhes.
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