quinta-feira, 24 de novembro de 2011

GREVE GERAL

O dia 24 de Novembro está a chegar ao fim. É hora de fazer um primeiro balanço desta greve geral.

Não tenho qualquer filiação partidária, não me revejo neste sistema político, mas não sou apolítico. Ainda me enquadro naquilo a que vulgarmente designamos de esquerda, não do ponto de vista ideológico, mas sim filosófico.

Não sei se esta greve foi, ou não foi, um êxito. A informação que nos chega ou é parcelar, ou mentirosa, ou condicionada, isto é, não é informação. Não, a culpa não é só dos média, todos prestam um mau serviço ao direito do cidadão ser informado com isenção: do governo aos sindicatos; da esquerda à direita. Quando se apresentam números, as informações são sistematicamente tão desfasadas, que ninguém de bom senso pode acreditar em nenhuma das versões. Resultado desta confusão é não ser possível agir, nem corrigir, porque a verdade só é realmente conhecida de uma meia dúzia de eleitos, cuja missão é exclusivamente manipular.

É necessário e urgente ir mais além, procurar outros caminhos, mas como? Primeiro, assumir que não nos deixamos manipular, segundo, deixar de nos enganarmos a nós próprios.

Eu sei que este tipo de greves se tornaram institucionais, daí que os efeitos sejam quase nulos, melhor, nos tenhamos convencido que a nossa participação, ou não participação, é completamente desnecessária, porque as leituras dos "opinion maker" vão ser sempre as mesmas. Mas quem disse que os "opinion maker" são os detentores da verdade? Na realidade são apenas simples manipuladores ao serviço do poder, os quais serão descartáveis logo que o seu papel seja irrelevante, ou que, num momento de clarividência, ousem falar a verdade. Todos estão comprometidos com os poderes, por isso não estão isentos, são simples funcionários ou comissários políticos.

Porque razão arranjamos desculpas para não participar? Quem queremos enganar? Não concordamos, porquê? Concordamos, porquê?

Achamos que uma greve não chega, que eram necessários mais dias, que precisamos de encontrar outras formas de lutas que, sendo mais criativas, poderão ser mais eficazes? Concordo! Mas se nem num simples dia de greve conseguimos mostrar que estamos descontentes com o que, há anos, nos andam a fazer, como será possível criar alternativas?

Não concordamos com o sistema? Otimo, mas então vamos usar aquilo que o sistema nos permite para partir depois para outro rumo, por nossa iniciativa e não pela iniciativa de outros. Outros que não são mais do que manipuladores.

A opção é, em primeiro lugar, tomada individualmente e de acordo com os nossos princípios e só depois é que devemos pensar nos custos. E então tomar uma decisão, isto é, se vão prevalecer os princípios ou os custos. Quando prevalecem os custos devemos assumi-lo claramente e não mascarar a realidade. Aceita-se que haja quem privilegie os custos aos princípios, é legítimo, mas assuma-o claramente, não arranjem subterfúgios que apenas ajudam a que cada um digira a sua falta, ou falha, de princípios.

É um fato que este sistema não tem futuro, que a democracia não existe, a democracia é apenas uma invenção do capitalismo para perpetuar os ricos no poder, criando a ilusão de que os outros têm liberdade de escolha. Se queremos derrubar este sistema temos de ser inteligentes e ser capazes de usar as suas próprias armas, sobretudo aquelas que eles pensaram que sempre poderiam controlar, para dar o passo em frente. Uma dessas armas é, sem dúvida, a greve geral.

Com maior ou menor adesão, nem tão baixa como uns nos tentam fazer acreditar, nem tão alta, como outros nos tentam fazer acreditar. A verdade é que, mais uma vez, ficou em mim um sentimento de frustração, porque mais uma vez desperdiçamos a oportunidade de mostrar a força solidária do trabalho e nos libertarmos do jugo e da chantagem que tentam fazer sobre a nossa consciência. Concretizado este primeiro passo, estaremos em condições de, livres, darmos o passo decisivo para inverter a lógica dos poderes e seguir em frente com outro tipo de exigências e levantar outro tipo de questões sobre o que queremos e como construir uma sociedade diferente, baseada em novos princípios, porque as atuais bases da sociedade estão podres.

Claro que nada disto se alcança sem sacrifícios, mas os sacrifícios custam, é sempre mais cómodo esperar que outros façam aquilo que compete a nós fazer.

Posso continuar frustrado, mas nunca baixarei os braços, nunca desistirei, nunca deixarei de dizer e lutar por aquilo que, em minha opinião, é justo.
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