segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DREN, DREC, DREL e AFINS


Estou a falar, como é evidente, das Direcções ditas Regionais de Educação.

Quando olhamos para os nomes pensamos tratar-se de um órgão descentralizador da Educação, mas na realidade estas Direcções Regionais não passam de correias de transmissão do órgão Central, isto é, o Ministério da Educação ou, como era vulgar ouvir-se há anos atrás, de cassetes do Ministério.

São órgão acéfalos, autênticos ninhos de boys for the job, armados em reizinhos, ou rainhas de contos de fada, ex-professores que normalmente, alguns deles senhores doutores, que não dão aulas há muitos anos, desligados da realidade docente e da prática pedagógica no terreno, ou ainda ex-presidentes ou ex-vice-presidentes de antigos Conselhos Executivos (assim se chamavam até ao ano lectivo anterior), agora Conselhos Directivos que, na sua maior parte foram recusados por incompetência pelos seu pares, quando a gestão das escolas era formalmente democrática, mas que agora à custa dos amigalhaços, das almoçaradas e jantaradas que proporcionaram enquanto ocupavam aqueles cargos, foram compensados pela sua incompetência.

Não pretendo generalizar no que diz respeito à competência, de certeza que estão lá muitos colegas com excelente qualificação e competência, que não acabaram os cursos ao domingo nem fizeram os célebres doutoramentos de Boston. Mas a verdade é que eu nunca vi um concurso público para admissão de professores para ocupar cargos em qualquer Direcção Regional.

Tudo se passa por convite, pelos amigalhaços, pela mediocridade dos oportunistas, pela estrada onde circulam os tais "chicos espertos", os ases das provas de perícia automóvel, sobretudo nas chincanes políticas. Claro para os cargos mais importantes, os cargos políticos, o próprio Governo escolhe os seus. Se o Governo mudar mudam os comissários, mas para os outros lá se arranja um lugarzito dentro do sistema, porque podem ser de outro partido, mas são todos porcos do mesmo lameiro.

Mas depois são estes que nos falam em exigência e numa cultura de excelência. Como resultado deste lamaçal lodoso passou-se de uma avaliação do serviço docente mau para um péssimo.

Nunca vi tanto oportunismo e bandalheira na avaliação do serviço docente dos professores como no ano lectivo anterior. Avaliadores à força, sem vocação nem capacidade para serem avaliadores. Outros que aproveitaram a oportunidade que lhes foi dada para se libertarem dos seus mesquinhos recalcamentos e aproveitarem para esmagar uns quantos coitados, sem critério nem isenção, apenas porque lhes interessava mostrar que aquelas figuras apagadas e baças eram, afinal, pessoas cheias de personalidade e tiveram aqui o incentivo que lhes faltava para revelarem todos os complexos de inferioridade e ignorância cultural e pedagógica de que padecem, assim como a sua incapacidade intelectual.

Para terminar não quero deixar de realçar que, apesar de tudo, nem todos entraram neste jogo e muitos tentaram, com as regras que lhes foram impostas, fazer um trabalho honesto, decente e competente, mas a esses não lhes serve esta carapuça.
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