sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Solidão

Estou neste momento rodeado de pessoas, mas senti necessidade de me isolar, de procurar um canto onde apenas pudesse estar eu comigo.

Encontrei!

Sinto-me só, não no sentido de solitário, mas no sentido de solidão, de uma angustiante solidão. Uma solidão esmagadora.

Não me assusta estar sozinho, pelo contrário, até gosto muitas vezes de estar sozinho, mas a solidão, esta minha solidão interior, é devastadora.

Quanto à causa nada posso fazer, é passado e o passado já foi. Quanto ao remédio sei qual é a solução, mas essa não depende de mim e é impossível. Sei o remédio, esse é o que tomo todos os dias, vivendo um de cada vez, às vezes como se fosse o último. O remédio não cura, mas alivia a dor, sim porque a minha solidão tem dor, dor física mesmo.

Vivo rodeado por gente que amo e por quem sou amado: filhos, amigos e amigas, companheira... Não tinha razão para sentir esta amargurada solidão, mas há algo, algo a que eu não soube chegar, ou não soube preservar, mas também algo que não chegou a mim ou não me soube preservar.

Tenho momentos de euforia em que a solidão parece ter-me abandonado, mas logo depois, passada a euforia, ou a ilusão de euforia, regressa a dura realidade: não estou sozinho, estou só.

De nada adianta o apoio que me dão, às vezes até tem efeito contrário. De nada adianta procurar ajuda externa, porque há coisas que não me saem, que não consigo partilhar com ninguém e, ao fim de algum tempo, já estou a mascarar o problema, mesmo que inconscientemente.

De que serve tentar aumentar a auto-estima quando não se tem auto-estima nenhuma. Ninguém consegue tirar nada do zero.

A minha luta contra esta amargura que me corrói as entranhas, travo-a dia-a-dia comigo próprio. Falo comigo, umas vezes sozinho, outras através do teclado.

Não escrevo por auto-compaixão nem quero compaixão de ninguém, é uma palavra que não entra no meu vocabulário, mas sim para falar comigo, registar o momento e mais tarde poder voltar ao assunto e tentar fazer progressos neste combate perdido contra a solidão.

Umas vezes estarei alegre, outras triste e a necessitar de estar sozinho. É assim que sou e assim que quero estar, pois muitas vezes estar sozinho é a forma que encontro para combater a minha solidão.

A todos que me rodeiam, os que me amam e que eu amo, tentem perceber-me, tentem compreender que sou como sou, não me dêem conselhos... Apenas eu, e só eu, posso encontrar uma saída dentro de mim próprio, encerrar um capítulo para começar o novo, porque o que preciso para sair da solidão não está ao alcance de terceiros, porque o que dependia de terceiros está irremediável e definitivamente perdido.

Vou sair de mim e, por alguns momentos, juntar-me de novo à multidão, mascarar a minha existência.

Já não vivo um dia de cada vez, mas sim uma hora de cada vez.

É mais difícil nascer do que morrer e eu dei vida com muito amor, por isso esse amor é a minha ancora.
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