domingo, 19 de abril de 2009

Andanças para a Liberdade



Acabei de tomar conhecimento que Camilo Mortágua lançou o primeiro dos dois volumes do seu livro "Andanças para a Liberdade".

Tive a felicidade de privar com o Camilo nos idos de 1974, 1975 e 1976, após estes anos cruzei-me com ele uma ou outra vez (vivemos em zonas diferentes do país e infelizmente os contactos foram-se perdendo), mas a sua marca ficou para sempre na formação da minha personalidade.

Ainda muito jovem a sair da adolescência, acreditava que era capaz de contribuir para mudar o Mundo. Foi a minha fase de revolucionário romântico ainda a viver os ecos da revolução Cubana, do assalto ao Santa Maria, transformado em Santa Liberdade, do assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, do Maio de 68 e tantas outras acções revolucionárias que na época de 60 e 70, se deram por esse mundo fora, mas particularmente em Portugal em que lutávamos contra a opressão da ditadura Salazarista, mais tarde baptizada eufemisticamente em Primavera Marcelista.

Foi neste contexto que, em 1974 após o 25 de Abril, conheci o Camilo.

Desde as primeiras palavras que trocamos que fiquei fascinado pela sua personalidade. Antes do 25 de Abril, nos tempos do liceu, apoiava e colaborava, na medida do possível e clandestinamente, em todas as acções que ajudassem a desmascarar a hipocrisia da ditadura Marcelista. Nunca tive vocação para militâncias político-partidárias, sempre achei que ser militante partidário era uma forma de limitar a minha liberdade e o meu livre-arbítrio. Sempre colaborei com todos, nunca assumi as divergências da esquerda portuguesa espartilhada em ideologias que eu, já nessa altura, achava demagógicas e sobretudo obsoletas. Vivíamos num Mundo bi-polar, mas já percebia que havia outros caminhos: o da liberdade.

Não fui original, antes de mim outros bem mais maduros do que eu, pensaram da mesma forma e, à frente de todos, Camilo Mortágua.

Recordo bem os momentos em que eu e mais alguns amigos e companheiros, tínhamos longas conversas com o Camilo. Lembro bem o fascínio das suas palavras. Lembro bem a sua capacidade para ouvir.

Não, não tenho deuses, nem ídolos, nem pátrias, mas o Camilo foi uma das pessoas fundamentais para a formação da minha personalidade.

O primeiro volume de "Andanças para a Liberdade", livro publicado pela Esfera do Caos, foi lançado no passado dia 17 de Abril (sexta-feira), às 18h00, na Biblioteca Museu República e Resistência, no Espaço Cidade Universitária, em Lisboa. Neste primeiro volume Camilo fala das suas memórias desde 1937 até 1961. O segundo volume de "Andanças para a Liberdade" (Do Santa Maria ao 25 de Abril), que já está no prelo, refere-se ao período desde 1962 a 1977.



Não vou deixar de ler atentamente estes dois volumes e aconselho a sua leitura a todos os que, amando a liberdade, querem conhecer a experiência e a visão de um homem que viveu a liberdade por dentro.

Obrigado Camilo por mais uma vez teres a ousadia de partilhar a tua experiência connosco. Ousar lutar para ousar vencer, lembras-te?

Pela liberdade de ousar ser livre!

NOTA: Brevemente será feito o lançamento deste livro no Porto, provavelmente na Cooperativa Árvore, em finais de Maio. Logo que o local e data estejam definidos será dada notícia aqui.
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