quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Educação do Nosso Descontentamento



Eu, Mário João Rietsch Monteiro, professor do Grupo de Recrutamento 400 (História – 3º Ciclo e Secundário) e do quadro do Agrupamento de Escolas de Campo, venho, desta forma, manifestar o meu desagrado pelo actual processo de Avaliação de Desempenho Docente, em particular, pela forma como é imposta a função de relator.

Não é minha intenção pedir escusa do cargo de relator, pois sei bem as consequências de tal acto, no entanto não posso deixar de manifestar a minha opinião relativamente ao processo de Avaliação de Desempenho Docente.

Não faz sentido esta, ou qualquer outra avaliação, no preciso momento em que a progressão na carreira foi suspensa sine die e o vencimentos da maioria dos docentes sofreu cortes significativos. É desta forma que se premeia o mérito?

Em minha convicção todos temos direito a manifestar a nossa opinião, por mais discordante que seja da maioria, pois discordar de opiniões é salutar e contribui para um alargamento de ideias, as quais poderão levar a encontrar soluções criativas para um processo burocrático e subjectivo, que não tem em conta o verdadeiro desempenho docente mas a compilação de evidências e a observação de um ou dois momentos de desempenho docente, sem que tal seja possível demonstrar que ocorre na generalidade das aulas dadas.

Discordar não é estar contra ninguém, mas sim contra alguma coisa. Já lá vai o tempo em alguém afirmava que “se não estás comigo, é porque estás contra mim”. A discordância é o princípio de uma dialéctica que conduzirá inevitavelmente a um diálogo construtivo em busca de soluções justas.

Discordo do processo de escolha dos relatores, imposto pela lei em vigor. Não escolhi, nem pretenda ser relator, nem sinto orgulho pela escolha, mas na realidade sou obrigado a cumprir uma função para a qual fui escolhido apenas pelo critério de antiguidade e para o qual não recebi qualquer formação específica, nem sinto qualquer apetência nem motivação, apenas a necessidade de cumprir uma tarefa a que sou obrigado, sem que sinta qualquer motivação para o fazer. Este processo de escolha dos relatores condena o livre-arbítrio e faz-me sentir como um prisioneiro de um sistema cada vez mais redutor do desempenho docente.

Não posso concordar com o facto de avaliado e avaliador concorrerem às mesmas quotas sem que estejam garantidos os princípios da isenção e de ausência de conflito de interesses. Deste modo irá haver, forçosamente, uma diminuição do trabalho cooperativo e colaborativo interpares e, consequentemente, aumentará a competição entre colegas do mesmo ofício sem que, objectivamente, tal traga qualquer benefício para o processo de ensino-aprendizagem ou para a qualidade do ensino.

Perante o exposto concluo que sou forçado a desempenhar um cargo, ou uma função, com a qual não concordo nem sinto qualquer motivação e que, por isso, a irei desempenhar de uma forma profissional, mas mecânica.

A Escola democrática morreu. Paz à sua alma.
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