quarta-feira, 3 de junho de 2009

Incompetentes! Prepotentes! Arrogantes!


No passado dia 30 de Maio, desfilou pelas ruas de Lisboa um número significativo de Professores. Não interessa se foram 80 ou 60 mil. Foram muitos!

Ainda há um número significativo de professores que manifesta a sua indignação em relação a uma reforma do ensino que tem como último objectivo formar cidadãos amorfos, para mais tarde serem facilmente manipuláveis pelo poder. Um ensino que cria falsas expectativas aos alunos e aos encarregados de educação.

Assente no facilitismo, esta reforma não é mais do que uma forma inteligente de perpetuar esta casta política no poder. Casta política que será formada, na sua esmagadora maioria, em escolas privadas com diplomas passados aos domingos.

A degradação interessa ao poder. Ilude-se a aprendizagem com efeitos especiais (computadores e afins), que a maioria dos alunos usa para jogos nada didácticos como, por exemplo, dar tiros na cabeça de um suposto inimigo, quando muitos nem um texto são capazes de digitar. Isto é, começa-se a casa pelo telhado em vez de construir alicerces sólidos.

Claro que os filhos das elites vão saber aproveitar as oportunidades, seja na escola pública, seja na privada. E os outros?

Esta reforma do ensino é uma reforma travestida. Elegeu-se um alvo e é contra esse alvo que se atiram as farpas, esquecendo que o alvo escolhido não é nem mais nem menos do que o alicerce do sistema de ensino, ou melhor de instrução.

Mas, quanto a mim, não é só o Governo que fica mal na fotografia, também os Sindicatos não têm sabido gerir o descontentamento dos Professores.

Primeiro, a mobilização começou tarde e muitos Professores não compreenderam que era o Estatuto da Carreira Docente o cerne da questão. Por medo uns, por ambição outros e ainda alguns porque não pensaram no alcance do novo Estatuto dos Professores, foram a correr concorrer a Professores Titulares, colocando os carris que MLR precisava para pôr o seu projecto autista em andamento. Se ninguém tivesse concorrido a Professor Titular esta Reforma não tinha pernas para andar e obrigava o Ministério a negociar com os Professores.

Depois da manifestação de 8 de Março de 2008, os Sindicatos desmobilizaram os Professores indo a correr assinar um protocolo com o Ministério. Seguiu-se um período de informação e contra-informação, muita dela oriunda dos próprios Sindicatos. Uns afirmando que nada poderia acontecer aos Professores que não entregassem objectivos, outros amedrontando os Professores, dando voz ao Ministério e fazendo o trabalho sujo. Até parece que alguns Sindicatos entraram na luta para não perder cotizações ou para boicotar a luta dos Professores.

Em 8 de Novembro do mesmo ano, fez-se nova manifestação, a qual, ao não ser simultânea com a proposta por organismos autónomos de Professores, contribuiu para alguma fractura e confusão no seio da classe docente.

Quanto a esta última, assistiu-se a um discurso demasiado partidarizado, dando os argumento de que o Governo precisava para menorizar a luta dos Professores.

Já era altura de terminarem os tiques controleiros. Os Professores sabem bem o que querem e que a sua luta contribuirá decisivamente para a perda da maioria absoluta deste Governo.

Eu, por mim, dispenso os discursos partidários que apenas se dirigem para o exterior e desfocaliza a luta dos Professores.

As manifestações são importantes como meio mobilizador e de incentivo à verdadeira luta que se trava dia-a-dia nas Escolas. As manifestações são um meio, não um fim.

Sabemos bem onde está o principal responsável pelo estado a que as coisas chegaram, mas eu já perdi a inocência há muito tempo. Por isso, recuso ser usado por quem quer que seja.

A luta contra a incompetência, prepotência e arrogância tem de ser travada todos os dias na escola e não sujeita a calendários político-partidários do Governo ou de mesmo de alguns Sindicatos.

O meu lado é só um, o dos professores. Eu sei quem é o inimigo, mas não quero os falsos amigos.

A reforma do ensino é um problema muito complexo que necessita da reflexão e colaboração de todos e não de guerras político-partidárias entre os envolvidos no processo ensino-aprendizagem.

A Educação tem de ser transversal à sociedade, tem de ser integradora e não um campo de batalha entre todos os elementos envolvidos.

Não à incompetência, prepotência e arrogância!

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